As professoras lá de casa

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Waldênia, Walcenis e Walderêz

De repente me dei conta de ainda não ter escrito sobre as professoras lá de casa. Três! Cada uma com postura diferente, jeito de ser e agir, o que me faz pensar em esquerda, direita, centro… Certamente elas propiciam uma ideia do que seja ser professora em Uberaba, em Minas, no Brasil. Há uma que está sempre lendo jornais, a outra prefere livros, a outra parte fácil para as vias públicas nos atos políticos; uma mantém-se distanciada, postura exclusivamente profissional perante os alunos, a outra estende a maternidade pra sala de aula, pra escola e há aquela que administra, transitando fácil no universo burocrático que permeia secretarias e superintendências de ensino.

Waldênia, Walcenis e Walderêz são as professoras lá de casa. Carregam em si algo de minha mãe Laura, que sonhou ser professora. Todas foram alunas do Colégio Cristo Rei e as duas primeiras foram além, estudando na Faculdade de Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, das Irmãs Dominicanas, hoje integrada à UNIUBE. Lá fizeram Letras, Ciências Sociais, Pedagogia, Administração Escolar…

Minhas irmãs estiveram na vida de centenas de uberabenses; não consigo nominar todas as escolas, mas guardo algumas na lembrança: Escola Estadual Professor Hildebrando Pontes, EE Professora Corina de Oliveira, EE Presidente João Pinheiro, EE Frei Leopoldo de Castelnuovo e uma delas, a Walcenis, trabalhou anos na Superintendência Regional de Ensino. Tudo começou no século passado (lamento, meninas!), em uma pequena escola, na Vila Dr. Arquelau.

Guardo recordação precisa de acompanhar minha irmã Waldênia, toda bonita e arrumada, com uma blusa vermelha de um tecido muito leve, pelas ruas poeirentas de então. Era a primeira a sair de casa para lecionar; foi na Escola Nossa Senhora Aparecida que, sem sede própria, funcionava na capela de mesmo nome na Vila Arquelau. Depois chegou a vez de Walcenis em outra escola, diariamente voltando para casa com flores, muitas flores, todo o dia cheia de flores, presentes dos alunos que certamente amavam a mestra que, pela cidade afora, não esconde fama de dura e rígida (e competente!) em se tratando da profissão. O pessoal da Superintendência que o diga… Depois Walderez, a caçula, começou a lecionar na mesma escola Nossa Senhora Aparecida já evidenciando características maternas no trato com os alunos.

Hoje minhas irmãs estão aposentadas. Volta e meia encontram adultos que se tornam crianças perante a professora. São acarinhadas, respeitadas. Um respeito imenso que, infelizmente, não é o mesmo das autoridades mineiras. E aqui este texto toma outro rumo, o da indignação. Salários dos professores de Minas Gerais são pagos com atraso e, pior, em parcelas, levando a classe à instabilidade e insegurança constantes. O governo estadual, desde a gestão anterior, não consegue regularizar a situação. Infelizmente, milhares de profissionais permanecem na incerteza de receber algo que a lei garante, o direito estabelece. E aí, em datas como o dia dos professores, aparece um monte de gente hipócrita desse mesmo governo com o discurso da importância dos profissionais, da escola, da educação…

O que pessoas na terceira idade podem fazer diante da incompetência administrativa dos responsáveis pelos seus salários? Sem perder o humor, penso que caminhadas podem ser evitadas; mas, sentar-se na avenida e lutar pacificamente pelos próprios direitos é uma possibilidade. Dá para aproveitar e bater um bom papo com os transeuntes sobre a situação. Também podem tomar celulares e computadores e encher as caixas de mensagens desses políticos que aparecem na época de pedir votos. Fundamental: Guardar nome e sobrenome de quem não se deve votar nas próximas eleições.

