Últimos devaneios dos 62

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São Paulo está tipo assim…

Eu queria estar firme como o cabelo do Neymar, batizado pelo meu amigo Dema de Calopsita, mas estou fazendo 63 anos…  Neymar! Tai um cabelo impávido, intrépido, destemido. O moço esteve bonito, fisicamente, mas em se tratando de futebol eu tenho mesmo é saudade do Garrincha; e isso é mais um sinal do tempo, um tempo enorme que carrego nas costas.

Um empate minimizou a alegria barulhenta dos torcedores. Poucas buzinas, cornetas e similares que, agora têm outro nome. Senti falta de fogos de artifício. Os cachorros estão dominando o planeta e quem quiser que contrate outro animal para “cão de guarda”. Se os melhores amigos do homem ficam traumatizados com o foguetório, devem piorar com tiroteios.

Hoje vi, quase que por acaso, o estatuto do idoso… Foi quando me veio a ideia de olhar qual a expectativa de vida para o brasileiro. Estava interessado em saber quanto tempo me resta, coisa que, aos vinte e poucos jamais me passaria pela cabeça e aos trinta e poucos também não. Agora passa; paciência.

EM MINAS GERAIS OS APOSENTADOS NÃO RECEBEM SEU SALÁRIO! Assim mesmo, em caixa alta, pra chamar um pouco mais a atenção sobre milhares de profissionais que trabalharam décadas pensando em uma velhice tranquila. Tenho medo de me aposentar, posto que ao aposentado resta protesto. Greve, nesse caso, só se for de fome… O pior é não precisar de greve para passar fome.

Habituado ao convênio médico descobri, por acaso, que uma consulta ao “meu” dermatologista custa R$ 500,00.  Nem é para ficar com a pele do Neymar (Viram só que pele?). É o preço de uma consulta simples. Vou descobrir o preço do mesmo serviço de um urologista. Depois conto aqui.

Recebi dois avisos de que a Wanderléa apareceria no Faustão. Tenho pessoas queridas que sabem dos meus afetos artísticos. O cabelo da Wandeca é muito mais bonito do que o do Neymar e é tão artificial quanto. Ela é morena, como ele. Ambos têm fissura por cabelo loiro.

80% do pudim que ganhei já foi consumido.

Amanhã, dia do meu natalício, terei quase duas centenas de alunos fazendo exames.

Ontem, final de um capítulo da série O Ministério do Tempo, a moça pede ao rei que, com medo de morrer, pense em algo que o tenha deixado feliz. E o rei se lembrou de, quando criança, a mãe vindo arrumar cobertas, dar beijo de boa noite, fazendo um último afago. Pensei nas muitas vezes que minha mãe fez a mesma coisa comigo. Eu, um reles plebeu.

Hora de tomar uma sopa bem quentinha. Que vontade que tenho de, no inverno, morar no Piauí!

Ufa! 63 anos. Nossa Senhora das Frases Feitas que me ajude a ultrapassar esse momento mantendo a polidez necessária para a ocasião. Todavia, o que vem na cabeça são expressões costumeiras: – Segura a onda! Aguenta firme! Tenha fé! São essas as minhas intenções.

Tenho saudada de muitas coisas.

Até mais.

 

 

 

Nem roda-gigante escapa…

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roda gigante

Foto: Flávio Monteiro

Notícia de vários jornais:  A Camex – Câmara de Comércio Exterior – zerou temporariamente o imposto de importação incidente sobre rodas-gigantes e carrosséis. A alíquota de 20% veio para zero. Que governo legal! Quer beneficiar os parques temáticos… foi o que li no dia 05/06. Só que também li outras coisas:

Em março foi anunciado a construção de uma roda-gigante em Fortaleza!

Aparecida do Norte – SP, terá a maior roda-gigante do Brasil (Esta é mais recente).

Camboriú também terá a maior roda-gigante do Brasil (quando ficarem prontas saberemos qual ficará mais alta)!

Faz um tempinho, anunciaram para São Paulo, capital, uma roda-gigante assinada pelos arquitetos da London Eye (O imenso brinquedo que é um dos atuais símbolos de Londres).

O Rio de Janeiro não ficaria de fora e, lá, a “Estrela do Rio” terá 88 metros e ficará no ex-boulevard olímpico.

