O VIAJANTE DO EMBAÚ

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Conrado Sardinha é O Viajante do Embaú. Foto divulgação/Atelier da Fotografia

“O Viajante do Embaú” é parte do Projeto Arte Na Comunidade 4 realizado em três cidades do Vale do Paraíba. O texto foi apresentado na cidade de Cruzeiro – SP, onde duas montagens foram levadas em dezenas de escolas do município: uma interpretada por Conrado Sardinha, que é o ator que ilustra as fotos deste post, e a outra montagem com Rodolfo Oliveira (que ilustrará a montagem apresentada em Lavrinhas).

Neste blog serão publicados todos os  textos das duas fases do Arte na Comunidade 4. Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, pedimos a citação da origem.  “O Viajante do Embaú” foi escrito e dirigido por Valdo Resende. As músicas são de Flávio Monteiro. Idealizado por Sonia Kavantan o Arte na Comunidade 4 foi patrocinado pela Alupar e Taesa e também apoiado pelas Usinas Queluz e Lavrinhas. Uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

O VIAJANTE DO EMBAÚ

ORIGINAL DE VALDO RESENDE

(CARACTERIZADO COMO UM MENESTREL, O ATOR ENTRA CANTANDO A MÚSICA DE ABERTURA E, ANTES DE IR PARA O ESPAÇO CÊNICO PRINCIPAL – PALCO OU SALA DE AULA – BRINCA COM OS PRESENTES. ALÉM DAS CRIANÇAS, DEVE DAR ÊNFASE AO PROFESSOR EM SALA, CUMPRIMENTANDO-O E REVERENCIANDO-O).

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

(termina de cantar e cumprimenta a plateia)

Meus amigos: Cheguei!

Saudações a todos! Sejam bem-vindos! Espero que estejam bem acomodados. Que lugar bonito esse aqui! Vindo para cá fiquei olhando o rio; imbatível, invencível! O rio corre! E também fiquei olhando a serra. Poderosa! Majestosa! Imponente! Observei as casas, algumas antigas; outras bem novinhas. Sempre que vou para alguma apresentação gosto de olhar bem o lugar, as pessoas… E chegando ao local, como estou chegando aqui, agora, gosto de ver se está tudo certinho, bonitinho e arrumadinho! Só assim posso começar!

(REPETE APENAS A PRIMEIRA PARTE DA MÚSICA)

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

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Conrado Sardinha . Foto divulgação/Atelier da Fotografia

Sou daqui, de Cruzeiro. Nasci há bastante tempo em um pequeno sobradinho bem ali, na Rua Carlos Gomes. Meu quarto era no andar superior e da nossa janela eu avistava de um lado a estrada de ferro e do outro, o nosso Rio Paraíba do Sul. Dava para ouvir o barulho dos trens, indo e vindo, indo e vindo, noite e dia sem parar. Eu sabia para que direção o trem estava indo mesmo quando era noite e eu já estava deitado. (FINGE QUE OUVE) Hum, esse trem esta indo para o Rio de Janeiro! Opa, esse outro, vai na direção de São Paulo. Exatamente, para onde vai cada material dentro dos vagões? E os passageiros? Sim, havia trem de passageiros. Para onde iriam  esses viajantes?

A Rua Carlos Gomes termina no Rio Paraíba.  Naquele tempo dava pra nadar, pescar. Meu pai tinha uma pequena canoa e saia com meus tios para pescar. Eu ia com ele e só não gostava quando o barco parava. Eu queria saber onde o rio terminava, onde começava…

Cresci assim, vendo coisas indo e vindo e acho que é por isso que gosto de andar por aí. Gosto de ir pro norte, sul, leste… Todas as direções. Carlos Gomes, eu acho que todos sabem, mas é bom lembrar, foi um grande compositor. Criou óperas admiradas no mundo inteiro! Ópera é uma forma de teatro. Teatro cantado! E acredito mesmo que foi assim que me tornei ator, menestrel itinerante, viajando sempre pra lá e pra cá. Acho que vocês gostariam de saber quem sou, mas vou fazer isso em versos!

(MÚSICA DE FUNDO ENQUANTO O ATOR DECLAMA OS VERSOS APRESENTANDO-SE AO PÚBLICO)

Atenção, todos vocês,

Quem vos fala é um menestrel,

Aquele que trova, poeta,

Não faz versos só de fel.

Desde os tempos de outrora

Pela graça divina

No canto não desafina

Na dança não desatina

Do palco é dono e senhor!

Peço a todos, com respeito,

Prestem atenção: sou um ator!

Pedro Menestrel é meu nome

Sendo pobre, nunca passei fome,

Pois nasci em belo vale

Onde aprendi a pescar

A carpir, fabricar!

Senhores, nascido em Cruzeiro!

Vim aqui me apresentar.

(TERMINA FAZENDO MESURAS E VOLTA A FALAR NORMALMENTE)

Os menestréis surgiram na Idade Média. Menestrel era um músico que acompanhava os poetas, os trovadores, os jograis, os atores. Em alguns casos havia artistas completos que cantavam, compunham versos, tocavam instrumentos… Modéstia a parte, coloco-me entre esses artistas capazes de alegrar as pessoas em prosa e verso, declamando, cantando ou fazendo mímica.

Tive um professor que adorava literatura. Ele nos ensinou que através dos livros poderíamos ir para todos os lugares, perto ou distantes, neste ou em outro país. Eu era mais jovem e ainda não podia viajar sozinho, então resolvi viajar através dos livros. Foi assim que descobri os Menestréis caminhando pelas estradas medievais, apresentando-se em festas profanas, em festas religiosas, nas vilas mais simples e nos palácios mais suntuosos. Cantando e fazendo teatro.