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Enfim, voltando ao motivo deste. Feliz dia dos Professores Eulália Cristina Afonso, Edna Idaló, Vanda Spínola Silva, Maria Abadia Prata Barsan, Célia Ferreira Peixoto, Marize Idaló. Em especial quero enviar um carinhoso abraço para Maria Helena Gabriel, incansável na luta pelos direitos de seus pares. E sem esquecer minhas primeiras e inesquecíveis professoras, minha gratidão eterna para com D. Zilda, D. Marília Fidalgo, D. Vânia Boaventura e Dona Maria Ignez Prata.

Feliz dia dos professores, minhas irmãs Waldênia, Walcenis, Walderêz! Como nossos antepassados diriam, tive a quem puxar, tenho a quem seguir. Um beijo carinhoso para todas as professoras e professores de Uberaba, de Minas, do Brasil.

Até mais.

Outubro e o que resta do que um dia fomos

acólito

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
(Fernando Pessoa in A criança que fui chora na estrada.)

O que é que ainda permanece desse menino? Foi a pergunta que ouvi enquanto mexia com minhas fotos de quando criança. Sobrou alguma coisa? E dei de pensar olhando algumas imagens, as personagens que nelas estão comigo, os momentos em que foram registradas. Todos nós, inevitável, passamos por grandes mudanças, mas o que se espera, ou o que me parece, o que gostaríamos é que tenha permanecido o que tivemos de melhor.

A princípio, penso, temos a sensação de que somos sempre os mesmos. Essa abstração que nos autodenomina, o Eu, não tem idade e por isso entramos em crise quando um olhar atento ao espelho nos revela uma ruga, a pele perdendo o viço, mais alguns fios de cabelos brancos, o corpo ficando em forma… de bola. E ficamos mais chocados quando é o outro que nos faz conscientes de que já não somos os mesmos: – Você mudou muito! Quanto tempo!

A rede social nos acostumou, nos últimos anos, a nos revermos crianças, expondo antigas fotos na web. Graças à isso descobrimos a suavidade que já existiu em alguns, o sorriso espontâneo de outros, a ingenuidade evidente que pouco se alterou, a pureza tão ilimitada quanto perdida e, sobretudo, vejo que em todas as fotos de velhas crianças desse mês de outubro transbordam sentimentos de esperança, sonhos de vir a ser e estar em um mundo digno.

Ah, eu gostaria de não ter algumas dúvidas que volta e meia me atormentam. Eu acreditava em Deus, sem questionar. Havia o pai no céu que minha mãe da terra me deu. E tinha também a mãe do céu, que a mesma mãe da terra me ensinou a amar e a confiar. O mundo de então, era mais preciso; havia pessoas más e pessoas boas. As más estavam longe, bem longe, e os entreveros familiares eram simples e corriqueiros distúrbios logo serenados. Sonhava mais acordado do que dormindo e para esses sonhos Pasárgada e Shangri-la perdiam feio. Tudo era possível, tudo aconteceria no seu devido tempo. Hoje… sobram incertezas.

O quinto de seis irmãos, cresci em um ambiente sempre cheio de gente, de vozes conversando, música no rádio, jogo na televisão. Na hora de dormir tinha medo por ser, talvez, a única hora em que ficava sozinho. Mamãe rezava seu terço diário a meu lado, dizendo-me rezar para eu dormir. Confiante, eu dormia e acordava no dia seguinte, tranquilo ante o barulho da casa. Não gosto de solidão e vou sentir sempre a falta de todos os que povoaram minha casa de infância.

A excitação antes de qualquer viagem permanece. Seja para o lugar novo, seja para mais uma entre as centenas de voltas à Uberaba. Quando a viagem não é física, continua sendo literária o que me leva a crer que não mudou o amor a Salvador d’Os Capitães da Areia, a Londres de Oliver Twist, o porto do Havre d’O diário de Dany. Outras viagens, cinematográficas, levam-me para mundos distantes, outros imaginários, em companhias que prezo e que fico feliz em rever, por exemplo como se dançasse na chuva com Gene Kelly, ou lutasse ao lado do Cid Campeador de Charlton Heston.

