Rota

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Que arda em nós

tudo quanto arde

e que nos tarde a tarde.

(Olga Savary)

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Um haicai para determinar caminhos.

Até mais!

Leminski

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cruzeiro (2)

a noite – enorme

tudo dorme

menos teu nome

(Paulo Leminski)

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E o tempo escoa breve, como haicai

Crédito da foto: Flávio Monteiro

Até mais!

 

Haicais de estrada

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Por que explicar?

aguente o fardo

Em silêncio.

why explain?

bear burdens

In silence.

(Jack Kerouac)

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Na estrada, o poeta americano faz haicai.

Até mais!

Millôr

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çlk

Não é segredo.

Somos feitos de pó, vaidade,

E muito medo.

(Millôr Fernandes)

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Um haikai para manter na real.

Até mais!

Das contradições da palavra

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nova nuvem (2)

.

Sou o que as palavras dizem que sou.

Abstrações de comportamentos, sensações

Transformadas em vocábulos

Expostas em expressões.

Definidas, nomeadas, catalogadas.

.

Tendo a crer nas palavras como remédio,

Solução para todos os males

Pontes estabelecendo contatos

Esperanças para toda justa causa

Alicerces fundamentando relações.

.

Ah, as palavras!

Unem e separam com a mesma intensidade.

Provocam e pacificam situações similares,

Assumem hierarquia via emissores incautos,

Denotam o que entende o emissor!

Ilimitadas em constantes impasses

Palavras não unem.

Permeiam acidentes, circulam ciladas

Confundem o caos e opostos desse

E seguem no suporte, revivida na fala

Emulada no pensamento

Emoldurada no poema

Destilada na canção.

.

Pobre profissional das palavras

Tem pela frente todos os significados

Carrega consigo todos os postulados.

E entre o significante e o significado

Observa – estupefato – a limitação humana.

.

(Valdo Resende/ São Paulo/ Nov.2017)

Amanhece

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arcoiris flavio monteiro

Um copo de cristal

Sobre a mesa

Inventa as cores todas do arco-íris…

(Mario Quintana)

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Um haicai para manhãs de cinza!

Crédito da foto: Flávio Monteiro.

Até mais.

Desolação

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valdoresendefinados

Fim de estrada. Só.

Sem espaço para os passos.

Adiante e atrás: pó.

(Cyro Armando Catta Preta)

Um haicai pra sorrir da ganância.

Até mais!

Hipótese

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drummond

E se Deus é canhoto

e criou com a mão esquerda?

Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.

(Carlos Drummond de Andrade)

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Em tempos de verborragia, eu decidi seguir de haicai.

Até mais!

Eu, esse mesmo eu que já foi criança

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O ciclo que permanecerá

Tenho sonhado muito com meus pais, meus avós, tios, meu irmão e outros parentes que já não estão neste plano. Também sonho com outros que continuam por aqui comigo, principalmente minhas irmãs. Sensação é a de que a família diminuiu, embora seja provável que tenha aumentado bastante. Na medida em que o tempo passa vou me sentindo mais isolado e, com isso, tenho percebido que as ondas familiares são formadas na relação de irmãos.

Minha avó, Maria, tinha como irmãs as queridas tias Aurora, Amélia, Palmira e os tios Antônio e Manuel. Todos casados e com filhos, os nossos primos. Bem verdade que vovó e seus irmãos tinham primos e tios, além dos nossos bisavós; mas, o ciclo do qual tenho maiores lembranças é desse, ligado diretamente à minha mãe. Eu, no meio desse povo todo, era o caçula da Laura. Entre os tios minha preferência era por Tia Aurora. Uma ligação filial, carinhosa, que permanece mesmo após o falecimento dela, já que ela aparece sempre em meus sonhos.

As irmãs de Laura, minha mãe, foram Olinda e Isaura. Albino e José os irmãos. Esses dois não tiveram filhos e tia Isaura teve uma filha já na maturidade. Tia Olinda teve cinco filhos, meus primo-irmãos. Os outros primos, aos montes, são frutos dos primos de minha mãe. Aqui entra a geografia, colaborando em proximidades e distanciamentos. Uberaba, São Joaquim da Barra, Ribeirão Preto, Orlândia, Campinas… lugares onde estavam todos os parentes. Para todos eles eu permaneci menino, o filho menor da Laura, que só reapareceu com o advento da internet, o Orkut, o Facebook.

Tanta gente querida! Tento resgatar as risadas gostosas das tias Amélia e Palmira, a delicadeza e o carinho da tia Aurora, o jeito brincalhão do tio Manoel contrapondo com a formalidade do Tio Antônio. Vejo-me criança observando a todos, ouvindo todo mundo. Raramente falando, pois naquela época criança entrava pouco em assunto de gente grande. Com os outros tios, irmãos de minha mãe, já foi diferente. Tia Olinda, por exemplo, tratava-nos, antes de qualquer laço, como amigos. Trocava impressões, confiava sentimentos. Tio Nino, o Albino, brincava feito moleque com meus irmãos. Minha primeira recordação dele é de estar em seu colo enquanto ele pulava corda.

O outro lado, da família de papai, ficou mais distante; lá pelos serrados de Minas e Goiás. Mesmo mantendo relações afetivas, nunca fomos próximos. A família, vejo agora, fechava-se nos laços estabelecidos pelas mulheres. Gravitávamos nas famílias das tias, muito mais do que nas famílias dos tios, maridos delas.

