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Eu era “pititim”. lá em Minas, e cresci sonhando com um grande futuro. Papai, que sempre desejou o melhor pra todos nós, logo cedo sonhou alto: “- Fiote (quando bem humorado, era assim que me chamava), seja jogador de futebol. Você ficará rico, e terá o mundo todo te admirando”. Menino obediente, fui para os descampados, no que chamávamos “campinho de futebol”. Meu pai logo percebeu que meu futuro, quanto ao futebol, estava selado: eu ficaria sentado em um confortável sofá assistindo jogo pela tv. De vez em quando, iria ao estádio pra assistir alguma partida. E só.

Papai era do tipo “brasileiro não desiste nunca!”. E já tinha um plano de contingência, aprimorado mediante meus progressivos fracassos futebolísticos. É que eu fazia o tipo garoto bonzinho, logo me tornando acólito. Nome chic pra coroinha. Com os padres aprendi a jogar xadrez. Fui e sou abaixo de medíocre nessa coisa, já que não tenho paciência para esperar o adversário pensar. Sempre fui rápido no xadrez, o que significava derrotas em tempo recorde. Papai, de olho, aguardando os acontecimentos, insistindo em sonhar com meu futuro grandioso.

Jovem, descobri que queria ser padre. Papai sabia que eu não tinha condições de chegar a ser bispo, nem cardeal e, papa, nem pensar. No máximo eu chegaria a vigário de alguma paróquia do interior. Eu vivia ideais franciscanos, para desespero do meu pai. Para os desavisados, ideais franciscanos é sinônimo de voto de pobreza. Como o pai do querido santo, papai me achava insano. Acho que ele sabia que eu viveria na simplicidade que o Santo de Assis prega, mas, padre…

Lá pelas tantas, eu ainda no seminário, papai iniciou a campanha para que eu fosse pastor. “Veja só, meu filho, padre ganha pouco e ainda tem que deixar tudo com a igreja. Agora, pastor não; pastor é dono da própria igreja. Você pode ficar rico, milionário. Você leva jeito!”.  Cheio daqueles ideais que só jovem tem, ficava irritado com as brincadeiras do meu velho. Eu insistia em que era brincadeira, mas ele bem que sonhava um futuro grande, grandioso.

Segue abaixo um pequeno exemplo do tamanho do meu futuro, que já se fez presente:

Manipulei a foto, na inútil tentativa de deixá-la bonita rsrsrs

Pensar que um chute bem dado garante a vida de um Adriano. E que um blá-blá-blá articulado resulta em ser proprietário de rede de televisão.

Ah, meu pai, jogador de futebol não daria mesmo; mas, pastor! Vai saber, não é mesmo? Bem, como os meninos do farol, ou de dentro do buzão, eu não estou chorando, não estou reclamando, não estou roubando, não estou matando, nem mesmo estou pedindo! Só estou é me divertindo com as ironias dessa vida. E paro por aqui; antes que as pilhas acabem chegarão outras e mais outras e mais outras e mais outras…

Após essa pausa, vou corrigir mais um pouco. Tchau!