Penso que algumas lembranças dessa criança com o castiçal possam suscitar outras, de quem me dá a honra de ler este texto. Esse santinho da foto levava cascudos do Pe. Luigi Stella, por conversar durante a missa e aprendeu a gostar de música erudita, assim como de imagens barrocas e renascentistas com outro padre, Nicola Rudge. Por mais que eu possa caminhar e vivenciar outras religiões é essa, a primeira, que somo a todas as demais. Um terceiro padre, Líbero Zappone, ensinou-me a respeitar todas as manifestações, levando-me muito cedo a ver Deus em todos os tipos de crença.

Essa criança aí da foto ainda está por aqui. Guardada em diferentes escaninhos do cérebro, do coração. Reconheço-a quando brinco com meus amigos, na convivência com meus irmãos que às vezes dirigem-se a mim como o caçula que fui. Reencontro o menino quando cuido das plantas que, lá atrás, cresciam soltas no quintal. Convivo diariamente com o gosto por andar de trem, sentindo um prazer indescritível com o som de quando os vagões mudam de trilhos e voltarei sempre à Santos, pra rever e andar de bonde, como aquele menino feliz que transitava nos bondes de Campinas, lamentando a ausência desses em Uberaba.

O que é que ainda tem desse menino? Foi a pergunta… Quase tudo. Quase nada. As coisas foram se modificando, as pessoas tornaram-se outras mantendo algo que faz com que as veja como sempre vi, reconhecendo nelas os infinitos detalhes que nos ligam. Esse menino aí fui eu. Um dia. Hoje sigo em frente. Dou graças à Deus pelo esquecimento, por me permitir viver sem a tortura das más recordações, sem a dimensão de todas as perdas, como também por caminhar tranquilo sem o afogamento pelos momentos de êxtase, de felicidade. Agradeço por ser outro, ter experimentado, ter sobrevivido e sobretudo, por estar modificado o que, espero, tenha sido para me tornar um ser humano decente.

Até mais!

Obs.: A foto acima é do final de uma procissão na Igreja Nossa Senhora das Graças, no Boa Vista, em Uberaba, por volta de 1965.

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Quintais! Imbatíveis entre os espaços criativos na infância

Ah, os quintais de Uberaba! Ainda hoje minha cidade é bastante arborizada e, me parece, há mais árvores em quintais que nas vias públicas. Mangueiras, jabuticabeiras, laranjeiras, mamoeiros, tamarineiros… A cidade é um imenso e variado pomar. Sem contar a grande quantidade de árvores ornamentais que perfumam, embelezam e dão sombras aos meus conterrâneos.

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Meu pai no quintal com os netos, Andreia, Thiago, Alessandra e Luis Alexandre.

Da casa onde cresci guardo lembrança de laranjeira carregada, goiaba caindo de madura e das primeiras experiências de cultivo de flores e hortaliças. Ao lado da casa de meus pais moravam meus avós maternos, onde havia, entre muitas outras plantas, uma horta, um pinheiro, uma parreira com saborosas uvas verdes e, no jardim, entre folhagens e flores, dois pés de café. Plantas chamam pássaros, larvas que se transformam em borboletas, tanto quanto terra é abrigo de formigas e outros bichos. Um exemplo concreto de meio ambiente bastando para vivenciá-lo sair da cozinha para o quintal.

Um quintal de terra batida – o que se consegue aproveitando a água com sabão com que a roupa era lavada – é um espaço de sonho e liberdade. Com Valdonei, meu irmão mais velho, criava imensos roteiros de uma ferrovia feita com latas retangulares. As maiores, embalagem de óleo, eram locomotivas que puxavam inúmeros vagões de carga, feitos com latas de sardinha ligadas por engates de arame. O pé de goiaba era sempre vigiado, esperando que seus galhos formassem uma forquilha, ideal para estilingue. Nada mais resistente que um galho de goiaba, daí também o imenso medo de levar uma surra materna com tal madeira.

