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É muito bom quando instituições preservam a obra de um artista já falecido. Há fundações que atuam no sentido de garantir a integridade da obra deixada pelo artista. Normalmente sem fins lucrativos, atuam divulgando o trabalho e a vida dessas grandes figuras; também são responsáveis por novos trabalhos, autorizando  ou proibindo ações de indivíduos interessados em faturar em cima do legado deixado por outros. Esse trabalho, incipiente no Brasil, já tem exemplos notáveis no que se faz em relação a Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Falta criar algo nesse sentido para preservar a obra e a memória de Elis Regina.

Pedro, Maria Rita, Elis Regina e João Marcelo

Com o pretexto de lembrar os trinta anos da morte de Elis Regina (1945/1982), os filhos da cantora estão fazendo uma série de ações, entre shows, lançamentos de caixas, DVDs e similares. Não há como duvidar do direito ao espólio da artista, mas a sede ao pote é tanta que a fraternidade ficou em segundo plano e os interesses meramente comerciais ficam mais que evidentes.

Quem viu a entrevista com Maria Rita e João Marcelo Bôscoli no programa do Jô Soares deve ter notado que o nome de Pedro Mariano não foi citado. Foi como se apenas os dois primeiros fizessem homenagem à mãe, sem que houvesse o terceiro irmão.  Os interesses profissionais e monetários certamente estão entre as causas que impedem os irmãos em um projeto comum.

Maria Rita irá gravar o show “Redescobrir” no dia 11 de agosto, em São Paulo, no Credicard Hall. O registro será base para CD, DVD e tudo o mais que se lança atualmente. Além do patrocínio de uma empresa de cosméticos, Maria Rita tem apoio da Universal, sua nova gravadora. Dá para perceber porque Pedro Mariano ficou de fora? Ele não é garoto propaganda de cremes nem está nos interesses da Universal.

Longe dos irmãos, em Curitiba, Pedro Mariano fará outro show, no dia 2 de agosto. Com o nome “Elis por eles”, um naipe variado de cantores subirá ao palco do Teatro Positivo para, junto a Pedro Mariano, lembrar Elis Regina.  Do parceiro da cantora, Jair Rodrigues, ao grande ídolo de Elis, Cauby Peixoto, o show ainda contará com Diogo Nogueira, Lenine, Filipe Catto, Seu Jorge e, entre outros, Chitãozinho & Xororó e Rogério Flausino. É um amplo tiroteio, para acertar todos os tipos de públicos.

João Marcelo, que não canta, lança discos e DVDs da mãe famosa. Entre as novidades foi anunciado um DVD com o programa especial que Elis Regina gravou para uma TV alemã, em 1972. Mais que o registro de um momento histórico, de resto já colocado em partes na internet, o lançamento vem bem na estratégia capitalista de criar novos produtos para aumentar lucros.

Se Elis estivesse viva… Não consigo imaginá-la cantando com Rogério Flausino; e penso que ela pediria mais autenticidade para a filha que, para mostrar-se diferente da mãe, fica enfeitando as canções, mostrando razoável capacidade vocal e pouca emoção nas interpretações. Quanto aos lançamentos feitos pelas gravadoras, só à revelia de Elis. É doido saber que a cantora pediu, por exemplo, que o show de Montreux nunca saísse em disco. Foi o primeiro a sair, logo após a morte de Elis, em 1982; recentemente “novo cd” saiu em dose dupla, com as duas apresentações de Elis Regina no famoso festival.

Elis Regina foi, em vida, arrimo familiar. Continua sendo fonte de renda para os filhos. A certeza nesses eventos todos  é a de que a memória de Elis permanecerá. Aqueles que realmente curtem o trabalho da maior cantora brasileira percebem os lançamentos meramente comerciais. Esquecerão esses para manter vivo o que mais interessa: os grandes discos que, em soma, são o verdadeiro legado de Elis para a nossa música.

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Boa semana para todos.

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