As professoras lá de casa

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Waldênia, Walcenis e Walderêz

De repente me dei conta de ainda não ter escrito sobre as professoras lá de casa. Três! Cada uma com postura diferente, jeito de ser e agir, o que me faz pensar em esquerda, direita, centro… Certamente elas propiciam uma ideia do que seja ser professora em Uberaba, em Minas, no Brasil. Há uma que está sempre lendo jornais, a outra prefere livros, a outra parte fácil para as vias públicas nos atos políticos; uma mantém-se distanciada, postura exclusivamente profissional perante os alunos, a outra estende a maternidade pra sala de aula, pra escola e há aquela que administra, transitando fácil no universo burocrático que permeia secretarias e superintendências de ensino.

Waldênia, Walcenis e Walderêz são as professoras lá de casa. Carregam em si algo de minha mãe Laura, que sonhou ser professora. Todas foram alunas do Colégio Cristo Rei e as duas primeiras foram além, estudando na Faculdade de Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, das Irmãs Dominicanas, hoje integrada à UNIUBE. Lá fizeram Letras, Ciências Sociais, Pedagogia, Administração Escolar…

Minhas irmãs estiveram na vida de centenas de uberabenses; não consigo nominar todas as escolas, mas guardo algumas na lembrança: Escola Estadual Professor Hildebrando Pontes, EE Professora Corina de Oliveira, EE Presidente João Pinheiro, EE Frei Leopoldo de Castelnuovo e uma delas, a Walcenis, trabalhou anos na Superintendência Regional de Ensino. Tudo começou no século passado (lamento, meninas!), em uma pequena escola, na Vila Dr. Arquelau.

Guardo recordação precisa de acompanhar minha irmã Waldênia, toda bonita e arrumada, com uma blusa vermelha de um tecido muito leve, pelas ruas poeirentas de então. Era a primeira a sair de casa para lecionar; foi na Escola Nossa Senhora Aparecida que, sem sede própria, funcionava na capela de mesmo nome na Vila Arquelau. Depois chegou a vez de Walcenis em outra escola, diariamente voltando para casa com flores, muitas flores, todo o dia cheia de flores, presentes dos alunos que certamente amavam a mestra que, pela cidade afora, não esconde fama de dura e rígida (e competente!) em se tratando da profissão. O pessoal da Superintendência que o diga… Depois Walderez, a caçula, começou a lecionar na mesma escola Nossa Senhora Aparecida já evidenciando características maternas no trato com os alunos.

Hoje minhas irmãs estão aposentadas. Volta e meia encontram adultos que se tornam crianças perante a professora. São acarinhadas, respeitadas. Um respeito imenso que, infelizmente, não é o mesmo das autoridades mineiras. E aqui este texto toma outro rumo, o da indignação. Salários dos professores de Minas Gerais são pagos com atraso e, pior, em parcelas, levando a classe à instabilidade e insegurança constantes. O governo estadual, desde a gestão anterior, não consegue regularizar a situação. Infelizmente, milhares de profissionais permanecem na incerteza de receber algo que a lei garante, o direito estabelece. E aí, em datas como o dia dos professores, aparece um monte de gente hipócrita desse mesmo governo com o discurso da importância dos profissionais, da escola, da educação…

O que pessoas na terceira idade podem fazer diante da incompetência administrativa dos responsáveis pelos seus salários? Sem perder o humor, penso que caminhadas podem ser evitadas; mas, sentar-se na avenida e lutar pacificamente pelos próprios direitos é uma possibilidade. Dá para aproveitar e bater um bom papo com os transeuntes sobre a situação. Também podem tomar celulares e computadores e encher as caixas de mensagens desses políticos que aparecem na época de pedir votos. Fundamental: Guardar nome e sobrenome de quem não se deve votar nas próximas eleições.

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Enfim, voltando ao motivo deste. Feliz dia dos Professores Eulália Cristina Afonso, Edna Idaló, Vanda Spínola Silva, Maria Abadia Prata Barsan, Célia Ferreira Peixoto, Marize Idaló. Em especial quero enviar um carinhoso abraço para Maria Helena Gabriel, incansável na luta pelos direitos de seus pares. E sem esquecer minhas primeiras e inesquecíveis professoras, minha gratidão eterna para com D. Zilda, D. Marília Fidalgo, D. Vânia Boaventura e Dona Maria Ignez Prata.

