Um raro momento: “O que terá acontecido a Baby Jane?”

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Nicette Bruno e Eva Wilma. (Foto Daryan Dornelles – divulgação)

Sair de casa para ver Eva Wilma e Nicette Bruno dividindo o mesmo palco é garantia de teatro de boa qualidade. Mais! “O que terá acontecido a Baby Jane?” é o melhor do que o teatro pode propiciar. Baseado na peça e no romance de Henry Farrel, o espetáculo estreou em agosto, em São Paulo, no Teatro Porto Seguro, em tradução de Claudia Costa e Claudio Botelho, com direção de Charles Möeller.

Impossível não chegar ao teatro com a lembrança de Bette Davis e Joan Crowford, estrelas do filme “Whatever Happened to Baby Jane” (1962), de Robert Aldrich. As duas atrizes americanas tornam-se meras referências perante o talento e a personalidade de Eva Wilma e Nicette Bruno. Eva Wilma se joga de cabeça na Jane do título desnudando o ridículo de quem permanece preso ao tempo, assim como humaniza a personagem ante as perturbações de infância,as culpas da juventude. Nicette Bruno é a Blanche contida sobre uma cadeira de rodas, estabelecendo jogo dúbio enquanto sofre maldades infantis arquitetadas pela irmã.

Sophia Valverde interpreta Jane criança e Juliana Rolim, a Jane Jovem. Duda Matte e Rachel Renhack são Blanche na infância e juventude, respectivamente. Cenas se interpenetram e há vários momentos em que as seis atrizes estão no palco reforçando, com rara beleza, o fazer teatral. Feliz escolha da direção que leva a plateia a acompanhar as fases das personagens, as diferentes facetas do modo de ser de cada uma. Os papeis masculinos, interpretados por Licurgo, são um exercício para o ator e nos induz a crer que Jane vê o pai em todos os homens. Nedira Campos e Teca Pereira completam o elenco afinado, com belos figurinos de Carol Lobato, um destacado visagismo de Beto Carramanhos e eficiente cenário de Rogério Falcão.

Somando todos os elementos, os artistas e técnicos envolvidos, “O que terá acontecido a Baby Jane?” é um raro momento teatral, sobretudo pelas emocionantes interpretações de Eva Wilma e Nicette Bruno. Se as personagens são inimigas que não poupam crueldade, é visível o profissionalismo das duas grandes atrizes ao dividir a cena estabelecendo um jogo em que uma valoriza o trabalho da outra. A emoção é inevitável. O prazer estético é inegável. Imperdível!

Até mais!

Arte na Comunidade 4 nas Ruas de Cruzeiro

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O personagem Pedro Menestrel  é lembrado no desfile

Acontecimento inusitado – e feliz! – para todos nós, do Arte na Comunidade nesse dia 7 de setembro. Creio que nenhum de nós tenha pensado algum dia em ver citações do nosso projeto em um desfile lembrando a Independência. Foi o que ocorreu em Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Um grupo de alunos da Escola Professor Joaquim Rebouças de Carvalho Netto  lembrou personagens apresentados nas montagens do Arte na Comunidade 4 e mais levaram para as ruas peixes feitos em origami, aprendidos durante o projeto, para lembrar a necessidade de limpar e preservar o Rio Paraíba do Sul.

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Crianças recriam personagens da lenda da Amantikir, nossa Serra da Mantiqueira

Faz pouco tempo. Relatando as estreias do Projeto Arte na Comunidade 4 em Cruzeiro e Queluz, ressaltei o tipo de herança que nós, todos os envolvidos, queremos deixar. Nosso Projeto busca resgatar hábitos culturais, valorizar a história, preservar o ambiente. Fazemos isso contando e representando histórias, estimulando a criação dessas pelas crianças que, também, são convidadas a realizar atividades pertinentes aos temas abordados.