Cresci, estudei teatro e saí pelo mundo e agora estou de volta para contar histórias e brincar com vocês. Fazer teatro é muito bom! É uma brincadeira divertida. Vou chamar algumas crianças para brincar de teatro comigo. Quem quer? (O ATOR CHAMA CRIANÇAS PARA UMA BRINCADEIRA. COM AS CRIANÇAS NO PALCO, DEVE PERGUNTAR NOME E CONVERSAR MINIMANENTE COM CADA CRIANÇA, ANTES DE COLOCÁ-LAS NO CANTO E EXPLICAR O JOGO).

Prestem atenção que, depois, vocês farão comigo. O teatro é algo mágico que nos transforma naquilo que temos vontade. Agora, por exemplo, vou brincar de ser um pequeno gato (CONFORME FALA, ILUSTRA COM GESTOS). Mas não vou ser um gato assim, sem mais nem menos. Para brincar de ser um animal tenho que pensar nesse animal, observar quando for possível para fazer a transformação aos poucos. Gato não tem pernas nem mãos, tem patas. Portanto, esqueço pés e mãos e vou pensando em como um gato anda, como senta, como se deita, como toma leite e assim por diante…  (VOLTA A AGIR COMO SER HUMANO) Gatos comem ratos e ratos vivem na sujeira. Onde tem sujeira, tem rato. Até nos rios, há ratos. Ratos de rio, que vivem no mato são fonte de alimentação para os pássaros? Mas, e se somem os pássaros? Nossos córregos, sujos, ficam cheios de ratos, essa água, contaminada, piora a situação dos nossos rios… (VOLTA A IMITAR UM GATO). Eu sou gato de madame. Não gosto de comer ratos, prefiro ração (FINGE TENSÃO), ai, ai,ai, vem chegando o cachorro da vizinha, eu não gosto de cachorros! Qual gato gosta de cachorros? (LEVANTA-SE IMEDIATAMENTE)

Melhor ser ator que gato enfrentando rato! Sabem de uma coisa, o que eu gosto de teatro é isso. A gente pensa, reflete, imagina e transforma em ação. Vamos brincar! (CHAMA AS CRIANÇAS PARA PERTO DE SI E FAZ AS AÇÕES JUNTO COM AS MESMAS). Vamos lá, façam comigo! Vamos fazer teatro com nossos corpos! Então vamos nos transformar em cachorrinhos. (AS PALAVRAS SÃO ILUSTRADAS PELAS AÇÕES DO ATOR E DAS CRIANÇAS). Vamos nessa? Nosso cachorrinho caminha para um lado, para o outro e, de repente, chega ao lugar onde escondeu um pequeno osso. E começa a escavar, recuperando o delicioso ossinho. Mas, atraído por um assobio, balança o rabo feliz, pois chegou o seu dono. E nosso cachorrinho ergue-se só com as patas traseiras para saudar o grande amigo que chegou e depois de muito brincar vai pro seu cantinho, deita-se e… Dorme! (PARA A PLATEIA) Palmas para nossos atores!

(AGRADECE AS CRIANÇAS CONDUZINDO-AS DE VOLTA A SEUS LUGARES)

Fazer teatro só com movimentos e gestos é o que chamamos de mímica! Dominar o corpo e os gestos é uma grande tarefa de todo ator. Todavia, de todos os elementos que compõem e caracterizam um ator, eu tenho especial amor pelas palavras. E é fácil entender o amor pelas palavras; é só imaginar a alegria que temos quando nossas mães nos chamam pelo nome, ou mesmo, quando necessitamos e chamamos: – pai! Essas palavras são bonitas, não é mesmo? Pai, mãe…

As palavras são fortes podendo começar uma guerra ou estabelecer a paz. Algumas palavras são tão ricas que não possuem um único significado! Manga, por exemplo, é aquela fruta deliciosa e é parte da nossa camisa. Vejam a nossa Cruzeiro, outro exemplo. Vocês já pensaram nos diferentes significados da palavra Cruzeiro?

Primeiro significado para todos nós é claro, pois trata-se do nome pelo qual identificamos nossa cidade: Cruzeiro! Mas cruzeiro também já foi dinheiro; esse dinheiro que hoje chamamos real, já foi cruzeiro.  Sabiam que há uma árvore chamada cruzeiro? Ela pode ser encontrada no Brasil e na Venezuela. Ah, e a palavra cruzeiro também indica outras coisas. Pois bem, agora eu tenho uma brincadeira, um desafio para algumas crianças. Venham brincar mais uma vez?

(O ATOR CHAMA ALGUMAS CRIANÇAS PARA BRINCAR DE ADIVINHA. FORNECERÁ PAPEL E LÁPIS PARA UM JOGO DE SIGNIFICADOS).

A brincadeira é muito simples; já vimos alguns significados da palavra “cruzeiro”, mas não vimos todos, certo. Vou dar um tempo para que vocês escrevam outros significados para cruzeiro. Quem sabe? Quem vai lembrar? Quem não souber, peça ajuda! Vamos lá? Tempo!

(SIGNIFICADOS ESPERADOS: CRUZ, CRUZEIRO DO SUL, CRUZEIRO/VIAGEM e TIME DE FUTEBOL. O ATOR DEVE AJUDAR AS CRIANÇAS NA OBTENÇÃO DAS RESPOSTAS, COMENTAR ESSAS E AGRADECER A PARTICIPAÇÃO NA BRINCADEIRA).