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Eu, a criança com cabelo claro entre meus avós.

Tempo, tempo, tempo… muita gente crescendo e tomando seu rumo. Os mais velhos indo embora de vez, permanecendo em fotos, em lembranças e sonhos. Cada ramo da nossa imensa família foi criando outros ramos, novos laços, outras famílias. Recentemente reencontrei Maria, a filha mais velha da Tia Amélia. A emoção maior foi rever nela o semblante de minha avó e, pelo que sei, ela viu em mim os traços de minha mãe. A afeição é imediatamente restabelecida. Somos família! E assim somos, mesmo que os encontros sejam raros e, mais frequentemente virtuais. – Modernidade! criticariam os mais velhos.

Com meus irmãos sinto o continuar desse eterno ciclo familiar. Vou chegando na outra ponta, a dos mais velhos, olhando para alguns sobrinhos-neto como um dia me olharam. São crianças, filhos dos meus sobrinhos, distanciando-se na ausência da convivência. Essa mesma convivência que, embora truncada, é o que faz com que a família formada por minha mãe permaneça como tal. Fico feliz vendo as relações entre meus sobrinhos, irmãos que prosseguem dando sentido a esse mundo.

Entre o eu que fui para todos os que já se foram, o eu que vive entre os vivos e o eu, quase desconhecido para os mais novos está um eu “universal”, aquele pelo qual me denomino, que pode ser o menino conduzido pelo avô no passeio vespertino, ou o filho caçula cuidado pelo pai, acariciado pela mãe. O mesmo eu que recebeu proteção da tia avó e dos irmãos mais velhos, que teve primos como companheiros e primeiros grandes amigos.

Gosto dos meus cabelos brancos, tão brancos quanto foram os cabelos de meu avô e da Tia Aurora. Gosto de sorrir com a mesma calma que a Tia Olinda e adoro contar histórias, herança de todos os tios que me antecederam. E no meio de tudo isso, entre todas as lembranças que emergem a cada palavra que escrevo, vejo-me menino, entre essa gente toda, tornando a ser criança agora, quando percebo nada saber e pouco entender dessa vida que, volta e meia, completa-se nos sonhos onde caminho novamente com todos aqueles que me auxiliaram nos primeiros passos.

Feliz dia das crianças para todos!

Até mais!

Um casamento para celebrar a vida

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Casamento do Robinho

Robson Germano e Flávia Paggioli – O casal!

Pausa para o casamento de Flávia e Robinho. Pausa para nós todos, mais para os dois, pois para eles foi consequência de um sem número de tarefas e procedimentos concretizando no papel uma bela união. Unidos já estão, o amor já é grande, mas a sociedade precisa de papeis e um casamento é sempre um bom momento para celebrar o amor e a vida.

A persistência está entre as melhores qualidades do ser humano. Que importam as pinimbas de governantes que ameaçam resolvê-las com bombas sobre o planeta? Deixa pra lá as inseguranças de quem não consegue encarar um nu com a tranquilidade de ver um reflexo de si ou, no máximo, do reconhecimento do sexo oposto. A vida segue e o lance é buscar a felicidade, a vida em comum, o compartilhamento de todas as coisas possíveis quando há o afeto. Fiquei pensando nessas bobagens humanas enquanto aguardava o momento da cerimônia, tendo a certeza de que o que realmente importa é celebrar os grandes afetos. É para amar que estamos no planeta.

Robinho é daquelas pessoas em que o adjetivo amável cai como luva. Amigo de muitos anos, Robinho tornou-se amigo e membro da minha família. Dono de uma alegria imensa, ele contagia e espalha alegria por onde passa. Quem o presencia brincando com crianças ou com animais tem a dimensão exata do ser humano que ele é. Acredita-se um ser de sorte e, certamente por ter esta é que encontrou a Flávia.

Flávia é batalhadora. Uma menina doce, suave, que trabalha o próprio corpo e o corpo de seus alunos – professora de educação física que é! – sem deixar de exercitar a sensibilidade, pesquisando e trabalhando com música eletrônica. Com Robinho forma um par inequívoco. Gostam de diversão, apreciam as boas coisas que há por aí sem deixar de lado as atitudes responsáveis para seguir em frente; com segurança, tranquilidade e muito afeto.

casamento do robinho 2

Fiquei feliz em testemunhar o enlace. Padrinho! E insisto: É muito bom perceber que, embora tenhamos corrupção de sobra no país, ameaça de guerra atômica, indivíduos querendo destruir obras de arte e mais um monte de coisas ruins, há gente, muita gente, insistindo em investir no amor, nas relações familiares, na convivência com os amigos. Um casamento é o princípio de uma família e espero,com todo o coração, que tudo dê certo. Que sejam felizes, que permaneçam unidos, que tenham um ao outro para enfrentar todas as barras do cotidiano.

Meu amigo Robinho agora é um homem casado. Quem o conhece deve sorrir um pouco com essa frase, mas ao mesmo tempo sabe que ele será o melhor dos maridos. E eu, que conheço também a Flávia, afirmo a máxima que neste caso me deixa muito feliz: Deus fez, Deus uniu. Um belo casal. E que assim permaneçam.

Até mais.