A roda-gigante de Fortaleza será construída por uma empresa denominada AmuseBr…

Aparecida, aqui no Vale do Paraíba, é projeto associado ao Aparecida Shopping Partners…

A versão paulistana da London Eye, segundo li na coluna de Monica Bérgamo, será construída por um grupo do qual a coluna cita dois integrantes: Charlles Nogueira e Aroldo Camilo.

Este Charlles Nogueira que está no grupo “paulistano” é fundador da AmuseBR, que venceu o edital em Fortaleza…

Admiro esses empresários que conseguem zerar impostos para conseguir importar seus brinquedinhos – máquinas de fazer dinheiro. Admiro mais ainda o temporariamente, da Camex, que logo que essas gigantes rodas ficarem prontas cortará o barato ou tornará mais caro alguma investida de possíveis concorrentes.

Admiro, para os incautos, foi usado no sentido de assombro, estranheza.

Não é fantástico ter uma câmara que se preocupa com o investimento de grandes empresários e beneficia esses livrando-os de impostos?

Realmente, fico admirado!

Até mais!

Avigrama Para Vinícius

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Vinícius-de-Moraes

“Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: 
Não sei”.

Tive a ilusão de sermos um

A origem sendo não mais que geografia.

No entanto quem, quantos somos?

E quanta diferença há entre nós!

Reconhecendo lutas separatistas,

– São só interesses financeiros!

Não mensurava a própria ingenuidade.

“Tenho-te no entanto em mim como um gemido 
De flor”;

 Vejo-te árvore imensa que abastece,

Propicia sombra reflorescendo sempre.

Sinto-nos frutos similares,

Em todas as fases desses

Às vezes amargos, outras vezes doces,

E desprendidos de seus galhos

Voltamos à terra e renascemos

Filhos da mesma árvore,

Componentes da mesma floresta

Habitando serrado ou caatinga

Redivivos em restingas, pantanais.

 “Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta 
Lábaro não; a minha pátria é desolação “

Durmo pensando-te pátria amada,

A patriazinha do poeta

Que sabia não seres mãe gentil.

Receio ainda manter a ingenuidade…

Sobretudo, por ter aprendido a amar-te,

Insisto na esperança

Acredito no amanhecer límpido

Abrindo caminhos retos

Levando-nos a porto seguro.

Sonho, um dia, o país Brasil.

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Valdo Resende, 30/05/2018

O casamento dos sonhos

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walderez noiva

Nesse dia, Walderes lembrou-se de D. Emília?

Tanto estardalhaço pelo casamento inglês! Brigas familiares do lado da noiva, a famosa discrição da família real britânica e muito, muito fru-fru; com que roupa comparecer, como se comportar, quem vai, quem fica, pode usar joias, quem entra com a noiva e… até uma família quase esquecida, a Imperial aqui da terrinha, manifestou-se contra a união do  nobre com a plebeia.

Um mundo parado em plena manhã de sábado em terras tupiniquins e outras, além mar, para ver o enlace; aquele mundinho que adora reis e rainhas do maracatu, da primavera, do samba, da jovem guarda, da televisão, do cinema e…  of course, da Inglaterra. E eu dei de lembrar dos casamentos de D. Emília! A noiva dos melhores casamentos que frequentei na infância.

Dessas coisas estranhas dos loteamentos urbanos, a Avenida Elias Cruvinel, lá em Uberaba, onde meus pais adquiriram uma casa e para lá se mudaram quando eu tinha cerca de seis meses de vida, era bem peculiar. Corredor de boiadeiros, estrada antiga que ligava a cidade à capital, Belo Horizonte, tinha duas pistas, divididas por uma elevação central, coberta de capim, por onde passavam os postes levando luz para o bairro. Papai, volta e meia, podava o imenso capinzal que crescia em meio à avenida, para que tivéssemos visão do outro lado, um imenso terreno cercado por uma tênue cerca de arame farpado e, até onde se sabe, pertencente à D. Emília.

Ocupando praticamente todo o quarteirão, o terreno em frente à nossa casa continha plantações de ocasião; milho verde era o mais constante e no extremo oeste do terreno ficava uma pequena casa, onde morava D. Emília. Criança, não guardei muito do que os adultos diziam sobre ela. Talvez viúva ou, quem sabe, abandonada pelo marido. Era mãe de dois filhos e, desses, um morava aqui em São Paulo. Até onde me recordo, ela estava sempre sozinha.

