Viajantes do Trem das Lives

Quarta live, a única em que dividimos o mesmo espaço físico

A letra do Trenzinho Caipira, que Ferreira Gullar fez para a música de Heitor Villa-Lobos começa no singular:

Lá vai o trem com o menino

Lá vai a vida a rodar…

Bom, como o pessoal que acompanha o Trem das Lives sabe, são dois meninos. Na verdade, dois rapazes… Ok. Dois senhores são os condutores desse Trem. Fernando Brengel e eu.

Quando começamos, lá no ano passado, estávamos em quarentena (ainda estamos, mais ou menos) e a necessidade era sair para o mundo, encontrar pessoas, conversar, trocar experiências, ampliar essas, conhecer e facilitar que fossem conhecidas, e por aí vai.

Nessas 52 semanas, por isso e por aquilo, resolvemos colocar nosso trenzinho nos trilhos também nas quintas-feiras e aí veio mais gente, vieram colaboradores e mais histórias, muitos temas, a gente conversando na quinta como se rolasse um boteco básico, desses que a gente senta com amigos e fala de tudo um pouco.

O vídeo abaixo, o segundo em que insistimos numa chamada, é o 99º vídeo que entrou em nosso canal, no YouTube. No próximo domingo, 18h00 horas, faremos nossa primeira transmissão direta e ao vivo da plataforma e, além de comemorarmos 1 ano de vida, também celebraremos 100 vídeos, registrando essa gostosa experiência.

Já me perguntaram o que ganhamos com isso. A melhor resposta está em cada vídeo, com gente da “Europa, França e Bahia”, com histórias de pessoas experientes, somadas às histórias de outras, jovens, destemidas, corajosas. Um monte de gente que eu não conhecia, convidadas pelo Brengel, outras tantas que apresentei a ele e, juntos, apresentamos aos “viajantes do Trem das Lives”, como gostamos de chamar todos os que entram e participam da live.

Contamos, Fernando e eu, muitas outras faces de nós mesmos através de nossos amigos, sendo esses a grande maioria dos entrevistados no nosso Trem. Mas, teve gente que não conhecíamos, vindas via Jennifer Monteiro (ela me dizendo: – Tenho certeza que você vai mandar bem nessa!), teve outras que o Brengel conheceu ali, me substituindo. Essas pessoas tornadas amigas, nos deram muita coisa, todavia, não há como mensurar os reencontros. Estes, sejam por conta desta maldita pandemia, sejam pela razão que os amigos estão longe, muito longe.

E a gente, que adora arriscar, “brincou de teatro” no Trem das Lives. Descobri gostar da ideia de fazer escada (no jargão das artes cênicas, facilitar para o outro) sendo eu mesmo para conversar com o Brengel tornado Papai Noel, Vidente e, pasmem, Coelho da Páscoa… E nos fantasiamos para o carnaval, assim como nos vestimos a caráter para vários outros momentos.

Enquanto escrevo vou percebendo o tamanho desse nosso ano, a quantidade de temas, as mil e uma histórias… O Trem das Lives é o trem mais rodado do planeta sem que seus condutores saiam de suas casas. Bonito isso! Muito bom mesmo!

Desejo nesta oportunidade deixar registrado aos que possam pensar que escolhemos Trem das Lives por eu ser mineiro, na real foi sugestão do Flávio Monteiro em brainstorming doméstico. Assim, o batateiro (é esse o apelido da gente que nasceu em São Bernardo, no ABC) foi o autor do nome. O Brengel embarcou, eu idem e foi assim.

Enfim, mas não menos importante, quero agradecer. Manifestar minha gratidão aos que nos honraram dividindo conosco suas experiências, suas histórias. Aos que entraram e participaram no exato momento em que estávamos online. Aos que viram depois os vídeos com o registro de cada viagem. E vou agradecer ao Brengel, meu grande parceiro nessa jornada! A gente tem ideia, a gente aprimora e, não tem outra, a gente faz! Faz direito? A gente tenta. Faz melhor? Não que outros, que não estamos aqui para isso, estamos aqui por nós mesmos e, por isso sim, vamos melhorando.

Estou feliz por agradecer. Estou feliz por comemorar. Domingo, estaremos online, 18h00, direto do canal do Trem das Lives no YouTube. Vejam comemorar conosco.

E, só para não perder o costume, o “filho de padre de paróquia pobre” (me chamam assim em casa) vai pedir mais uma coisa. Vejam o vídeo e façam o que a gente está pedindo. Se vocês não fizerem, creiam-me, pediremos de novo. Beijos!

Hoje tem Quarentenados

Esta noite estarei no programa Quarentenados, criado e produzido pelo Deu Samba na Cast, quando serei entrevistado por Marta Olivieri.