Há muitas outras palavras com significados distintos, diferentes. A palavra terra é uma delas. Pode ser o solo onde pisamos; o lugar onde a gente nasceu; um local para plantio e cultivo de lavouras e, entre várias outras possibilidades, o significado mais importante: Terra é o nosso planeta. A terra é azul, disse o primeiro cosmonauta que foi ao espaço. Doido, não é, porque a gente sabe que a terra é ocre, avermelhada e a água, nossa grande riqueza, refletindo o céu, faz com que nosso planeta fique todo azul quando visto lá de cima. O astronauta, lá de cima, viu a terra e o mar, refletindo o céu. Ah, que vontade de ser astronauta, um viajante espacial.

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Conrado Sardinha. Foto: Atelier da Fotografia

(MOSTRANDO O LIVRO) Este livro, da Ruth Rocha com desenhos de Otavio Roth fala de maneira linda sobre tudo o que temos de bom por aqui: “Azul e lindo planeta terra, nossa casa”. A gente olha pra cima e vislumbra a imensidão do céu e, quando é noite estrelada, temos a grandiosidade representada por milhares e milhares de estrelas. Todavia, conta a autora Ruth Rocha, nenhum planeta conhecido é igual ao nosso. Com ar, água, florestas que resultam em vida! Já imaginaram a terra sem ar? E quando sentimos sede? É horrível, não é? Já pensaram se a gente fica sem as árvores que purificam o ar, sem a água, nossa principal fonte de vida?

Ruth Rocha escreve para crianças, para todo mundo. Ela escreve histórias, peças de teatro. E gosta também de adaptar histórias para teatro. Adaptar é pegar uma história já contada em forma de romance, por exemplo, e transformá-la em peça de teatro. Se a gente pega um livro como esse, lê com atenção, vai perceber inúmeras possibilidades de contar histórias a partir de todas as coisas que envolvem nosso planeta.

Imaginem só: a água pode ser um personagem, a terra, as árvores, as flores… Tudo o que, junto, forma nosso planeta. Através desse livro a gente aprende o que deve fazer para que a vida não desapareça daqui, da terra. E podemos fazer isso, por exemplo, transformando a água em uma personagem. O que ela faria? O que a água nos diria? Vou brincar de ser água. (COMPÕE A PERSONAGEM COM UM ADEREÇO AZUL)

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Conrado Sardinha/ Atelier da Fotografia.

Escuta aqui, o Mané, vai me jogar sujeira até quando? Não vê que já to turva, lodosa?” (VOLTANDO A SER PEDRO) Eu faria uma água bem nervosa, tensa! Sabe como é, desculpem, mas minha paciência é pequena para quem não cuida do nosso planeta. Eu faria uma água que roda a baiana! (VOLTA A SER ÁGUA) “Veio pescar, é? Joga lixo e quer encontrar peixe? Os peixes foram embora, morreram! Quer pescar, limpe meus rios, meus córregos. E não jogue sujeira em mim, tá ouvindo?”

(VOLTANDO) Vocês acham que água não pode ficar nervosa? Quando vejo uma tempestade, penso em águas tensas, chateadas com o que fazemos com ela. E aí vêm os companheiros da tempestade, os raios e trovões, apavorando a gente. Mas, eu não estou aqui pra falar só de planeta, de água. Meu assunto também é a nossa cidade, Cruzeiro. Adoro brincar de teatro e de falar sobre nossa cidade. Uma vez me pediram pra falar sobre o Túnel da Mantiqueira, que todos aqui sabem onde é; a maioria já foi lá, não é mesmo? Todavia, quero mostrar pra vocês como gosto de falar pras pessoas sobre o nosso famoso túnel. Prestem atenção que deixarei de ser Pedro para ser outro personagem.

(COM ELEMENTOS MÍNIMOS O ATOR TRANSFORMA-SE EM UM EX – SOLDADO PAULISTA DA REVOLUÇÃO DE 1932. TEM UMA MATRACA E, SEGURANDO-A, INICIA SUA HISTÓRIA. OBS. NA ROUPA DO SOLDADO PODE ESTAR IMPRESSO UM CARTAZ DA REVOLUÇÃO DE 1932).

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

SOLDADO – Sou um soldado paulista. Já estou velho, cansado. Mas, se necessário sou capaz de lutar! Lutei aqui, bem na entrada desse túnel, em 1932! Ah, velho túnel da Serra da Mantiqueira… Se esse túnel pudesse falar! Mas eu falo por ele. Eu conto o que eu vivi aqui, quando nós, paulistas, lutávamos por uma nova constituição brasileira. De um lado os aliados de Getúlio Vargas e daqui, do nosso Estado, nós, os soldados paulistas. Queríamos uma nova Constituição, um conjunto de leis mais claras e precisas de como conduzir nosso país.

Vista de longe parece que foi pouco tempo de luta. Tudo começou em Nove de julho e terminou pouco depois, em dois de outubro, bem aqui, em Cruzeiro. Entrem numa briga e fiquem brigando durante mais de dois meses para que sintam como é! Não tivemos apoio de ninguém e, cercados, fomos ficando sem armas, sem comida, sem munição… Inventamos a matraca (EXIBE E MOVIMENTA O OBJETO) para fingir que tínhamos metralhadoras. Parecia teatro…

Um dia fui destacado para vir aqui, na Serra, pra defender os interesses paulistas contra os ataques que viriam do outro lado. Nossos inimigos viriam por Minas Gerais e, atravessando o Túnel, nos atingiriam fatalmente. Construímos valas para nossa defesa e, escondidos, esperávamos o inimigo. Eu ficava olhando, tenso, para esse velho túnel construído pelo Imperador Pedro II! O que diria o imperador ali, naquele momento?  Mesmo com seus 996 metros de comprimento nós ouvíamos assustados os barulhos vindos do outro lado. Eu sábia que aqui, que o nome do local era Garganta do Embaú; no entanto, naqueles momentos de luta com o som aterrador da batalha, as luzes da cidade longe, lá longe, faziam-me pensar em garganta de monstro, garganta do diabo.

