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Santo Deus, meu passado está ficando esmaecido, em cores muito distantes daquelas que guardo na memória. As imagens, já um tanto envelhecidas, servem apenas para avivar lembranças. Por exemplo, o cenário abaixo foi todo feito em madeira, papel e pano. As madeiras foram cedidas pelo Sr. Antonio H. Justino; os papéis vieram da gráfica do jornal Lavoura e Comércio. Eram sobras das grandes bobinas de papel utilizadas para impressão do jornal; parte do início e do final dessas bobinas não eram utilizadas e Wilson Oliveira, que trabalhava por lá e conseguia o material que transformávamos em cenário. O tecido foi pintado por…

O tempo é cruel, quem sabe alguém pode ajudar-me a recordar todos os detalhes da segunda peça que fizemos e cuja estréia ocorreu no páteo da Igreja de Nossa Senhora das Graças, Uberaba, MG, em 1979.

ANDRÉ GERAL 1

O nome da peça é ANDRÉ (nunca gostei desse título!). Foi uma foto desta peça que Marilene Justino publicou no Facebook, levando-me a recordar algumas histórias, para fixar alguns momentos, reativar lembranças e, tomara, que as imagens sejam melhor preservadas nesse mundo virtual, já que no papel…

Toda essas cabeças em primeiro plano são de uma grande platéia que nos aplaudiu carinhosamente. E o elenco, todos  os participantes desse trabalho, prefiro que fiquem registrados através de outra imagem, essa de um programa simples, feito também pelo Wilson de Oliveira e patrocinado pelo Lavoura e Comércio.

andré programa

Sendo nosso segundo trabalho, ANDRÉ, a peça, é uma tentativa de teatro melhor elaborado. Nessas alturas eu já descobrira Stanislavsky, o grande teórico russo; fugindo da colagem anterior, criei um texto e, dentro da igreja, trabalhando em uma equipe vocacional, decidindo ou não se seria padre, já dá para adivinhar o enredo: um jovem vivenciando uma realidade complicada decide fazer algo pelo mundo, através do sacerdócio. Vai enfrentar problemas com a família e uma namorada; ambas não querem perder o pimpolho para o seminário.

Vamos fixar o enredo em imagens:

Marluce Justino interpretou Mirela, uma irmã que não queria irmão padre: o dito cujo, André, foi interpretado por Wilson de Oliveira.

Marluce Justino interpretou Mirela, uma irmã que não queria irmão padre: o dito cujo, André, foi interpretado por Wilson de Oliveira.

A próxima imagem é da namorada, gatinha, que perde o gajo para a Igreja.

Marilene Justino interpretou Carolina, a moça que ficou sem o namorado.

Marilene Justino interpretou Carolina, a moça que ficou sem o namorado.

O fora, pobre Carolina, foi dado em um boteco, com luzes coloridas e música ao vivo…

Célio de figurante, Paulinho e Fernando cantando ao vivo. Esse momento marca minha estréia como compositor (letra) em parceria com Wilson Oliveira (melodia).

Célio de figurante, Paulinho e Fernando cantando ao vivo. Esse momento marca minha estréia como compositor (letra) em parceria com Wilson Oliveira (melodia).

Com Stanislavsky aprendi que o melhor teatro é aquele feito com um olhar sobre a própria realidade; ninguém pode crescer querendo o que é próprio do outro. Assim, aprendi desde então que não deveria buscar fazer o teatro que se fazia em São Paulo ou no Rio de Janeiro, muito menos o que é praticado fora do país. Fizemos teatro dentro das nossas possibilidades, o que me é motivo de muito orgulho. A sensação de realização maior vem do que é possível criar, não copiar. E foi com coisas como essa na cachola que vivemos essa aventura. Mais imagens:

Para agilizar a história utilizamos cenas concomitantes. O espaço sugerindo dois ambientes que intercalavam diálogos.

Para agilizar a história utilizamos cenas concomitantes. O espaço sugerindo dois ambientes que intercalavam diálogos.

As meninas conversando sentadas sobre um tapete, sugerindo a descontração dos jovens em contraponto à formalidade dos mais adultos, sentados em uma lembrança de sala de visitas. A história foi quase toda contada em planos duplos. Na foto abaixo, a personagem Carolina faz confidências para a amiga Alice (papel de Márcia Silveira) e André discute o próprio futuro com o Pe. Luiz (nosso amigo, infelizmente já falecido, Ivan Carlos Gardel).

andré cena coletiva

Quem leu meu relato do nosso primeiro trabalho (quem não leu, clique aqui) soube que, por lá, quase ninguém sabia o que fazia um diretor de teatro. Tratei de fazer meu marketing pessoal assinando texto e direção e, não satisfeito, apresentei agradecimentos à platéia, antes do início da peça. Após a mesma, fomos comemorar na casa das irmãs Marilene e Marluce. Lá fiz mais um registro fotográfico com o elenco.

Os meninos:

Estávamos todos felizes!

Estávamos todos felizes!

As meninas:

Todo pimpão, com "as minhas meninas"

Todo pimpão, com “as minhas meninas”

Há outras fotos, claro. Tentarei, oportunamente, publicar um álbum com todas elas; se possível restauradas. Enquanto isso não for possível, alimento as lembranças e vejo crescer a vontade de um encontro com toda essa gente, semente lançada anteriormente.

Próximo mês tem mais, outras histórias, outra peça. Até lá espero outras lembranças nos comentários aqui, neste espaço, para que possamos manter o registro, ampliar e manter a história.

Boa semana para todos.

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