Garimpeira de canções, Mônica Salmaso

Essa quarentena, às vezes, ameaça nos enlouquecer. Rotina por inventar, driblando a mesmice que ronda por aí, toca a procurar algo que nos salve. E aí a gente encontra Mônica Salmaso e seu belíssimo projeto “Ô DE CASAS”; o mundo fica bonito, a vida suave e a gente fica cheio de esperança e de afeto pelo Brasil e sua música de canções sofisticadas tornadas fáceis na voz da cantora paulista e convidados(as).

Em casa, como todas as pessoas responsáveis e sensatas, Mônica Salmaso viu sua rotina alterada pela ameaça do coronavírus e criou o “Ô DE CASAS” (clique para ter acesso ao canal com todos os vídeos). Um encontro musical onde músicos, cada um em sua casa, apresentam vídeos memoráveis, como neste exemplo, CAI DENTRO (Baden Powell / Paulo César Pinheiro).

No projeto a cantora “recebe”, sem ninguém sair de casa, compositores, instrumentistas, cantando com esses em dupla, trio ou outra formação. Um repertório escolhido como quem procura ou revela um tesouro. É por isso que é possível denominar Mônica Salmaso como garimpeira de canções.

Mônica Salmaso é do time das cantoras afinadíssimas, com um domínio técnico que permite a ela cantar toda a amplidão de possibilidades da música popular. Os vídeos têm produção simples, o que só faz evidenciar o potencial dos participantes. Um instrumento de cá, uma voz de lá e pronto, temos arte. Às vezes, a cantora mostra outra faceta, a da percussionista: prato, caixa de fósforo, maraca, pandeiro… mas é a voz, sobretudo a voz acentuando com delicadeza cada nota das canções, dando-nos outra visão das mesmas, como em Oriente, de Gilberto Gil, no vídeo com Webster Santos.

Um passeio pelo canal de Mônica Salmaso vai nos dar, também, a oportunidade de ver grandes músicos, extraordinários, que pouco aparecem em programas de TV aberta, mas que agora estão em próximos, graças ao “Ô DE CASAS”. Abaixo, com Cristóvão Bastos.

Comecei este post, feito com o desejo imenso de que todos conheçam o “Ô DE CASAS”, publicando o encontro entre Monica e Teresa Cristina, também compositora. Teresa tem alegrado nossas noites com suas lives que, certamente entrarão para a história dos fatos ocorridos nesse período. As duas cantoras desejam o melhor para nós, nos dão o melhor de si e só pedem que, se possível, fiquemos em casa.

Para concluir, o encontro de Mônica Salmaso e Chico Buarque, para que tenhamos uma semana feliz e melhores dias, sem pandemia.

#fiqueemcasa  #_o_de_casas

Até mais!

Para as companhias de dança

A Prefeitura do Município de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura, torna público que no período de 20/06/2020 a 19/07/2020, até às 18h receberá inscrições de propostas dos interessados em participar do “Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo”.

Serão selecionados 20 (vinte) projetos de dança contemporânea de até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais). Com essa ação pretende-se apoiar a manutenção e desenvolvimento de projetos de trabalho continuado em dança contemporânea; frtalecer e difundir a produção artística da dança independente e, entre outros, garantir melhor acesso da população à dança contemporânea.

Para conhecer o edital completo clique aqui.

Prêmio Funarte RespirArte: Oportunidade Para Artistas

Lançado edital da Fundação Nacional de Artes, o Prêmio Funarte RespirArte, pretende selecionar atrações online para o público e a promoção da arte de todas as regiões do país.

A Funarte pretende incentivar 1.600 produções artísticas em vídeo, inéditas, realizadas em plataformas digitais, com prêmios de R$ 2,5 mil para cada contemplado (deduzidos os tributos). As áreas alcançadas são: circo, artes visuais, música, dança, teatro e artes integradas. A Fundação concederá 270 prêmios para cada uma das linguagens específicas e 250 para artes integradas.

As inscrições devem ser realizadas por meio do formulário online. O prazo se inicia hoje, dia 17 de junho e termina dia 3 de agosto.

No edital, os interessados encontrarão instruções sobre especificações técnicas e regras detalhadas.

Para conhecer o edital clique aqui.

Boa sorte!

