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Basta olhar para a imagem e o tempo, já distante, reaviva o cheiro de álcool e tinta característicos da impressão via mimeografo. Mesmo com todas as andanças, mudanças daqui e dali, ainda tenho um exemplar. É “O Tíutio” de número quatro, o jornal do Movimento de Jovens da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, lá em Uberaba, MG.

Nosso grupo, lá no Bairro Boa Vista, começou com o trabalho de outros jovens, do então chamado Movimento Mundo Novo, cujos participantes eram de outras paróquias da cidade. Estimulados pelos Padres Somascos continuamos o trabalho. Esses já estavam na paróquia desde a década anterior e guardo, com muito carinho, muito do que aprendi com o Padre Nicola Rudge, a quem chamávamos Padre Nicolau ( Com ele descobri a arte do renascimento, aprendi xadrez enquanto ouvia música erudita, em especial, a ópera italiana).

A turma de acólitos (os populares coroinhas) criado pelo Pe. Nicolau caminhou naturalmente para o grupo de jovens, assim como as meninas do grupo que nas novenas, anualmente, coroava as imagens de Maria. Outros padres, Líbero Zappone e Américo Veccia, passaram a trabalhar conosco. Américo, o Tíutio que deu título ao jornal, tinha foco em ações da pastoral vocacional e Pe. Líbero, a quem chamávamos Coronel, era o Vigário de então.

O Coronel justificava o título com “ordens” variadas. “– Vocês irão tocar violão na missa daqui a um mês!” Fátima Borges e eu, obedientes, corremos para ter aulas e no tempo exigido estávamos, trêmulos, executando acordes para que nossos amigos cantassem.  Outra ordem, mexeu com todo o grupo, cerca de 50 pessoas: “- Na próxima quermesse vocês serão os festeiros!”.  Uma revolução. Em toda a história da paróquia as quermesses eram feitas por casais experientes do bairro, com domínio e prática daquele tipo de evento. O grupo topou o desafio e fez um belo trabalho.

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O jornal – faz tempo! – não sei como surgiu, mas está no exemplar que guardo menção à grande colaboração do “Coronel”. A redação está assim descrita: “Valdo, Inimar, Luiz Albino e Ronaldo. Os desenhos foram a cargo de: Gerson”. Os assuntos? Um texto reflexivo de abertura, algumas piadas e muita brincadeira com algumas pessoas participantes do grupo. O número, último do ano de 1975, registra nome e endereço de 46 integrantes.

Já tínhamos sinais de que as coisas mudariam. Fátima Borges, por exemplo, já havia ido de mudança com a família para Goiânia. Logo eu também viria embora. E dos que constam desse velho jornal mimeografado, lamento algumas erdas irreparáveis: Ronaldo Feliciano de Assis, meu querido amigo, faleceu. Também falecidos: João Cardoso Borges e Maria Catarina Souto. Talvez outros, não sei. Muitos integrantes permaneceram lá no bairro, formaram família, os filhos já crescidos, certamente há avós entre esses jovens do Tíutio. Outros foram pra outras cidades, outros estados. E o tempo passou.

Foi em uma dessas arrumações de final/começo de ano que mostrei ao Agostinho Hermes, meu irmão Gugu, o jornal de quando éramos jovens e ele, na época menino, era acólito cuja atuação está registrada nas fotos de casamento de minha irmã Walderez. Ele impediu-me de jogar fora o velho exemplar, assim como também o texto da primeira homilia que fiz, sob as ordens do Coronel, tendo como tema a Parábola do Semeador. – É história, Vavá! Tem que registrar no blog. E aqui está.

Nosso país anda feio! Os anos de 1970 também foram difíceis: estávamos lá! Semeando esperança e nos preparando para seguir em frente. Até onde percebo, via redes sociais, ou papos pessoais, continuamos na luta. A fé pode não ser a mesma, assim como os ideais foram mudando com o tempo, mas ouso afirmar: – Somos gente do bem. E aprendemos boa parte do que somos lá, ao lado dos padres.

Os Somascos ensinaram-nos a fazer reuniões, organizar eventos, discutir textos, planejar ações de integração, discussão. Entre muitas atividades, creio, que a principal foi a discussão e interpretação de textos. Da Bíblia, dos livros de formação e de letras de canções, notícias de jornal, poesias. Um aprendizado informal, mas que certamente norteia a vida de todos aqueles que viveram intensamente aqueles anos.

Meu carinho aos padres e para todos os meus companheiros de grupo, para quem vai este texto. Meus sentimentos aos familiares por aqueles que partiram.

Terminarei registrando todos os nomes citados no jornal; um encontro virtual para lembrar tempos em que sonhávamos grande e, quem sabe, não seja este um pequeno estímulo para continuar a sonhar. No mínimo, um bocado de histórias para lembrar.

Ajair dos Reis Farias Pinto, Alcides Delfino Camilo, Anivaldo Santana, Antonio Sebastião de Souza, Antonio Sergio Manzan, Ariadina Aparecida Borges, Célio Heli Batista, Daniel Lázaro das Neves, Delcio José Matos, Dulcelane dos Santos Loureiro, Eleusa de Fátima Ramos, Getúlio de Oliveira, Gilberto dos Reis Mota, Haidee Maria Fialho, Inimar Eurípedes Santana, João Cardoso Borges, José Geraldo de Oliveira, José Humberto da Silveira, Lúcia Helena Ribeiro, Luiz Albino Gonçalves, Marco Antonio Britto, Maria Amélia Cruz, Maria Aparecida Souto, Maria Bernadete Camilo, Maria Bernadete da Silveira, Maria Catarina Souto, Maria das Graças, Maria das Graças Silveira, Maria Lucia Souto, Maria Natividade Ramos, Marilene Alves, Marilene Justino, Marina Alves Rocha, Marisa Helena Alves, Marluce Aparecida Justino, Marluce Helena de Souza, Marta Aparecida Camilo, Paulo Roberto da Silveira, Pedro Bernardino da Silveira, Pedro Delfino Camilo Filho, Ronaldo Feliciano de Assis, Shirley de Matos, Silvia Gonçalves, Tania Cristina Melo Oliveira, Valdo Vinagreiro Resende, Vanildo Portela de Jesus.

Até mais!