Nossos inimigos avançaram e fomos militarmente derrotados. O final da revolução, bom lembrar, foi assinado na nossa Cruzeiro, na Escola Doutor Arnolfo de Azevedo. Depois, o mundo mudou muito! Mas, eu sempre venho aqui, visitar o velho túnel onde vivi momentos cruciais na minha vida. Mas, querem saber de uma coisa, o que mais gosto de imaginar, quando estou aqui, é de uma velha Maria Fumaça resfolegando serra acima, levando D. Pedro II, Dona Tereza Cristina, a Princesa Isabel, O Conde D’Eu… Na primeira viagem de trem, inaugurando o Túnel da Mantiqueira, a família do Imperador acompanhada de um homem muito especial! O Major Novais, Manoel de Freitas Novaes, o fundador de Cruzeiro, a nossa cidade.

(VOLTA A VINHETA E, ENQUANTO O ATOR TIRA OS ADEREÇOS DO SOLDADO, JÁ CONTINUA A HISTÓRIA)

PEDRO MENESTREL – Há muita história sobre a revolução de 1932. A luta dos paulistas foi fundamental para uma nova Constituição. Os brasileiros gostam de fazer Constituições. Há um monte delas. É só necessitar de botar ordem na casa que já realizam outra. Por exemplo, precisamos cuidar do planeta, logo, na Constituição mais recente foi dedicado vários itens à preservação do nosso ambiente, da nossa casa.

Somos todos responsáveis pela preservação do nosso ambiente. E aí, quando se tem um lugar bonito como a Serra da Mantiqueira, um lugar riquíssimo como o Vale do Paraíba, a nossa cidade, o que atrai muita gente, é lógico que cuidar do ambiente passa a ser fundamental. Vocês sabem que saí pelo mundo e quando voltei, a primeira coisa que fiz foi ir lá, ver a minha velha Rua Carlos Gomes, ouvir o trem e caminhar até o rio, ver de perto o meu Rio Paraíba. Fiquei preocupado! O que andaram fazendo com o meu rio?

(CANTA COM A MELODIA DA CANTIGA “SENHORA DONA SANCHA”)

Meu lindo Paraíba,

Quem não te respeitou?

Turvando sua água

Quem foi que te sujou?

(VOLTA A FALAR) Ah, não é nada fácil ver nosso rio correndo perigo. Meu avô já reclamava por não conseguir tomar água do rio; ele dizia que o avô dele tomava água direto do rio. Nossa! E hoje, não é recomendado nem nadar nele…  (PEGA UM PAPEL PARA DOBRADURA E COMEÇA A MANIPULÁ-LO, CRIANDO UM PEIXE).  Muitos peixes desapareceram e, embora algumas instituições estejam recuperando nossos cardumes muito ainda há por ser feito. Precisamos ver garças, muitas garças e outros pássaros nas margens do nosso rio. Precisamos voltar a nadar, a pescar sem medo de nada. Mas, pra isso, não podemos ficar parados. Vamos fazer duas coisas! Duas! A primeira é aprender essa nova letra da cantiga de roda que é pra gente não esquecer de que temos que cuidar do Paraíba. Vamos lá? Eu canto uma frase e vocês repetem; assim, a gente aprende os quatro versos.

Meu lindo Paraíba,

Quem não te respeitou?

Turvando sua água

Quem foi que te sujou?

(O ATOR ENSINA A PLATEIA, CANTANDO UM VERSO, PEDINDO QUE A MESMA REPITA E APÓS FAZER OS QUATRO VERSOS, REPETIRÁ TODA A CANTIGA. ENQUANTO ISSO FARÁ UM SEGUNDO PEIXE COM O PAPEL DE DOBRADURA)

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

(EXIBE OS PEIXES PARA A PLATEIA) Vejam no que transformei esses papéis. Um peixe! Eu disse que faríamos duas coisas, certo?  A primeira foi a música. Agora quero ensinar as crianças a fazerem esse peixe. A ideia é a seguinte: sempre que possível, a gente faz um peixe para lembrar que temos que cuidar do rio para que ele volte a nos dar muitos peixes pra pescar. E quando a gente ver alguém, seja quem for, sujando os nossos rios, nós não vamos brigar, vamos fazer um peixe como este e dar de presente à pessoa, para lembrá-la que rio sujo é rio sem vida. Vamos aprender a fazer esse peixe?

(O ATOR FARÁ O ORIGAMI E ENSINARÁ AOS ALUNOS DE CADA SALA. COM CALMA MOSTRARÁ CADA ETAPA DA ATIVIDADE, ORIENTANDO E PERMANECENDO ATENTO PARA QUE TODOS FAÇAM O ORIGAMI. EM SEGUIDA, AGRADECE AS CRIANÇAS E PROSSEGUE).

