Contingências Antropofágicas no CCBB

Para comemorar o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta o projeto Contingências Antropofágicas / 100 anos depois de 22 que acontece no CCBB São Paulo nos dias 17, 23 e 24 de fevereiro, às 17h. Presencial e gratuito. 

Sonia Kavantan, Valdo Resende e Kátia Canton. Foto: Andreia Machado

Com idealização do escritor e Mestre em Artes Visuais Valdo Resende, curadoria e mediação da artista visual, escritora e jornalista Kátia Canton e produção da Kavantan & Associados, de Sonia Kavantan, o debate de ideias propõe reflexões sobre os contextos sócio-históricos que deflagraram a concretização do movimento ocorrido entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo.

O seminário também questiona as influências dessa primeira etapa do modernismo na arte hoje e joga luz sobre os significados de uma busca pela identidade brasileira através da arte. Como a questão da brasilidade toma corpo agora? O diferencial do projeto é que estarão no foco da discussão as contingências em três aspectos – Histórico, Estético e Humano.

Programação CCBB SP:

17 DE FEVEREIRO, 17H:

Contingências sócio-históricas – O Significado da Semana:

– Era uma Vez o Moderno – os diversos modernismos no Brasil entre 1910 e 1920, com Luís Armando Bagolin.

– O Azarado Macunaíma, com Priscila Loyde Gomes Figueiredo.

Esse primeiro encontro busca discutir a questões primordiais. O que significou a Semana de 22 na cidade de SP? Como era a Paulicéia até a explosão do modernismo, como eram os artistas e como eles se organizaram em torno do movimento? Como a questão da identidade brasileira se configurou e qual o papel singular de Mario de Andrade, autor de Macunaíma, na pesquisa de nossas raízes e vocações?

23 DE FEVEREIRO, 17H:

Contingências estéticas – A Composição da sinfonia modernista de 22:

– O Lastro Modernista nas Artes Hoje, com Agnaldo Farias.

– Semana de 22 e 2022, com Ana Cristina Carvalho.

A contingência tratada aqui articula as especificidades da estética desenvolvida pelos principais artistas que formaram essa primeira fase do modernismo brasileiro. Nas artes visuais, na literatura e na música, como se caracterizou essa produção? Quem eram eles e como foram responsáveis pela representação de uma geração?

24 DE FEVEREIRO, 17H:

Contingências humanas – O significado do ser moderno hoje:

– Modernas! arte e gênero no Brasil dos anos 1920, com Ana Paula Simioni.

Personagens da Semana de 22, com Percival Tirapeli.

Essa contingência se liga ao atravessamento do tempo/espaço e do alargamento do conceito modernista até os dias de hoje. Será que aquela é uma Semana que não terminou, como diz o título do livro do jornalista Marcos Augusto Gonçalves? Quais as principais influências que aquele momento nos deixou como herança? O que é mito, o que é verdade?

Dinâmica:

Nos três dias de evento (mesma quantidade de dias da Semana de 1922) haverá dois palestrantes e uma mediadora, com espaço de tempo para perguntas da plateia. O seminário será presencial e terá duas horas de duração.  Cada encontro será aberto pela mediadora que apresentará colocações sobre o tema proposto e apresentará os palestrantes. Na sequência cada palestrante fará sua apresentação. O mediador retomará iniciando questionamentos para os palestrantes e depois o público também poderá fazer perguntas. Ao final, após as considerações finais dos palestrantes, o mediador fará o fechamento.

Além de São Paulo, o projeto também acontecerá no Rio de Janeiro (dias 11, 12 e 13 de março, 18h30), Belo Horizonte (dias 1, 2 e 3 de abril, 20h) e Brasília (dias 5, 6 e 7 de maio, 20h).

Ao final de todas as cidades, serão disponibilizados nas redes sociais do CCBB um vídeo com a edição de todas as palestras e uma publicação com a transcrição dos conteúdos. Será emitido certificado digital para a pessoa que comparecer a pelo menos duas palestras. Haverá tradução em libras durante todas as atividades.

Sobre a curadora

Katia Canton é artista visual, escritora, jornalista, professora e curadora. Estudou arquitetura, dança e formou-se jornalista pela ECA USP, em São Paulo. Também estudou literatura e civilização francesas no curso de estudos superiores dado pela Aliança Francesa juntamente com a Universidade de Nancy II. Em 1984 transferiu-se para Paris, com uma bolsa de estudos de dança moderna no estúdio Peter Goss.

Viveu em Nova York por oito anos, onde trabalhou como repórter para vários jornais e revistas e realizou mestrado e doutorado na New York University. Sua pesquisa acadêmica é interdisciplinar e relaciona as artes e os contos de fadas, de várias épocas e culturas do mundo. Trabalhou um ano e meio como bolsista no MoMA, de Nova York, criando projetos de arte e narrativa no departamento de educação. De volta ao Brasil, ingressou como docente na Universidade de São Paulo, sendo professora associada do Museu de Arte Contemporânea (onde foi vice-diretora) e do programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte.