Certamente D. Emília foi a primeira mulher vestida de noiva que vi. Guardo na memória uma mulher morena, cabelos castanhos e compridos, um sorriso largo, lindo, cheio de dentes artificiais. Todavia era um sorriso bonito, sincero, um tanto ou quanto aéreo, como se a dona do sorriso estivesse longe, muito longe, quando então resolvia se casar. Sempre me lembro da querida senhora vestida de noiva.

Meus irmãos maiores já conheciam os sinais. De vez em quando era perceptível que D. Emília estava prestes a se casar. Preparava doces, bolos, essas coisas de festa e vestia minhas irmãs como damas de honra, meu irmão como pajem. Começo da tarde, já com um alvíssimo vestido branco, uma farta grinalda de tule e, nas mãos, um pequeno buquê de flores naturais a noiva sentava-se em um tosco banco de madeira, que ocupava a frente da casinha onde morava e, sentada, viajava nos sonhos e delírios de quem sabe onde fica Pasárgada, Shangrilá e outros paraísos da imaginação humana.

As crianças ficavam ao redor da noiva. Em um momento brincando, depois impacientes, querendo provar do banquete nupcial. Após o que se supõe ter sido a cerimônia a noiva, sorridente, servia os convidados. Nós e as crianças da vizinhança. Será que Waldênia e Walcenis, minhas irmãs mais velhas, perguntaram algum dia pelo noivo? Meu irmão Valdonei, certamente adorava bolos, roscas e, tanto Walderes quanto eu, éramos os apreciadores de doces. Tenho certeza de que não importávamos quanto ao noivo, sua ausência ou o dote e as demais implicações que, agora, percebo no casamento do príncipe com a plebeia americana.

Quantas vezes vimos tal cerimônia? Não sei. Na minha memória foram várias. E depois, quando apareceram outros donos dos terrenos e limitaram a residência de D. Emília, ela não durou muito. Faleceu, provavelmente, no final dos anos de 1960.

Guardo de D. Emília o casamento como algo descomplicado e feliz. Uma brincadeira com bolos e doces em uma bela tarde de sol. Talvez estivéssemos descalços, mas recordo guirlandas enfeitando os cabelos de minhas irmãs que, certamente, têm outras lembranças além dessas.

Que o jovem casal do momento possa sobreviver ao assédio da mídia, às fofocas quanto ao vestuário, ao disse-me-disse dos convidados. Tenho cá minhas dúvidas, mas acredito sinceramente que D. Emília, em seus delírios nupciais, foi mais feliz que o herdeiro da coroa inglesa. Como estou imbuído de bons sentimentos, só me resta desejar ao casal de agora a pureza e a felicidade de D. Emília que, para muitos alienada, experimentou mais casamentos felizes que todos os reis do planeta.

Até mais.

Internacionalização de carreiras, empresas e negócios

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Em tempos de agora o outro lado do mundo é logo ali. Os meios de transporte, cada vez mais eficazes, diminuem distâncias entre os continentes e o ambiente virtual anula espaços, colocando o mundo dentro de nossas casas, sobre a nossa mesa de trabalho. Para viver essa nova realidade é fundamental pensar em outras vertentes da formação tradicional; daí a importância do livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, de Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Conhecemos dois tipos básicos de brasileiros que, fora do país, buscam novos horizontes profissionais: No primeiro, um vasto número de jovens aventura-se nos mercados de ocasião atuando no setor de serviços, exercendo atividades básicas; em troca aprendem a língua, conhecem nova realidade e, com sorte, economizam o suficiente para a tentativa de novos horizontes, seja voltando ao Brasil ou indo além.  O outro tipo é de jovens profissionais que somam conhecimentos em cursos especializados, vivências em seminários, visitas e práticas profissionais em empresas no exterior, planejando e programando cada passo da carreira almejada.

