Eu nasci assim… com a coragem de quebrar padrões

sonia braga

A foto de Sonia Braga na Vogue online me leva a lembrar Caymmi com sua “Modinha para Gabriela”: Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim… Um alvoroço na internet com a capa da revista. Tive a paciência de ler comentários prós e contras e, esses últimos, com frequência notável vindo de mulheres. “Ela precisa se cuidar!” é o subtexto da maioria. Mas, caso Sonia Braga fosse como as outras mulheres…

Algumas mulheres, e este post é dedicado a elas, são extraordinariamente criativas, levam a vida com o maior sucesso e decidiram ser como são. Sem grandes arroubos na tentativa de enganar o tempo. Cá para nós, ninguém ludibria o tempo. Exercendo o sagrado direito de pintar cabelo, fazer plásticas por todo o corpo, colocar pequenos detalhes postiços, não enganamos o tempo. Nos sentimos bem. Mas Sonia Braga…

nasci assim

Sonia Braga, Laura Cardoso, Fernanda Montenegro e Maria Bethânia são exemplos da contramão do aparente estabelecido. Como essas mulheres se cuidam? Recordo uma entrevista de Fernanda Montenegro para Marília Gabriela: “- Tomo banho todo dia, alguns não tomam!” Maria Bethânia, em recente entrevista ao programa do Pedro Bial confessou ter feito plástica nos seios. Laura Cardoso nunca fez plástica.

Essas mulheres são profissionais notáveis, de ponta, que frequentemente são incomodadas por pessoas do tipo que chamam a primeira dama francesa de feia, ou por outras, dessas que escondem a idade, evidenciando um inexplicável medo do tempo. É preciso uma coragem fora do comum para escrever um livro com a palavra epílogo no título. Fernanda Montenegro escreveu, dando clara alusão ao tempo que finda, a uma história que cessa. Essa gente, que teme a ação do tempo, deve ficar apavorada com o que a palavra epílogo sugere.

Maria Bethânia, lá atrás, deu voz a versos de Caetano Veloso: “… o amor tudo levou, o outono chegou, mas o dom da primavera ninguém vai me tirar, hoje eu estou pronta pra cantar!”. E continua cantando, e vai cantar sempre, lindamente. Tanto quanto Fernanda Montenegro e Laura Cardoso em novelas recentes e Sonia Braga, em Bacurau. Vou guardar na lembrança a cena em que Fernanda desatina e mata três em uma única cena, assim como não esquecerei Laura Cardoso brincando de ser abusada e prostituta.

Algumas crenças nos limitam; a da eterna juventude é uma delas. É encarando o tempo que convivemos com possibilidades e limites. Esses mesmos limites que, quando jovens, foram outros. O que vale, em todo e qualquer tempo, é nossa capacidade de aprender, de entender, compartilhar. Parar no tempo, no padrão “lindo e jovem” é alimentar medos; de que o cabelo caia, fique branco, que as rugas tomem conta, os músculos amoleçam e o corpo despenque. Todo o cuidado com o corpo e com a saúde é necessário; de preferência que seja realista, pois assim esse cuidado será maior. Eu nasci assim, me diz a foto de Sonia Braga. E eu completo, como se fosse ela: Vivi e estou assim. E só estou assim porque vivi. E mudo quando quiser.

Há pessoas que estão em constante luta para manter e expandir um espírito criativo. Não param e não se assustam com o tempo. Seguem em frente, com um jeito invejável de ser. Essas quatro mulheres se cuidam mais que, provavelmente, a maioria de todos nós. Cuidam da cabeça, lutam por coerência, por direito, liberdade, honra, dignidade. Mais que elogios, querem reconhecimento e exercer o livre arbítrio quanto ao que usar, como usar e, sobretudo, o que fazer. Por isso são grandes criativas, por isso são estrelas. E cabe a nós aprender com elas.

Até mais!

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Nota: As fotos que ilustram este post foram colhidas na internet, divulgando trabalhos das artistas citadas.

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Algumas razões para voltar

É amanhã, depois de muito tempo, quando me disseram que eu não poderia continuar. Mas, um brasileiro não desiste nunca (rsrsrsrsrsrsr) e, sério, estou entre aqueles que gosta de uma boa dose de teimosia. Estou de volta! E segue algumas imagens que sintetizam mais de vinte anos de história.