Dobrar papel é uma arte desenvolvida no Japão. Lá eles dizem origami e assim ficou conhecido no mundo inteiro. Origami. Arte de dobrar papel e transformá-lo em flores, animais e toda uma série de coisas. Quem me ensinou foi um velho ator japonês, radicado no Brasil. Fizemos amizade quando ele esteve aqui, na nossa cidade, fazendo uma apresentação de dança, no nosso Capitólio, nosso Teatro Municipal. Meu amigo japonês ficou encantado, pois ele já se apresentou no Teatro Scala, de Milão. Ele dizia “alla scala”! Eu, como ator, devo confessar que tinha inveja dele por ele ter se apresentado até no Scala. Mas, por outro lado, eu estreei profissionalmente no Teatro Capitólio! E todos os seus 450 lugares estavam ocupados! (BRINCA) Um sucesso!

Ah, eu ainda levei meu amigo japonês para conhecer toda a nossa cidade. Era engraçado quando ele dizia Casa de Nazaré!(REPETE A PALAVRA COM SOTAQUE JAPONÊS). Casa de Nazaré. Os japoneses têm um sotaque muito legal. E meu amigo perguntava por que vieram engenheiros ingleses para a construção da nossa ferrovia. A companhia era inglesa, eu respondia. E contei a ele que nossa cidade surgiu, efetivamente, junto com a estrada de ferro. O Major Manoel de Freitas Novaes queria que a estrada de ferro passasse nas terras dele. Isso deu origem à cidade de Cruzeiro. Eu insisti tanto para que meu amigo japonês  aprendesse a falar Cruzeiro, que achei que seria fácil ele falar Mirante do Cruzeiro. Ai, o problema foi… (COM SOTAQUE JAPONÊS) “mirante”! ele tentou, tentou e acabou aprendendo.

Andamos por toda a região. Ele gostava de andar a pé, como eu e, inclusive, adorava ficar contemplando nosso gigante.Qual cruzeirense não parou, pelo menos uma vez na vida, para contemplar o gigante formado pelas variações da mantiqueira? Formávamos uma bela dupla subindo a serra, caminhando pelo vale. Eu gosto muito de ir até ao pico do Focinho do Cão; lá, entre os turistas e visitantes fiz amigos, são pessoas que gostam de praticar voo livre. Eu prefiro ficar aqui no chão, contando minhas histórias, fazendo meus poemas. Quem gosta de palavras não gosta apenas de falar, gosta de escrever. E quem escreve, acaba escrevendo versos. É; eu, Pedro, adoro escrever versos. Meus primeiros foram sobre nossa cidade!

Cruzeiro, no Vale do Paraíba

Vale mais que um tal dinheiro

E para todos aqui nascidos

Muito mais que o time mineiro!

Há no céu um cruzeiro

Outros tantos por aí

Por estradas, igrejas, outros vales,

No entanto, nenhum vale

Como o Cruzeiro daqui.

E foi assim, cantando e inventando cantigas e brincando com as palavras que passaram a me chamar de Pedro Menestrel. E desde então, gosto de dizer: Sou Pedro Menestrel, cruzeirense! E vou logo emendando para não deixar dúvidas:

Cruzeiro, no Vale do Paraíba

Vale mais que um tal dinheiro

E para todos aqui nascidos

Muito mais que o time mineiro!

Depois, lá pelas tantas, quiseram conhecer um pouco mais sobre nossa cidade. No começo eu contava cada fato, como se fosse um contador de causos, um narrador de histórias. Mas, eu adoro as palavras e havia decidido ser ator. E foi assim, querendo melhorar a maneira de contar a história que fui pensando, pensando (ENTRA A VINHETA E O ATOR TRANSFORMA-SE NO VIAJANTE DO EMBAÚ), pensando bastante! E fui muito além do tempo, lá atrás, na época dos bandeirantes. E foi assim que me tornei (ESTA FALA DEVE COINCIDIR COM A COLOCAÇÃO DE UM ÚLTIMO ADEREÇO) o Viajante do Embaú!

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

(O VIAJANTE DO EMBAÚ É UMA LEMBRANÇA DAS PRIMEIRAS EXPEDIÇÕES NA REGIÃO ATRAVÉS DE UM PERSONAGEM QUE REMETE AO BANDEIRANTE, SEM SER ESTE, JÁ QUE SERÁ UM GUIA PARA OS BANDEIRANTES. ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO MÍNIMOS DEVEM ALTERAR O VISUAL DO ATOR, SEM TRANSFORMÁ-LO TOTALMENTE, JÁ QUE O DESEJO É MOSTRAR O ATO TEATRAL).

– Estou aqui há muito tempo. Cheguei primeiro quando um dia sai do Campo de Piratininga para buscar caminhos que me levassem ao ouro que, sabia, estava do lado de lá da serra. Meu nome é Antonio Manuel, mas todos me conhecem como O Viajante do Embaú. Logo que cheguei por aqui fiz amizade com alguns índios Puris, aqui da região, e depois me tornei amigo dos Cataguases. Muito antes de qualquer outro português eu andei por aqui e, com certeza, fui o primeiro cristão a tomar banho na Cachoeira das Três Quedas e naquela outra, hoje conhecida como Véu de Noiva. Falando em noiva, tive uma paixão fulminante que me levou ao casamento e ao desejo de ficar por aqui mesmo. Assim, casado e feliz, resolvi guiar outros que desejassem ir além. Pela Garganta do Embaú passou o grande Brás Cubas. Depois, Domingos Jorge, o Velho, e muitos outros bandeirantes. São vinte e cinco quilômetros serra acima! Esta é a rota do Embaú, caminho para Minas Gerais, para o sertão! Quanto ouro passou por aqui?

Na Garganta do Embaú encontramos a divisa de São Paulo com Minas Gerais. Uma passagem mais fácil, pois este é o trecho mais baixo da serra da Mantiqueira. Depois, muito depois, os homens utilizaram este caminho para a construção da via férrea, da estrada que agora é muito usada por outros viajantes que passam sem me ver; mas eu estou sempre por aqui, tomando água mineral fresquinha e comendo amoras silvestres.

