Prêmio Funarte RespirArte: Oportunidade Para Artistas

Lançado edital da Fundação Nacional de Artes, o Prêmio Funarte RespirArte, pretende selecionar atrações online para o público e a promoção da arte de todas as regiões do país.

A Funarte pretende incentivar 1.600 produções artísticas em vídeo, inéditas, realizadas em plataformas digitais, com prêmios de R$ 2,5 mil para cada contemplado (deduzidos os tributos). As áreas alcançadas são: circo, artes visuais, música, dança, teatro e artes integradas. A Fundação concederá 270 prêmios para cada uma das linguagens específicas e 250 para artes integradas.

As inscrições devem ser realizadas por meio do formulário online. O prazo se inicia hoje, dia 17 de junho e termina dia 3 de agosto.

No edital, os interessados encontrarão instruções sobre especificações técnicas e regras detalhadas.

Para conhecer o edital clique aqui.

Boa sorte!

No Olho do Furacão

Imagem capturada do Jornal + Ruchela, no destaque.

O Jornal Nacional abre uma matéria com as enfermeiras do Hospital da Unicamp, em Campinas, no interior de São Paulo. Gatilho é a palavra da hora para me ligar diretamente ao assunto e vejo, em um grupo de profissionais entrevistadas no jardim da instituição, a silhueta de alguém que pode ser a minha sobrinha. Redobro a atenção e quando a câmera se aproxima vejo que era apenas um corte de cabelo que provocou-me o alerta. Sim, tenho uma sobrinha no olho do furacão chamado COVID.

A pandemia chegou de forma trágica em minha família com o falecimento de um primo. Na mesma Campinas. A morte de Renato Marcos Antunes Batbuta, no final de março deste ano, entristeceu família e parentes e, ao mesmo tempo, impôs a todos nós os cuidados necessários para evitar contaminação. Fechamo-nos em nossas casas, saindo para o estrito necessário, mas minha sobrinha Ruchela Martini de Resende continuou seu trabalho. Ela é enfermeira padrão e o seu trabalho no Hospital da Unicamp vem de longe.

A AIDS foi, provavelmente, a primeira grande tragédia que a jovem enfermeira, mal saída da faculdade, teve que enfrentar. Não sei quantos e é certo que ela não contabilizou os mortos em decorrência da AIDS no hospital onde atua. Um trabalho tenso guardado pela discrição da profissional que pouco, posso afirmar raramente, comentou em rodas familiares os dramas presenciados pelo vírus HIV. Todavia, e é muito estranho escrever isso, foi mais fácil. O contágio pelo HIV envolve comportamentos específicos, contato direto com o portador.

Fico pensando na menina (pra mim, sempre será uma menina) acordando, tomando cuidados antes de sair de casa e, chegando ao trabalho, redobrar cuidados para cuidar de pessoas em estado crítico. O vírus está no ar. Tenso! Há setores inteiros destinados aos infectados pelo COVID e ontem, no jornal da Globo, o destaque foi para uma ação extra das enfermeiras, levando e lendo cartas de parentes aos isolados pela doença.

Evito puxar assunto e discutir com ela os atuais acontecimentos. Em mensagens sintéticas ela me diz da preocupação pela falta de isolamento das pessoas, pelo não uso de máscaras. Hoje pela manhã, o que me levou a escrever este texto foi enviar uma mensagem para Ruchela, comentando e cumprimentando todas as enfermeiras da UNICAMP pela ação. Ela agradeceu e terminou a mensagem com uma frase curta, acompanhada de um emoji em lágrimas: – Está difícil!