Feliz dia dos professores, minhas irmãs Waldênia, Walcenis, Walderêz! Como nossos antepassados diriam, tive a quem puxar, tenho a quem seguir. Um beijo carinhoso para todas as professoras e professores de Uberaba, de Minas, do Brasil.

Até mais.

O gado, Chico e os Dinossauros

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Uberabense distante, a comemoração do aniversário da cidade é acontecimento que suscita lembranças, reascende o passado. Por outro lado, aqui e por todos os lugares em que estive ao anunciar que sou de Uberaba recebo de volta a identificação imediata da cidade mineira onde nasci.

“- Lá é terra de gado, do Zebu! De gente de muito dinheiro”, dizem. Aviso logo que não sou fazendeiro, que não pertenço às famílias de criadores que trouxeram o gado indiano para o Brasil. Falo da Exposição, da Feira Agropecuária do Parque Fernando Costa. Lembro tempos de criança que ignorando o governo militar que nos foi imposto ficava orgulhoso por ver, bem de perto, todos os Presidentes da República…

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Os grandes pavilhões de gado da Exposição eram religiosamente visitados. Se não nos dispensavam das aulas do Cristo Rei matávamos aula, e andávamos sorrateiros, evitando um flagrante de pais ou familiares. Foi lá, também, que descobri o significado da palavra carisma durante um show de Roberto Carlos. O “Rei” cantava e, do local onde estava percebi, surpreso, que eu era o único a não olhar para o palco. Foi por acaso, mas depois voltei a olhar e confirmei o fato. Roberto Carlos cantando e as pessoas, como que tomadas, mantinham os olhos fixos no cantor.

“- Terra do Chico Xavier, não é mesmo?”, dizem outros, invariavelmente com a complementação: “estive lá, conheci o grande líder espírita”. Conto, todo orgulhoso, do meu primeiro emprego, em uma agência bancária onde tive a oportunidade de conhecer Chico Xavier. Ele era simpático, educado, carinhoso… Entrava na agência sempre sorrindo, saudando todos os presentes.

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Pra ser honesto, naquela época mantinha distância do espiritismo. Em casa, todos católicos, éramos orientados à respeitar e ficar longe. Chico faleceu; eu não morava em Uberaba, mas já frequentava centros espíritas paulistanos. Minha irmã mais velha e outros familiares passaram horas na fila imensa formada para o último adeus ao grande Chico Xavier. Quem faz questão de dar um adendo nas conversas sobre Chico Xavier sou eu: – Indo a Uberaba, não deixe de conhecer a Casa de Antusa. Um lugar abençoado que ainda mantém a aura da grande médium que ali atendeu milhares de pessoas.

“- Não é lá que tem os dinossauros?”, perguntam alguns; é a referência mais recente sobre a minha cidade. Conheci muitos arqueólogos e esses sempre lembram o trabalho dos paleontólogos em Peirópolis. As pesquisas científicas em Uberaba divulgam outra faceta da cidade, o conhecimento como prioridade. No museu estão expostos fósseis de Dinossauros e de outros animais, despertando a curiosidade de adultos e crianças.

Denuncio minha idade quando informo que conheci a Estação Ferroviária de Peirópolis, onde hoje funciona o Museu dos Dinossauros. O marido de minha prima Maria era telegrafista da Companhia Mogiana e, volta e meia, passava temporadas trabalhando na pequena estação. Também informo que, sempre que possível, vou ao local, muito bonito.

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Estive em Peirópolis recentemente; fui levado pela querida Edna Idaló. Fomos almoçar na Toca dos Dinossauros uma deliciosa comida mineira. Convite da Edna que, aniversariante, teve a carinhosa ideia de colocar-me junto de sua família para uma simpática comemoração. As fotos de Peirópolis enfeitam este post, priorizando os jardins, homenageando Edna e marcando o aniversário da minha cidade.

