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Meus mestres; melhor nossos, porque ensinaram para centenas, talvez milhares de outros.  Dia de homenagear e por isso devo escrever nossos mestres também pensando naqueles que por aqui passam e que tiveram professores. Mestres, os nossos, são pessoas que só palavras de poeta lembram corretamente…

Fernando Pessoa, mestre entre poetas

Mestre, meu mestre querido!

Coração do meu corpo intelectual e inteiro!

Vida da origem da minha inspiração!

Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? (1)

Como definir, escrever corretamente sobre as primeiras professoras? O certo é que elas estão aqui, em meus pensamentos, gravadas em minha alma. O “a” escrito na lousa pelas mãos de D. Zilda; um modo de ser sugerido por Maria Ignez Prata com voz suave. Duas das primeiras mestras, inesquecíveis, que povoaram minha infância com visões e certezas traduzidas em mais versos.

Meu mestre e meu guia!

A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,

Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,

Natural como um dia mostrando tudo… (2)

Era imenso o abençoado distanciamento que aqueles tempos permitiam (Jamais chamei de tia ou tio um professor!). Assim, com respeitosa distância, tinha meus mestres no lugar que lhes é devido: de um ponto elevado onde é a posição de um guia.

Quando penso em literatura recordo as primeiras leituras semanais exigidas por D. Terezinha (Rita Terezinha de Castro). Parecia que ela não fazia outra coisa exceto ler nossas fichas de leitura, redigir comentários e pensar nos próximos livros, nos próximos trabalhos. Não me recordo de ter prazer, nem de sentir que ela tinha grande prazer no que fazia. Recordo que ela fazia com que escolhêssemos trechos preferidos e, assim, guardei e trago na memória o que aprendi a admirar em literatura.

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;

Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente… (3)

Maria Ignez Prata e Décio Bragança: Mestres inesquecíveis.

Com Décio Bragança aprendi a gostar de literatura. As aulas do professor Décio levaram-me a colecionar poesia, a eleger preferidos entre escritores e seus feitos. A noção de que história é coisa viva obtive com as aulas de literatura ministradas por aquele jovem, ainda franciscano na maneira de ser. Agora, buscando notícias desses mestres na internet, encontrei esta entrevista publicada no Jornal da Manhã, de Uberaba. Foi como estar novamente na sala de aula, vendo a maneira franca e direta de Décio dizer as coisas.

Já escrevi (clique aqui) sobre Maria Ignez Prata e da importância que ela teve na minha infância. Neste post, além dos mestres já citados, quero dar um salto no tempo e no espaço para, já na UNESP lembrar Dirce Ceribelli, com aulas de puro encantamento, fundamentadas na mais refinada poesia de João Cabral de Melo Neto.

… No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.(4)

Estou atualmente entre mestres e, legalmente, obtive o título. Busco fazer por merecer, por vir a ser. Espelho-me nesses adoráveis senhores da minha formação tanto quanto naqueles com os quais convivo, no cotidiano da universidade. Para ambos, aos mestres da minha vida e aos meus companheiros de trabalho, a eterna gratidão pelo constante aprendizado.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu…

Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!(5)

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Feliz dia do professor!

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Notas

–  Os versos assinalados com (1),(2) e (5),  são de Fernando Pessoa sob o heterônimo Álvaro de Campos (Mestre, meu mestre querido)

– (3) citação do capítulo inicial de Iracema, de José de Alencar.

– (4) são os versos finais de “A educação pela pedra”, de João Cabral de Melo Neto.

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