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Aulas, reuniões, feiras… aqui vou eu.

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Grato aos que, durante minha ausência, torceram pela minha volta e cuidaram direitinho de tudo. Muito obrigado.

Até amanhã!

 

Comportamento criativo e a “cultura do não”

O ideal de um indivíduo criativo pode ser observado em toda e qualquer criança. Nascemos e iniciamos uma primeira grande viagem que é conhecer o mundo em que vivemos. É emocionante ver uma criança conseguir pegar e, em seguida, manipular um objeto. O olhar é intenso, a atenção é concentrada e a exploração passa pelo cheiro, pelo tato, pela cor e, geralmente, a coisa vira chacoalho para ver que som tem.

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Alexandre ignora limites e domina o espaço

A curiosidade é companheira, crescendo com a criança. Os experimentos não cessam; engatinhar, andar, correr, saltar… brincar com os pais, os primeiros amigos, o animal de estimação. O profundo encantamento perante a areia, a água, a chuva, o fogo e concretiza-se na infância algumas das principais características do indivíduo criativo: Curiosidade; capacidade de exploração; desejo de experimentar e não se prender a nenhuma barreira; ultrapassar limites; alegrar-se perante cada descoberta…

Quantas crianças aprendem, primeiro, o significado do advérbio “não”? É observando que percebemos pais e familiares aprovando as atitudes da criança com sorrisos, palmas, beijos, mas, raramente com um “sim!”. É óbvio que todo familiar tem o dever de cuidar e o não é inevitável perante o fogo, a água quente, a tomada desprotegida… Há também outros nãos diante do que a criança pega, a tentativa da cambalhota, o desejo de subir em um sofá ou outro móvel em cuidados, às vezes, exagerados. E há outros nãos para manter a casa arrumada, o chão limpo, a roupa bem passada, o cabelo “arrumado” …

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Com atenção e delicadeza Maria Luisa descobre o mundo fora de casa.

Feliz a criança que sai de casa para o quintal. Mais feliz ainda quando esse quintal tem terra, plantas ornamentais e outras, frutíferas. E areia. E cacarecos, muitos cacarecos para serem transformados naquilo que a criança sonha ou imagina. O que fazer dentro de um quarto cheio de brinquedos à não ser quebrar esses pra dar vazão ao desejo de transformar, descobrir, experimentar? Parques, praças, jardins estão aí, e é preciso explorá-los para que a criança possa descobrir o mundo fora de apartamentos. Dá trabalho, dirão alguns, mas quem não quiser ter trabalho que não tenha filhos.

Nascemos e nos desenvolvemos com muitas características criativas. Ainda muito crianças já manipulamos as palavras, ordenando-as em formulações complexas e sofisticadas. Engatinhando e, em seguida, andando aprendemos a dominar o espaço, a usar nosso corpo e o movimentamos, no esporte ou na dança, conforme nossos desejos e necessidades. É lindo ver uma criança entendendo o que o outro sente, colocando-se no lugar desse e, maravilha, entendendo os próprios sentimentos. Também é maravilhoso perceber a capacidade da criança em dominar conceitos lógicos, objetos complexos e, até mesmo, sistemas numéricos.

Autores como Jordan Ayan denominam essa fase como sendo a da criatividade natural, ou fase das chamadas habilidades criativas. E é dentro de casa que começamos a perdê-las. Quando o “não” ultrapassa o limite do razoável. Também dentro da escola, quando esta prioriza regras e procedimentos formais. Se em alguns lares existe a propensão ao enquadramento uniformizado – veja os idiotas de plantão insistindo em padronizar cores – há escolas que reforçam tais padrões e ainda impõem outros, normalmente em detrimento da expressão individual. É de Ayan a seguinte e triste metáfora: Crianças costumam entrar na escola com uma fantástica caixa de lápis de cor e saem da mesma com uma caneta esferográfica…

Para contrapor o “não faça”, “não pode”, “não é de bom tom”, “tem que ser assim” e, um dos maiores inibidores sociais, o inevitável “o que os outros devem pensar” é que devemos refletir, estudar e recuperar nosso potencial criativo. Rever nossa história é fundamental para ampliar nosso autoconhecimento. E, para seguir em frente, evitar e expurgar sentimentos negativos, tais como mágoas, ressentimentos, revoltas… Nada mais chato que um adulto “revoltinha”. Buscar o sim, através daquela curiosidade que há dentro de cada um, perante o desconhecido, o novo. Não temer experimentar, ousar e extrapolar nossos limites corriqueiros; soltar o corpo na dança, sob a chuva, dentro do mar. Recuperar o olhar da criança perante o mundo e, como ela, descobrir o outro. E se houver algum problema pela frente, vamos manipular, experimentar, buscar e… solucionar.