Sei que milhares conhecem Uberaba como a Capital do Zebu. Também que milhões associam a cidade ao maior médium de todos, Chico Xavier. Neste dois de março, estas lembranças são singelo presente para minha cidade, deixando um convite para todos os que me honram lendo este blog. Visitem Uberaba! Terra do Zebu, do Chico e dos Dinossauros.

Até mais!

Maio, gado zebu e os cavaleiros do céu em Uberaba

Expozebu by valdoresende.com

 

Com sete, oito anos, o maior evento da minha terra era sinônimo de mexericas. Lembro-me de caixas e mais caixas de poncãs postas à venda nas imediações e dentro do PARQUE FERNANDO COSTA, em Uberaba, MG. Desde então, maio é sinônimo de mexericas com suas cores vivas, o cheiro delicioso, o sabor de infância. Para alguns uberabenses pode ser um acinte, mas é a pura verdade. Minhas primeiras recordações da Exposição de Gado Zebu – EXPOZEBU – são de mexericas. Junto com elas, a voz de CARLOS GONZAGA, cantando “Cavaleiros do Céu”.

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Vaqueiro do Arizona, desordeiro e beberrão

Seguia em seu cavalo pela noite do sertão

No céu, porém, a noite ficou rubra num clarão

E viu passar num fogaréu, um rebanho no céu

Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu…

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É difícil expressar o quanto uma música reaviva nossos sentimentos, nossas lembranças. Nos finais de tarde, dos primeiros dias de maio, o rodeio era a atração final das atividades da Exposição Agropecuária. No colo, ou sobre os ombros de meu pai, eu ganhava altura para ver os poucos segundos em que um cavaleiro conseguia manter-se sobre a cela de cavalos muito bravos. Torcia para que conseguissem; ao mesmo tempo, ria muito com os tombos homéricos que levavam. A música de GONZAGA indicava o fim da festa.

Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu…

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Zebu, Nelore, Guzerá… Os galpões cheios com as cabeças de gado mais valiosas do país. Desfiles intermináveis dos animais e, hoje em dia, recordes anuais nos diversos leilões durante a EXPOZEBU.  É muito difícil encontrar alguém que não saiba o que é, onde fica Uberaba. Há décadas o evento vem dando notoriedade para a cidade, sempre prestigiado por governadores de estado e presidentes da república. Essas autoridades, frequentando a cidade, contribuíram para torná-la conhecida por meio mundo.

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As rubras ferraduras punham brasas pelo ar
E os touros como fogo galopavam sem cessar
E atrás vinham vaqueiros como loucos a gritar
Vermelhos a queimar também, galopando para o além
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, seguindo para o além

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Nunca fui ao Baile do Governador, ou do Presidente, ou qualquer outro. Eu era criança. Esses bailes foram parar na literatura brasileira como, por exemplo, no romance “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino; também ficou nacionalmente conhecido um caso amoroso de Juscelino Kubitschek, iniciado nos salões de Uberaba, através da minissérie global. Na trilha sonora da época, CARLOS GONZAGA imperava.

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Sem saudosismos, mas em outros tempos, a festa no Parque me parecia maior. Havia desfile de fanfarras dos Colégios Cristo Rei, Diocesano e, lembro-me bem de um ano, quando por lá foram os Maristas, de Ribeirão Preto. Eram verdadeiras batalhas daqueles grupos musicais, formados basicamente por percussão e instrumentos de sopro, com seus uniformes de gala. Acho que hoje a expressão “uniforme de gala” virou coisa de museu…

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Centelhas nos seus olhos e o suor a escorrer
Sentindo o desespero da boiada se perder
Chorando a maldição de condenados a viver
A perseguir, correndo ao léu, um rebanho no céu
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu

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Guardo também com nitidez a lembrança dos desfiles das rainhas da exposição; moças da cidade, cada uma representando um clube local. Desfilavam em carros alegóricos, vestidas com trajes típicos representativos do clube ou do evento. Ah! A memória… Lembro-me bem de Dilma Jacinto Xavier, uma loira linda, com olhos muito verdes, irmã de uma colega que estudou comigo no Cristo Rei, e de Mara Lúcia Fontoura, uma moça belíssima, representante do Jockey Club.