Escalar qualquer árvore é tarefa para experts. Buscar um mamão é tão difícil quanto um coco; se tiver úmido, o galho da goiabeira é escorregadio. Melhor exercício para subir em árvores é quando se tem uma mangueira no quintal. Havia uma mangueira, imensa, na casa da minha tia Aurora. Com meu primo Beto passávamos horas lá em cima, conversando, vendo o tempo passar e, na época propícia, “chupando manga no pé”. Aliás, quando assunto é subir, quintais oferecem várias possibilidades para que se possa atingir o telhado.

Uma imensa caixa d´água, suspensa sobre colunas em forma de cruz, ficava próxima ao telhado e era por ali que eu alcançava o telhado da nossa casa. Levava brinquedos, gibis ou simplesmente ficava lá, vendo o tempo passar. No tempo de chuvas meu pai ficava doido, pois além do perigo da escalada há o problema das telhas molhadas se quebrarem com facilidade: – Desce daí, moleque!

Com chuva, a gente brincava primeiro nas poças d’água, depois no barro. Só depois, fase seguinte ao quintal, é que fomos para a rua, chapinhar em poças e caminhar nas enxurradas. Enquanto essa fase não chegou, restava ver o céu escurecer e a chuva cair, em suas várias intensidades, formando pequenos rios que cortavam o quintal, deixando aqui e ali pequenos lagos, onde os pingos vindos do céu formavam efêmeros pirulitos. Era momento de meditar via janela, observando o céu, aprendendo a conviver com o tempo e suas transições.

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Wander, meu irmão caçula, aproveitando o mesmo espaço onde brinquei 20 e alguns anos antes.

Chego até aqui percebendo que ficaria horas escrevendo, preenchendo páginas e páginas de lembranças. Todavia, o objetivo deste texto é alertar para a necessidade de um espaço de liberdade para toda e qualquer criança, para que ela possa aprender a conviver com o ambiente, entre plantas, pássaros, insetos e animais domésticos. Poder construir seus brinquedos, adquirir habilidades para reconhecer o ciclo das plantas ou para escalar árvores, entre outras possibilidades.

Terra não é sujeira. Sabe-se lá quem colocou tal pensamento que levou muita gente a impermeabilizar todo o quintal. Coberto com cerâmica ou cimento, um quintal propicia outros brinquedos, é certo, mas não dá para fazer buraco e ficar matutando quanto tempo levaria para chegar ao Japão. Nem dá para plantar uma semente qualquer, vigiando ansiosamente o momento em que, milagre, da sementinha surja uma plantinha que cuidaremos com carinho e dedicação.

Na falta de terra, fazer o que… Descobrir as vantagens do cimento e da cerâmica. Pior ainda é quando não se tem o quintal. As limitações de espaços coletivos – chamam de playground o quintal dos edifícios – são reais e os tais “chiqueirinhos” de apartamentos são viáveis só para os bem pequeninos. Impossível cogitar de impedir casais em apartamentos de serem pais, mas é vital alertar do quanto é necessário destinar um espaço para as crianças. Aquele local que a criança chamará de seu.

Quartos com cabanas, barracas, também podem conter balanços, escorregadores e um cantinho de terra, tipo caixa de areia mesmo, para a criança experimentar, entrar em contato com barro, terra seca. E mais, uma amiga, Vania Maria Lourenço Sanches destinou uma parede de sua casa para os meninos. Pintaram, rabiscaram muito, coloriram, pregaram coisas… João Luiz e Antônio Gabriel picharam, grafitaram tudo a que tinham direito. Talvez por isso não tenham tido a necessidade de sair por aí, pichando a cidade.

Outra amiga, moradora de apartamentos, Márcia Gomes Lorenzoni defendeu o espaço do filho Jonas e levava consigo o “quintal” do garoto. Visitando minha casa – também a de outros amigos – Márcia trazia uma imensa toalha e uma sacola cheia dos brinquedos do menino, entrando em acordo com ele ao montar o “quintal” na minha sala: “- Você brinca aqui enquanto a mamãe conversa com nosso amigo”. Um quintal itinerante, enriquecido pelas diferenças cenográficas da decoração de cada pessoa visitada.