O pessoal do Deu Samba vem, desde 2017, trabalhando, nas palavras do coletivo “com o propósito de trabalhar elementos representativos em ilustrações da nossa cultura afro brasileira”. E complementa: “Com o tempo, a necessidade de se conversar sobre o que nos forma foi ficando mais pujante e com a união de pessoas que trabalham na cultura, na educação e como ativistas, surgiu a Deu Samba na Cast”.

Feliz em poder contar sobre minha trajetória, processo de trabalho e ressaltar a importância da escrita, não só na minha vida como na de todo cidadão.

Agradecendo a oportunidade, convido a todos para, às 19h00, entrarem no YouTube (VEJA ABAIXO). Muito obrigado e, se oportuno, deixem comentários.

Até mais!

Qual Ronaldo? Quem é esse Ronaldo?

Ronaldo, o Fenômeno? Ronaldo Ésper? Ronaldinho Gaúcho? Ronaldo Bôscoli? Cristiano Ronaldo?

Ah, essa delícia que é escrever e, vez em quando, atingir em cheio às pessoas. É bem verdade que mais vale um excelente leitor ao outro, esse que às vezes nem vai além do título. E fico me perguntando quantas pessoas realmente leram ou leem um post que escrevi em 2012! Isso, mesmo, leram ou leem. Há nove anos publiquei um texto com o título “As mulheres de Ronaldo” e, desde então, periodicamente, sou visitado especificamente no tal post por centenas de pessoas.

Nem sempre verifico as razões de oscilações da audiência do meu blog. Já passei da fase. Começa assim: Ao criar um blog, nos primeiros meses a gente fica ansioso para saber se é lido, se as pessoas viram, o que acharam, o que comentaram. Depois, vai normalizando. Há posts que vão bem, outros nem tanto. Os comentários vão mais para chamadas desses mesmos textos nas redes sociais e… segue a vida.

Acontece que, vez ou outra, verifico picos inesperados de audiência, ou o próprio wordpress manda um aviso: Você está tendo um grande número de acessos. Antes abria rapidamente o site para ver o que, quem, quando… Me acostumei. Deixo para ver depois. Certamente algum Ronaldo fez alguma coisa e, com certeza absoluta, não é a personagem do meu texto, falecido em 1994.

Os Ronaldos famosos aprontam bastante. Envolvem-se em namoros furtivos nas calientes noites brasileiras e, nessas mesmas noites, contam as fofocas, assaltam cemitérios; passam longas temporadas em prisões; mudam de times via contratos milionários; comportam-se com elegância e retidão; engordam; emagrecem; apoiam políticos corruptos; falam bobagens comentando jogos… Enfim, o que não falta é coisa para se dizer de algum Ronaldo.

O “meu”, ou seja, o Ronaldo referido em texto que escrevi e, só pra manter a coisa ( acesse aqui o link para saber qual Ronaldo é) também foi polêmico, famoso, talentoso, namorador, criativo, competente… ou seja, na próxima vez que nascer um garotinho na família sugiro Ronaldo como nome. Parece que traz dinheiro. Todos os citados acima estão, ou estiveram, muito acima do nível da pobreza.

Há um fato que quero registrar. De todos os Ronaldos citados acima conheci pessoalmente apenas o Ésper. Fui entrevistar o cidadão para uma revista onde trabalhei. Conheci o ateliê, enorme, com quatro luxuosas salas destinadas exclusivamente para que jovens moçoilas experimentassem seus vestidos de noiva. Cada sala tinha saída para um local diferente, evitando que as moças se encontrassem. Um labirinto. Assim, o costureiro evitava os tititis de invejas, acusações de cópias e outras superficialidades da situação.

Ésper tinha uma coleção de obras de arte – segundo informado pelo próprio – a maior coleção brasileira do Quattrocento italiano. Estavam amontoadas em vasta sala, abaixo do ateliê propriamente dito, este repleto de costureiras em seu delicado trabalho. Anos depois li sobre a detenção do rapaz, acusado de roubo de vasos em cemitério paulistano. E cogitei, então, a origem da grande coleção que havia visto.

Se você chegou até aqui, agradeço. Acredito que a maioria dos que entram no blog por conta d’As Mulheres de Ronaldo saem rapidamente. Isto por ficar claro, no primeiro parágrafo, de qual Ronaldo trata o texto. Uma coisa eu garanto, as mulheres do “meu Ronaldo” são extraordinárias, talentosas, bonitas e… imortais. Confiram!