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A EXPOZEBU permitiu-me ver de perto, durante todo o tempo em que morei em Uberaba, Governadores e Presidentes. Até fui parar nas páginas da revista Veja, em foto que me tornou popular perante os colegas, em reportagem sobre o evento (na foto eu estava de “bicão”, é claro!). Anos depois, meu irmão caçula foi parar no colo do então governador Aureliano Chaves. A criança e meu pai, ambos sorridentes, sem considerar o ato populista do político. Era apenas festa.

Sempre estive mais perto dos bifes...

Hoje, me parece, a festa agropecuária voltou-se mais para os negócios, os leilões, a feira propriamente dita. Em outros tempos o Parque Fernando Costa apresentava grandes astros, como Roberto Carlos. Atualmente parece que os eventos que marcam os mais jovens são as grandes festas com DJs e um atrativo open bar: Whisky, vodca, cerveja, caipiroska, água, refrigerantes e frutas! (Será que tem mexericas?).

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Faz tempo, talvez nove anos e, mais uma vez, ocorreu um acontecimento, uma experiência divertida que marcou minha vida e a de meus irmãos. Um parque de diversões instalado no recinto da EXPOZEBU estava com uma tentadora “montanha-russa”. Fomos, eu e todos os meus irmãos, para a grande aventura. Cheios de uma coragem, vinda sabe-se lá de onde, os seis filhos de D. Laura e Seu Bino, mais próximos da terceira que da primeira idade, subiram na geringonça para sair do outro lado, trôpegos, pernas bambas, corações acelerados, rindo como crianças travessas.

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Um dos vaqueiros, ao passar, gritou dizendo assim

Cuidado, companheiro, ou tu virás pra onde eu vim

Se não mudas de vida tu terás o mesmo fim

Querer pegar num fogaréu, um rebanho no céu

Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu.

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Hoje somos cinco irmãos. Tudo muda, é inevitável; mas, graças a Deus, há ótimas recordações. Somo a essas boas lembranças, o sincero desejo de que minha cidade faça todo o sucesso do mundo, nesses primeiros dez dias de maio, com sua grande festa que, espero sinceramente, venha com muita grana para os criadores de gado, tenha muitas mexericas para o deleite de todos e, quem sabe, até passe por lá um cavaleiro do céu.

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Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu.

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Até!

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Notas:

A primeira versão deste texto foi publicada em 2009, no Papolog. Os versos acima são da canção Cavaleiros do Céu (Ghost Riders in the Sky, Stan Jones); versão feita por Haroldo Barbosa, com gravação mais recente de Milton Nascimento, como podemos ouvir abaixo:

 

 

 

 

 

Os Vinagreiros do Cristo Rei

É possível distinguir a figura do professor Erwin, presidindo a cerimônia. Ele sabia que os Vinagreiros eram cinco: Waldênia, a Walcenis, o Valdonei, a Walderez e eu, Valdo.
É possível distinguir a figura do professor Erwin, presidindo a cerimônia. Ele sabia que os Vinagreiros eram cinco: a Waldênia, a Walcenis, o Valdonei, a Walderez e eu, Valdo.

Era pelo sobrenome materno que o Professor Erwin Pühler identificava cada um de nós, os cinco irmãos que estudaram no Colégio Cristo Rei, em Uberaba, Minas Gerais. Ele era um homem enorme, era 1967 e eu, com 12 anos, não previa nada de bom quando ele elevava a voz para chamar-me: “- Vinagreiro!” Não era só pelo fato de o diretor do colégio estar me chamando a atenção; o sobrenome, em si, já conduzia a ironias dos colegas, naquilo que hoje, estupidamente colonizados, denominamos bullying.