Aos que nos divertem, inspiram e propiciam encantamento

O setor cultural, em 2018, empregava 5 milhões de brasileiros. Parte considerável desse contingente é de trabalho informal. Os dados do IBGE comprovam que em São Paulo, por exemplo, de um milhão de postos de trabalho, 650 mil são informais. É bom lembrar aos desatentos que informal significa não ter horas extras, férias, fundo de garantia, cesta básica, convênio médico… É bom também enfatizar que para o trabalhador informal fica difícil a manutenção de uma reserva financeira, pois entre um trabalho e outro o profissional passa vários períodos sem remuneração. E aí veio a pandemia.

Ficar em casa é o indicado para quem pode. Àqueles que não puderam parar, cuidados redobrados. Serviços essenciais estão mantidos e toda e qualquer aglomeração deve ser evitada. Cinemas, teatro, casas de shows, circos, baladas, bares foram fechados. Nem todos tem a visibilidade que chama milhões de pessoas e de reais. Uma imensa parcela, vulnerável, sem trabalho, enfrenta a situação com lances inovadores ou por pura sobrevivência. Nosso bem-estar emocional carece das diferentes formas artísticas, conforme nossas preferências, para que possamos seguir em frente. A classe artística se vira como pode. Alguns exemplos estão acessíveis via celular, computador.

teresa cristina e lula
Teresa Cristina conversa com Lula

O que seria das noites de milhares de pessoas sem as lives da Teresa Cristina? Todos os dias, sem grandes estardalhaços, ela está lá, cantando e conversando com as pessoas. Sem nenhum instrumento acompanhando, ela canta, interrompe pra dar risada, pegar “cola” de partes das letras das canções. E chama todo mundo pra roda. Retoca o batom, assinala o tamanho da própria testa e ri, divertindo-se com os comentários do público. Vem gente famosa, tipo Daniela Mercury e Bebel Gilberto; mas também vem outras, como uma moça de Manaus cantando Cazuza, ou um Casal de Porto Alegre, expondo as agruras geradas pelo preconceito. Teresa não tem patrocínio. Ela nos diverte começando às 22:00 e seguindo por três, quatro horas adiante.

Sábado passado, enquanto a Rede Globo reprisava um Altas Horas, em que Teresa estava entre os artistas homenageando Zeca Pagodinho, a live da cantora seguia firme, ela rindo por estar em dois espaços simultaneamente. É ótimo não contar e presenciar coisas inesperadas, como Chico César abrindo a porta para que o gato de estimação saísse para passear, ou o Lula, o Luís Inácio Lula da Silva, ao lado da esposa em situação caseira, íntima, conversando sobre uma de suas canções preferidas, Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues. Lula lembrou o fato de Teresa não ter patrocínio.

Isadora Petrin
Momentos de Isadora Petrin em Amores Difíceis

Isadora Petrin faz teatro online. A peça Amores difíceis está na internet, em sessões via Zoom, o site que permite interação visual entre pessoas. O grupo Arte Simples, do qual Isadora é integrante, dividiu a peça em cenas isoladas, pequenos solos que são apresentados pela atriz e, em dias alternados, por outra integrante do grupo, Andrea Serrano. O trabalho, dirigido por Tatiana Rehder, é uma ótima experiência nesses tempos de quarentena. Uma alternativa para quem está sem possibilidade de trabalho por conta da pandemia. Para quem quiser ver, e participar, é bem divertido. As atrizes conversam com a plateia e, um exemplo de interação que guardarei com carinho: em dado momento, Isadora solicita participação, contracenando com um voluntário. E assim, aos 64 anos, fiz publicamente uma cena como o Romeu, para a graciosa Julieta interpretada pela atriz. Sem patrocínio, o grupo solicita colaboração via “chapéu virtual”.

O material de trabalho de determinados artistas são os próprios artistas, o corpo e a voz. O canto de Teresa e as cenas de Isadora são exemplos. Elas não estão recebendo salário e ainda nos propiciam diversão e entretenimento. Haveria muito mais gente trabalhando, em tempos normais, ao lado dessas profissionais. Músicos, instrumentistas, técnicos de som, iluminadores, montadores, cenógrafos, figurinistas; enfim, toda a gama de profissionais que compõem um show ou uma peça de teatro. Como essas pessoas estão sobrevivendo?

