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Em 3 de junho de 2005 minha família foi surpreendida por uma crônica de João Eurípedes Sabino publicada no Jornal da Manhã, de Uberaba, Minas Gerais.  Um texto emocionado e emocionante dedicado a três amigos do autor; um deles foi o nosso pai.

João Eurípedes Sabino foi um dos inúmeros amigos do meu pai. Transcrevo abaixo o belo texto de alguém que não frequentava a minha casa;  faço questão em afirmar isso para evidenciar a absoluta espontaneidade do autor.

TRÊS AMIGOS

João Eurípedes Sabino (*)

Se um dia me forem tiradas as atividades que tenho, uma delas peço a Deus seja a última. Depois dela… seja o que Ele quiser. Refiro-me à oportunidade que tanto prezo de estar toda semana nesta folha. Este espaço tem me proporcionado emoções que aqui não consigo descrevê-las.

Há algo que de algum tempo tenho notado: fotos de pessoas amigas cujas famílias nos comunicam os seus falecimentos. É difícil uma semana sem que um amigo próximo ou mesmo um distante conhecido não tenha aqui o seu retrato em cumprimento à suprema Lei Universal de Separação.

Na última semana fui impactado com fotos de três pessoas idas nos mesmos dias cujo existir de cada uma eu tive a prerrogativa de participar “em passant”. Melhor dizendo; em minha vida é que existe a marca dos três. Djalma Alves da Silva, Felisbino Francisco Rodrigues Resende (Bino) e Luiz Humberto Batitucci estavam em pleno vigor da vida quando eu era um ilustre e desconhecido adolescente. Já faz quatro décadas.

Djalma, no Correio Católico, depois inspetor de trânsito e guarda civil, ensinou-me junto a outros valiosos colegas seus a honrar o uniforme, agir e me conduzir como guarda mirim. Luiz mostrou-me o caminho de como chegar até aquela corporação. Derrubei muitas latas e patinhos para ganhar prêmios no tiro ao alvo do Bino, autêntico amigo das crianças.

Sempre (desde a infância) tive pessoas boas no meu caminho. Os três que encontrei nesse caminho, posso dizer que cumpriram bem o papel a eles confiado. Eram preocupados em deixar boas lições e deixaram. Ainda bem que eu fui esperto e anotei os seus exemplos.

A dupla sertaneja Silveira e Nicanor (já falecidos) canta uma música com o título: “Estou ficando tão só”. Não quero achar que o cancioneiro esteja falando comigo, mas a última semana me fez pensar muito naquela letra. Três distintos amigos meus “viajaram”.

Zote dizia: “Depois de uma certa idade, de cada quatro amigos lembrados, três sempre já se foram. Não sobra uma chance para o último, a não ser partir também”. Zote, eta Zote…

Espero não ter surpresas hoje, embora eu lamente por todos os que se despediram e estejam ao lado ou embaixo nesta página. Este texto foi escrito com certa antecedência e jamais eu saberia qual ou quais amigos teriam nos deixado fisicamente nesses dias ou nesta data.

Quero que Deus me seja generoso, atendendo-me. Ao levar meus amigos, que a “convocação” os encontre trabalhando pelo bem da humanidade.

Djalma, Bino e Luiz eram obreiros.

(*)do Fórum Permanente dos Articulistas de Uberaba e Região.

Esta foi uma, entre as homenagens feitas à memória de meu Pai que, nesta semana, mais uma vez será lembrado oficialmente pela cidade que tanto amou. Falarei sobre isto no próximo post. Por enquanto, fica a crônica, com uma face de Felisbino Francisco Rodrigues de Resende através de um, entre tantos amigos que fez por aqui.

Mais uma vez, em nome de toda a família, minhas homenagens e agradecimentos ao ilustre autor, João Eurípedes Sabino, que é membro da Academia de Letras do Triangulo Mineiro, onde ocupa a cadeira de número 32. Conheça outros dados desse uberabense, clicando aqui.

Até mais!

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