Tento segurar a raiva quando leio ou vejo pessoas minimizando essa pandemia. Tento me colocar no lugar de minha sobrinha, e não tenho receio em afirmar que apenas a ideia de entrar em um hospital repleto de gente contaminada me deixa apavorado. Ela e milhares de outros vão, cotidianamente, dentro da normalidade profissional que adotaram. Não cogitam abandonar o posto, as funções. Médicos, enfermeiras, atendentes, pessoal da cozinha, pessoal da limpeza, administradores enlouquecidos para conseguir máquinas e remédios… Quantos estão na mesma situação, diariamente encarando a triste realidade de gente desesperada, muitas derrotadas pelo COVID?

Presencio uma abertura temerária, muita gente indo às ruas por interesses mesquinhos, ignorando os cuidados mínimos necessários perante o vírus. Isto diante de um quadro que agora, ao escrever este texto, dá como oficial 41.828 óbitos e 828.810 casos, e as pessoas não se sensibilizam. Não deve ser difícil, no mínimo, encontrar um conhecido entre os infectados ou mortos. Nem todos têm ou terão um familiar trabalhando diretamente com as vítimas do corona vírus, no entanto, a pergunta vem: será necessário ter no mínimo um morto em cada família para que o Brasil tome os cuidados e faça as ações necessárias?

Envio aqui todo o meu carinho e cuidado para com os profissionais da saúde que enfrentam diariamente os efeitos e consequências da pandemia. Peço todas as orações possíveis pela saúde dessa gente, para que possam continuar cuidando da nossa saúde. Fico rezando e pedindo a Deus por essas enfermeiras que, além do difícil trabalho, ainda entram nos quartos e, com voz calma e terna, certamente segurando a emoção, leem mensagens – talvez as últimas – de familiares para os doentes. Que Deus guarde todos!

Até mais!

Concurso Literário: Revirar o Mundo

A editora Giostri está realizando um concurso literário de narrativas curtas. O tema do concurso é “Revirar o Mundo – Pandemia e Recomeço”, alusivo à situação atual de crise ocasionada pela covid-19 e as perspectivas de mudança social e cultural nos tempos que virão. O concurso contemplará três autores e também selecionará outros dez contos para menção honrosa.

Veja detalhes no vídeo e logo abaixo o link para o edital do concurso.

 

Veja o edital completo clicando aqui!

https://www.giostricultural.com.br/

CBL Lança Uso de Blockchain

LIVROS

CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO LANÇA NOVOS SERVIÇOS

O registro de Direitos Autorais e de Contratos passam a fazer parte do leque de produtos da CBL

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) lança de outras duas funcionalidades em sua plataforma de serviços: registro de Direitos Autorais e registro de Contratos. E com mais uma novidade: o uso da tecnologia blockchain.

Amanhã, dia 10 de junho, às 17h, uma palestra online e ao vivo na página da CBL no Facebook, reúne um time de peso para falar sobre o blockchain, como a tecnologia se aplica aos novos serviços oferecidos pela instituição, além de abordar a sua importância para o mercado editorial como um todo.

Fernanda Garcia, diretora executiva da CBL fará a apresentação dos serviços, com colaboração de Paulo Perrotti, advogado da LGPDSolution, professor de Cybersecurity e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá com a mediação de Bruno Mendes, fundador da consultoria e agência digital Coisa de Livreiro.

Registro de Direito Autoral

O novo serviço da Câmara Brasileira do Livro de registro de direitos autorais em blockchain é uma das formas mais fáceis e descomplicadas de proteger a produção intelectual, certificando a autoria ou a titularidade de uma obra.

Poderão ser registrados textos, músicas, livros, ilustrações, roteiros, entre outras coisas. Confira no site a lista completa do que pode e o que não pode ser registrado.

O valor do registro é de R$69,90, todo processo é feito digitalmente e toda obra registrada recebe um certificado digitalizado e um código hash que identifica o registro.

Registro de Contratos

Todos os tipos de contrato podem ser registrados, incluindo os de edição, cessão de direitos autorais e de prestação de serviços. O processo pode ser feito se uma das partes assim desejar. É importante frisar que embora o registro se torne público, o teor continua 100% confidencial.

O valor unitário para registros de contratos é R$99,90.