Hoje brinco com meu sobrenome: ele indica minha ascendência europeia, especificamente português e judeu novo. E há pouquíssimos Vinagreiros no planeta, o que nos propicia identidade restrita perante multidões de indivíduos que carregam o mesmo sobrenome. Essa identificação precisa era o que levava o Professor Erwin a saber exatamente quem era a Waldênia, a Walcenis, o Valdonei, a Walderez e eu, Valdo.

As festas de formatura do Cristo Rei eram em alto estilo. Minhas irmãs comemoraram o fim do curso ginasial em festa no Jockey Club e a colação de grau, três anos depois, foi no Cine Metrópole. Na foto de fundo é possível distinguir a figura do professor, presidindo a cerimônia. Minhas duas irmãs, Waldênia e Walcenis, estão na última fila, no lado esquerdo da foto, identificadas pelas linhas que coloquei. Ao chama-las naquele dia, o professor lembrou que já éramos cinco, os Vinagreiros.

Meu irmão, Valdonei, convenceu meus pais de que deveria fazer o curso noturno, pois desde então ele queria trabalhar, buscar a própria independência. Formou-se em contabilidade. Depois dele, mais uma professora, Walderez e eu, que lá fiz todo o ginásio. Nas festas de formatura éramos distinguidos dos demais; no dia-a-dia também, quando o severo professor Erwin não fazia cerimônia alertando-me: – Seja digno dos teus irmãos!

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Minha primeira comunhão, também através do Cristo Rei.

A solenidade de conclusão da minha turma de ginásio foi na Catedral Metropolitana. Na mesma igreja fiz primeira comunhão, através do colégio que também cuidava da nossa vida religiosa. Nas celebrações religiosas do Cristo Rei havia uma música, cantada por todos e que, segundo me lembro, havia sido escolha de D. Eunice Pühler, nossa diretora, que entendia esses momentos como reunião familiar.

Vamos todos a casa de Deus

O Deus que alegra a nossa vida

A igreja é a imagem do céu

Nós somos a família reunida…

O dia dos professores está aí. Quero lembrar e homenagear, com muito carinho, os professores do Cristo Rei que marcaram minha vida escolar e que, ainda hoje, estão presentes em minhas lembranças. Descobri um outro mundo com o professor Ruyssel Furtado, com suas difíceis aulas de história. Guardo, com muito cuidado, as fichas de leitura das aulas de português da professora Rita Terezinha e recordo, ainda hoje, o que aprendi em desenho geométrico com o professor Ney Japur.

Certamente que há recordações distintas para cada um dos meus irmãos, dos meus primos e amigos que estudaram por lá. Não me deram procuração, mas acredito que queiram, como eu, lembrar e agradecer aos nossos professores de então. Não tenho uma lista dos professores de meus irmãos; todavia, tenho a minha e quero transcrevê-la aqui, em forma de gratidão e carinhosa homenagem.

Aos queridos professores,

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Antônio Carlos Jamal / Antônio Cavatorta / Artur Ribeiro Jarnalo / Celeida Belchior Garcia / Dalmo Cesar Cassimiro de Arauro / Eunice de Souza Lima Pühler / Erwin Pühler / João de Almeida e Souza / João Teodoro da Silva / José Adolfo Ribeiro / José Lucio de Souza / Maria Batista Souza Santos Totó / Maria Cecília Nogueira / Ney Japur / Rita Terezinha de Castro / Ruyssel Furtado / Samira Mathias / Valter Custódio da Silva / Wellington Estevanovich,

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o sincero agradecimento da família Vinagreiro, da família Feiteiro Mariano, da família Elias e de toda a família Cristo Rei.

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Feliz dia dos professores!

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Cristo Rei, meu colégio em uma canção.

Colégio Cristo Rei, Uberaba, MG
Neste prédio, na Rua Afonso Pena, funcionava o colégio Cristo Rei.

Em casa de meus pais, lá em Uberaba, quando lembramos nossa formação escolar, a referência comum é o Colégio Cristo Rei. Cinco, dos seis filhos de meus pais, estudaram sob a tutela dos professores Erwin e D. Eunice Pühler. Foram tempos quando em Uberaba predominavam escolas particulares direta ou indiretamente ligadas ao catolicismo.