Em termos mercadológicos não basta pensar só nas grandes capitais, com suas casas de show, seus teatros imensos, e atualmente vazios. Há que se colocar na pauta inúmeros espaços culturais, parque e circos, ou os tão populares bares, espalhados pelo país que, fechados, não possibilitam trabalho para quem canta ao vivo enquanto os fregueses degustam salgadinhos e tomam cerveja. Nem todos dispõem dos mecanismos virtuais para, no mínimo, continuarem na lembrança do público como Tereza Cristina e Isadora Petrin. Pouquíssimos tem a visibilidade necessária para garantir horários na TV e patrocínio, expandindo ações pela rede virtual.

Aqueles que nos divertem, nos inspiram, que nos propiciam momentos de puro encantamento, precisam de nós. Artistas, produtores, técnicos e auxiliares da área de cultura e entretenimento carecem da atenção dos nossos dirigentes. Outro tanto de prestadores de serviço para esses profissionais (costureiros, maquiadores, motoristas, faxineiros, bilheteiros, garçons, marceneiros, eletricistas, seguranças…) aguardam ansiosos por ações oficiais que garantam a sobrevivência do setor.

Em São Paulo um projeto de lei, a PL 253, visa auxiliar trabalhadores da cultura e espaços culturais de pequeno porte. Foi criada uma Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, suprapartidária, que protocolou pedido de auxílio imediato para os profissionais impedidos de trabalhar por conta da situação vigente (para assinar a petição, clique aqui). Outra iniciativa, a Associação de Produtores Teatrais Independentes (conheça as ações da APTI clicando aqui) lançou campanha de apoio a técnicos e artistas em situação de vulnerabilidade. Segundo a associação, há em São Paulo 25.000 profissionais em situação crítica. Há outras iniciativas, em outras cidades e estados. Vamos ficar atentos.

Como vai, como vai, como vai, vai, vai? (Alguém se lembra do Arrelia?) Eu… Estamos indo; às vezes bem, outras nem tanto. Hoje fui acordado pelo interfone. A vizinha, querendo saber como estou, colocou o filho adolescente à disposição caso eu precise de algo lá de fora. Há solidariedade em São Paulo. Então, meu querido Arrelia, onde você estiver, saiba que eu vou bem, muito bem, bem, bem. E apelo para o seu nome, para que todos se lembrem que palhaços, cantores, atores, bailarinos, iluminadores, enfim, toda essa gente que nos dá alegria, prazer, diversão e entretenimento, agora carece de nós. E se você, que me honra com sua leitura, puder ajudar, deixo aqui meu sincero agradecimento.

Até mais.

Atenção:

VEJA AS LIVES DE TERESA CRISTINA CLICANDO AQUI . INFORMAÇÕES SOBRE A PEÇA AMORES DIFÍCEIS CLICANDO AQUI

 

 

Show Fogueira das Rosas

 

Neste show, as tradições musicais nas mãos percussivas de Angélica Leutwiller e Valéria Zeidan se juntam ao acordeom experiente e sensível de Gabriel Levy e à dança multicultural de Paula Lena em show no Estúdio Mawaca, amanhã,  dia 28/02/2020, às 20h30. Ingressos a R$ 30,00. Local: Estúdio Mawaca – End. Rua Inácio Borba, 483 –Chácara Santo Antônio – São Paulo.

O duo Fogueira das Rosas vem sendo reconhecido, tanto por sua sofisticação vocal quanto pela pesquisa de percussão. A escolha instrumental da dupla baseia-se principalmente na sonoridade dos frame drums – pandeiros orientais, mediterrâneos e brasileiros – além de outras percussões que buscam acompanhar um repertório multicultural formado por canções de trabalho, cantos devocionais, cantigas de ninar, trovas de amor e amizade, antigas e contemporâneas.

Ouça abaixo, “El Dezembre Gongelat” e conheça o som da dupla:

 

 

 

 

No te entregues corazón libre

bolivia

Há que se ter um lado. Vejo a trajetória de Evo Morales, o dirigente boliviano que acaba de sofrer um golpe. À história ouso ressaltar o tom da pele, a espessura do cabelo desse URU-AIMARÁ e de vários outros componentes de seu governo que colocou cultivadores de coca no poder; e penso na gente da América do Sul. Nos raros verdadeiros sul-americanos que chegaram a dirigir sua própria terra. A voz de Mercedes Sosa invade a memória e o coração. Versos que norteiam meu destino. (clique nos primeiros versos para ouvir as canções).

