Aos que nos divertem, inspiram e propiciam encantamento

O setor cultural, em 2018, empregava 5 milhões de brasileiros. Parte considerável desse contingente é de trabalho informal. Os dados do IBGE comprovam que em São Paulo, por exemplo, de um milhão de postos de trabalho, 650 mil são informais. É bom lembrar aos desatentos que informal significa não ter horas extras, férias, fundo de garantia, cesta básica, convênio médico… É bom também enfatizar que para o trabalhador informal fica difícil a manutenção de uma reserva financeira, pois entre um trabalho e outro o profissional passa vários períodos sem remuneração. E aí veio a pandemia.

Ficar em casa é o indicado para quem pode. Àqueles que não puderam parar, cuidados redobrados. Serviços essenciais estão mantidos e toda e qualquer aglomeração deve ser evitada. Cinemas, teatro, casas de shows, circos, baladas, bares foram fechados. Nem todos tem a visibilidade que chama milhões de pessoas e de reais. Uma imensa parcela, vulnerável, sem trabalho, enfrenta a situação com lances inovadores ou por pura sobrevivência. Nosso bem-estar emocional carece das diferentes formas artísticas, conforme nossas preferências, para que possamos seguir em frente. A classe artística se vira como pode. Alguns exemplos estão acessíveis via celular, computador.

teresa cristina e lula
Teresa Cristina conversa com Lula

O que seria das noites de milhares de pessoas sem as lives da Teresa Cristina? Todos os dias, sem grandes estardalhaços, ela está lá, cantando e conversando com as pessoas. Sem nenhum instrumento acompanhando, ela canta, interrompe pra dar risada, pegar “cola” de partes das letras das canções. E chama todo mundo pra roda. Retoca o batom, assinala o tamanho da própria testa e ri, divertindo-se com os comentários do público. Vem gente famosa, tipo Daniela Mercury e Bebel Gilberto; mas também vem outras, como uma moça de Manaus cantando Cazuza, ou um Casal de Porto Alegre, expondo as agruras geradas pelo preconceito. Teresa não tem patrocínio. Ela nos diverte começando às 22:00 e seguindo por três, quatro horas adiante.

Sábado passado, enquanto a Rede Globo reprisava um Altas Horas, em que Teresa estava entre os artistas homenageando Zeca Pagodinho, a live da cantora seguia firme, ela rindo por estar em dois espaços simultaneamente. É ótimo não contar e presenciar coisas inesperadas, como Chico César abrindo a porta para que o gato de estimação saísse para passear, ou o Lula, o Luís Inácio Lula da Silva, ao lado da esposa em situação caseira, íntima, conversando sobre uma de suas canções preferidas, Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues. Lula lembrou o fato de Teresa não ter patrocínio.

Isadora Petrin
Momentos de Isadora Petrin em Amores Difíceis

Isadora Petrin faz teatro online. A peça Amores difíceis está na internet, em sessões via Zoom, o site que permite interação visual entre pessoas. O grupo Arte Simples, do qual Isadora é integrante, dividiu a peça em cenas isoladas, pequenos solos que são apresentados pela atriz e, em dias alternados, por outra integrante do grupo, Andrea Serrano. O trabalho, dirigido por Tatiana Rehder, é uma ótima experiência nesses tempos de quarentena. Uma alternativa para quem está sem possibilidade de trabalho por conta da pandemia. Para quem quiser ver, e participar, é bem divertido. As atrizes conversam com a plateia e, um exemplo de interação que guardarei com carinho: em dado momento, Isadora solicita participação, contracenando com um voluntário. E assim, aos 64 anos, fiz publicamente uma cena como o Romeu, para a graciosa Julieta interpretada pela atriz. Sem patrocínio, o grupo solicita colaboração via “chapéu virtual”.

O material de trabalho de determinados artistas são os próprios artistas, o corpo e a voz. O canto de Teresa e as cenas de Isadora são exemplos. Elas não estão recebendo salário e ainda nos propiciam diversão e entretenimento. Haveria muito mais gente trabalhando, em tempos normais, ao lado dessas profissionais. Músicos, instrumentistas, técnicos de som, iluminadores, montadores, cenógrafos, figurinistas; enfim, toda a gama de profissionais que compõem um show ou uma peça de teatro. Como essas pessoas estão sobrevivendo?

Em termos mercadológicos não basta pensar só nas grandes capitais, com suas casas de show, seus teatros imensos, e atualmente vazios. Há que se colocar na pauta inúmeros espaços culturais, parque e circos, ou os tão populares bares, espalhados pelo país que, fechados, não possibilitam trabalho para quem canta ao vivo enquanto os fregueses degustam salgadinhos e tomam cerveja. Nem todos dispõem dos mecanismos virtuais para, no mínimo, continuarem na lembrança do público como Tereza Cristina e Isadora Petrin. Pouquíssimos tem a visibilidade necessária para garantir horários na TV e patrocínio, expandindo ações pela rede virtual.