Os professores Fátima Abud e Rafael Olivieri, comprovam longa experiência em educação superior atuando como facilitadores aos interessados em ampliar horizontes. Foi pelo desenvolvimento de programas acadêmicos internacionais que o Professor Rafael Olivieri recebeu o Prêmio Augusto Cury, outorgado pela InterEducation – Unifuturo. O livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, que será lançado no próximo dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509), comprova o trabalho e a trajetória dos autores e fornece os passos necessários para jovens e experientes profissionais.

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Os autores, Professores Rafael Olivieri e Fátima Abud

Constata-se um terceiro grupo, aos dois citados acima, de pessoas que não pensam em sair do país, seja para ampliar possibilidades materiais ou internacionalizar a carreira. Todavia, sabemos ser impossível evitar o avanço de corporações estrangeiras no nosso cotidiano; sendo assim, conhecer os meandros do mercado internacional é necessário inclusive para quem pensa em permanecer por aqui, posto que em um ou outro momento estaremos perante profissionais estrangeiros, lidando com as diversas nuances de um mundo globalizado.

Tive a oportunidade de ler os originais de INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS e, por isso, creio ser esse a grande novidade do mercado editorial, posto que apresenta aspectos absolutamente inéditos da questão indo além do popular intercâmbio e propondo bem mais que um mero curso no exterior. Além dos aspectos históricos e teóricos que envolvem o tema, os autores apresentam vários cases de sucesso, documentando via realidade os diferentes aspectos abordados no livro.

Estarei no lançamento e conto com a presença de todos os interessados para que possamos conhecer e brindar ao trabalho dos professores Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Até lá!

Serviço: INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRA, EMPRESAS E NEGÓCIOS. De Fátima Abud e Rafael Olivieri. O lançamento será no dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, das 18h às 22h.

Um Sábado com Domingo no Parque

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Pura emoção: junto à Orquestra de Câmara da ECA/USP, com arranjos e regência do Maestro Gil Jardim, Gilberto Gil canta Domingo no Parque. Suavemente os sons invadem a Sala São Paulo e dou-me conta de ser esta a primeira vez que ouço ao vivo a música, originalmente apresentada no Festival da Record de 1967. O choro vem fácil e sinto o apoio que vem da amiga que me propiciou tal evento. Careço de outra canção pra sintetizar esse momento: “Tudo ainda é tal e qual e, no entanto, nada é igual” diz a letra de Caetano Veloso em “Os mais doces bárbaros”.

Tal e qual é a beleza de Domingo no Parque na voz madura e segura de seu criador. João, José e Juliana estão em um parque, onde o triangulo amoroso será desfeito tragicamente. As frases melódicas são precisas e realçam a história ocorrida em algum domingo, no parque de diversões onde a roda gigante gira, feito a roda do destino. Os versos evocam imagens com a precisão da poesia. O fim é, infelizmente, comum ainda hoje: resolvido com a lâmina de uma faca.

Gil e os mutantes

Gilberto Gil e Os Mutantes, em 1967

Nada igual! Não estavam lá Os Mutantes fazendo coro com Gilberto Gil. E o novo arranjo, embora belíssimo, continua fazendo lembrar e reverenciar o original de Rogério Duprat. Um encontro impossível com a morte de Duprat, em 2006, e com os rumos sem retorno dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista, cada vez mais distantes de Rita Lee. No entanto… Criador e criatura! Gilberto Gil é um dos máximos compositores que somam letra e música com beleza e emoção. E há mais: o cantor! Dono de um timbre inequívoco, a voz conhecida de décadas está ali, fazendo a emoção atingir altíssimos graus.

Gilberto Gil brilhou em noite que estiveram presentes a cantora Vanessa Moreno com Fi Maróstica, e a fadista Carminho, duas mulheres extraordinárias. O Concerto Letras de Luz, no Dia Internacional da Língua Portuguesa comemorou o 10º aniversário do Instituto EDP, encarregado de ações socioculturais do Grupo EDP, que tem origem em Portugal.

Gil e os demais artistas

Gilberto Gil, Carminho, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, e o maestro Gil Jardim, os artistas do Concerto Letras de Luz

A voz de Vanessa Moreno surpreendeu ao cantar Expresso 2222 e Carminho, lembrando Amália Rodrigues com Saudades do Brasil em Portugal, de Vinícius de Moraes, segue a tradição das grandes cantoras portuguesas. A Orquestra de Câmara da ECA/USP fez um memorável O Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos. O final do show reuniu todos os artistas presentes que fizeram o bis com Panis et Circenses e, novamente emocionaram, em interpretação que lembrou Os Mutantes e a Tropicália.