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Peixes em origami, distribuidos durante o desfile

No dia 9 de maio, em Cruzeiro, vi uma das apresentações feitas por Rodolfo Oliveira na Escola Professor Joaquim Rebouças C. Netto interpretando “O Viajante do Embaú”. Tanto alunos quanto professores mostraram-se atentos e satisfeitos com a montagem e agora, temos certeza, gostaram o bastante para levar em frente, recriando momentos das peças para o desfile pelas ruas da cidade.

Quero registrar aqui, em nome de toda a equipe realizadora do Arte na Comunidade 4, o mais profundo agradecimento por essa carinhosa homenagem. O que nos move é, com certeza, o desejo por um mundo melhor e, para isso, a parceria com professores e educadores é fundamental. Também cabe lembrar o apoio das Secretarias de Educação, das autoridades de cada cidade e dos nossos patrocinadores. Todos sonhamos com um mundo melhor e todos nós buscamos semear, conforme nossas aptidões e possibilidades, ideias e ações para um futuro mais digno. O desfile da Escola Professor Joaquim Rebouças de Carvalho Netto foi um alentador sinal de que estamos no rumo certo.

Até mais!

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Nota: Idealizado por Sonia Kavantan, o Projeto Arte na Comunidade 4 é patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas; uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

As fotos deste post foram originalmente publicadas por Rodolfo Oliveira (Obrigado!)

Estamos longe de parar

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Após uma caminhada de mais de seis quilômetros eu gostaria de poder dizer que está tudo bem. Andei devagar (porque já tive pressa, diz a canção!) e falando muito pouco. Embora cada vez mais afeito ao silêncio, gostei do som de palavras de ordem, de apitos, do barulho de gente que acima de tudo celebra a liberdade de poder dizer o que pensa. Mesmo com dezenas de carros da polícia na retaguarda; e outro tanto de motocicletas da corporação nas beiras…

Antes, entrei na Avenida Paulista na mesma hora em que uma longa fila de viaturas policiais avançava lentamente, luzes vermelhas piscando e ocupantes ameaçadores que – no nosso país – continuam olhando a população como inimiga. (Chame o ladrão! Chame o ladrão! Diz outra velha canção!). Alguns transeuntes armados de celulares registravam o cortejo armado e na frente, bem na frente daqueles que não foram chamados alcancei milhares e milhares de pessoas.

Por vários instantes me perguntei sobre as reais intenções de cada caminhante, em nome de que, de quem, de qual partido gritavam pelas avenidas; em quem votariam nas possíveis “diretas já”? Quais, quantos nomes constariam para livre escolha? Naquele momento, me parece, o mais importante foi dizer ao “desafeto mor” que são mais, muito mais que quarenta os insatisfeitos com o rumo das coisas.

Na sexta-feira, dia 2, li que o Senado, após o impeachment, passou a considerar legítimo o que na semana passada era crime. Na quarta-feira anterior uma estudante, “atingida por estilhaços de bomba de efeito moral” perdeu o olho durante protesto contra o governo. Dois exemplos da situação em que estamos. Duas situações entre as tantas que merecem caminhadas, palavras de ordem e a luta por um país descente, civilizado.

“Vai caminhante, antes do dia nascer”, terceira canção (Os Mutantes, estão lembrados?)! E assim,  por ter saído antes da noite avançar não sofri o ataque violento da polícia. Antes de chegar ao Largo da Batata manifestei receio aos que estavam comigo. Trechos inteiros mal iluminados – apagaram as luzes públicas? – e no final da passeata, grande número já debandando, o que ocorreria? Noite de domingo:  A grande mídia ignorou ou deu sua “versão dos fatos”…

Segunda-feira, dia 5. “Tudo ainda é tal e qual e, no entanto, nada é igual”… Quarta canção.  Ontem, milhares de pessoas, em todo o nosso país, deixaram bem nítido que continuarão, que a luta segue, que estamos longe de parar. Por um país melhor caminharemos outros seis, dez quilômetros. Até que fiquemos minimamente bem.

Até mais!