Seu trabalho artístico é multimídia, incluindo desenho, pintura, fotografia e objetos, e conceitualmente se liga a questões sobre sonho, desejos e narrativas. Tem realizado exposições em museus, galerias e instituições culturais no Brasil e no exterior, desde 2008.

Como autora, além de escrever livros sobre arte, criou mais de 50 livros ilustrados para o público infantil e juvenil, tendo recebido vários prêmios, no Brasil e no exterior. Entre eles, recebeu por três vezes o prêmio Jabuti, prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Serviço:

Contingências Antropofágicas / 100 anos depois de 22

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Período: 17, 23 e 24 de fevereiro, 17h

Ingressos: Agendamento através do site bb.com.br/cultura e na bilheteria

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico, Triângulo SP, São Paulo–SP

Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô

Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 19h, exceto às terças

Informações: (11) 4297-0600

Estacionamento conveniado: Rua da Consolação, 228.

Valor: R$ 14 pelo período de até 6 horas. É necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB.

Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô.

Surpreendentes descrições

Por Nando Cury*

Impossível não entrar dentro de cada história autobiográfica descrita por Valdo Resende, em seu livro “O vai e vem da memória”.

No vai, navega o passado com sua privilegiada memória. E no vem, volta ao cotidiano de sua cidade natal, para completar surpreendentes descrições das passagens marcantes de sua infância e adolescência.

Tem Uberaba, MG, como grande cenário dos incríveis personagens, personalidades, prédios, lugares, eventos e fatos retratados nesta obra. Das brincadeiras nos quintais aos momentos de reflexão sobre os telhados. Dos parques de diversões ao recinto de exposições de gado. Da linha do trem da Mogiana ao pátio do colégio. Das belas canções ouvidas na Rádio PRE-5 aos cobiçados vinis nas lojas de disco. Dos bailinhos com Bee Gees aos cults nas sessões das salas de cinema. Da religiosidade e fé, nos encontros litúrgicos de jovens, aos primórdios das suas criações autorais para o teatro.

Nando Cury e Valdo Resende

Serviço:

O vai e vem da memória – Ed. Elipse, 312 páginas. Para adquirir, entre na loja pelo link https://valdoresende.com/livros

* Nando Cury é publicitário, escritor, compositor e cantor. Publica semanalmente no podcast Semônica.

Retrospectiva do Trem das Lives

Nesse domingo, Retrospectiva 2021.

A chance de ver ou rever alguns dos nossos convidados. E depois, maratonar no YouTube.

São várias lives disponíveis. Esperamos você.

Trem das Lives Domingo, 19.12.21, 18h00

YouTube

7 anos! dois meninos – limbo

7 anos! No dia 13 de dezembro de 2014 lancei meu primeiro romance. Poderia relatar tanta coisa ocorrida desde então, mas só faria constatar que mudanças, na real, foram pouquíssimas. Bora andar com esses dois meninos. Há muito por caminhar!

“Dois Meninos-Limbo”, publicação da Elipse, Arte e Afins Ltda., é sobre o pintor de origem humilde que, mesmo conhecendo a arte vigente, escolhe elaborar uma produção popular, dentro das tradições acadêmicas que elegeram gêneros como a paisagem, o retrato e a natureza-morta como fontes para um trabalho pretensamente artístico, mas que visa fundamentalmente a sobrevivência através da comercialização dos resultados. No encontro com o crítico de arte dá-se o conflito pessoal e profissional.

O cenário é a cidade de São Paulo do final do século XX; a vida operária, a agitação de noites trepidantes tornadas tensas e perigosas com o surgimento da AIDS e, decorrentes dessa realidade,  as profundas mudanças e exigências impostas à sociedade. Revivendo esse momento, “Dois Meninos – Limbo” celebra a amizade e a solidariedade ante a adversidade, tanto quanto celebra a solidão e o amor. 

Para adquirir, na loja acima.

Fragmentos: o vai e vem da memória

Detalhe da exposição no Barroco Arte Café

O que nos vem à mente quando recordamos algum fato, alguma pessoa? Certamente não é o todo. Há imagens “padrão” que identificam e nos levam para o Egito (Pirâmides) ou Salvador (Elevador Lacerda), ou qualquer outro lugar do planeta. Diante da lembrança de um ser humano, afirmam por aí, o mais difícil é recordar a voz. Parece que a voz é a primeira coisa que esquecemos das pessoas que se vão.

Uma cidade inteira, como São Paulo, possui infinitos pontos para se memorizar e, parece, conforme a época um ou outro assume preponderância. Quando cheguei por aqui o Viaduto do Chá mantinha sua importância, mas eu me orientava e dominava a cidade pelo “alto”. Se o Pico do Jaraguá me avisava que estava chegando, as torres da Paulista, o Edifício Itália e a torre do Banespa orientava meu ir e vir, descobrindo a metrópole.

Desejei, desde a primeira ideia, ilustrar meu livro com fotos de Uberaba. E, sem dúvida, me incomodava a “paisagem” enquanto composição tradicional que, apesar de reavivar a memória carregava em si um distanciamento, uma falta de foco. Busquei sanar minhas inquietações com visões bem particulares da cidade, com ângulos precisos, que deveriam revelar, estimular e, sobretudo, reativar a memória. E usei, sem medo de ser feliz, de imagens antigas, obtidas em momentos únicos, precisos, sem me preocupar com “altas definições”.