Foi um sábado feliz. Com Vinho do Porto, Pastel de Belém, alguns amigos e a companhia pra lá de especial da Sonia Kavantan (Obrigado, Sonia! Obrigado EDP!). Tudo muito bom!

Já na Bela Vista quando desci do carro da minha amiga, enquanto caminhava solitário na rua deserta, madrugada de domingo, pensei em Gil, na Ribeira que vi de passagem, lá em Salvador, no parque de diversões do meu pai e da canção, que tive o privilégio de ouvir…

Olha o sangue na mão (ê, José)

Juliana no chão (ê, José)

Outro corpo caído (ê, José)

Seu amigo João (ê, José)

Amanhã não tem feira (ê, José)

Não tem mais construção (ê, João)

Não tem mais brincadeira (ê, José)

Não tem mais confusão (ê, João).

Boa semana para todos!

Ah! Para rever Domingo no Parque no Festival da Record:

 

Até!

“Ex África” é a África?

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A thousand Men Can Not Build a City (detalhe) – Abdulrazaq Awofeso – Nigéria

O CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – SP, anuncia “Ex África” como a “maior exposição sobre arte africana contemporânea já realizada no Brasil”. Estão na mostra fotografias, pinturas, esculturas, performances, vídeos e uma instalação, totalizando 80 obras que deverão, ainda conforme a instituição, ampliar o debate sobre a significativa contribuição da herança africana na formação da identidade brasileira.

O título da exposição foi retirado de uma citação de 2000 anos atrás, atribuída ao escritor Caio Plínio Segundo: “Ex Africa semper aliquid novi” (da África sempre há novidades a reportar). Certamente a exposição é “da África”, mas pretender que ela represente o continente é ponto a ser questionado. Se a exposição traz dezoito artistas vindos de oito países, mais dois afro-brasileiros, seria esse grupo representante de todo o continente?

Ano passado, por duas oportunidades, trabalhei com um grupo de angolanos que, em dado momento, ressentiram-se de que nós, brasileiros, nos referimos ao continente como se este fosse unificado e identificado como grupo homogêneo. O continente africano, com 54 países, está muito além da generalização que nossa ignorância e descaso histórico registra ao longo de séculos. Foi esta reinvindicação do grupo angolano que voltou, imperiosa: Oito países refletem a arte contemporânea de toda a África?

Por menos que conheçamos a Europa sabemos distinguir as imensas diferenças entre, por exemplo, os portugueses e seus vizinhos espanhóis. Todavia, no caso presente, qual a semelhança entre Senegal e o distante África do Sul? Quais as diferenças entre a Nigéria e Gana?

Pela exposição é possível perceber que o grupo apresentado entrou na “cena artística global” com obras que poderiam ser vistas em qualquer outro espaço ou galeria em que se expõe arte contemporânea. Estão antenados e, certamente, interagem com seus pares de outros continentes. Transitam por diferentes formas, suportes, linguagens e dão-nos a certeza de que, como nós, estão ou são globalizados.

Há que se ter um começo; e o CCBB começou há 15 anos com a mostra Arte da África, retomando a temática – pretensiosa – de apresentar “um panorama da produção artística da África atual e suas influências no mundo…” Ainda não. Falta muito para que possamos identificar cada país africano como fazemos com Europa e América do Norte, ou mesmo, com nossos vizinhos aqui da América do Sul.

A curadoria da exposição, assinada por Alfons Hug e Ade Bantu, tem o mérito de mostrar faces de alguns países através da obra de artistas representativos. Abre-nos uma porta para o continente e nos instiga a ir além para quem sabe, um dia, podermos distinguir pelo menos uma dezena, das dezenas de países africanos.

Até mais!

Sina

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A palavra como escape,

Desejo, norte ou vício.

Reclama, exige, pede, implora!

– ESCREVE!

Feito ávido viajante…

Desfaça malas,

Distribua lembranças,

Discuta ideias.

Enuncie, proclame, reclame

ESCREVA!