Blockchain

O blockchain é como um livro de registros público onde todos conseguem verificar a autenticidade das informações. A tecnologia blockchain é 100% confiável, pois impede troca ou alteração de dados em um sistema, ou seja, total segurança para as informações inseridas na plataforma.

Serviço:

Palestra online: Blockchain – um futuro próximo para o Mercado Editorial

Data: 10 de junho | quarta-feira

Horário: 17h

Transmissão na página da CBL no Facebook – facebook.com/camaradolivro/

Sobre votos… ou a permanência temporária

 

clausura
O leste do planeta, visto aqui de casa.

Tempos de clausura, nossas casas tornadas conventos, mosteiros. A pandemia levando-nos a experimentar uma vida reclusa, o mundo visto de longe. Também vivenciamos o belo gesto japonês de cumprimentos sem contato físico. Precisamos dos gestos, das expressões para transmitir sensações, afetos, posto que o costume de tocar o outro está temporariamente impedido.

Conventos com freiras e frades vivendo em clausura costumam causar estranhamento em grande número de pessoas. O que leva jovens mulheres à clausura, mantendo raros e parcos contatos com o mundo? Algumas, conforme regras do grupo, cobrem o próprio rosto e evitam contato até mesmo com companheiras, quiçá da comunidade. Por que alguns rapazes deixam tudo para dedicarem-se a viver uma vida monástica, “longe do mundo”, em pequenas celas?

Querem viver ao modo deles, é a resposta óbvia. E é esse modo que, de certa forma, estamos aprendendo. Limites estreitos para quem vive em apartamento, bem menor que as tradicionais casas religiosas, nosso ir e vir está restrito ao quarto, sala, banheiro, cozinha… E o contato com o mundo exterior é intenso via janelas que dão pra rua. Por graça divina temos a TV, o celular, a Internet e o mundo, imenso, fica do tamanho de nossas telas, com a qualidade dos nossos planos de acesso. Para quem vive em casa com quintal e jardim (um luxo enorme!) não precisa cavar o próprio túmulo, como os religiosos que fazem voto de permanência em seus mosteiros. Pode sim, com calma e desvelo, cultivar um jardim, uma horta.

Pensando em votos, recordo os tradicionais votos de pobreza, castidade e obediência que, com frequência, costumam aquecer indagações sobre quem opta pela vida monástica. Como abdicar do sexo, dos bens materiais e, para brincar com uma expressão comum nesses nossos tristes dias, como deixar de lado “a minha opinião” em favor de um voto de obediência?

“Opinião” tá liberado, e inundam-se as redes sociais com incontáveis opiniões. Na real, os mosteiros beneditinos, entre similares, caracterizam-se pelo tempo dedicado ao estudo. Vou enfatizar nos moldes das redes sociais: E S T U D O ! ! ! Daí que não vem de mosteiros “opiniões” sobre a terra ser plana, ou que “isso é só uma gripezinha”, ou ainda que os anos de repressão militar é que foram bons! E S T U D O !!! E seria legal aproveitar o momento que nos impede de consumir (Não por pobreza voluntária, mas por shoppings fechados) para exercitar a paciência, já que rola uma castidade também involuntária.

Sobre castidade, não posso deixar de citar um possível protocolo que a atualidade exige: O ser entra na rede social, procura um chat de encontros e, depois de alguma negociação, algumas revelações de gostos e preferências, marca um encontro. Atenção ao P R O T O C O L O ! Tranquem-se em um hotel, ou motel, e guardem quinze dias, pois Cazuza e Frejat, mais do que nunca, continuam atuais: o” meu tesão agora é risco de vida”… obviamente, exceto para os casais estáveis. Aos demais, segurem a onda, apelem para práticas alternativas ou… vivam o celibato. Freiras e frades conseguem.

