O Baterista Walmar Paim

O menino de Santo Amaro da Purificação, Bahia, que sonhava em ser um músico de destaque conseguiu muito mais do que isso.

É ele que há anos dita o ritmo da banda de Bel Marques, que enche de alegria o circuito Barra-Ondina nos carnavais de Salvador.

Um profissional que se tornou mestre, referência e que inspira outros tantos meninos a trocar a bola de futebol ou o videogame pelas baquetas.

Nesse domingo embarca para sacudir o Trem das Lives o querido Walmar Paim. Venha rei, esperamos você.

Trem das Lives


Domingo, 15.08.21, 18h00

Instagram.com/tremdaslives

Quatro pais no Trem das Lives

Quatro pais, representando todos os outros, contarão um pouco do que é a experiência única de cuidar de uma vida e prepará-la para o mundo.

Agostinho Ermes, Henrique Brengel, Marcio Monteiro e Rafael Nascimento são nossos convidados.

Prepare-se. A emoção falará mais alto.

Trem das Lives
Domingo, 08.08.21, 18h00
Instagram

Preces, a pedido do Brengel

O aniversariante do dia, Fernando Brengel, pediu de presente a cura da COVID. A gente, que não é bobo nem nada, pediu auxílio do alto, primeiro com a ajuda de Ariano Suassuna:

“Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer.
A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé.
Já fui barco, fui navio, agora sou escaler.
Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.
Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!”

E quando Nossa Senhora se apresentar, a gente põe voz em versos de Fernando Pessoa, para o nosso Fernando dizer:

“Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão
Dos sonhos que vêm conosco ao crepúsculo, à janela,

Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos,

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Serenamente como uma brisa na tarde leve
Sentir tudo de todas as maneiras
Viver tudo de todos os lados

– E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é”.

Quem sabe, assim, dá certo.
Feliz aniversário, Fernando Brengel!

Carinhoso abraço.

Querida Rosângela Maschio!

Caríssima,

Estou feliz e grato com suas mensagens. Conhecer sua opinião, suas reações, suas posições em relação ao que escrevo no romance que você me informa estar terminando de ler, me deixa profundamente feliz.

Desde que lancei “dois meninos” ocorreram muitas coisas complicadas na minha vida pessoal (fui acidentado, fiquei um ano de molho, chegou a aposentadoria, veio a demissão da universidade… Além de perdas maiores, como o falecimento de minha mãe).

Nesse tempo também ocorreram atividades que me enriqueceram profissionalmente. Realizei projetos na Baixada Santista, no Vale do Paraíba, tive uma peça de teatro apresentada na maioria dos CEUs – Centros Educacionais Unificados de São Paulo, além de apresentações no Sul e Nordeste do país. Também tive um poema citado em publicação do aniversário de minha cidade natal, lancei uma coletânea de contos… Enfim, a vida seguiu seu curso e, nesses anos após o lançamento do romance, percebo e constato um fato perturbador.

“dois meninos” caiu como uma bomba silenciosa por aí. O lançamento foi concorrido, com duas centenas de pessoas presentes. Eventos posteriores (lançamento no Rio de Janeiro, palestras, feiras e cursos) contribuíram para a modesta carreira do livro (Marta Blanco, editora que merece todo meu respeito, já havia me alertado para o fato de que, no Brasil, romance vende pouco!). O fato é que o livro atingiu centenas de pessoas e eu fiquei aguardando pronunciamentos (risos!).

Todas as formas expressivas manifestam algo que, via de regra, merece discussão, resposta. Pessoas próximas comentaram, algumas indo mais fundo e, infelizmente, a maioria preferiu o silêncio. Um silêncio respeitoso, posto que volta e meia manifestavam admiração pelo escritor. Ninguém é obrigado a dar retorno de livros lidos, compondo críticas ou publicando resenhas. Todavia, um comentário mínimo seria de bom tom…

Uma amiga muito querida, Marise de Chirico, também responsável pela diagramação e projeto gráfico, dias antes de enviarmos o livro para a gráfica me questionou com seriedade: – Você vai manter seu texto na primeira pessoa? Me pareceu absurdo, mas Marise me alertava para possíveis consequências relacionadas a preconceitos e homofobia. Bom, “A vida é luta renhida”, disse Gonçalves Dias, “Viver é lutar”.