Quintais, playgrounds, quartos de apartamentos… O fundamental é haver um espaço onde a criança possa exercitar a imaginação, testar habilidades manuais, descobrir coisas, remexer trecos e cacarecos. Se possível, facilitar espaços diferenciados tipo uma semana de quintal para quem vive em apartamento, um sítio para quem vive na cidade, uma praia para quem é do interior. Os primeiros espaços nos dão visões de mundo e nos propiciam experiências inesquecíveis e válidas por toda a vida e é assim que devem ser considerados. Estimulam nossa imaginação, levam-nos à experimentos diversos, alimentam nossa curiosidade e dão-nos alegrias em realizações diversas; enfim, colaboram profundamente para que venhamos a nos tornar pessoas saudáveis e criativas.

Até mais!

A reprodução de partes ou de todo o texto deve obrigatoriamente mencionar a fonte e o autor.

ATENÇÃO: O texto acima permeia o conteúdo do curso CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO que será realizado no dia 19 de outubro de 2019 no Hotel Matsubara, em São Paulo. As inscrições estão abertas e os detalhes sobre o curso estão no site www.competency.com.br

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A inspiração é parceira da leitura

livros

Sobre o processo criativo, volta e meia, há ideias de que a inspiração ocorre de maneira “espontânea”, sugerindo que o sujeito fica ali, quietinho, e a coisa vem, pela vontade divina. Dependendo da circunstância parece que o indivíduo, “abençoado por Deus e bonito por natureza”, distingue-se do ser humano comum e, por isso, é agraciado com grandes inspirações.

Inspirar, cuja acepção da palavra não deixa dúvida, é o ato de encher o pulmão de ar, ou seja, é alimentar-se continuamente para poder viver. A ideia de alimento me parece mais humana, concreta, possível para toda e qualquer pessoa. A tradição religiosa que nos faz crer que Deus inspirou santos e profetas é bem bonita, mas só para exemplificar um fato: Saulo não se tornou o Apóstolo Paulo do nada. “Antes de cair do cavalo”, como diz a tradição, o militar romano já estava profundamente envolvido no assunto ao perseguir os primeiros cristãos. Assim, é preciso estar envolvido, mesmo enquanto perseguidor, para que até Deus se manifeste.

Quando pensamos nos inúmeros problemas cujas soluções carecem de criatividade, a preparação torna-se fundamental para as resoluções/soluções desejadas. Grandes profissionais mantêm essa preparação como atividade constante através da participação em cursos, seminários, congressos e… LEITURA!

Ler é alimentar-se diariamente para que estejamos preparados quando formos solicitados. A premência de certos problemas nem sempre nos permite o tempo necessário para estudar, ler, pesquisar. Tal qual o atleta que precisa manter o corpo em contínuo movimento, exercitando-se constantemente entre um campeonato e outro, todo profissional deve atuar no sentido de atualizar-se e manter-se em sintonia com os avanços e progressos da área onde atua. Ler, então, é fundamental.

Lazer, informação, pontos de vista diferenciados, relaxamento ou inspiração, os motivos que nos levam a ler são múltiplos, fazendo da visita a uma livraria uma verdadeira expedição ao que a mente humana nos propicia. Como toda e qualquer área da atividade humana, o ato de ler supõe diversidade quando o objetivo é crescimento. Ao ler nos colocamos em paralelo com o autor, quando não dialogamos ou discutimos com o mesmo. Uma viagem por ideias que não são as nossas, mas que poderão vir a ser caso nos permitamos refletir e reconhecer as qualidades do que nos é oferecido via texto.