Tempos de clausura… Cá pra nós, se a casa foi edificada com afeto, se o relacionamento foi construído e está sendo mantido pelas vias do amor, até que a vida fica fácil. E a gente tem mais é que agradecer aos céus a oportunidade da experiência monástica. Pra nossa sorte, e com a certeza que a fé nos propicia, tudo isso vai passar. Todavia, é possível guardar vários momentos desse intenso aprendizado.

Até mais.

Colo, novo livro de Monahyr Campos

monahyr

Conheci Monahyr Campos na universidade onde fui professor. Temporariamente distantes pela atual situação, fico feliz em poder divulgar Colo, novo livro em pré-lançamento, exclusivamente virtual. Formado em Letras e mestre em Linguística, Discurso e Mídia, Monahyr tem intensa atividade cultural. Compositor e intérprete, também atua como colunista da Rádio Baruk, Programa Podcasts Literários.

“Em Colo, Monahyr Campos cria conexões com o público, ora expondo questões sociais, ora refletindo a partir do cotidiano subjetivo de pessoas comuns, tecendo suas tramas com as diferentes linhas que contribuíram para o enraizamento da cultura brasileira”.

colo monahyr (2)

Leia abaixo um dos contos publicados no livro:

Cerimônia da Partilha!

Havia uma colmeia dentro da caverna,

Com abelhas inofensivas.

Precisa paciência para extrair inteira,

mas compensa retirá-las vivas.

Uma roda de ciranda com sete meninos e sete meninas cantava interminavelmente esse mantra segurando firmemente nas mãos uns dos outros. Davam passos firmes e ritmados, em perfeita sincronia, em sentido horário e anti-horário. A cada repetição da estrofe, um garoto e uma garota, cortavam a roda, indo a direções opostas, ocupando o lugar deixado pela pessoa que o havia saudado com reverência, no centro da circunferência.

Às vezes, aparentemente de improviso, o casal interagia entre si com uma dança diferente: imitando as abelhas, ou os mais velhos, ou criando coreografias inusitadas.

Com a chegada dos mais velhos, eu entre eles, imaginei que a dinâmica fosse ser alterada, porém, abriu-se uma segunda roda, em torno da primeira, engrossando o coro e acrescentando o som das palmas ao ritmo dos pés batendo forte no chão. – Eu queria apenas observar, comentei com D. Meninge, mãe venerável daquele povo de felicidade. – É assim que observamos o mundo: participando dele. Vocês, cientistas, param de respirar quando estudam respiração?

Neste momento, uma garota canta mais alto e seu gesto foi imediatamente compreendido como sinal para dar-lhe a palavra. Todos silenciam e sentam-se mantendo a forma circular. Pia inicia sua narrativa cantada lembrando que é tradição milenar de seu povo receber estrangeiros ávidos por conhecimento. Todos a acompanharam no refrão:

A aranha quando tece

A teia do conhecimento

O inseto aceita

É puro arrebatamento

Ela retoma a palavra e me apresenta, em versos, contando fatos de minha vida como se Ney Lopes tivesse composto minha biografia, tamanha a beleza na escolha das palavras. Retornam ao refrão. Após finalizar D. Meninge assume a palavra:

– É uma benção inigualável podermos manter nossa tradição, mesmo com todo retrocesso que vem ocorrendo no mundo dito civilizado. Todo conhecimento que cultivamos, nossas histórias e experiências, justificam sua existência quando temos a honra de fazer acréscimos a nossos irmãos menos abençoados. Quando nossos sábios foram visitar esses povos, tiveram que utilizar nomes populares, falar por parábolas, respeitando suas dificuldades em compreender os fatos mais evidentes, mais triviais. Soltemos um pombo branco em homenagem a estes corajosos que assumiram essa missão suicida, de equilibrar um pouco mais a elevação espiritual dos povos espalhados pelo planeta.