Um conjunto significativo das imagens publicadas no livro está exposto no Barroco Arte Café. São 20. Aquelas que, representativas, atingiriam o leitor de toda e qualquer idade.

Quando terminamos o livro, aí já entrando o trabalho de edição e diagramação de Flávio Monteiro, as discussões e debates orientando nossas decisões e algumas premissas foram adotadas.

Temos um único grupo de crianças, de muito longe no tempo, e apenas um cidadão atual parcialmente mostrado nas fotos. No mais, a cidade é quase deserta, devendo ser preenchida por quem a vê, pelas recordações e vivências do leitor. O preto e branco leva a que o receptor veja no tom que queira, com quietude esmaecida pelos anos ou com as cores da festa, do momento vivido.

Algumas “sutilezas” estão evidentes. O descaso para com prédios históricos, o desmatamento desnecessário, um arame farpado aqui, uma grade ali e, por aí vai. É o receptor que, disposto ou não, passará por cada detalhe detendo-se ou não diante do detalhe da imagem.

A exposição “Fragmentos: O vai e vem da memória” ficará no Barroco Arte Café até o dia 22 de dezembro. Os livros também podem ser adquiridos no local. Quem não pode ir até a cidade mineira pode ter uma ideia da exposição no velho casarão ocupado pelo espaço cultural. Para aquisição de livros e quadros (Sim, estão à venda) converse com o pessoal do local. São simpáticos e atenciosos.

Até mais!

Quase todos e + memórias

Um registro visual da maioria dos presentes nos eventos de lançamento de “O vai e vem da memória”. Até onde me recordo estão quase todos. Lamentavelmente faltam, além de alguns amigos, o pessoal do Barroco Arte Café, em Uberaba, e o pessoal do Portella Bar, aqui em São Paulo.

Foi uma novidade, na minha carreira e na de alguns amigos, fazer lançamento de livro em locais que não livraria. Deu tudo certo e foi muito bom. Em Uberaba desfrutamos do conforto de um antigo casarão com pé-direito alto e janelas, muitas janelas. Aqui em São Paulo ficamos prioritariamente no passeio, o que facilitou o distanciamento nesses tempos tão difíceis.

Agradeço profundamente aos colaboradores de última hora – Agostinho Ermes, Adryana Gabriela e Andréia Rezende, em Uberaba; e Neusa de Souza, aqui em Sampa -, e também aos parceiros neste trabalho: Sonia Kavantan, João Eurípedes Sabino, Simone Gonzalez, Fernando Brengel e um, especialíssimo, ao meu companheiro Flávio Monteiro.

O lançamento, em Uberaba, só foi possível com o apoio de Walcenis, minha irmã, e Carmen Veludo, fundamentais para que a logística pensada se tornasse realidade. Na terrinha, tivemos o apoio de Kiko Pessoa, do Barroco Arte Café, e aqui em São Paulo, Sérgio “Bahia”, no Portella, ambos nos acolhendo e facilitando-nos as ações pensadas.

A0s meus familiares, amigos, colegas, ex-alunos, conhecidos, meu muitíssimo obrigado. Um monte de coisas para mais memórias!

Agora é seguir em frente. A exposição, em Uberaba, permanece até dia 22. Os livros já estão disponíveis para venda neste blog e, em breve, anunciaremos os eventos previstos para prosseguimento deste trabalho.

Muito obrigado!

Valdo Resende / Dezembro de 2021

O vai e vem da memória – São Paulo!

Hoje, 4 de dezembro de 2021, lançaremos em São Paulo o meu novo livro, O vai e vem da memória. O evento começará às 15h00 no Portella Bar, na Rua Professor Sebastião Soares de Faria, 61, aqui na Bela Vista.

Comigo, Valdo Resende, estarão o diagramador Flávio Monteiro, a revisora Simone Gonzalez e, mais tarde, teremos a presença de Fernando Brengel, meu parceiro na divulgação do livro. Também teremos Sonia Kavantan, que me honrou com um belo texto de apresentação e, infelizmente, sentirei falta de João Eurípedes Sabino, autor do prefácio, que mora em Uberaba, onde o evento de lançamento do livro ocorreu em 27 de novembro passado.

Esta pequena equipe, somada aos funcionários do Portella Bar, irá receber os amigos e interessados nesse trabalho. Aguardamos todos vocês!

O livro

Entrelaçando fatos que se complementam, “O vai e vem da memória” reúne crônicas, contos e poesias contando a história de uma cidade – Uberaba, MG – sob a perspectiva de alguém que nasceu em um bairro, o Boa Vista e mora longe, na Bela Vista, em São Paulo. Vivendo como tantos brasileiros, viaja no tempo, reconstrói espaços e cria um mosaico em um vai e vem aonde cada texto vale por si, referenciando retirantes e migrantes.

Serviço:

O vai e vem da memória – Valdo Resende

Elipse, Arte e Afins Ltda – 312 páginas – R$ 65,00