Salgo a caminar

Por la cintura cósmica del sur

Piso en la región

Más vegetal del viento y de la luz

Siento al caminar

Toda la piel de América en mi piel

Y anda en mi sangre un río

Que libera en mi voz

Su caudal.

A caminhada, linda, é cheia de dor e sofrimento. Sobretudo é trilha de luta, guerra, resistência. Fomos e somos celeiro da Europa. Produzimos prata, ouro, borracha, madeira, todos os minérios de Minas para a ganância de europeus e, agora, de seus comparsas norte americanos. E por isso morremos. E por muito mais precisamos lutar.

Sólo le pido a Dios

que la guerra no me sea indiferente

es un monstruo grande y pisa fuerte

toda la pobre inocencia de la gente

Por aqui estávamos comemorando as reviravoltas jurídicas revalidando a Constituição. Vozes de vingança esqueceram o Direito enquanto outras enalteceram a justiça. A saída de Lula da prisão é só um capítulo de uma luta que vai longe. Pouco após a fala do ex-presidente enaltecer a Bolívia veio a notícia infelizmente já esperada. 

Cambia, todo cambia

Cambia, todo cambia

Pero no cambia mi amor

por mas lejos que me encuentre

ni el recuerdo ni el dolor

de mi pueblo y de mi gente

Há que se ter um lado. O meu é dos que precisam de escola, hospital, justos salários, aposentadoria com dignidade. O meu lado é dos que dividem, não o daqueles que acumulam em cima da exploração alheia. O meu lado é o mesmo daqueles de onde vim: dos que lutam por uma casa, sonham com dentes saudáveis e, além daquilo que é direito humano, o meu lado é daqueles que ousam ser quem são, que exigem e exercem o dom sagrado de falar, amar e lutar.

Dale tu mano al indio

Dale que te hara bien

Y encontraras el camino

Como ayer yo lo encontre

Es el tiempo del cobre,

Mestizo, grito y fusil

Si no se abren las puertas

El pueblo las ha de abrir

Dias difíceis os que vivemos. Não são diferentes de outros, quando nos calaram à força, nos torturaram, nos mataram. E resistimos. E voltamos a lutar, a caminhar. Seguir em frente. 

Quanto a mim, deixo-me guiar pela voz de Mercedes Sosa, pelos desejos da minha gente. Sou romântico, sou poeta e, sempre, um batalhador. Não me calarão!

No te entregues corazón libre, no te entregues.

No te entregues corazón libre, no te entregues.

Y recuerda corazón, la infancia sin fronteras,

el tacto de la vida corazón, carne de primaveras.

Se equivocan corazón, con frágiles cadenas,

más viento que raíces corazón, destrózalas y vuela.

 

Até mais!

 

Notas:

As canções e seus respectivos autores:

1 – Canción com todos – Armando Tejada Gómez (letra) y César Isella (música).

2 – Solo le pido a Dios – Leon Gieco

3 – Todo cambia – Julio Numhauser

4 – Canción para mi América – Daniel Viglietti

5 – Corazón libre – Rafael Amor

 

Tecnologias e poética: A poiesis da música acusmática

Flávio Monteiro, o compositor de Um Presente Para Ramiro, nos convida para o evento que será na EMESP,  Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim:

acusmatica

“No dia 4 de setembro, às 18h30, acontece a mesa redonda Tecnologia e Poética: A Poiesis da Música Acusmática no Auditório Zequinha de Abreu. Na ocasião, os compositores Flávio Monteiro, Gabriel Duarte, Gabriel Müller, Gabriel Xavier, Pedro Yugo Sano Mani e Wellington Gonçalves, farão uma explanação histórica sobre os primórdios da música acusmática, como também uma discussão sobre os ecos e sua produção nos dias de hoje, abordando as problemáticas relacionadas ao material sonoro, processos composicionais, tecnologia e escuta.
Ao final da mesa redonda, os compositores vão apresentar obras acusmáticas, que serão difundidas por alto falantes estrategicamente posicionados no auditório, de modo que a escuta do público possa perceber a trajetória que o som ocupa no espaço.

Mesa Redonda- 18:30  Concerto- 19:30

A EMESP fica no Largo General Osório, 147 – Luz, São Paulo – SP.

Entrada Franca.

Até mais!

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