Comportamento criativo e a “cultura do não”

O ideal de um indivíduo criativo pode ser observado em toda e qualquer criança. Nascemos e iniciamos uma primeira grande viagem que é conhecer o mundo em que vivemos. É emocionante ver uma criança conseguir pegar e, em seguida, manipular um objeto. O olhar é intenso, a atenção é concentrada e a exploração passa pelo cheiro, pelo tato, pela cor e, geralmente, a coisa vira chacoalho para ver que som tem.

Alexandre
Alexandre ignora limites e domina o espaço

A curiosidade é companheira, crescendo com a criança. Os experimentos não cessam; engatinhar, andar, correr, saltar… brincar com os pais, os primeiros amigos, o animal de estimação. O profundo encantamento perante a areia, a água, a chuva, o fogo e concretiza-se na infância algumas das principais características do indivíduo criativo: Curiosidade; capacidade de exploração; desejo de experimentar e não se prender a nenhuma barreira; ultrapassar limites; alegrar-se perante cada descoberta…

Quantas crianças aprendem, primeiro, o significado do advérbio “não”? É observando que percebemos pais e familiares aprovando as atitudes da criança com sorrisos, palmas, beijos, mas, raramente com um “sim!”. É óbvio que todo familiar tem o dever de cuidar e o não é inevitável perante o fogo, a água quente, a tomada desprotegida… Há também outros nãos diante do que a criança pega, a tentativa da cambalhota, o desejo de subir em um sofá ou outro móvel em cuidados, às vezes, exagerados. E há outros nãos para manter a casa arrumada, o chão limpo, a roupa bem passada, o cabelo “arrumado” …

maria Luisa
Com atenção e delicadeza Maria Luisa descobre o mundo fora de casa.

Feliz a criança que sai de casa para o quintal. Mais feliz ainda quando esse quintal tem terra, plantas ornamentais e outras, frutíferas. E areia. E cacarecos, muitos cacarecos para serem transformados naquilo que a criança sonha ou imagina. O que fazer dentro de um quarto cheio de brinquedos à não ser quebrar esses pra dar vazão ao desejo de transformar, descobrir, experimentar? Parques, praças, jardins estão aí, e é preciso explorá-los para que a criança possa descobrir o mundo fora de apartamentos. Dá trabalho, dirão alguns, mas quem não quiser ter trabalho que não tenha filhos.

Nascemos e nos desenvolvemos com muitas características criativas. Ainda muito crianças já manipulamos as palavras, ordenando-as em formulações complexas e sofisticadas. Engatinhando e, em seguida, andando aprendemos a dominar o espaço, a usar nosso corpo e o movimentamos, no esporte ou na dança, conforme nossos desejos e necessidades. É lindo ver uma criança entendendo o que o outro sente, colocando-se no lugar desse e, maravilha, entendendo os próprios sentimentos. Também é maravilhoso perceber a capacidade da criança em dominar conceitos lógicos, objetos complexos e, até mesmo, sistemas numéricos.

Autores como Jordan Ayan denominam essa fase como sendo a da criatividade natural, ou fase das chamadas habilidades criativas. E é dentro de casa que começamos a perdê-las. Quando o “não” ultrapassa o limite do razoável. Também dentro da escola, quando esta prioriza regras e procedimentos formais. Se em alguns lares existe a propensão ao enquadramento uniformizado – veja os idiotas de plantão insistindo em padronizar cores – há escolas que reforçam tais padrões e ainda impõem outros, normalmente em detrimento da expressão individual. É de Ayan a seguinte e triste metáfora: Crianças costumam entrar na escola com uma fantástica caixa de lápis de cor e saem da mesma com uma caneta esferográfica…

Para contrapor o “não faça”, “não pode”, “não é de bom tom”, “tem que ser assim” e, um dos maiores inibidores sociais, o inevitável “o que os outros devem pensar” é que devemos refletir, estudar e recuperar nosso potencial criativo. Rever nossa história é fundamental para ampliar nosso autoconhecimento. E, para seguir em frente, evitar e expurgar sentimentos negativos, tais como mágoas, ressentimentos, revoltas… Nada mais chato que um adulto “revoltinha”. Buscar o sim, através daquela curiosidade que há dentro de cada um, perante o desconhecido, o novo. Não temer experimentar, ousar e extrapolar nossos limites corriqueiros; soltar o corpo na dança, sob a chuva, dentro do mar. Recuperar o olhar da criança perante o mundo e, como ela, descobrir o outro. E se houver algum problema pela frente, vamos manipular, experimentar, buscar e… solucionar.

Até mais!

ATENÇÃO: O texto acima permeia o conteúdo do curso CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO que será realizado no dia 19 de outubro de 2019 no Hotel Matsubara, em São Paulo. As inscrições estão abertas e os detalhes sobre o curso estão no site www.competency.com.br

 

A reprodução de partes ou de todo o texto deve obrigatoriamente mencionar a fonte e o autor.

 

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