Até mais!

ATENÇÃO: O texto acima permeia o conteúdo do curso CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO que será realizado no dia 19 de outubro de 2019 no Hotel Matsubara, em São Paulo. As inscrições estão abertas e os detalhes sobre o curso estão no site www.competency.com.br

 

A reprodução de partes ou de todo o texto deve obrigatoriamente mencionar a fonte e o autor.

 

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Criatividade! Cuidado com autocrítica e julgamentos.

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Detalhe de A criação de Adão – Michelangelo: talento, dom, técnica, conhecimento…

Algumas palavras aparecem frequentemente quando o tema é o indivíduo criativo. Talento, dom, inspiração e vocação costumam compor as características de tal pessoa que, no mais das vezes, são coroadas com o adjetivo inato, ou seja, pertencentes ao mesmo desde o nascimento.

São palavras bonitas, cuja sonoridade nos alegra pelo significado comum que costumam carregar. Quem não gosta de ser identificado como talentoso? Como refutar a afirmação que tal atividade veio através de um dom único, intransferível, divino? Também é delicado duvidar de um indivíduo que se diz vocacionado e que resolveu ou criou algo via inspiração – também divina!

Não se trata aqui de negar tais acontecimentos na vida das pessoas. O cuidado fundamental do jovem estudante ou do profissional iniciante é com excessos de autocrítica ou com julgamento inadequado, mesmo que de pessoas bem-intencionadas. Sempre peço aos jovens que reflitam sobre essas questões, posto que em dado momento podem sofrer as consequências de uma autocrítica que, ao invés de propiciar reconhecimento e clareza da situação, passa a ser elemento inibidor. De outro lado, sem parâmetros e critérios precisos de avaliadores, podem sofrer julgamentos inapropriados.

O que um jovem principiante pode fazer diante do profissional criativo experimentado, reconhecido e aclamado socialmente que o sentencia, afirmando que ele não tem talento, não tem o dom, faltou inspiração? Prefiro alertar para a necessidade de critérios técnicos, referências previamente adotadas e, entre outros, a precisão da competência necessária, do conhecimento esperado na hora da avaliação. Ninguém ajuda ou torna melhor a trajetória do outro determinando falta de talento, dom, vocação…

Biógrafos costumam alardear o talento precoce de artistas como Mozart, por exemplo, como se tivesse pouca importância o fato de o pai do compositor ter sido músico da corte austríaca ou, outro dado, do Mozart menino ter presenciado a irmã estudando cravo. Nem de longe pretendo questionar a qualidade do grande compositor, mas penso ser importantíssimo fazer notar ao jovem que o ambiente era musical e o primeiro talento (sim, aquele talento da parábola evangélica) já estava dentro de casa: o cravo. A família musical, o ambiente austríaco foram o “dom” recebido pelo compositor que, com inspiração, entregou-se prazerosamente ao ato de compor.

Questões de fé são complexas e, previamente, merecem respeito. Se alguém acredita ser beneficiado com um dom deve, no mínimo, agradecer a quem deu e trabalhar, muito, com responsabilidade para ser digno de tal graça. E é esse trabalho árduo e profundo o primeiro passo da chamada inspiração; ou seja, estudar e preparar-se adequadamente para uma atividade é o ato de inspirar para, no processo em andamento, chegar na solução desejada. Sem conhecimento da técnica, sem exercícios primários fundamentais, Mozart tocaria cravo, órgão, violino, piano? Não há inspiração que resolva a falta de conhecimento.

O autoconhecimento é fundamental para que um indivíduo siga em frente conforme seus desejos. Sentir-se chamado para determinada profissão, a tal vocação comum aos meios religiosos, pressupõe o reconhecimento de uma disposição natural para a atividade sonhada. Além das disposições, há que se reconhecer as aptidões, as necessidades, as competências exigidas para seguir em frente evitando frustrações.