Aqueles que nos divertem, nos inspiram, que nos propiciam momentos de puro encantamento, precisam de nós. Artistas, produtores, técnicos e auxiliares da área de cultura e entretenimento carecem da atenção dos nossos dirigentes. Outro tanto de prestadores de serviço para esses profissionais (costureiros, maquiadores, motoristas, faxineiros, bilheteiros, garçons, marceneiros, eletricistas, seguranças…) aguardam ansiosos por ações oficiais que garantam a sobrevivência do setor.

Em São Paulo um projeto de lei, a PL 253, visa auxiliar trabalhadores da cultura e espaços culturais de pequeno porte. Foi criada uma Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, suprapartidária, que protocolou pedido de auxílio imediato para os profissionais impedidos de trabalhar por conta da situação vigente (para assinar a petição, clique aqui). Outra iniciativa, a Associação de Produtores Teatrais Independentes (conheça as ações da APTI clicando aqui) lançou campanha de apoio a técnicos e artistas em situação de vulnerabilidade. Segundo a associação, há em São Paulo 25.000 profissionais em situação crítica. Há outras iniciativas, em outras cidades e estados. Vamos ficar atentos.

Como vai, como vai, como vai, vai, vai? (Alguém se lembra do Arrelia?) Eu… Estamos indo; às vezes bem, outras nem tanto. Hoje fui acordado pelo interfone. A vizinha, querendo saber como estou, colocou o filho adolescente à disposição caso eu precise de algo lá de fora. Há solidariedade em São Paulo. Então, meu querido Arrelia, onde você estiver, saiba que eu vou bem, muito bem, bem, bem. E apelo para o seu nome, para que todos se lembrem que palhaços, cantores, atores, bailarinos, iluminadores, enfim, toda essa gente que nos dá alegria, prazer, diversão e entretenimento, agora carece de nós. E se você, que me honra com sua leitura, puder ajudar, deixo aqui meu sincero agradecimento.

Até mais.

Atenção:

VEJA AS LIVES DE TERESA CRISTINA CLICANDO AQUI . INFORMAÇÕES SOBRE A PEÇA AMORES DIFÍCEIS CLICANDO AQUI

 

 

Show Fogueira das Rosas

 

Neste show, as tradições musicais nas mãos percussivas de Angélica Leutwiller e Valéria Zeidan se juntam ao acordeom experiente e sensível de Gabriel Levy e à dança multicultural de Paula Lena em show no Estúdio Mawaca, amanhã,  dia 28/02/2020, às 20h30. Ingressos a R$ 30,00. Local: Estúdio Mawaca – End. Rua Inácio Borba, 483 –Chácara Santo Antônio – São Paulo.

O duo Fogueira das Rosas vem sendo reconhecido, tanto por sua sofisticação vocal quanto pela pesquisa de percussão. A escolha instrumental da dupla baseia-se principalmente na sonoridade dos frame drums – pandeiros orientais, mediterrâneos e brasileiros – além de outras percussões que buscam acompanhar um repertório multicultural formado por canções de trabalho, cantos devocionais, cantigas de ninar, trovas de amor e amizade, antigas e contemporâneas.

Ouça abaixo, “El Dezembre Gongelat” e conheça o som da dupla:

 

 

 

 

No te entregues corazón libre

bolivia

Há que se ter um lado. Vejo a trajetória de Evo Morales, o dirigente boliviano que acaba de sofrer um golpe. À história ouso ressaltar o tom da pele, a espessura do cabelo desse URU-AIMARÁ e de vários outros componentes de seu governo que colocou cultivadores de coca no poder; e penso na gente da América do Sul. Nos raros verdadeiros sul-americanos que chegaram a dirigir sua própria terra. A voz de Mercedes Sosa invade a memória e o coração. Versos que norteiam meu destino. (clique nos primeiros versos para ouvir as canções).

Salgo a caminar

Por la cintura cósmica del sur

Piso en la región

Más vegetal del viento y de la luz

Siento al caminar

Toda la piel de América en mi piel

Y anda en mi sangre un río

Que libera en mi voz

Su caudal.

A caminhada, linda, é cheia de dor e sofrimento. Sobretudo é trilha de luta, guerra, resistência. Fomos e somos celeiro da Europa. Produzimos prata, ouro, borracha, madeira, todos os minérios de Minas para a ganância de europeus e, agora, de seus comparsas norte americanos. E por isso morremos. E por muito mais precisamos lutar.

