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Ana Luiza, Maria Abadia e o Dr. Nelson Barsam

Ontem veio a notícia do falecimento do Dr. Nelson Barsam. Junto ao sentimento pela perda veio a gratidão pela extraordinária capacidade desse médico, lá em Uberaba, que por meio de seu trabalho tornou melhor a vida de inúmeras pessoas. Aqui vai um relato com a dupla intenção de homenagear e agradecer; mais que um testemunho, fui agraciado com o trabalho do Dr. Barsam.

Foi em 1993. O tornozelo quebrado durante um atropelamento. No Pronto do Socorro do Hospital São Paulo, aqui na capital paulista, quando recebi um diagnóstico preocupante. O médico chefe aproximou-se e indagou-me: – Você tem condições de fazer tratamento com um bom médico? O seu tornozelo foi triturado e precisa ser reconstituído. Você corre o risco de ficar aleijado.

Após pequeno drama advindo da situação recebi “alta” para que eu pudesse ir para Uberaba. Lá eu tinha toda a minha família. Lá estava o Dr. Nelson Barsam.

Todos os cuidados médicos nos primeiros sete anos do meu sobrinho Thiago vieram do Dr. Nelson. No outro extremo, durante os últimos anos de vida do meu avô, o tratamento veio do mesmo ortopedista. Papai, com a clavícula quebrada durante um assalto, voltou à normalidade com o eficaz tratamento do Dr. Barsam; assim papai o chamava. Mamãe, minhas irmãs… O Doutor Nelson Barsam foi médico de toda a nossa família.

Tenho lembranças peculiares do tratamento que recebi. Grogue com o efeito da anestesia percebi a ação do doutor reconstituindo meu tornozelo. Acordei horas depois em um quarto tendo outro convalescente na cama ao lado. Um senhor que, antes de qualquer outra palavra, perguntou-me se eu era fumante. Com minha resposta afirmativa foi estabelecida a cumplicidade. A noite chegou e o senhor, já em condições de caminhar buscou cigarros escondidos no armário. Confusão estabelecida ao amanhecer; enfermeiros irritados com aqueles doentes irresponsáveis. Resolveram cortar a presença de acompanhantes. O conflito estabelecido foi resolvido pelo Dr. Barsam, falando com meu pai: “-Leve esse moleque pra casa, pra ele não me criar mais problemas”.

A Casa de saúde São José – toda Uberaba sabe – fica sobre uma pequena elevação do terreno, acima da rua; uma semana depois, lá do alto de uma das janelas do estabelecimento, o Dr. Nelson viu-me chegando montado na garupa da motocicleta do meu pai, o pé ainda inchado e estendido rente ao veículo… O médico amigo de papai não se conteve: “- Bino, filho da puta, quebra a outra perna desse moleque e leve pra outro consertar!” Papai riu; eu, logo depois, acatei a decisão do ortopedista: – “Não vamos engessar; você vai levar anos fazendo fisioterapia. Comece os exercícios já e logo você estará bom. E volte pra casa de carro!” Papai riu. Logo depois, da mesma janela, outros palavrões ecoaram pela Rua Santo Antônio. Quatro meses depois eu deixava muletas; pouco depois já caminhava normalmente pelas ruas de São Paulo.

Quantas histórias similares a esta poderão ser narradas? Quantas famílias, quantos indivíduos tiveram suas vidas normalizadas pelas mãos do Dr. Nelson Barsam? Incontáveis. Todos, com certeza, nutrindo eterna gratidão pelo médico e profissional impecável que deixava a clínica e o casa de saúde para atender no Hospital Escola. Que deixava o consultório para ir até as residências de seus convalescentes, tratando e acompanhando-os com presteza e dedicação.

Obrigado é o mínimo que se diz. Deus lhe pague, é bom. Expressões que inúmeras famílias de Uberaba estão lembrando nesses momentos onde a tristeza nos encaminha para as orações, pedindo por quem nos fez tanto bem.  Tenho ainda hoje, em meu tornozelo, parafusos colocados pelo ortopedista que me garantiu o ir e vir com tranquilidade. “- Tire se quiser, disse uma vez. Não há necessidade”.  Agora eles tornam-se lembrança para, sempre que possível, nutrir sentimentos de gratidão e agradecimento ao amigo.

Fica aqui, além desta singela homenagem, meu carinho e de toda a minha família para os familiares, em especial para a esposa Maria Abadia Prata Barsam e a filha, Ana Luiza. Que Deus as conforte e receba em seus braços nosso amigo, médico das famílias, Nelson Barsam.

Até mais!