Há que se escrever

Tanto quanto cantar

Amar, comer, viajar

Respirar!

E assim volto,

Por isso escrevo.

“O Tíutio”, o nosso jornal

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Basta olhar para a imagem e o tempo, já distante, reaviva o cheiro de álcool e tinta característicos da impressão via mimeografo. Mesmo com todas as andanças, mudanças daqui e dali, ainda tenho um exemplar. É “O Tíutio” de número quatro, o jornal do Movimento de Jovens da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, lá em Uberaba, MG.

Nosso grupo, lá no Bairro Boa Vista, começou com o trabalho de outros jovens, do então chamado Movimento Mundo Novo, cujos participantes eram de outras paróquias da cidade. Estimulados pelos Padres Somascos continuamos o trabalho. Esses já estavam na paróquia desde a década anterior e guardo, com muito carinho, muito do que aprendi com o Padre Nicola Rudge, a quem chamávamos Padre Nicolau ( Com ele descobri a arte do renascimento, aprendi xadrez enquanto ouvia música erudita, em especial, a ópera italiana).

A turma de acólitos (os populares coroinhas) criado pelo Pe. Nicolau caminhou naturalmente para o grupo de jovens, assim como as meninas do grupo que nas novenas, anualmente, coroava as imagens de Maria. Outros padres, Líbero Zappone e Américo Veccia, passaram a trabalhar conosco. Américo, o Tíutio que deu título ao jornal, tinha foco em ações da pastoral vocacional e Pe. Líbero, a quem chamávamos Coronel, era o Vigário de então.

O Coronel justificava o título com “ordens” variadas. “– Vocês irão tocar violão na missa daqui a um mês!” Fátima Borges e eu, obedientes, corremos para ter aulas e no tempo exigido estávamos, trêmulos, executando acordes para que nossos amigos cantassem.  Outra ordem, mexeu com todo o grupo, cerca de 50 pessoas: “- Na próxima quermesse vocês serão os festeiros!”.  Uma revolução. Em toda a história da paróquia as quermesses eram feitas por casais experientes do bairro, com domínio e prática daquele tipo de evento. O grupo topou o desafio e fez um belo trabalho.

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O jornal – faz tempo! – não sei como surgiu, mas está no exemplar que guardo menção à grande colaboração do “Coronel”. A redação está assim descrita: “Valdo, Inimar, Luiz Albino e Ronaldo. Os desenhos foram a cargo de: Gerson”. Os assuntos? Um texto reflexivo de abertura, algumas piadas e muita brincadeira com algumas pessoas participantes do grupo. O número, último do ano de 1975, registra nome e endereço de 46 integrantes.

Já tínhamos sinais de que as coisas mudariam. Fátima Borges, por exemplo, já havia ido de mudança com a família para Goiânia. Logo eu também viria embora. E dos que constam desse velho jornal mimeografado, lamento algumas erdas irreparáveis: Ronaldo Feliciano de Assis, meu querido amigo, faleceu. Também falecidos: João Cardoso Borges e Maria Catarina Souto. Talvez outros, não sei. Muitos integrantes permaneceram lá no bairro, formaram família, os filhos já crescidos, certamente há avós entre esses jovens do Tíutio. Outros foram pra outras cidades, outros estados. E o tempo passou.

Foi em uma dessas arrumações de final/começo de ano que mostrei ao Agostinho Hermes, meu irmão Gugu, o jornal de quando éramos jovens e ele, na época menino, era acólito cuja atuação está registrada nas fotos de casamento de minha irmã Walderez. Ele impediu-me de jogar fora o velho exemplar, assim como também o texto da primeira homilia que fiz, sob as ordens do Coronel, tendo como tema a Parábola do Semeador. – É história, Vavá! Tem que registrar no blog. E aqui está.

Nosso país anda feio! Os anos de 1970 também foram difíceis: estávamos lá! Semeando esperança e nos preparando para seguir em frente. Até onde percebo, via redes sociais, ou papos pessoais, continuamos na luta. A fé pode não ser a mesma, assim como os ideais foram mudando com o tempo, mas ouso afirmar: – Somos gente do bem. E aprendemos boa parte do que somos lá, ao lado dos padres.