Até mais

Arte e a Bienal

Arte não é religião. Isto implica que sacralizar a obra de arte é, no mínimo, uma bobagem. Esta é uma premissa básica para estabelecer uma possível relação com o produto artístico. Sem medo de duvidar, de questionar, de inquirir e, também, de ficar irritado, assumir um blasé básico ante um déjà vu… como, por exemplo, as bacias na atual Bienal de SP, com uma composição e posição da coisa que lembra monitor de tv antiga. São pias, fechadas com um charuto. E a gente já teve outros objetos de banheiro, no século passado, expostos por aí.

Arte é reflexão. Além de muitas obras de artistas negros, ou com elementos de raízes africanas, há algo perceptível para quem entra pelo grande espaço expositivo. A considerável quantidade de monitores e guias também afrodescendentes. Que ótima visão! Conversamos com uma em especial que, educadamente, avisou minha amiga que tal obra não poderia ser fotografada. Uns nus femininos.

Doido essa história de fotografar uns, outros não. E as “proibidas” mostravam mulheres nuas. Mulheres e seus corpos explorados… Outro déjà vu que carece de discussão, mas aqui, vou bancar o “antenado” e aguardar opiniões de quem tem “lugar de fala”. Na verdade, preguiça danada para essa coisa antiga, de quando pintaram nus sobre relvas, majas desnudas… tão velho!

Arte é libertação. Um meio de expor e expor-se, ganhar novos mundos, conhecer outros, vivenciar experiências inéditas. E após um ano e tantos meses de quarentena, caminhar entre várias proposições diversas, ricas em forma e conteúdo, a sensação imediata é de que arte é para ser feliz. Livre e feliz! Ops! Há muitas salas fechadas, escuras, com vídeos…

Para quem está há tanto tempo em quarentena, preso a telas de tamanhos diversos, a fontes várias entre as possibilidades virtuais, a presença de inúmeras salas escuras e seus vídeos constituíram-se em acinte! “– Que falta de sensibilidade, senhores! Vou sair de tanto tempo fechado para entrar em sala escura? Me poupem!” Brinco novamente de antenado e fico “revoltinha”, cheio de “mi mi mi” e assumo meu lado “adolescentão”:  Não entrei em nenhuma dessas salas! Sala, só a vermelhinha, com a caixinha de tule, e eu lá dentro vendo as mudanças que a caixa provoca.

Arte é diversão. Que maravilha poder caminhar pelos imensos corredores, fazer cara feia para os quiosques de vendas com preços abusivos (aliás, o entorno do prédio parece a Rua 25 de Março em dia de festa! Só tem ambulant… ops, foodtruck). Continuando, é muito legal constatar um monte de artistas que, sem medo de me expor, penso: “- Que sujeito perturbado!” E saio rindo, buscando a próxima obra. Com amigos, entre pessoas VACINADAS! Sem comprovante não é possível entrar no local. E a brincadeira continua com uma obra, com outra. Esqueço minha idade e saio rodopiando ao filmar um objeto multicolorido, terminando por ficar tonto, tendo de me apoiar para não cair.

É bom que arte seja acessível. Não se paga ingressos nesta Bienal. Arte é liberdade de ir e vir, evitar o que de antemão não nos atrai e parar, quanto tempo necessário diante do que nos agrada.

E assim concluo uma primeira impressão, de uma primeira visita. ARTE NÃO É CONSUMO, a gente volta pra ver, rever, repensar, discutir, refletir… E o que não foi legal, passa a ser ótimo, o bom vem a parecer medíocre e por aí vai. Só não pode é sacralizar. Santo é coisa de Igreja.

Bora pra Bienal. É da hora! É crazy! É supimpa! Bacana! Top! Massa! (a gente sai de lá assim, brincandinho! Grato por estar vivo, viver em São Paulo, nesse Brasil mais perturbado que artístico.

Fui! Mas voltarei. Aqui e lá, na 34º Bienal de São Paulo.

Juntos no Quarentenados

Deu Samba na Cast é um coletivo de gente interessa em cultura, transformações sociais, solidariedade e outros aspectos de tudo o que valoriza o ser humano. O grupo realiza lives, podcats e programas como o Quarentenados. Neste, o tema gira em torno de um profissional, seu histórico, suas atividades e a vivência durante esse período de pandemia,

Convidado por Marta Olivieri, estarei no próximo episódio da série Quarentenados do pessoal do Deu Samba na Cast] .

O papo será em torno das minhas atividades como escritor. Fiquei feliz pela oportunidade, agradeço o convite e espero vocês.

Serviço:

Deu Samba na Cast

14/09 próxima terça, 19h00 no YouTube acessando<a href=”http://&lt;!– wp:paragraph –> <p>14/09 próxima terça, 19h00 no YouTube acessando este link https://www.youtube.com/results?search_query=deusambanacast</p&gt; <!– /wp:paragraph –> <!– wp:paragraph –> <p></p> este link

Até lá!

