Poema

(Manhãs nubladas sob infinito céu azul. Irreversível,
inesquecível. Entre cimento e asfalto, mantenho a poesia
alheia nesse exercício para retornar).

ceu azul

Oh! aquele menininho que dizia
“Fessora, eu posso ir lá fora?”
Mas apenas ficava um momento
Bebendo o vento azul…
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
Somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo…
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.

Mario Quintana in ‘Antologia Poética”.

Lusitânia no Bairro Latino

(Terra encantada… Sempre longe, nunca saí de lá.
Agora,novamente, navego na poesia alheia nesse
exercício para retornar).

igreja de santa rita

…Ó minha
Terra encantada, cheia de sol,
Ó campanário, ó Luas-cheias,
Lavadeira que lavas o lençol,
Ermidas, sinos das aldeias,
Ó ceifeira que segas cantando,
Ó moleiro das estradas,
Carros de bois, chiando…
Flores dos campos, beiços de fadas,
Poentes de julho,poentes minerais,
Ó choupos, ó luar, ó regas de verão!

Que é feito de vocês? Onde estais, onde estais?

Antônio Nobre in ‘Poesia Simbolista / Literatura Portuguesa’

Cantiga

(Comigo me desavim… e fiquei longe, aqui mesmo.
Agora,lentamente, utilizo a poesia alheia nesse
exercício para retornar)

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Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
antes que esta assim crescesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo
tamanho imigo de mim?

Sá de Miranda, in ‘Poesia Clássica / literatura portuguesa’

Daquela manhã

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Naquele período o país vivia a Copa do Mundo, o campeonato que estava em pleno andamento na França. O futebol era o país. Tornava-me estrangeiro ao evitar o assunto; alienígena por deixar de assistir a um único jogo. A expectativa antes de cada partida, a tensão durante a mesma e a comemoração após a vitória aqueciam os frios dias de julho. Os torcedores alucinados, consumindo rios de cerveja antes e durante cada jogo, extravasavam a tensão dos noventa minutos em carreatas barulhentas e intermináveis; após cada vitória, a cidade, vestida de verde e amarelo, dançava ao ritmo de aplausos frenéticos, tremendo o solo pelos saltos descontrolados de cada torcedor, ensurdecida pelo espocar de fogos de artifício. Minutos de imensa felicidade a cada gol.

Passado o jogo, em meio à comemoração, iniciava-se a busca dos noticiários para rever cada lance e a cata dos jornais diários para ler mais, ter mais, esticar ao máximo a alegria proporcionada pelo time nacional. As crianças viviam à procura de figurinhas para completar um álbum, com todos os participantes do campeonato; adesivos plásticos, camisetas, miniaturas de plástico dos atletas, tudo relacionado com o local do evento, a França, e às diferentes equipes, principalmente a brasileira, era comercializado. Ao abrir a janela da minha sala deparava-me com uma imensa bandeira brasileira pintada sobre o asfalto. O principal símbolo nacional, estático na rua, tremulava hasteado no topo dos edifícios, em inúmeras janelas de apartamentos vizinhos.

Sempre assim no meu país: vive-se o futebol; consome-se futebol; tudo o mais fica para depois, absolutamente colocado em segundo plano. Eu já vivera outras copas; criança, ouvia os jogos pelo rádio e acreditava ser outro jogo, à noite, dias depois, quando a televisão passava o tape. Ocorriam-me também, às vezes, lembranças dos tempos de Garrastazu Médici; o que eu tinha vivido como adolescente tricampeão e o que vim a saber posteriormente…

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CAPA OFICIAL baixa

 

 

 

(O texto acima abre o segundo capítulo do meu romance “dois meninos – limbo” lançado pela Elipse, arte e afins. Quem estiver interessado em obter o livro pode entrar em contato aqui pelo blog https://valdoresende.com/loja/ ou via e-mail: valdoresende@uol.com.br . A foto acima, que ilustra este post é de Flávio Monteiro).

 

Até mais!

 

Avigrama Para Vinícius

Vinícius-de-Moraes

“Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: 
Não sei”.

Tive a ilusão de sermos um

A origem sendo não mais que geografia.

No entanto quem, quantos somos?

E quanta diferença há entre nós!

Reconhecendo lutas separatistas,

– São só interesses financeiros!

Não mensurava a própria ingenuidade.

“Tenho-te no entanto em mim como um gemido 
De flor”;

 Vejo-te árvore imensa que abastece,

Propicia sombra reflorescendo sempre.

Sinto-nos frutos similares,

Em todas as fases desses

Às vezes amargos, outras vezes doces,

E desprendidos de seus galhos

Voltamos à terra e renascemos

Filhos da mesma árvore,

Componentes da mesma floresta

Habitando serrado ou caatinga

Redivivos em restingas, pantanais.

 “Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta 
Lábaro não; a minha pátria é desolação “

Durmo pensando-te pátria amada,

A patriazinha do poeta

Que sabia não seres mãe gentil.

Receio ainda manter a ingenuidade…

Sobretudo, por ter aprendido a amar-te,

Insisto na esperança

Acredito no amanhecer límpido

Abrindo caminhos retos

Levando-nos a porto seguro.