Da mesma forma, devemos dar toda honraria a este destemido cientista por dar sua vida em troca do conhecimento. Sua abnegação em busca de sabedoria é notória, assim como a doação de sua juventude, das horas de sono perdidas, tudo pelo bem maior. Fomos agraciados com sua companhia por 14 dias de generosidade, nos quais este ser humano de grande valor pode subir ao topo mais alto, de onde pode ver com mais lucidez toda a história da vida no planeta.

É chegada a hora da partilha. Todo sacrifício pela ciência, pela consciência e transcendência nos une, nos alimenta o corpo e a água. Eu declaro iniciada a cerimônia da partilha!

Para adquirir o livro acesse aqui o site da editora. O frete é grátis!

Desejo ao Monahyr boa sorte e sucesso nessa nova empreitada.

Até mais!

Aos que nos divertem, inspiram e propiciam encantamento

O setor cultural, em 2018, empregava 5 milhões de brasileiros. Parte considerável desse contingente é de trabalho informal. Os dados do IBGE comprovam que em São Paulo, por exemplo, de um milhão de postos de trabalho, 650 mil são informais. É bom lembrar aos desatentos que informal significa não ter horas extras, férias, fundo de garantia, cesta básica, convênio médico… É bom também enfatizar que para o trabalhador informal fica difícil a manutenção de uma reserva financeira, pois entre um trabalho e outro o profissional passa vários períodos sem remuneração. E aí veio a pandemia.

Ficar em casa é o indicado para quem pode. Àqueles que não puderam parar, cuidados redobrados. Serviços essenciais estão mantidos e toda e qualquer aglomeração deve ser evitada. Cinemas, teatro, casas de shows, circos, baladas, bares foram fechados. Nem todos tem a visibilidade que chama milhões de pessoas e de reais. Uma imensa parcela, vulnerável, sem trabalho, enfrenta a situação com lances inovadores ou por pura sobrevivência. Nosso bem-estar emocional carece das diferentes formas artísticas, conforme nossas preferências, para que possamos seguir em frente. A classe artística se vira como pode. Alguns exemplos estão acessíveis via celular, computador.

teresa cristina e lula
Teresa Cristina conversa com Lula

O que seria das noites de milhares de pessoas sem as lives da Teresa Cristina? Todos os dias, sem grandes estardalhaços, ela está lá, cantando e conversando com as pessoas. Sem nenhum instrumento acompanhando, ela canta, interrompe pra dar risada, pegar “cola” de partes das letras das canções. E chama todo mundo pra roda. Retoca o batom, assinala o tamanho da própria testa e ri, divertindo-se com os comentários do público. Vem gente famosa, tipo Daniela Mercury e Bebel Gilberto; mas também vem outras, como uma moça de Manaus cantando Cazuza, ou um Casal de Porto Alegre, expondo as agruras geradas pelo preconceito. Teresa não tem patrocínio. Ela nos diverte começando às 22:00 e seguindo por três, quatro horas adiante.

Sábado passado, enquanto a Rede Globo reprisava um Altas Horas, em que Teresa estava entre os artistas homenageando Zeca Pagodinho, a live da cantora seguia firme, ela rindo por estar em dois espaços simultaneamente. É ótimo não contar e presenciar coisas inesperadas, como Chico César abrindo a porta para que o gato de estimação saísse para passear, ou o Lula, o Luís Inácio Lula da Silva, ao lado da esposa em situação caseira, íntima, conversando sobre uma de suas canções preferidas, Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues. Lula lembrou o fato de Teresa não ter patrocínio.

