Em tempos de tão propalada e desmedida violência, somos brindados com uma história na contra corrente da onda. Um romance permeado de nuances que nos leva a refletir sobre valores que deveriam ser enaltecidos diuturnamente, no que pese, o que é hoje divulgado pelos meios de comunicação. Um amor que nada tem de piegas e sobrepuja a uma outra grande controvérsia: o preconceito.
A história bem engendrada por VALDO RESENDE torna a leitura agradabilíssima e nos mostra o que o Amor tem de melhor: transcende a presença física. DOIS MENINOS – LIMBO nos incita ao recomeço pós traumas, mostrando-nos que o refazer-se é mais que necessário, ainda que por gratidão ao Criador pelo Dom da Vida. A dor e as mazelas do dia-a-dia, aqui nada mais são do que combustíveis para a busca incansável de todo ser: Amar e ser Amado.
Às vésperas da Copa do Mundo e das eleições de 1982, a cidade de Guabiru transpira sonhos e mazelas por todos os poros. Encravada em um lugar qualquer da imaginação do autor, o município de restritas dimensões guarda segredos, maquinações, objetivos escusos e prazeres revelados no romance Várzea de Valdo Resende.
Centrado em núcleos narrativos que se mesclam no correr da trama, Várzea tem o futebol como metáfora de uma partida desigual, em que poucos ganham enquanto a maioria coleciona derrotas. Sina que historicamente nos persegue.
Altamente atrativo ao leitor, o livro ganha intensidade ao compreendermos suas poderosas entrelinhas. Como destacado no prefácio da edição, “Guabiru significa ratazana; na obra, várias delas se engalfinham para realizar seus ensejos. Várzea, termo utilizado para nomear os locais que recebem as peladas de times amadores, na verdade é um terreno inundável, desvalorizado, tão menosprezado como a massa de manobra utilizada pelos figurões da cidade, as ratazanas, no sentido de concretizar as suas artimanhas. Analogias que nos levam a refletir a respeito do desprezível, do vil, mas também nos antídotos a serem aplicados na consolidação de práticas e relações sociais e humanas capazes de nos elevarem e não, como em Várzea, nos envergonharem”.
De maneira a ilustrar essas questões, somos apresentados a Olympio Lins, técnico do Athenas, o time varzeano da cidade. Devotado à agremiação, foi atraído por uma proposta tentadora, caso saísse candidato ao legislativo e ajudasse a eleger um dos postulantes ao executivo, dando-lhe posterior sustentação política, ganharia em troca a realização de um sonho: a construção do estádio municipal, passo importante para a profissionalização do clube.
Relutante em um primeiro momento, Olympio embarca em um caminho tortuoso. Correto, pai de família dedicado, vê a espinha dorsal dos seus valores dobrarem-se às exigências da luta pelo poder. A primeira e dolorosa imposição é a troca de nome da equipe, que passa a se chamar Guabiru Sport Club, sepultando um passado valioso. Ato contínuo, torna-se um marionete: pode dar as cartas nos treinos, mas tem de beijar a mão de muita gente para atuar nos campos comandados pelos seus novos companheiros.
Independentemente das cores partidárias dos personagens, parte deles reúne-se assiduamente na casa de tolerância mais famosa de Guabiru. A Maison, administrada com mão de ferro pela cafetina Irani, é responsável por passagens hilárias, inclusive um emblemático desentendimento em que sobraram pernadas e sopapos aos frequentadores, tornando aquela noite inesquecível.
Há muito, no entanto, a ser explorado no volume de Valdo Resende, mais uma iniciativa do escritor de “Dois meninos – limbo”, “A sensitiva da Vila Mariana” e “O vai e vem da memória”.
Várzea, vendas Edição física: diretamente com o autor @valdoresende. Formato digital: Google Livros.
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Meus agradecimentos a Jennifer Monteiro e ao Fernando Brengel pelo post,
Muito feliz e agradecido com o percurso do meu romance, Várzea, agora em post do Instituto Legus, com texto da Roseli Gimenes, coordenadora do Cultura em Foco, para quem registro meus agradecimentos. Veja abaixo o vídeo e texto publicado nas redes sociais.