Trabalhei com o grande diretor teatral Antunes Filho com quem aprendi que “muitas pessoas são de teatro, poucas serão atores ou atrizes”. Tendo em vista a verdadeira dimensão de uma atividade, de um setor, de uma categoria profissional como o teatro, por exemplo, podemos perceber em que parte de todo esse universo estaremos nos realizando pessoal e profissionalmente. Não ter talento para aspectos criativos de um determinado setor não implica em abdicar da criatividade para atuar em áreas técnicas administrativas. Por essas e outras questões que é fundamental o cuidado com a autocrítica e o julgamento alheio.

Edward de Bono nos ensina que “fora da ciência e da avaliação objetiva, o julgamento é sempre subjetivo”.  Assim, peçamos de quem nos julga e avalia o conhecimento para tanto, a objetividade que nos ajude a identificar como seguir em frente, retomar caminhos, orientar novos rumos. Que outros reconheçam em nós talento, dom, inspiração… Nós mesmos, precisamos do autoconhecimento, da vontade que nos impede de recear custos materiais e imateriais na realização dos nossos sonhos. E ser criativo, como qualquer outro aspecto da atividade humana, pressupõe estudo e trabalho. Vamos nessa?

Até mais.

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ATENÇÃO: O texto acima permeia o conteúdo do curso CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO que será realizado no dia 19 de outubro de 2019 no Hotel Matsubara, em São Paulo. As inscrições estão abertas e os detalhes sobre o curso está no site www.competency.com.br

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Todos pela Amazônia!

É amanhã! Veja alguns dos locais e endereços abaixo.

É urgente!

Por nós, por todos os que aqui estão, pelos que virão.

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Até lá!

Vivas ao Ibirapuera!

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65 aninhos! Vivas ao aniversariante do dia. O Parque do Ibirapuera é o meu lugar preferido em São Paulo. Meu e de milhares, talvez milhões de paulistanos. Do guarani ypi-ra-ouêra a palavra é expressão para “árvore apodrecida”, desde quando a área original era alagadiça. Vou lá com frequência e, quase sempre, sozinho. Sinto-me então em essência o sertanejo, daqueles mineiros taciturnos e quietos, matutando… bobeiras.

Tá para nascer o dia que o parque me deprima, ou me leve a filosofar, questionar a situação atual, ou coisa e tal. Gosto mesmo é de divagar, deixar o pensamento correr e ser feliz, que é para isso que o Parque foi feito. Das bobeiras que penso enquanto caminho selecionei algumas entre aquelas possíveis de compartilhar.

1 – Quantas folhas tem por aqui? Será que eu conseguiria olhar para cada uma delas nessa vida, ou precisaria de outra encarnação?

Slide22- O cheiro é bom, o silêncio é bom. Malditos celulares ! O que essa gente faz aqui?          3) São Paulo é onde pouca gente olha para as flores que a cidade tem.
4) Esses peixes… amanhã vou comer sashimi na Liberdade.

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5) O que Laocoonte tá fazendo aqui? Bem que eu gostaria de dar uma aula de arte nesse jardim.
6) Adoro a Bienal, mas prefiro o Museu Afro Brasileiro. Tem tanta porcaria na Bienal.
7) Me acho o tal, mas esses patos idiotas sabem nadar e eu… nada.
8) Terra é bom. Falta terra nessa cidade impermeabilizada.

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9) Não suporto gente quando o parque está cheio. Desculpa! Quero ouvir os pássaros.
10)Vou tomar água de coco, na próxima volta…

…e caminho, caminho,até a hora vir embora. Feliz da vida. Adoro o Ibirapuera.

Vivas ao Ibirapuera!

Até mais.

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Ensinar criatividade

Neste final de semanas demos o start ao lançamento do curso de Criatividade e Inovação no Ambiente Corporativo, através da Competency do Brasil. Volto a lecionar uma matéria que adoro e que, há muito, venho pesquisando, estudando e buscando aperfeiçoamento. Escolhi imagens de 1998 para ilustrar este post, quando já dava aulas práticas e teóricas de criatividade na Unip, no curso de Propaganda e Marketing.

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Lúcia foi quem me presenteou com as fotos! 