Isadora Petrin
Momentos de Isadora Petrin em Amores Difíceis

Isadora Petrin faz teatro online. A peça Amores difíceis está na internet, em sessões via Zoom, o site que permite interação visual entre pessoas. O grupo Arte Simples, do qual Isadora é integrante, dividiu a peça em cenas isoladas, pequenos solos que são apresentados pela atriz e, em dias alternados, por outra integrante do grupo, Andrea Serrano. O trabalho, dirigido por Tatiana Rehder, é uma ótima experiência nesses tempos de quarentena. Uma alternativa para quem está sem possibilidade de trabalho por conta da pandemia. Para quem quiser ver, e participar, é bem divertido. As atrizes conversam com a plateia e, um exemplo de interação que guardarei com carinho: em dado momento, Isadora solicita participação, contracenando com um voluntário. E assim, aos 64 anos, fiz publicamente uma cena como o Romeu, para a graciosa Julieta interpretada pela atriz. Sem patrocínio, o grupo solicita colaboração via “chapéu virtual”.

O material de trabalho de determinados artistas são os próprios artistas, o corpo e a voz. O canto de Teresa e as cenas de Isadora são exemplos. Elas não estão recebendo salário e ainda nos propiciam diversão e entretenimento. Haveria muito mais gente trabalhando, em tempos normais, ao lado dessas profissionais. Músicos, instrumentistas, técnicos de som, iluminadores, montadores, cenógrafos, figurinistas; enfim, toda a gama de profissionais que compõem um show ou uma peça de teatro. Como essas pessoas estão sobrevivendo?

Em termos mercadológicos não basta pensar só nas grandes capitais, com suas casas de show, seus teatros imensos, e atualmente vazios. Há que se colocar na pauta inúmeros espaços culturais, parque e circos, ou os tão populares bares, espalhados pelo país que, fechados, não possibilitam trabalho para quem canta ao vivo enquanto os fregueses degustam salgadinhos e tomam cerveja. Nem todos dispõem dos mecanismos virtuais para, no mínimo, continuarem na lembrança do público como Tereza Cristina e Isadora Petrin. Pouquíssimos tem a visibilidade necessária para garantir horários na TV e patrocínio, expandindo ações pela rede virtual.

Aqueles que nos divertem, nos inspiram, que nos propiciam momentos de puro encantamento, precisam de nós. Artistas, produtores, técnicos e auxiliares da área de cultura e entretenimento carecem da atenção dos nossos dirigentes. Outro tanto de prestadores de serviço para esses profissionais (costureiros, maquiadores, motoristas, faxineiros, bilheteiros, garçons, marceneiros, eletricistas, seguranças…) aguardam ansiosos por ações oficiais que garantam a sobrevivência do setor.

Em São Paulo um projeto de lei, a PL 253, visa auxiliar trabalhadores da cultura e espaços culturais de pequeno porte. Foi criada uma Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, suprapartidária, que protocolou pedido de auxílio imediato para os profissionais impedidos de trabalhar por conta da situação vigente (para assinar a petição, clique aqui). Outra iniciativa, a Associação de Produtores Teatrais Independentes (conheça as ações da APTI clicando aqui) lançou campanha de apoio a técnicos e artistas em situação de vulnerabilidade. Segundo a associação, há em São Paulo 25.000 profissionais em situação crítica. Há outras iniciativas, em outras cidades e estados. Vamos ficar atentos.

Como vai, como vai, como vai, vai, vai? (Alguém se lembra do Arrelia?) Eu… Estamos indo; às vezes bem, outras nem tanto. Hoje fui acordado pelo interfone. A vizinha, querendo saber como estou, colocou o filho adolescente à disposição caso eu precise de algo lá de fora. Há solidariedade em São Paulo. Então, meu querido Arrelia, onde você estiver, saiba que eu vou bem, muito bem, bem, bem. E apelo para o seu nome, para que todos se lembrem que palhaços, cantores, atores, bailarinos, iluminadores, enfim, toda essa gente que nos dá alegria, prazer, diversão e entretenimento, agora carece de nós. E se você, que me honra com sua leitura, puder ajudar, deixo aqui meu sincero agradecimento.

Até mais.

Atenção:

VEJA AS LIVES DE TERESA CRISTINA CLICANDO AQUI . INFORMAÇÕES SOBRE A PEÇA AMORES DIFÍCEIS CLICANDO AQUI