Sólo le pido a Dios

que la guerra no me sea indiferente

es un monstruo grande y pisa fuerte

toda la pobre inocencia de la gente

Por aqui estávamos comemorando as reviravoltas jurídicas revalidando a Constituição. Vozes de vingança esqueceram o Direito enquanto outras enalteceram a justiça. A saída de Lula da prisão é só um capítulo de uma luta que vai longe. Pouco após a fala do ex-presidente enaltecer a Bolívia veio a notícia infelizmente já esperada. 

Cambia, todo cambia

Cambia, todo cambia

Pero no cambia mi amor

por mas lejos que me encuentre

ni el recuerdo ni el dolor

de mi pueblo y de mi gente

Há que se ter um lado. O meu é dos que precisam de escola, hospital, justos salários, aposentadoria com dignidade. O meu lado é dos que dividem, não o daqueles que acumulam em cima da exploração alheia. O meu lado é o mesmo daqueles de onde vim: dos que lutam por uma casa, sonham com dentes saudáveis e, além daquilo que é direito humano, o meu lado é daqueles que ousam ser quem são, que exigem e exercem o dom sagrado de falar, amar e lutar.

Dale tu mano al indio

Dale que te hara bien

Y encontraras el camino

Como ayer yo lo encontre

Es el tiempo del cobre,

Mestizo, grito y fusil

Si no se abren las puertas

El pueblo las ha de abrir

Dias difíceis os que vivemos. Não são diferentes de outros, quando nos calaram à força, nos torturaram, nos mataram. E resistimos. E voltamos a lutar, a caminhar. Seguir em frente. 

Quanto a mim, deixo-me guiar pela voz de Mercedes Sosa, pelos desejos da minha gente. Sou romântico, sou poeta e, sempre, um batalhador. Não me calarão!

No te entregues corazón libre, no te entregues.

No te entregues corazón libre, no te entregues.

Y recuerda corazón, la infancia sin fronteras,

el tacto de la vida corazón, carne de primaveras.

Se equivocan corazón, con frágiles cadenas,

más viento que raíces corazón, destrózalas y vuela.

 

Até mais!

 

Notas:

As canções e seus respectivos autores:

1 – Canción com todos – Armando Tejada Gómez (letra) y César Isella (música).

2 – Solo le pido a Dios – Leon Gieco

3 – Todo cambia – Julio Numhauser

4 – Canción para mi América – Daniel Viglietti

5 – Corazón libre – Rafael Amor

 

Tecnologias e poética: A poiesis da música acusmática

Flávio Monteiro, o compositor de Um Presente Para Ramiro, nos convida para o evento que será na EMESP,  Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim:

acusmatica

“No dia 4 de setembro, às 18h30, acontece a mesa redonda Tecnologia e Poética: A Poiesis da Música Acusmática no Auditório Zequinha de Abreu. Na ocasião, os compositores Flávio Monteiro, Gabriel Duarte, Gabriel Müller, Gabriel Xavier, Pedro Yugo Sano Mani e Wellington Gonçalves, farão uma explanação histórica sobre os primórdios da música acusmática, como também uma discussão sobre os ecos e sua produção nos dias de hoje, abordando as problemáticas relacionadas ao material sonoro, processos composicionais, tecnologia e escuta.
Ao final da mesa redonda, os compositores vão apresentar obras acusmáticas, que serão difundidas por alto falantes estrategicamente posicionados no auditório, de modo que a escuta do público possa perceber a trajetória que o som ocupa no espaço.

Mesa Redonda- 18:30  Concerto- 19:30

A EMESP fica no Largo General Osório, 147 – Luz, São Paulo – SP.

Entrada Franca.

Até mais!

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Sem destino, sem Peter Fonda

easyrider

Lá se foi Peter Fonda, vítima de câncer. Ao lado de Dennis Hopper e Jack Nicholson marcou minha adolescência, fazendo-me sonhar com motos e viagens  “Sem Destino”, ou, no mínimo buscando o prazer e a alegria de viver sem amarras. Dos filmes que a gente carrega pro resto da vida, Easy Rider foi a utopia de uma geração que sonhou viver “o dedo em V, cabelo ao vento”, celebrando o rock e a liberdade. O filme é lembrança, e a vida segue, agora também sem Peter, pois Dennis Hopper, o ator e diretor do filme faleceu há bastante tempo. Sem mais lero-lero. Uma sincera homenagem!

Até mais!

Um Sábado com Domingo no Parque

Pura emoção: junto à Orquestra de Câmara da ECA/USP, com arranjos e regência do Maestro Gil Jardim, Gilberto Gil canta Domingo no Parque. Suavemente os sons invadem a Sala São Paulo e dou-me conta de ser esta a primeira vez que ouço ao vivo a música, originalmente apresentada no Festival da Record de 1967. O choro vem fácil e sinto o apoio que vem da amiga que me propiciou tal evento. Careço de outra canção pra sintetizar esse momento: “Tudo ainda é tal e qual e, no entanto, nada é igual” diz a letra de Caetano Veloso em “Os mais doces bárbaros”.