Obs 1. As canções referenciadas neste texto são, respectivamente: Tocando em Frente – Almir Satter e Renato Teixeira ; Acorda amor – Leonel Paiva e Julinho da Adelaide {Chico Buarque}; Caminhante Noturno – Arnaldo Baptista e Rita Lee; Os Mais Doces Bárbaros – Caetano Veloso.

Obs 2.Para a foto acima, a legenda óbvia: E o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão. (Sonho Impossível – Versão de Chico Buarque).

Um tempo para todo propósito

 

 

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Nesses últimos dias, atribulados procurei exercitar o silêncio e, assim, evitar o calor da hora, as palavras vãs. Ainda sob o impacto de tudo o que temos vivido orienta-me a sabedoria milenar. Será que haverá quem a conteste?

Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu:

tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,

tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, 

tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar,

tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter,

tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora,

tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar,

tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz….

…Pensei comigo mesmo: O justo e o ímpio, Deus julgará a ambos, pois há um tempo para todo propósito, um tempo para tudo o que acontece.

…Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão.

…Por isso concluí que não há nada melhor para o homem do que desfrutar do seu trabalho, porque esta é a sua recompensa.

(Eclesiastes)

E para quem chegou até aqui, saiba: não desisti! Tempo para tomar fôlego e seguir em frente, continuar!

Até mais!

Domingo, Mostra Teatral em Queluz – SP

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Rodolfo Oliveira, Conrado Sardinha e Luciana Fonseca. Elenco de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”  (Foto Divulgação). 

“Histórias para a hora do não”, de Carla Fioroni, direção de João Acaiabe é a peça convidada na Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4 em Queluz, no próximo domingo, dia 28, às 14h30. No elenco estão Carla Fioroni e Katherine Zavagnison. O evento será aberto com a apresentação de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”. Escrita e dirigida por Valdo Resende, a montagem conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. Composição e direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra

Patrocinados pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas, o projeto Arte na Comunidade 4 é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Conheça outros detalhes abaixo.

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Teatro valoriza o Rio e os Piraquaras do Paraíba do Sul

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O Rio Paraíba e a estrada de ferro, no município de Lavrinhas – SP

A montagem “Os Piraquaras do Vale do Paraíba” está na Mostra Teatral que encerra a passagem do Projeto Arte na Comunidade 4 pela cidades de Lavrinhas, Cruzeiro e Queluz, no interior de São Paulo. Teatro dentro do teatro, as personagens são atores que nasceram na região e que também são poetas, menestréis, bardos, trovadores, contando fatos em prosa e verso, além de apresentar cenas valorizando aspectos históricos e culturais do Vale do Paraíba.

A Serra da Mantiqueira, a estrada de Ferro, a Revolução de 1932, a Via Dutra estão presentes em cenas onde os atores mudam de personagem durante a ação, agilizando a narrativa e evidenciando o jogo teatral, elemento que permeou todo o trabalho do Arte da Comunidade 4 na região. Personagens do folclore são citados assim como a importância dos acontecimentos religiosos que tornaram famoso o Rio Paraíba do Sul.

O progresso e o crescimento de todo o Vale do Paraíba teve consequências que vem de longe, como o desmatamento da Serra da Mantiqueira e, mais recente, a poluição dos rios. Somando história e cultura regional às questões ambientais, ganha destaque na peça o cuidado que se deve dispensar ao meio ambiente. Piraquaras são os habitantes ribeirinhos do Rio Paraíba do Sul. A peça resgata a expressão carinhosa que identifica pescadores, lavradores e demais ribeirinhos do Paraíba e pede cuidado para com os rios, fundamentais para a sobrevivência de todos nós.

Durante as primeiras fases do Projeto Arte na Comunidade 4, nas escolas das cidades participantes, nossos atores ensinaram aos alunos peixes confeccionados em origami, a técnica japonesa para dobradura. Durante a mostra intensificam a campanha iniciada nas escolas pedindo que cada criança faça um peixe com dobradura e dê de presente a quem sujar o rio. Um alerta para enfatizar a vida que se perde com a poluição.