O melhor livro que conheço sobre o assunto só sairia quatro anos depois, quando Domenico de Masi publicou La Fantasia e la Concretezza. A edição brasileira saiu no ano seguinte com o nome Criatividade e Grupos Criativos entregando, já no título, um dos aspectos caros ao autor: a criatividade enquanto fruto de uma coletividade.

Penso no indivíduo criativo como aquele que, frente aos problemas, sabe buscar soluções, criá-las e, quem sabe, até inovando aspectos antes não percebidos ou registrados. Fundamentalmente, quando se trata de ensino da criatividade, acredito que o educador deve respeitar a evolução do aluno (o que é novidade para este pode ser algo já manjado para alguém experiente), alertando o mesmo para a necessidade contínua de ampliar e aprofundar o próprio repertório.

O indivíduo criativo raramente trabalha só, daí a importância do grupo, do ambiente, da sociedade na qual ele está inserido. Todos nós precisamos de parcerias, imprescindíveis em todas as épocas, para todo e qualquer ramo da atividade humana. Qual a real importância do Papa Júlio II na vida e obra de Michelangelo? Quem foi a figurinista responsável pelo vestuário de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa durante o Tropicalismo? Quem foi o editor que leu com atenção devida a obra de Guimarães Rosa?

Sobram exemplos no estudo da criatividade enquanto fato coletivo, resultado de parcerias. Ecoam até hoje os efeitos dos 18 anos de parceria entre a inglesa Margot Fonteyn e o russo Rudolf Nureyev. Os indivíduos que olham o futebol com a frieza profissional necessária sabem da importância de médicos, massagistas, treinadores, além dos próprios parceiros de gramado no reinado de Pelé. E, outro aspecto não menos importante: a fundamental contribuição de pedreiros, engenheiros e demais profissionais da construção civil na concretização dos fantásticos projetos de Oscar Niemeyer.

É pensando nesse tipo de situações que busco exercitar e ensinar a criatividade, via algo que Domenico de Masi colocou em palavras e que sigo com dedicação e seriedade: “EDUCAR UM JOVEM OU UM EXECUTIVO PARA A CRIATIVIDADE HOJE SIGNIFICA AJUDÁ-LO A IDENTIFICAR SUA VOCAÇÃO AUTÊNTICA, ENSINÁ-LO A ESCOLHER OS PARCEIROS ADEQUADOS, A ENCONTRAR OU CRIAR UM CONTEXTO MAIS PROPÍCIO À CRIATIVIDADE, A DESCOBRIR FORMAS DE EXPLORAR OS VÁRIOS ASPECTOS DO PROBLEMA QUE O PREOCUPA, DE FAZER COM QUE SUA MENTE FIQUE RELAXADA E DE COMO ESTIMULÁ-LA ATÉ QUE ELA DÊ LUZ À UMA IDÉIA JUSTA”.

O mundo de hoje não está fácil. Só pra se ter uma ideia do que me ocorre a partir da proposição de De Masi: IDENTIFICAR A VOCAÇÃO AUTÊNTICA implica em refletir sobre muitas variáveis que vão desde o aspecto financeiro, passando pela região geográfica em que se está inserido, ou as implicações sociais de nossas escolhas. Ensinar alguém a escolher PARCEIROS ADEQUADOS envolve desde interesses, tempo e lugar, quanto família, igreja, negócios e por aí vai, sendo que os demais aspectos sugeridos (CONTEXTO, FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO PROBLEMA, RELAXAMENTO E MEIOS DE ESTIMULAR A PRÓPRIA MENTE) deverão merecer abordagem semelhante para o exercício da criatividade individual e coletiva.

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Esse assunto me apaixona. E penso que seja do interesse geral e, especificamente, daqueles que frequentam este blog. Pretendo um post semanal – SEMPRE DE DOMINGO PARA SEGUNDA – sobre o assunto. Comente, envie sugestões, dúvidas. Vamos ter uma ideia mais ampla do assunto e de como penso tratar o mesmo em situação de ensino. Sugestões são bem-vindas!

Para quem estiver interessado no curso, entre e veja possibilidades no site www.competency.com.br.

Até mais!

PS: Aos meus alunos, do curso cujas fotos estão acima, meu forte abraço e a lembrança carinhosa que levarei enquanto estiver por aqui!

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