Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

samba 3

Por acaso revi cenas de “Samba”, com Sara Montiel, ou Sarita, como também era chamada. Vi esse filme com a atriz e cantora espanhola no Cine Metrópole, em Uberaba, provavelmente em 1965, ano em que o filme foi lançado. A personagem interpretada por Sara desfila pela “Acadêmicos do Salgueiro” e foi assim que vi, pela primeira vez, uma escola de samba carioca.

Além de desfilar pela escola a estrela de “La Violetera” ainda canta várias versões em espanhol de músicas brasileiras: “Na Baixa do Sapateiro” (Ary Barroso), “Sábado em Copacabana” (Dorival Caymmi) e, entre outras, “A noite do meu bem” (Dolores Duran).  “Samba” tem roteiro razoável que dá espaço para a beleza da atriz, além de números musicais “para inglês ver”. Há uma disputa, no filme, para ver quem será o destaque da escola: a Xica da Silva, como se tal coisa fosse a mais importante do desfile (excluem a ideia do concurso, da participação de outras escolas…).

(No trailer, destaque também para a participação dos brasileiros GRANDE OTELO, ZENI PEREIRA e CARLOS ALBERTO)

Na verdade, Xica da Silva foi enredo do Salgueiro em 1963, ano de produção do filme quando, contam, Sara ficou por aqui durante seis meses. Nesse ano Isabel Valença entrou definitivamente para a história do carnaval carioca desfilando como destaque da escola. É também nesse ano, 1963, que a Salgueiro colocou sambistas dançando minueto, iniciando toda uma história de alas marcadas, comuns em todos os carnavais. O carnavalesco Arlindo Rodrigues inovou e obteve o primeiro lugar no desfile carioca.

(SALGUEIRO na  avenida, com Sara Montiel como o destaque que foi, no desfile real, de Isabel Valença)

Antes do filme tenho vagas lembranças de carnaval de rua em Uberaba; pouco tempo depois, já pré-adolescente vi desfiles em Ribeirão Preto (na lembrança ficou a Acadêmicos da Vila Paulista) e em Campinas (Estrela Dalva, a escola que não esqueci). Com quatorze, quinze anos, já assistia os ensaios da escola de samba uberabense, Os Bambas do Fabrício, onde a grande atração era a passista Fátima, que paralisava todos com beleza e samba de primeira qualidade.

Foi em uma TV, ainda em preto e branco, que passei uma noite vendo o desfile do Rio de Janeiro. Em 1974, quando a Acadêmicos do Salgueiro foi novamente campeã, com o enredo “O Rei de França na Ilha de Assombração”. O que ficou realmente inesquecível desse carnaval foi a vice-campeão Portela, com “O mundo melhor de Pixinguinha” (Jair Amorim, Evaldo Gouveia e Velha).

“… A roseira dá rosa em botão

Pixinguinha dá rosa canção

E a canção bonita é como a flor

Que tem perfume e cor…”

É incrível o quanto algumas imagens trazem outras. Quem quiser pode conferir: Sarita Montiel dança samba da mesma forma que dança rumba. É uma mulher belíssima. Todavia, nas imagens do filme, são figurantes cariocas que mostram ao mundo o verdadeiro samba. Há até mesmo passos de gafieira em plena avenida. O filme vale por mostrar faces de um Rio de Janeiro, do carnaval e dá ideia concreta de como eram os desfiles nos anos de 1960. Vejam as cenas e curtam os sambas “abolerados”, a beleza de Sarita, mas, sobretudo os belos momentos da Acadêmicos do Salgueiro imortalizados na película.

Veja outros vídeos disponíveis de cenas do filme:

Para ver a versão de “Aquarela do Brasil” clique aquarela do Brasil

A versão de “Na Baixa do Sapateiro” está aqui.

Em “Fantasia”, de Gregório Garcia Segura e Jesús Maria de Arozamenta duas crianças mostram um gracioso modo de sambar; veja clicando aqui.

Até mais!