(VOLTA A SER O MENESTREL) Um dia, um garoto interrompeu minha apresentação. (IMITA UM GAROTO) “Ué, esse viajante não morre nunca? Do tempo dos bandeirantes até hoje deveria estar mais velho! Ou é um fantasma”. (VOLTA A SER O MENESTREL) Ele não é um fantasma, é um personagem, meu garoto. “Ah, e personagem não tem idade nem morre?”. Não, voltei a responder. Personagens tem a idade que a gente quiser, podem morrer e ressuscitar, voar e mergulhar no mais profundo dos rios, sem perder a respiração. Essa é a magia do teatro.

(DECLAMA) O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

(VOLTA A IMITAR O GAROTO) Se você é mesmo ator – disse o menino – mude o personagem. Ou vai ver, é daqueles que só sabem fazer um personagem. O viajante do embaú… Só esse?

O garoto me desafiando e eu me divertindo. É claro que posso fazer vários personagens. (O MENESTREL, ENQUANTO FALA, COLOCA NOVOS ADEREÇOS, TORNANDO-SE O MANOBRISTA DA ROTUNDA. UM BONÉ DESSES USADOS POR FERROVIÁRIOS É A SUGESTÃO MÍNIMA) Eu adoro desafios! E adoro brincar. Aliás, teatro é uma grande brincadeira. Vejam agora do que eu vou brincar. Vamos ver quem vai perceber primeiro o lugar e o personagem que vou fazer!

(ENTRA MÚSICA QUE REMETE AOS MOVIMENTOS DE UM TREM)

MANOBRISTA – Piuiiiiiii! (FINGE AS RODAS DE UM TREM) Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, TchaK (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. (FINGE SAIR DE DENTRO DA MÁQUINA) Ah, guardei minha primeira máquina. Vamos guardar a próxima. Girando a plataforma! Vou guardar mais uma máquina. Vamos embora que logo termino o expediente. Não tem ninguém na linha? Nenhum animalzinho. Melhor apitar! Piuiiiiiii! (FINGE AS RODAS DE UM TREM) Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, TchaK (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. (FINGE SAIR DE DENTRO DA MÁQUINA E FALA DIRETAMENTE COM O PÚBLICO). Estou aqui desde 1930, quando inauguraram a rotunda. Sou responsável por guardar todas as locomotivas, os vagões. Temos quinze galpões. Somos únicos em toda a região. Piuiiiiiii! (FINGE AS RODAS DE UM TREM) Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, TchaK (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. (FINGE SAIR DE DENTRO DA MÁQUINA). Ah, meninos, que saudade da minha bela rotunda. (CHAMA UMA CRIANÇA) Venha, você, vem aqui, vamos brincar. Piuiiiiiii! (PARA O GAROTO) Agora vamos fazer as rodas do trem Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, Tchak… E agora, vamos parar (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. Quero mais duas crianças, vamos lá! Piuiiiiiii! Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, Tchak (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. Mais uma vez Piuiiiiiii! Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, Tchak (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. De novo! Piuiiiiiii! Tchak, Tchak, Tchak, Tchak, TchaK (FINGE BRECAR) Fshhhhhhhhhhh. Parou! Chegou a hora de parar e descansar.

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

(O ATOR AGRADECE A PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS E CONDUZ AS MESMAS A SEUS LUGARES)

ATOR- A rotunda é o prédio que eu mais gosto aqui, na nossa cidade. E o maquinista que eu interpretei fez o som do apito, das rodas, do breque com onomatopeias. Já conheciam essa palavra? Onomatopeia? Onomatopeia é a forma como imitamos as coisas, os aves, os insetos, enfim, tudo o que há por aí e que possa ser imitado. Querem saber, vamos brincar de onomatopeia. Vou chamar algumas crianças para essa brincadeira.

(PARA ESTA BRINCADEIRA O ATOR DEVE CHAMAR CRIANÇAS, DIVIDINDO-AS EM GRUPOS DE TRÊS INTEGRANTES CADA).

A brincadeira é a seguinte; eu proponho uma onomatopeia e vocês finalizam adivinhando do que ou de quem estou falando, certo? Vai ser assim (DECLAMA):

O cachorro faz au! Au!

Meu relógio tic-tac

Balde d’água faz chuá

E o pato, como faz? (O ATOR AGUARDA QUE AS CRIANÇAS RESPONDAM, COMENTANDO EM SEGUIDA) quac-quac.

 Viram como é fácil? Vamos de novo, prestem atenção!

O cachorro faz au! Au!

Meu relógio tic-tac

Balde d’água faz chuá

E a vaca, como faz?

Mais uma! Atenção!

O cachorro faz au! Au!

Meu relógio tic-tac

Balde d’água faz chuá

Meu porquinho, como faz?

Agora, pra terminar, vamos fazer várias onomatopeias:

O cachorro faz au! Au!

Meu relógio tic-tac

Balde d’água faz chuá

Meu gatinho, como faz?

E o bode faz?

E o leão?

E a cobra?

E agora a última, atenção, e o carro como faz?

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

(AGRADECE AS CRIANÇAS, AOS PROFESSORES E PREPARA-SE PARA TERMINAR A APRESENTAÇÃO)

Muito obrigado a todos. Sabem por que o carro foi a última onomatopeia? Porque está na hora de ir embora, dar adeus, puxar o carro. Gostei muito de estar com vocês. Brincar de teatro é bom demais. E no meio da peça a gente canta, a gente declama poesia, faz origamis, brinca de onomatopeias… Os livros são nossos grandes guias nessa viagem. Não se esqueçam do livro da Ruth Rocha e, se quiserem ver outros livros, falem com seus professores! Há muitos livros com peças e histórias pra gente brincar.