Esta foto feita em 17 de agosto de 1987 registra meu primeiro trabalho com Sonia Kavantan quando ocorreu uma grande inovação para a época: pelo monitor aí da imagem, a pessoa comprava o ingresso, escolhia o lugar e… Uau! Tinha o exato ângulo de visão do palco.

Uma das empresas patrocinadoras, a ABC BULL Telematic estava orgulhosa em “levar a informática ao meio artístico, visando demonstrar que ela pode ser um instrumento de dinamização e otimização, por exemplo, da ordem teatral”.

© Joao Caldas Fº

Esta segunda foto é do nosso trabalho atual, Um Presente Para Ramiro, peça que já passa por ensaios online e tudo o mais que a informática nos propicia via internet.

Não façam as contas, senhores! Vejam o vídeo com a live que fizemos hoje, no Instagram do Trem das Lives. Vamos conhecer um pouco mais de Sonia Kavantan:

Produtora trabalhando

Ah, se certos momentos pudessem ser resgatados! Ou, então, como seria poder voltar e ver como tudo começou para tal evento, tal situação? O que pensou o cidadão comum quando viu uma senhora caminhando pela praça, bolsa à tiracolo, o telefone como meio de registro?

São duas mulheres, mãe e filha. A menina saltita, brinca, cantarola, mostra coisas que, sabe, a mãe procura. Essa não economiza curiosidade e, munida da experiência, calcula quantidade de pessoas nos espaços possíveis, quantos ambientes, onde ficarão os banheiros… Prevê tamanho de palco, camarins, observa a fiação para captar energia… Este pode ser o lugar.

Antes de buscar outra possibilidade ainda há o que fazer. Faz reconhecimento do entorno. Um bar como ponto de apoio, uma lanchonete, um restaurante… Se for necessário, há que se olhar os hoteis mais próximos. Quantos quartos, grau de conforto, higiene, o refeitório, o banheiro.

Essa imagem, da Praça Nicanor Parreira, em Monte Alegre de Minas, é de momentos cheios de expectativas, planos, projetos. Foi na minha segunda visita à cidade, agora com Sonia Kavantan e Marina, a menina em férias. Estive aí em uma primeira ocasião para conhecer a cidade, pesquisar, alimentar aquilo que depois chamamos inspiração. Nesse segunda passagem, já com previsão de datas e detalhes concretos do Projeto Arte na Comunidade 2, quem comanda é a produtora Sonia Kavantan.

Entre um espaço e outro ocorreram reuniões com secretários de cultura, superintendentes de ensino, visitas a centros culturais… Tudo muito preciso, dentro de tempo restrito, pois havia muito trabalho. Outras três cidades onde cumpriríamos etapas da pré-produção.

Fizemos várias viagens desse tipo. Para o Vale do Paraíba, para a Baixada Santista… Anotar, registrar, planejar, sonhar, ter o sonho cortado pelas verbas, estas sempre menores que nossos desejos, que nossas vontades.

Gosto dessa imagem. Desse aparente passeio em que incontáveis informações são armazenadas, contatos estabelecidos, acordos celebrados. Feito ciganos, a gente chega devagar, quase imperceptível, uma doce invasão logo percebida. – Que tanto fotografam? Quantas perguntas, parecem que não irão parar?

Não somos ciganos. Somos saltimbancos profissionais. Em pouco tempo vamos nos tornando íntimos da cidade. O pessoal dos hotéis, dos restaurantes, outros fornecedores… Num belo dia chega a caravana, sempre somando profissionais “nossos” com outros, das próprias cidades. O público da cidade já sabe e comparece, como esses da foto abaixo, no Pará, em apresentação do Arte na Comunidade 1.

Parece que é festa, mas é trabalho. Divertido, gostoso, mas trabalho responsável. Fazendo todo o percurso acima, com outros detalhes que certamente deixei passar, a produtora Sonia Kavantan vai fazendo contas, anotando possíveis gastos, somando despesas… Quanto custará um palco? Se necessitarmos de cobertura, quanto ficará uma lona? Há fornecedores na cidade?

Meses após ensaios, produção de todos os aspectos da montagem, ainda se faz necessário estar prontos para um plano de contingência. Por exemplo, em Monte Alegre de Minas uma tempestade impediu nosso evento na Praça Nicanor Parreira… Bobagem, nossa produtora Sonia Kavantan arrumou outro espaço e no mesmo dia, na mesma hora, fizemos nosso trabalho levando arte à simpática cidade do Pontal de Minas Gerais.

Até mais!