Escrita e dirigida por Valdo Resende, Os Piraquaras do Paraíba conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. Composição e direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra

Idealizado por Sonia Kavantan, o Projeto Arte na Comunidade é patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas; é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

E agora, Queluz!

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Queluz SP

No próximo domingo, dia 28 de agosto, das 14h30 às 18h00, no Espaço de Eventos 8 de Março teremos a Mostra Teatral que encerra o Projeto Arte na Comunidade 4 na cidade de Queluz, no Vale do Paraíba. “Histórias para a hora do não”, de Carla Fioroni, com direção de João Acaiabe está na programação que também terá a apresentação de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”, texto e direção de Valdo Resende, autor também do poema abaixo:

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Queluz (sp) Fotos Valdo Resende

 

A NOSSA QUELUZ

Queluz, no vale do Paraíba,

É minha cidade natal.

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

Aquela é cidade de reis

A nossa, bem brasileira,

Para nós é sempre a primeira.

São duas belas cidades

Quem conhece assim afirma

No meu coração não tem igual

Por isso repito e te peço

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

A montagem de Os Piraquaras do Vale do Paraíba foi feita exclusivamente para o encerramento do Arte na Comunidade 4. No elenco estão Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As músicas são de Flávio Monteiro e os figurinos de Carol Badra.

O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. É uma realização da Kavatant & Associados.

Todos estão convidados!

Para não esquecer

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Do encerramento do Projeto Arte na Comunidade em Lavrinhas e Cruzeiro há algumas imagens para não esquecer: O trabalho de alunos e mestres em maquetes que valorizaram a visão da criança sobre a própria cidade e, também, o carinho do público para com nossa equipe, comparecendo em massa na Praça Dr. Antero Arantes para ver a exposição de trabalhos e a apresentação da peça OS PIRAQUARAS DO VALE DO PARAÍBA.

LAVRINHAS (SP)

Trabalhos dos alunos de Lavrinhas para o Arte na Comunidade 4.

A video posted by Valdo Resende (@valdoresende) on

CRUZEIRO (SP)

Trabalhos dos alunos de Cruzeiro dentro do projeto Arte na Comunidade 4.

A video posted by Valdo Resende (@valdoresende) on

PRAÇA DR. ANTERO NEVES ARANTES, EM CRUZEIRO

Vamos começar em Cruzeiro, SP. Os Piraquaras do Vale do Paraíba. Arte na Comunidade 4

A video posted by Valdo Resende (@valdoresende) on

Meu agradecimento especial aos nossos parceiros nesta empreitada.

O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. Realização da Kavatant & Associados.

 

E a menina cantou nossa canção!

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Últimos ensaios de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba” na cidade de Cruzeiro. Tomo o ônibus de volta para São Paulo e divido o assento com uma garota morena, de onze, doze anos de idade. Os pais, nos bancos da frente, colocaram a menina sem dar muita atenção ao acompanhante. Quase que instintivamente pensei na possibilidade de perturbações, mas mudei de ideia quando a menina, percebendo que a mãe falava muito alto ao telefone pediu, educadamente, para a mulher falar mais baixo. Arrumou-se e ficou quietinha enquanto tentei me distrair com um livro.

A Via Dutra apresentando o rotineiro pôr de sol atrás da Mantiqueira enquanto, à nossa esquerda um garoto, com uma tosse forte, profunda, ininterrupta, fez-me lembrar de outras épocas quando tal situação culminava com estadias nos sanatórios de Campos do Jordão, ali mesmo, no meio da Serra. A garotinha puxou assunto: “- Minha mãe também tosse assim. Sempre!”. E emendou, olhando meu livro: “- Você vai ler tudo isso, página por página?” Acenei que sim e ela: “- Eu gostaria de ler. Um dia vou gostar”. Achei a resposta engraçada e resolvi conversar com a garota: – Sua professora não indica livros, não pede leituras? “- Que ano você acha que estou?”

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Conrado Sardinha na Dr. Arnolfo Azevedo; onde estará minha nova amiga?