Futebol, política e outras coisas mais . A obra é de 2025 e tem publicação pela editora independente do autor cujas vendas podem ser solicitadas a: valdoresende.com De pronto, há uma citação que diz tudo feita por Nelson Rodrigues, ‘De nada adiantará o futebol se o homem não presta’. É de esperar o leitor que a obra tratará de futebol. Pela citação e pelo título intuitivo. Mas exatamente as duas coisas, citação e título, levam a leitura a contextos sociais que assolam pessoas até hoje: o transporte, a política, o mal caratismo. Todas essas mazelas podem acabar em pizza ou em futebol. Ou em carnaval. No entanto, Valdo Resende compreende a alma que corre pelas veias humanas e sabe que a alegria costuma ser vista com escárnio pela sociedade. Assim, fica mais fácil dizer que o importante não é a política ou a falta de transporte ou ser desonesto. Culpemos a alegria. Guabiru, a cidade criada para a narrativa, reflete um país que tem muito a discutir. Bem lembrada no prefácio do publicitário, Fernando Brengel, a figura do Policarpo Quaresma, por isso mesmo. Nesse sentido, a obra mergulha na várzea em que vivem os cidadãos para dela extrair questões históricas e sociais que atravessam o período dos anos 70 até o contemporâneo. E, como diz o ‘técnico’, ‘Vamos jogar uma pelada! Para relaxar!’
Por: Roseli Gimenes Coordenadora do Cultura em Foco @roseligii
A edição de agosto do jornal de Monte Sião tem publicado regularmente poetas e contistas da cidade e de outras regiões do país. Mais uma vez sou honrado com a publicação de um texto, desta vez o poema Amante Indesejada. Agradeço ao escritor e amigo Luiz Genghini pela indicação e convite.
7 anos! No dia 13 de dezembro de 2014 lancei meu primeiro romance. Poderia relatar tanta coisa ocorrida desde então, mas só faria constatar que mudanças, na real, foram pouquíssimas. Bora andar com esses dois meninos. Há muito por caminhar!
“Dois Meninos-Limbo”, publicação da Elipse, Arte e Afins Ltda., é sobre o pintor de origem humilde que, mesmo conhecendo a arte vigente, escolhe elaborar uma produção popular, dentro das tradições acadêmicas que elegeram gêneros como a paisagem, o retrato e a natureza-morta como fontes para um trabalho pretensamente artístico, mas que visa fundamentalmente a sobrevivência através da comercialização dos resultados. No encontro com o crítico de arte dá-se o conflito pessoal e profissional.
O cenário é a cidade de São Paulo do final do século XX; a vida operária, a agitação de noites trepidantes tornadas tensas e perigosas com o surgimento da AIDS e, decorrentes dessa realidade, as profundas mudanças e exigências impostas à sociedade. Revivendo esse momento, “Dois Meninos – Limbo” celebra a amizade e a solidariedade ante a adversidade, tanto quanto celebra a solidão e o amor.
Esta noite estarei no programa Quarentenados, criado e produzido pelo Deu Samba na Cast, quando serei entrevistado por Marta Olivieri.
O pessoal do Deu Samba vem, desde 2017, trabalhando, nas palavras do coletivo “com o propósito de trabalhar elementos representativos em ilustrações da nossa cultura afro brasileira”. E complementa: “Com o tempo, a necessidade de se conversar sobre o que nos forma foi ficando mais pujante e com a união de pessoas que trabalham na cultura, na educação e como ativistas, surgiu a Deu Samba na Cast”.
Feliz em poder contar sobre minha trajetória, processo de trabalho e ressaltar a importância da escrita, não só na minha vida como na de todo cidadão.
Agradecendo a oportunidade, convido a todos para, às 19h00, entrarem no YouTube (VEJA ABAIXO). Muito obrigado e, se oportuno, deixem comentários.