Agora preciso ir embora. Vou visitar muitas escolas, muitas salas e brincar de teatro com muito mais gente. Prestem atenção que tenho algo muito especial a solicitar de vocês: eu gostaria que cada um de vocês escrevesse uma história sobre nossa cidade. Pode ser em versos, uma redação, uma peça de teatro… Professor, se algum aluno precisar, você pode ajudá-lo nesse trabalho? Muito obrigado! Quando eu voltar vou ver o que vocês fizeram; combinado? Pra vocês, que ficam por aqui, para você, querido professor (a) meu muito obrigado e quem já aprendeu a canção pode cantar comigo.

(canta a musica de despedida)

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Conrado Sardinha / Atelier da Fotografia

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

Tchau, pessoal! Adeus! Em breve estarei de volta. Até a próxima!

(Valdo Resende – Concluído em Março/2016)

 

 

Um raro momento: “O que terá acontecido a Baby Jane?”

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Nicette Bruno e Eva Wilma. (Foto Daryan Dornelles – divulgação)

Sair de casa para ver Eva Wilma e Nicette Bruno dividindo o mesmo palco é garantia de teatro de boa qualidade. Mais! “O que terá acontecido a Baby Jane?” é o melhor do que o teatro pode propiciar. Baseado na peça e no romance de Henry Farrel, o espetáculo estreou em agosto, em São Paulo, no Teatro Porto Seguro, em tradução de Claudia Costa e Claudio Botelho, com direção de Charles Möeller.

Impossível não chegar ao teatro com a lembrança de Bette Davis e Joan Crowford, estrelas do filme “Whatever Happened to Baby Jane” (1962), de Robert Aldrich. As duas atrizes americanas tornam-se meras referências perante o talento e a personalidade de Eva Wilma e Nicette Bruno. Eva Wilma se joga de cabeça na Jane do título desnudando o ridículo de quem permanece preso ao tempo, assim como humaniza a personagem ante as perturbações de infância,as culpas da juventude. Nicette Bruno é a Blanche contida sobre uma cadeira de rodas, estabelecendo jogo dúbio enquanto sofre maldades infantis arquitetadas pela irmã.

Sophia Valverde interpreta Jane criança e Juliana Rolim, a Jane Jovem. Duda Matte e Rachel Renhack são Blanche na infância e juventude, respectivamente. Cenas se interpenetram e há vários momentos em que as seis atrizes estão no palco reforçando, com rara beleza, o fazer teatral. Feliz escolha da direção que leva a plateia a acompanhar as fases das personagens, as diferentes facetas do modo de ser de cada uma. Os papeis masculinos, interpretados por Licurgo, são um exercício para o ator e nos induz a crer que Jane vê o pai em todos os homens. Nedira Campos e Teca Pereira completam o elenco afinado, com belos figurinos de Carol Lobato, um destacado visagismo de Beto Carramanhos e eficiente cenário de Rogério Falcão.

Somando todos os elementos, os artistas e técnicos envolvidos, “O que terá acontecido a Baby Jane?” é um raro momento teatral, sobretudo pelas emocionantes interpretações de Eva Wilma e Nicette Bruno. Se as personagens são inimigas que não poupam crueldade, é visível o profissionalismo das duas grandes atrizes ao dividir a cena estabelecendo um jogo em que uma valoriza o trabalho da outra. A emoção é inevitável. O prazer estético é inegável. Imperdível!

Até mais!

Arte na Comunidade 4 nas Ruas de Cruzeiro

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O personagem Pedro Menestrel  é lembrado no desfile

Acontecimento inusitado – e feliz! – para todos nós, do Arte na Comunidade nesse dia 7 de setembro. Creio que nenhum de nós tenha pensado algum dia em ver citações do nosso projeto em um desfile lembrando a Independência. Foi o que ocorreu em Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Um grupo de alunos da Escola Professor Joaquim Rebouças de Carvalho Netto  lembrou personagens apresentados nas montagens do Arte na Comunidade 4 e mais levaram para as ruas peixes feitos em origami, aprendidos durante o projeto, para lembrar a necessidade de limpar e preservar o Rio Paraíba do Sul.

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Crianças recriam personagens da lenda da Amantikir, nossa Serra da Mantiqueira

Faz pouco tempo. Relatando as estreias do Projeto Arte na Comunidade 4 em Cruzeiro e Queluz, ressaltei o tipo de herança que nós, todos os envolvidos, queremos deixar. Nosso Projeto busca resgatar hábitos culturais, valorizar a história, preservar o ambiente. Fazemos isso contando e representando histórias, estimulando a criação dessas pelas crianças que, também, são convidadas a realizar atividades pertinentes aos temas abordados.

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Peixes em origami, distribuidos durante o desfile

No dia 9 de maio, em Cruzeiro, vi uma das apresentações feitas por Rodolfo Oliveira na Escola Professor Joaquim Rebouças C. Netto interpretando “O Viajante do Embaú”. Tanto alunos quanto professores mostraram-se atentos e satisfeitos com a montagem e agora, temos certeza, gostaram o bastante para levar em frente, recriando momentos das peças para o desfile pelas ruas da cidade.