Sonho, um dia, o país Brasil.

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Valdo Resende, 30/05/2018

Internacionalização de carreiras, empresas e negócios

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Em tempos de agora o outro lado do mundo é logo ali. Os meios de transporte, cada vez mais eficazes, diminuem distâncias entre os continentes e o ambiente virtual anula espaços, colocando o mundo dentro de nossas casas, sobre a nossa mesa de trabalho. Para viver essa nova realidade é fundamental pensar em outras vertentes da formação tradicional; daí a importância do livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, de Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Conhecemos dois tipos básicos de brasileiros que, fora do país, buscam novos horizontes profissionais: No primeiro, um vasto número de jovens aventura-se nos mercados de ocasião atuando no setor de serviços, exercendo atividades básicas; em troca aprendem a língua, conhecem nova realidade e, com sorte, economizam o suficiente para a tentativa de novos horizontes, seja voltando ao Brasil ou indo além.  O outro tipo é de jovens profissionais que somam conhecimentos em cursos especializados, vivências em seminários, visitas e práticas profissionais em empresas no exterior, planejando e programando cada passo da carreira almejada.

Os professores Fátima Abud e Rafael Olivieri, comprovam longa experiência em educação superior atuando como facilitadores aos interessados em ampliar horizontes. Foi pelo desenvolvimento de programas acadêmicos internacionais que o Professor Rafael Olivieri recebeu o Prêmio Augusto Cury, outorgado pela InterEducation – Unifuturo. O livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, que será lançado no próximo dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509), comprova o trabalho e a trajetória dos autores e fornece os passos necessários para jovens e experientes profissionais.

rafael e fátima
Os autores, Professores Rafael Olivieri e Fátima Abud

Constata-se um terceiro grupo, aos dois citados acima, de pessoas que não pensam em sair do país, seja para ampliar possibilidades materiais ou internacionalizar a carreira. Todavia, sabemos ser impossível evitar o avanço de corporações estrangeiras no nosso cotidiano; sendo assim, conhecer os meandros do mercado internacional é necessário inclusive para quem pensa em permanecer por aqui, posto que em um ou outro momento estaremos perante profissionais estrangeiros, lidando com as diversas nuances de um mundo globalizado.

Tive a oportunidade de ler os originais de INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS e, por isso, creio ser esse a grande novidade do mercado editorial, posto que apresenta aspectos absolutamente inéditos da questão indo além do popular intercâmbio e propondo bem mais que um mero curso no exterior. Além dos aspectos históricos e teóricos que envolvem o tema, os autores apresentam vários cases de sucesso, documentando via realidade os diferentes aspectos abordados no livro.

Estarei no lançamento e conto com a presença de todos os interessados para que possamos conhecer e brindar ao trabalho dos professores Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Até lá!

Serviço: INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRA, EMPRESAS E NEGÓCIOS. De Fátima Abud e Rafael Olivieri. O lançamento será no dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, das 18h às 22h.

São Paulo, cidade de romance

Um trecho dos tantos sobre São Paulo em “dois meninos – Limbo”, para expressar todo o amor por nossa cidade. Feliz aniversário, São Paulo!

dois meninos divulgação

…  Para um mineiro que não gosta das coisas passageiras, a solução possível foi seguir o fluxo evitando ventos que provocavam barreiras intransponíveis. Morei no Alto de Pinheiros, na Vila Mariana, na Bela Vista, Paraíso, Ipiranga, no Brás, Mooca… mapeei a cidade e fui tornando-a minha, tomando-a palmo a palmo. Respirei com volúpia entre as alamedas de seus bairros arborizados, suei em bicas ou tiritei de frio sob o concreto de apartamentos, dormi embalado com os sinos do Mosteiro de São Bento e, como um comum nordestino, durante longa temporada bati o ponto todos os domingos na feira sob o viaduto da Radial, ao lado da Baixada do Glicério. Ironicamente fui vizinho da Marquesa de Santos e de Dona Olívia Penteado, em pensões ordinárias ao lado da Sé e em Higienópolis. Tive tardes de leitura no mirante da Lapa e, como o mais nobre dos paus-de-arara, subi a Rua Augusta, sobre os cacarecos que chamava de móveis, entulhados na carroceria de um caminhão, em direção ao Baronesa de Arari, na Avenida Paulista(…).

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Dois Meninos – Limbo (ISBN 978-85—68591-00-0) é romance de Valdo Resende, publicado pela editora Elipse, Arte e Afins.

O cenário do romance é a cidade de São Paulo do final do século XX; a vida operária, a agitação de noites trepidantes tornadas tensas e perigosas com o surgimento da AIDS e, decorrentes dessa realidade,  as profundas mudanças e exigências impostas à sociedade.

Revivendo esse momento, “Dois Meninos – Limbo” celebra a amizade e a solidariedade ante a adversidade, tanto quanto celebra a solidão e o amor.

Para conhecer ou adquirir o livre acesse a página do autor: https://valdoresende.com/loja/