Tal e qual é a beleza de Domingo no Parque na voz madura e segura de seu criador. João, José e Juliana estão em um parque, onde o triangulo amoroso será desfeito tragicamente. As frases melódicas são precisas e realçam a história ocorrida em algum domingo, no parque de diversões onde a roda gigante gira, feito a roda do destino. Os versos evocam imagens com a precisão da poesia. O fim é, infelizmente, comum ainda hoje: resolvido com a lâmina de uma faca.

Gil e os mutantes
Gilberto Gil e Os Mutantes, em 1967

Nada igual! Não estavam lá Os Mutantes fazendo coro com Gilberto Gil. E o novo arranjo, embora belíssimo, continua fazendo lembrar e reverenciar o original de Rogério Duprat. Um encontro impossível com a morte de Duprat, em 2006, e com os rumos sem retorno dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista, cada vez mais distantes de Rita Lee. No entanto… Criador e criatura! Gilberto Gil é um dos máximos compositores que somam letra e música com beleza e emoção. E há mais: o cantor! Dono de um timbre inequívoco, a voz conhecida de décadas está ali, fazendo a emoção atingir altíssimos graus.

Gilberto Gil brilhou em noite que estiveram presentes a cantora Vanessa Moreno com Fi Maróstica, e a fadista Carminho, duas mulheres extraordinárias. O Concerto Letras de Luz, no Dia Internacional da Língua Portuguesa comemorou o 10º aniversário do Instituto EDP, encarregado de ações socioculturais do Grupo EDP, que tem origem em Portugal.

Gil e os demais artistas
Gilberto Gil, Carminho, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, e o maestro Gil Jardim, os artistas do Concerto Letras de Luz

A voz de Vanessa Moreno surpreendeu ao cantar Expresso 2222 e Carminho, lembrando Amália Rodrigues com Saudades do Brasil em Portugal, de Vinícius de Moraes, segue a tradição das grandes cantoras portuguesas. A Orquestra de Câmara da ECA/USP fez um memorável O Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos. O final do show reuniu todos os artistas presentes que fizeram o bis com Panis et Circenses e, novamente emocionaram, em interpretação que lembrou Os Mutantes e a Tropicália.

Foi um sábado feliz. Com Vinho do Porto, Pastel de Belém, alguns amigos e a companhia pra lá de especial da Sonia Kavantan (Obrigado, Sonia! Obrigado EDP!). Tudo muito bom!

Já na Bela Vista quando desci do carro da minha amiga, enquanto caminhava solitário na rua deserta, madrugada de domingo, pensei em Gil, na Ribeira que vi de passagem, lá em Salvador, no parque de diversões do meu pai e da canção, que tive o privilégio de ouvir…

Olha o sangue na mão (ê, José)

Juliana no chão (ê, José)

Outro corpo caído (ê, José)

Seu amigo João (ê, José)

Amanhã não tem feira (ê, José)

Não tem mais construção (ê, João)

Não tem mais brincadeira (ê, José)

Não tem mais confusão (ê, João).

Boa semana para todos!

Ah! Para rever Domingo no Parque no Festival da Record:

 

Até!

Quatro Cantos

 

medeia
Ilustração em vaso grego, inspirada em Medeia

A música tem permeado toda a minha vida. Através do canto, desde a infância, das brincadeiras com violão onde surgiram as primeiras composições. Com o tempo meu trabalho ficou restrito à letras e, com orgulho e gratidão, somo parcerias com Wilson de Oliveira, lá de Minas Gerais, Leonardo Venturieri, no Pará e aqui, em São Paulo, com Maurício Werá e Flávio Monteiro. De um velho projeto resgato o soneto abaixo, já musicado por Maurício Werá. Nossa inspiração veio da tragédia Medeia, de Eurípedes, lembrada na ilustração acima.

QUATRO CANTOS

Maurício Werá e Valdo Resende

Canto pelos quatro cantos do mundo

Minha voz ocupa espaços sonoros

Entre um canto e outro calo ou choro

Silêncio e morte onde o som infundo

Quer saber então por que é que eu canto

E nas pausas descanso a garganta?

Se existe razão para quem canta

Louvar a alegria e entoar o pranto?

A canção é toda matéria viva,

O calor da pele, a fria deriva.

Ressoam na voz cor e escuridão.

A razão não sabe do sentimento

Que embarga a voz e encarna o tempo

Música ultrapassa qualquer compreensão.

.-.-.-.-.-.-.

Até mais!