Há indivíduos que varam a noite lendo, sem que consigam abandonar o livro antes de ler a última página. Há os adolescentes vorazes que, pendurados no metrô, trem ou ônibus, seguram-se com uma mão enquanto a outra segura o livro. Gosto de recordar minha mãe no cantinho da casa que escolheu para si enquanto canto de leitura. Às vezes, colocava o jornal sobre a mesa, folheando-o até a página final. Cada indivíduo deve escolher o melhor local, o melhor horário, o melhor ambiente para seu momento de leitura. O fundamental é não deixar de ter esse encontro com ficção, realidade, técnica, poesia, ciência, alimentando o cérebro com todas as informações possíveis para que, no momento adequado e necessário, possam associar-se a outras ideias gerando as soluções que precisamos no trabalho ou em nossa vida.

A partir desta semana apresentarei nas redes sociais alguns dos livros que são base do curso CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO. São autores de diversas escolas, europeus, americanos e brasileiros que, ao longo de toda a minha carreira como professor, tenho utilizado em aulas de criatividade ou em disciplinas que envolvem criação. Para os interessados no curso entrem em www.competency.com.br onde estão as informações necessárias para que se efetue a inscrição.

Nas redes sociais, onde apresentarei os livros, os links são:

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/valdoresende/

FACEBOOK: https://www.facebook.com/valdoresende

LINKEDIN: https://www.linkedin.com/in/valdoresende/

Até mais!

A reprodução de partes ou de todo o texto deve obrigatoriamente mencionar a fonte e o autor.

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A Bola, histórias que rolam

Companheira de trabalho na peça Um Presente Para Ramiro, Isadora Petrin está em A Bola, histórias que rolam; uma peça infantil com um enredo inteligente, a estreia será no Sesc 24 de maio, bem no coração de São Paulo. Veja a seguir o material de divulgação da montagem.

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Marcela Arce e Isadora Petrin em A Bola. Foto: divulgação

O Grupo Artes Simples de Teatro estreia “A Bola – Histórias que Rolam” no Sesc 24 de Maio.

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A peça conta as várias expectativas que cada bola de futebol tem ao ser fabricada, principalmente o sonho de participar dos principais campeonatos e gramados do mundo. Durante o espetáculo, acompanhamos a bola que virou youtuber, outra que foi parar no espaço, uma terceira que não foi comprada pela Fifa, mas por garotaos que jogam futebol de várzea. Em linhas gerais, o enredo é sobre o sonho do que queremos ser quando crescer, dos caminhos que mudam e da aceitação do que a vida oferece enquanto oportunidade.

O Grupo Arte Simples De Teatro foi criado em 2006 e parte da concepção de que o teatro deve ser um bem cultural acessível a todos, acreditando que essa é a forma de se democratizar o acesso à arte.

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Com direção de Pedro Pires, estão no elenco Andréea Serrano, Eugenia Cecchini, Isadora Petrin, Marcela Arce, Marilia Miyazawa, Tatiana Eivazian e Tatiana Rehder.Direção musical e músicas originais: Adilson Rodrigues. Músicos: Fernando Stelzer e Lucas Paiva. A direção de Arte é de Kleber Montanheiro e a produção executiva de Andréea Serrano e Tatiana Rehder

SERVIÇO:
A BOLA – HISTÓRIAS QUE ROLAM – Com o Grupo Artes Simples de Teatro. Dias 14 e 15/09. Sábado e domingo, das 16h às 17h
Local: Área de Convivência (3º andar) – Sesc 24 de Maio
Duração: 55 minutos.Livre. Grátis.

SESC 24 DE MAIO – Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo
Fone: (11) 3350-6300

Todos estão convidados!

Até mais!