Colégios Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora das Graças, São Judas, São Benedito, o Marista Diocesano e, o nosso, o Cristo Rei. Havia também o Colégio Triângulo, e o “Estadual”, assim reconhecido por ser o único de então. Não sei dos outros, mas o Cristo Rei tinha um hino cuja música nunca me saiu da cabeça, embora não esteja escrita em lugar nenhum. O autor da música, espero que alguém ligado ao colégio me ajude a recordar o nome; a letra, até onde a lembrança vai, foi criada por D. Eunice.

Nosso grande educandário

Da ciência é templo varonil

Alcançando a mocidade

O destino eterno do Brasil

Colhendo orgulhosa

Em teu seio frutos sazonados

Uberaba grande, majestosa

Sobe ao pico da cultura gloriosa.

Cantávamos o hino regularmente, nos eventos oficiais do colégio e em uma aula coletiva, toda sexta-feira, no primeiro horário, chamada “Hora Cívica”. Entre uma coisa e outra rolava uma cantoria só: o hino à bandeira, o hino nacional, o da independência… e o nosso.

Cristo Rei, escola querida

Cristo Rei, oásis da vida

Nosso orgulho, nosso lema

Ó escola, és nosso fanal

Passados tanto tempo percebo, do tanto que nos foi ensinado pelos queridos mestres e seus colaboradores, o quanto está contido na letra do hino que, para ser bem honesto, como todo e qualquer “aborrecente” ficava chateado e, ensaiando rebeldia, esnobava (para lembrar um termo bem daquela época) mostrando-me “cheio” de tanta cantoria. No entanto, a música permaneceu na memória, assim como aquilo que ela representa.

Esperança no futuro

Fé segura em trilha florida

Pois a lei santa de Deus

É o nosso lema, a nossa vida

Para o alto os corações

Nosso padroeiro é o próprio Cristo

Realeza é o nosso destino

Para o alto, para o alto os corações

As recordações do Colégio Cristo Rei são muitas; dos queridos professores Antônio Carlos Jamal, Artur Ribeiro Jarnalo e tantos outros; de colabores presentes na lembrança de quem estudou por lá, como Ana Rosa (se não me engano, o sobrenome é Naves) e o Sebastião, o bedel que nos aguardava todos os dias, sem fechar o portão, pois se isso ocorresse ficaríamos sem aula. Eu ia para a escola com meus primos Malu, Beto, Lucinha, Célia e uma amiga, Norma. Sem fechar o portão, Sebastião só guardava o nome da menina, chamando a todos nós: – Malu, olha a hora! Corre, Malu, vou fechar o portão!

Não fui aluno de D. Eunice; ela lecionou para minhas irmãs, todas três formadas professoras no Colégio Cristo Rei. Tive aulas de Organização Social e Política com o Professor Erwin. Além das aulas quero registrar o respeito que ele tinha pelos esportes, fazendo questão absoluta de que o Cristo Rei participasse de todas as modalidades esportivas, fazendo-nos entender a importância de competir e levando-nos a experimentar os benefícios de cada esporte.

Guardo lembranças materiais, como esta...
Guardo lembranças materiais, como esta…

Guardo muitas histórias desse período. Diz a canção de Belchior que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”; todavia, foi o passado que moldou aquilo no qual nos tornamos. Pelo que vivemos hoje é que serei eternamente grato aos meus mestres, aqui representados pelo casal responsável por parte essencial da educação dos meus irmãos, meus familiares, amigos.

Cristo Rei, tua grandeza

Cristo Rei, tua realeza

Nosso orgulho se resume

Em lutar por Cristo Rei dos Reis.

Caso tenha algum erro na letra, por favor, digam-me através dos comentários. Quero honrar dignamente a memória desses mestres queridos. O dia dos professores está próximo e, espero, consiga escrever um pouco mais sobre o Colégio Cristo Rei. Por enquanto fica o registro da letra; tenho certeza que a melodia está em algum recanto da memória de muitos. Ficarei feliz se este post reavivar tal lembrança, aumentando então o coro em homenagem aos professores Erwin e D. Eunice Pühler.

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Boa semana para todos

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