Os Somascos ensinaram-nos a fazer reuniões, organizar eventos, discutir textos, planejar ações de integração, discussão. Entre muitas atividades, creio, que a principal foi a discussão e interpretação de textos. Da Bíblia, dos livros de formação e de letras de canções, notícias de jornal, poesias. Um aprendizado informal, mas que certamente norteia a vida de todos aqueles que viveram intensamente aqueles anos.

Meu carinho aos padres e para todos os meus companheiros de grupo, para quem vai este texto. Meus sentimentos aos familiares por aqueles que partiram.

Terminarei registrando todos os nomes citados no jornal; um encontro virtual para lembrar tempos em que sonhávamos grande e, quem sabe, não seja este um pequeno estímulo para continuar a sonhar. No mínimo, um bocado de histórias para lembrar.

Ajair dos Reis Farias Pinto, Alcides Delfino Camilo, Anivaldo Santana, Antonio Sebastião de Souza, Antonio Sergio Manzan, Ariadina Aparecida Borges, Célio Heli Batista, Daniel Lázaro das Neves, Delcio José Matos, Dulcelane dos Santos Loureiro, Eleusa de Fátima Ramos, Getúlio de Oliveira, Gilberto dos Reis Mota, Haidee Maria Fialho, Inimar Eurípedes Santana, João Cardoso Borges, José Geraldo de Oliveira, José Humberto da Silveira, Lúcia Helena Ribeiro, Luiz Albino Gonçalves, Marco Antonio Britto, Maria Amélia Cruz, Maria Aparecida Souto, Maria Bernadete Camilo, Maria Bernadete da Silveira, Maria Catarina Souto, Maria das Graças, Maria das Graças Silveira, Maria Lucia Souto, Maria Natividade Ramos, Marilene Alves, Marilene Justino, Marina Alves Rocha, Marisa Helena Alves, Marluce Aparecida Justino, Marluce Helena de Souza, Marta Aparecida Camilo, Paulo Roberto da Silveira, Pedro Bernardino da Silveira, Pedro Delfino Camilo Filho, Ronaldo Feliciano de Assis, Shirley de Matos, Silvia Gonçalves, Tania Cristina Melo Oliveira, Valdo Vinagreiro Resende, Vanildo Portela de Jesus.

Até mais!

São Paulo, cidade de romance

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Um trecho dos tantos sobre São Paulo em “dois meninos – Limbo”, para expressar todo o amor por nossa cidade. Feliz aniversário, São Paulo!

dois meninos divulgação

…  Para um mineiro que não gosta das coisas passageiras, a solução possível foi seguir o fluxo evitando ventos que provocavam barreiras intransponíveis. Morei no Alto de Pinheiros, na Vila Mariana, na Bela Vista, Paraíso, Ipiranga, no Brás, Mooca… mapeei a cidade e fui tornando-a minha, tomando-a palmo a palmo. Respirei com volúpia entre as alamedas de seus bairros arborizados, suei em bicas ou tiritei de frio sob o concreto de apartamentos, dormi embalado com os sinos do Mosteiro de São Bento e, como um comum nordestino, durante longa temporada bati o ponto todos os domingos na feira sob o viaduto da Radial, ao lado da Baixada do Glicério. Ironicamente fui vizinho da Marquesa de Santos e de Dona Olívia Penteado, em pensões ordinárias ao lado da Sé e em Higienópolis. Tive tardes de leitura no mirante da Lapa e, como o mais nobre dos paus-de-arara, subi a Rua Augusta, sobre os cacarecos que chamava de móveis, entulhados na carroceria de um caminhão, em direção ao Baronesa de Arari, na Avenida Paulista(…).

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Dois Meninos – Limbo (ISBN 978-85—68591-00-0) é romance de Valdo Resende, publicado pela editora Elipse, Arte e Afins.

O cenário do romance é a cidade de São Paulo do final do século XX; a vida operária, a agitação de noites trepidantes tornadas tensas e perigosas com o surgimento da AIDS e, decorrentes dessa realidade,  as profundas mudanças e exigências impostas à sociedade.

Revivendo esse momento, “Dois Meninos – Limbo” celebra a amizade e a solidariedade ante a adversidade, tanto quanto celebra a solidão e o amor.

Para conhecer ou adquirir o livre acesse a página do autor: https://valdoresende.com/loja/