Quero registrar aqui, em nome de toda a equipe realizadora do Arte na Comunidade 4, o mais profundo agradecimento por essa carinhosa homenagem. O que nos move é, com certeza, o desejo por um mundo melhor e, para isso, a parceria com professores e educadores é fundamental. Também cabe lembrar o apoio das Secretarias de Educação, das autoridades de cada cidade e dos nossos patrocinadores. Todos sonhamos com um mundo melhor e todos nós buscamos semear, conforme nossas aptidões e possibilidades, ideias e ações para um futuro mais digno. O desfile da Escola Professor Joaquim Rebouças de Carvalho Netto foi um alentador sinal de que estamos no rumo certo.

Até mais!

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Nota: Idealizado por Sonia Kavantan, o Projeto Arte na Comunidade 4 é patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas; uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

As fotos deste post foram originalmente publicadas por Rodolfo Oliveira (Obrigado!)

Domingo, Mostra Teatral em Queluz – SP

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Rodolfo Oliveira, Conrado Sardinha e Luciana Fonseca. Elenco de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”  (Foto Divulgação). 

“Histórias para a hora do não”, de Carla Fioroni, direção de João Acaiabe é a peça convidada na Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4 em Queluz, no próximo domingo, dia 28, às 14h30. No elenco estão Carla Fioroni e Katherine Zavagnison. O evento será aberto com a apresentação de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”. Escrita e dirigida por Valdo Resende, a montagem conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. Composição e direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra

Patrocinados pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas, o projeto Arte na Comunidade 4 é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Conheça outros detalhes abaixo.

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Teatro valoriza o Rio e os Piraquaras do Paraíba do Sul

 

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O Rio Paraíba e a estrada de ferro, no município de Lavrinhas – SP

A montagem “Os Piraquaras do Vale do Paraíba” está na Mostra Teatral que encerra a passagem do Projeto Arte na Comunidade 4 pela cidades de Lavrinhas, Cruzeiro e Queluz, no interior de São Paulo. Teatro dentro do teatro, as personagens são atores que nasceram na região e que também são poetas, menestréis, bardos, trovadores, contando fatos em prosa e verso, além de apresentar cenas valorizando aspectos históricos e culturais do Vale do Paraíba.

A Serra da Mantiqueira, a estrada de Ferro, a Revolução de 1932, a Via Dutra estão presentes em cenas onde os atores mudam de personagem durante a ação, agilizando a narrativa e evidenciando o jogo teatral, elemento que permeou todo o trabalho do Arte da Comunidade 4 na região. Personagens do folclore são citados assim como a importância dos acontecimentos religiosos que tornaram famoso o Rio Paraíba do Sul.

O progresso e o crescimento de todo o Vale do Paraíba teve consequências que vem de longe, como o desmatamento da Serra da Mantiqueira e, mais recente, a poluição dos rios. Somando história e cultura regional às questões ambientais, ganha destaque na peça o cuidado que se deve dispensar ao meio ambiente. Piraquaras são os habitantes ribeirinhos do Rio Paraíba do Sul. A peça resgata a expressão carinhosa que identifica pescadores, lavradores e demais ribeirinhos do Paraíba e pede cuidado para com os rios, fundamentais para a sobrevivência de todos nós.

Durante as primeiras fases do Projeto Arte na Comunidade 4, nas escolas das cidades participantes, nossos atores ensinaram aos alunos peixes confeccionados em origami, a técnica japonesa para dobradura. Durante a mostra intensificam a campanha iniciada nas escolas pedindo que cada criança faça um peixe com dobradura e dê de presente a quem sujar o rio. Um alerta para enfatizar a vida que se perde com a poluição.

Escrita e dirigida por Valdo Resende, Os Piraquaras do Paraíba conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. Composição e direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra

Idealizado por Sonia Kavantan, o Projeto Arte na Comunidade é patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas; é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

E agora, Queluz!

Queluz SP

No próximo domingo, dia 28 de agosto, das 14h30 às 18h00, no Espaço de Eventos 8 de Março teremos a Mostra Teatral que encerra o Projeto Arte na Comunidade 4 na cidade de Queluz, no Vale do Paraíba. “Histórias para a hora do não”, de Carla Fioroni, com direção de João Acaiabe está na programação que também terá a apresentação de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”, texto e direção de Valdo Resende, autor também do poema abaixo:

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Queluz (sp) Fotos Valdo Resende

 

A NOSSA QUELUZ

Queluz, no vale do Paraíba,

É minha cidade natal.

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

Aquela é cidade de reis

A nossa, bem brasileira,

Para nós é sempre a primeira.

São duas belas cidades

Quem conhece assim afirma

No meu coração não tem igual

Por isso repito e te peço

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

A montagem de Os Piraquaras do Vale do Paraíba foi feita exclusivamente para o encerramento do Arte na Comunidade 4. No elenco estão Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As músicas são de Flávio Monteiro e os figurinos de Carol Badra.

O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. É uma realização da Kavatant & Associados.

Todos estão convidados!

Para não esquecer

Do encerramento do Projeto Arte na Comunidade em Lavrinhas e Cruzeiro há algumas imagens para não esquecer: O trabalho de alunos e mestres em maquetes que valorizaram a visão da criança sobre a própria cidade e, também, o carinho do público para com nossa equipe, comparecendo em massa na Praça Dr. Antero Arantes para ver a exposição de trabalhos e a apresentação da peça OS PIRAQUARAS DO VALE DO PARAÍBA.

LAVRINHAS (SP)

CRUZEIRO (SP)

PRAÇA DR. ANTERO NEVES ARANTES, EM CRUZEIRO

Meu agradecimento especial aos nossos parceiros nesta empreitada.

O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. Realização da Kavatant & Associados.