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Quando o Papa Francisco abençoou hoje a Capela de São Jerônimo Emiliani, no Rio de Janeiro, as lembranças bateram fortes. Conheci São Jerônimo através do Padre Luigi Stela, o primeiro sacerdote da Ordem dos Padres Somascos que assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Graças, no Bairro Boa Vista, lá na minha querida Uberaba.

Paróquia de Nossa Senhora das Graças, Uberaba, MG, onde conheci os Somascos e São Jerônimo Emiliani.

Paróquia de Nossa Senhora das Graças, Uberaba, MG, onde conheci os Somascos e São Jerônimo Emiliani.

O Padre Luigi, Luís, como o chamávamos, rezava sempre para São Jerônimo, “Patrono Universal dos órfãos e da Juventude Abandonada”. Ficam mais claras, coerentes, as intenções do Papa Francisco ao escolher rezar na capela do santo que é patrono da juventude no Encontro Mundial que ocorre nesta semana, no Rio de Janeiro.

São Jerônimo nasceu em Veneza, no ano de 1486, filho da nobreza veneziana. Em 1510, já na carreira militar, confiaram a Jerônimo a Fortaleza de Castelnuovo de Quero onde caiu prisioneiro em ação bélica. Foi libertado milagrosamente por Nossa Senhora. Certamente começa aí a transformação que levaria o nobre Jerônimo ao serviço de Deus.

A morte de um irmão de Jerônimo, que deixou quatro crianças e antes de falecer pede a ele que cuide dos sobrinhos é o começo de nova etapa. Em seguida, outro irmão falece e outros sobrinhos, órfãos, foram também acolhidos por Jerônimo. Anos depois alugaria uma casa em Veneza, onde começou a dar guarida para outros órfãos, constituindo-se este na primeira semente de muitos orfanatos e colégios.

Jerônimo foi discípulo de São Caetano de Tiene, que é o santo que dá nome à simpática São Caetano do Sul, no grande ABC, tornando-se um dos discípulos do Divino Amore, organização criada por São Caetano. Nesta circunstância e após ter sido curado de uma moléstia é que Jerônimo decide dedicar-se aos órfãos. Todo um imenso trabalho deu origem, na aldeia de Somasca, próxima de Veneza e Milão, a Companhia dos Servos dos Pobres, a precursora da Ordem dos Padres Somascos.

Conheci a vida de São Jerônimo através do livro UM HERÓI DESCONHECIDO, a biografia escrita pelo Pe. Carlo Pellegrini, traduzida pelo Pe. Líbero Zappone.  Na adolescência chamávamos o Pe. Líbero de Coronel. Ele tinha um jeito todo peculiar de nos dirigir, enérgico, daí o apelido que, até onde me lembro, foi dado por Fafá, a Fátima Borges. O Coronel foi o primeiro sacerdote Somasco ordenado no Brasil. Mas antes de o Pe. Líbero chegar à vida dos jovens do Boa Vista, lá em Uberaba, conhecemos o Pe. Nicola Rudgi, o Pe. Nicolau.

Sem dúvidas, o Pe. Nicolau foi o mais culto entre todos os padres que conheci. Houve uma época em que ele lecionou as principais disciplinas do antigo Curso Clássico, no Colégio Diocesano, lá em Uberaba. Fui acólito (o popular coroinha) deste padre e na companhia dele, junto com outros garotos, aprendi a jogar xadrez, a conhecer o Renascimento e o Barroco e, lembrança mais sólida, uma grande coleção de discos que possibilitou-nos conhecer as mais belas óperas italianas.

Os padres Somascos cuidaram de um Abrigo de Menores, também lá do nosso bairro. O Pe. Pedro é sempre lembrado pela dedicação aos órfãos que por lá passaram.  Enquanto alguns trabalhavam no orfanato, outros orientavam os jovens paroquianos. O Pe. Enzo Campana, O Pe. Domênico, entre outros, estão entre os padres Somascos que marcaram a minha vida e a de muitos outros amigos.

Capela lateral e interior da nossa paróquia.

Capela lateral e interior da nossa paróquia.

O Padre Américo Veccia foi o primeiro padre que hoje me veio à lembrança. Através dele e na companhia de amigos estive em Manguinhos, no Rio de Janeiro, há muitos anos. Os Somascos mantinham uma paróquia por lá, deixada posteriormente, por questões administrativas. Lá, bem perto, fica a comunidade onde esteve o Papa Francisco abençoando a capela consagrada a São Jerônimo Emiliani.

Minha geração deve muito aos Padres Somascos. Através deles aprendemos a viver em grupo, a organizar ações educativas e sociais, a conhecer uma igreja engajada e voltada para necessidades reais.  Ainda hoje, cada um desses queridos padres está presente de forma distinta na vida dos moradores do Bairro Boa Vista. Casamentos, batizados, festas, reuniões, orientações de todo o tipo. No discurso de cada um está sempre a figura de São Jerônimo Emiliani, o santo que aprendi a respeitar e a quem recorro sempre quando peço por um menor abandonado.

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Até mais!

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