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Desde sexta-feira, com a notícia de que Robin Gibb, dos Bee Gees, está em coma, fiquei pensando no grupo que povoou minha adolescência com belas canções. Na manhã de sábado fiquei ouvindo um disco antigo, agora em cd, que guardo com muito carinho, com as minhas músicas preferidas da banda.

Sem condições de escrever algo da forma como gostaria, resolvi resgatar um texto publicado anteriormente. É uma sincera homenagem ao cantor e compositor que batalha contra um câncer e,através desta lembrança, meu grande desejo de que ele tenha dias melhores.

Bee Gees e os grandes afetos

Sabe-se lá como é que começa um grande afeto. Quando a gente percebe, pinta e, às vezes, fica. Será que vai acontecer com o Lucas, meu sobrinho, que tem apenas nove anos? Ninguém explica o motivo que leva o garotinho (normalmente um “anjinho”, tipo demolidor!) a parar para ouvir e cantar BEE GEES! 

Eu não era tão criança, quanto o Luquinha é hoje; já era adolescente. Todavia, naquela época, aquilo que eu vivia e sentia, eu denominava amor.

When I was small, and Christmas trees were tall,

We used to love while others used to play.

Don’t ask me why, but time has passed us by… 

No final da década de 60 “rolava” bailinhos caseiros nas tardes de domingo do bairro Boa Vista, e provavelmente, em toda Uberaba. A gente chamava esses encontros de “brincadeira”. E aí, brincava-se de dançar, de namorar… Todo mundo arrumadinho, cuidando de cada detalhe do que hoje se diz “produção”. Dançava-se juntinho, coisa rara hoje em dia. Então tinha que estar cheiroso, pra chegar bem pertinho da menina.

Where are you

Cherry red, sweeter than the honeycomb

Sweeter still when we’re alone

Cherry red, my cherry red…

Nas primeiras vezes, convidar uma garota para dançar era uma tortura. A primeira etapa a ser vencida era: – E se ela disser não? Se para os garotos era difícil tomar a atitude de convidar, para as meninas era um medo semelhante; o de não serem chamadas. A segunda etapa, tão delicada quanto a primeira, era entrar em sincronia. Se a gente não acertasse o passo com a garota, dançando, não adiantaria mais nada. A lenda dizia – Não vai dar certo! É batata!

I started a joke

Which started the whole world crying

Oh had I only seen

That the joke was on me…

Naquela época eu não me preocupava com as origens dos BEE GEES. Nem em classificar a música deles em qualquer categoria. Eram melodias agradáveis, que falavam de amor e era o que bastava. A gente identificava a música pelos primeiros acordes e saía, à cata da garota (sempre de olho em alguma!), antes que um idiota(O outro, sempre um idiota!) tomasse a dianteira.

Minhas irmãs dançaram com seus primeiros namorados nessas festinhas; meu irmão, com uma grande paixão. Só uma de minhas irmãs, a caçula, veio a casar-se com um namorado dessas tardes dominicais. Acho que toda a nossa geração paquerou, flertou e namorou ao som dos BEE GEES. Eu não saí do esquema.

This world has lost it’s glory,

Let’s start a brand new story, now my love

Right now there’ll be no other time

And I can show you all my love…

O casal apaixonado e o cartaz de "Melody, Quando Brota o Amor"

Todavia, minha mais cara lembrança desse grupo, vem de uma tarde qualquer, já no começo dos anos 70, no Cine Uberaba Palace. Eu estava apaixonado por uma garota, Cleide, e fomos ao cinema, bem no meio da semana. O filme, com toda a trilha sonora dos BEE GEES, contava a história, nos arredores de Londres, do amor entre duas crianças.

Who is the girl with the crying face

Looking at millions of signs?

She knows that life is a running race,

Her face shouldn’t show any line…

… Melody Fair, remember you’re only a girl.

MARK LESTER e TRACY HYDE formavam o casal, que tinha como cúmplice JACK WILD. É uma história banal cujo maior trunfo está na situação vivenciada por três crianças, e na música suave e envolvente dos irmãos GIBB. Esse filme sempre esteve em minha memória e, anos depois, era da internet, descobri que há uma legião de fãs no México, no Japão… Há até vídeos dos atores, agora adultos. Quanto ao “namoro” de então…

I can think of younger days when living for my life

Was everything a man could want to do

I could never see tomorrow,

But I was never told about the sorrow.

And how can you mend a broken heart?

…tornou-se uma bela e grande amizade. Daquelas que a gente confia, mesmo à distância; sem encontros constantes, corriqueiros, mas presentes um na vida do outro, na confiança terna dos afetos tranquilos, da amizade verdadeira, onde uma música dos BEE GEES nunca nos foi necessária:

Don’t forget to remember me

And the love that used to be

I still remember you

I love you

In my heart lies a memory to tell the stars above

Don’t forget to remember me my love.

O BEE GEES acabou; MAURICE GIBB faleceu. Do Cine Uberaba Palace, resta o prédio, com outras funções e ocupações. Não falarei dos BEE GEES do final dos anos 70, anos 80. Agora, fico por aqui, lembrando-me de um doce encontro, “de um amor que nunca poderia ser meu”…

Tomorrow… every one gonna know me better.

And tomorrow… every one gonna drink my wine.

And… tomorrow… every one gonna read my letter

and my story of love, and a love that could never be mine.

Essas coisas do destino… Um amor que não acontece por uma amizade que perdura. Um grande afeto. Deixo meu carinhoso beijo pra você, ‘Melody Fair’!

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Até!

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Notas Musicais: 

Firstof May – B.R. & M. Gibb

CherryRed – B. Gibb

Istarted a joke – B.R. & M. Gibb

Words – B.R. & M. Gibb

Melody Fair – B.R. & M. Gibb

How can you mend a broken heart – B.R. & M. Gibb

Don’t forget to remember – B.R. & M. Gibb

Tomorrow, tomorrow – B.R. & M. Gibb

(publicado originalmente em 24/09/2008)