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Eu nasci assim… com a coragem de quebrar padrões

sonia braga

A foto de Sonia Braga na Vogue online me leva a lembrar Caymmi com sua “Modinha para Gabriela”: Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim… Um alvoroço na internet com a capa da revista. Tive a paciência de ler comentários prós e contras e, esses últimos, com frequência notável vindo de mulheres. “Ela precisa se cuidar!” é o subtexto da maioria. Mas, caso Sonia Braga fosse como as outras mulheres…

Algumas mulheres, e este post é dedicado a elas, são extraordinariamente criativas, levam a vida com o maior sucesso e decidiram ser como são. Sem grandes arroubos na tentativa de enganar o tempo. Cá para nós, ninguém ludibria o tempo. Exercendo o sagrado direito de pintar cabelo, fazer plásticas por todo o corpo, colocar pequenos detalhes postiços, não enganamos o tempo. Nos sentimos bem. Mas Sonia Braga…

nasci assim

Sonia Braga, Laura Cardoso, Fernanda Montenegro e Maria Bethânia são exemplos da contramão do aparente estabelecido. Como essas mulheres se cuidam? Recordo uma entrevista de Fernanda Montenegro para Marília Gabriela: “- Tomo banho todo dia, alguns não tomam!” Maria Bethânia, em recente entrevista ao programa do Pedro Bial confessou ter feito plástica nos seios. Laura Cardoso nunca fez plástica.

Essas mulheres são profissionais notáveis, de ponta, que frequentemente são incomodadas por pessoas do tipo que chamam a primeira dama francesa de feia, ou por outras, dessas que escondem a idade, evidenciando um inexplicável medo do tempo. É preciso uma coragem fora do comum para escrever um livro com a palavra epílogo no título. Fernanda Montenegro escreveu, dando clara alusão ao tempo que finda, a uma história que cessa. Essa gente, que teme a ação do tempo, deve ficar apavorada com o que a palavra epílogo sugere.

Maria Bethânia, lá atrás, deu voz a versos de Caetano Veloso: “… o amor tudo levou, o outono chegou, mas o dom da primavera ninguém vai me tirar, hoje eu estou pronta pra cantar!”. E continua cantando, e vai cantar sempre, lindamente. Tanto quanto Fernanda Montenegro e Laura Cardoso em novelas recentes e Sonia Braga, em Bacurau. Vou guardar na lembrança a cena em que Fernanda desatina e mata três em uma única cena, assim como não esquecerei Laura Cardoso brincando de ser abusada e prostituta.

Algumas crenças nos limitam; a da eterna juventude é uma delas. É encarando o tempo que convivemos com possibilidades e limites. Esses mesmos limites que, quando jovens, foram outros. O que vale, em todo e qualquer tempo, é nossa capacidade de aprender, de entender, compartilhar. Parar no tempo, no padrão “lindo e jovem” é alimentar medos; de que o cabelo caia, fique branco, que as rugas tomem conta, os músculos amoleçam e o corpo despenque. Todo o cuidado com o corpo e com a saúde é necessário; de preferência que seja realista, pois assim esse cuidado será maior. Eu nasci assim, me diz a foto de Sonia Braga. E eu completo, como se fosse ela: Vivi e estou assim. E só estou assim porque vivi. E mudo quando quiser.

Há pessoas que estão em constante luta para manter e expandir um espírito criativo. Não param e não se assustam com o tempo. Seguem em frente, com um jeito invejável de ser. Essas quatro mulheres se cuidam mais que, provavelmente, a maioria de todos nós. Cuidam da cabeça, lutam por coerência, por direito, liberdade, honra, dignidade. Mais que elogios, querem reconhecimento e exercer o livre arbítrio quanto ao que usar, como usar e, sobretudo, o que fazer. Por isso são grandes criativas, por isso são estrelas. E cabe a nós aprender com elas.

Até mais!

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Nota: As fotos que ilustram este post foram colhidas na internet, divulgando trabalhos das artistas citadas.

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CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO veja em www.competency,com.br.

 

Algumas razões para voltar

É amanhã, depois de muito tempo, quando me disseram que eu não poderia continuar. Mas, um brasileiro não desiste nunca (rsrsrsrsrsrsr) e, sério, estou entre aqueles que gosta de uma boa dose de teimosia. Estou de volta! E segue algumas imagens que sintetizam mais de vinte anos de história.

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Aulas, reuniões, feiras… aqui vou eu.

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Grato aos que, durante minha ausência, torceram pela minha volta e cuidaram direitinho de tudo. Muito obrigado.

Até amanhã!