Eu olhei e chutei. Terceira? Não, quinta série, ela respondeu e informou estudar na Doutor Arnolfo Azevedo, em Cruzeiro. A escola entrou para a história por ter sido o local onde assinaram documentos dando por fim a Revolução de 1932. Conrado Sardinha esteve lá apresentando as montagens do Arte na Comunidade 4. Resolvi perguntar se ela havia visto e o que se lembrava das peças. Para minha surpresa a menina começou a cantarolar:

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer…

Ela não tinha certeza da segunda parte e eu, já emocionado, cantei com ela:

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal.

A história a gente inventa

Ou conta aquela, já bem contada,

Que recontada, não tem igual.

Sábado à tarde, pôr de sol na Via Dutra. Uma garotinha cantando a música que fiz em parceria com Flávio Monteiro. Ela, sem perceber minha emoção, disse adorar o nome Menestrel.  “– É muito bonita essa palavra, Menestrel! Como era o primeiro nome do moço?” Pedro, Pedro Menestrel, respondi. E abrindo o celular mostrei fotos dos nossos ensaios, do Flávio e do Pedro, que na escola dela foi interpretado por Conrado Sardinha. “– Como, Conrado Sardinha? Por que mudar o nome?” Pedro é a personagem; Conrado é o nosso ator. “- Ele é muito bom! Engraçado!” Tenho certeza de que Conrado irá gostar, informei.

Já íntimos, mostrei fotos também de Rodolfo Oliveira, em Lavrinhas, e da Luciana Fonseca, em Queluz. Convidei a garota para nossa apresentação, no próximo sábado, dia 20, em Cruzeiro, na Praça da Rua 7. – Pede para o teu pai te levar! Foi o único momento em que ela mudou o semblante. “- Ele não é meu pai, é padrasto.” Preferi não identificar o sentimento com que concluiu a informação, como se fosse uma pequena vingança: “- Ele é muito mais velho que a minha mãe”.

O garoto, do outro lado, não parava de tossir, encolhido na poltrona. E minha companheira de viagem, esquecendo o padrasto, perguntou por que ele não se deitava, já que estava sozinho em duas poltronas. E de novo mudou de assunto, perguntando como se escreve Resende. Eu informei e a pequena, ardilosa, fingiu não entender, pedindo-me para que mostrasse no Facebook. Em seguida, já na minha página, ela falou-me o próprio nome e pediu que eu pesquisasse, para vê-la. Obedeci; olhamos algumas fotos e ela, confirmando o ardil: “- Me adiciona! É ali, no canto. Clica ali”.

Sábado estaremos em Cruzeiro. Espero rever minha nova amiguinha. Cansados de fotos, peças, mesmo com as tossidas do garoto, tiramos um cochilo, acordando já em São Paulo, em plena Marginal. Logo ela se foi no burburinho da rodoviária, sem olhar para trás, e eu voltei para casa, feliz! Há uma garota que canta a letra que escrevi, musicada por Flávio Monteiro. Há uma criança que acha Menestrel um lindo nome e que dificilmente irá se esquecer de Conrado Sardinha. Esse é o nosso trabalho, no Arte na Comunidade. Povoar cabecinhas de histórias e de boas lembranças. É isso que faz com que nos sintamos realizados, felizes.

Até mais

Cruzeiro recebe Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4

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Após apresentações em Lavrinhas, na sexta, dia 19 , a Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4 estará em Cruzeiro, no sábado, dia 20. TODOS ESTÃO CONVIDADOS para uma manhã agradável com muitas atrações com entrada franca. Trabalho específico criado para o evento, a montagem de “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” abrirá a programação que conta também com o espetáculo “Histórias por Telefone”, da “Companhia Delas de Teatro”.

Escrita e dirigida por Valdo Resende, “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As composições e a direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra. Patrocinados pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas, o projeto Arte na Comunidade 4 é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Veja horário, endereço e outros detalhes do evento. Compareça. Ficaremos felizes com a presença de todos.

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