A bomba silenciosa teve seus efeitos. Sou grato ao meu romance por ter tirado da minha vida uma quantidade razoável de pessoas. Sou um sujeito de sorte! Dessas reconheço e guardo tal fato como alerta perene. Nossas ações provocam reações e assim é a vida. A questão complicada é o silêncio, mesmo “respeitoso”, pois neste caso me parece companheiro do preconceito, da homofobia.

“dois meninos” tem uma imensa carga autobiográfica mesclada com ficção. E, daquilo que é fictício também assumo a autoria, pois se escrevi é porque penso da forma e posição exposta. Há vários motivos pela maneira com a qual resolvi contar tal história. E Rosângela, vou me permitir, contarei algumas nessa mensagem.

O anonimato das personagens veio por duas razões, e a primeira pode ser referenciada ao momento atual. Quais as histórias dos mais de 550 mil mortos vítimas do Covid? Não são números, são pessoas com sonhos, desejos, vontades, projetos, famílias, amores, amantes, profissões… O anonimato em “dois meninos” nasceu da necessidade de sensibilizar as pessoas para que percebessem vidas humanas vitimadas pela AIDS. A segunda razão vem de uma dúvida cruel; sem autorização do morto, sem ter conversado a respeito, eu poderia nominar, detalhar sua vida?

Tendo como ponto de partida um poema – “dois meninos – limbo” é um poema decodificado, transformei fragmentos de versos em capítulos e, assim, me permiti ampliar a metáfora concisa em história detalhada. Um exercício literário que se estendeu naquilo que chamei de “hipertexto”, dando uma opção de leitura ao colocar frases e períodos em negrito que pretendem sintetizar a história. Essas opções formais caminharam com a dificuldade em caracterizar personagens sem nominá-los.

Concluindo maneiras de contar e formas de expor a história, durante o lançamento e ainda hoje recuso a expressão “romance gay”, fundamentalmente por “gay” não se constituir em gênero literário, mas um tema entre tantas outras possibilidades. Usar tal expressão facilitaria acesso a um mercado específico, talvez provocasse reação contrária em outros. De qualquer forma, sempre estive interessado em literatura e, na medida do possível, em ser um Escritor.

Volta e meia me deparo com situações que envolvem a vida privada alheia, com a corriqueira expressão “saia do armário”. E penso que minha resposta deva ser: – Tire meu livro do armário e venha falar a respeito.

É ótimo conversar horas e horas sobre tudo o que nos envolve. Aquele papo de amigo que mergulha fundo, como escreveu Clarice Lispector, buscando “o é da coisa”. Aquele “é” que todos nós temos e que serve de parâmetro, medida, norteamento para todos os seres viventes do planeta. Esse “é” que, de tão conciso, confunde pessoas rasas, que pairarão sempre na superfície incapazes de um mergulho profundo que há, ou deveria haver, em todo ser humano.

Creio que teremos muitas conversas pela frente, cara Rosângela. Espero que sejam presenciais, virtuais, por escrito, em forma de romance, poesia, letra de música, post no twitter, via pombo correio… Por enquanto deixo público meu abraço e minha gratidão a você, e aos que leram e deram retorno sobre esses “dois meninos”.

Um carinhoso abraço!

Valdo Resende

Marcelo Duarte e o Guia dos Curiosos

Um dos radialistas e jornalistas esportivos mais competentes que se tem notícia.

Empreendedor que deu forma e fama à Panda Books, sua empresa.

O cérebro atrás do sucesso editorial Guia dos Curiosos, transformado em uma marca simbólica, que virou programa de rádio e, agora, é transmitido pelo YouTube.

Trem das Lives com Marcelo Duarte. Assista ou fique com a pulga atrás da orelha.

01.08.21, 18h00 no https://www.instagram.com/tremdaslives/

A Casa das Rosas e o Borba Gato

A Estátua do Borba Gato em foto de Lucas Martins.

Incendiada por um grupo que se identifica como Revolução Periférica, a estátua de Borba Gato causou debates acalorados nas redes sociais. Opiniões contra e outras favoráveis, muitos, mas muitos comentários equivocados… Tive saudade dos tempos de aula e do que diria para propor reflexão, o que poderia dizer a respeito? Iria sugerir PESQUISAS, rever DADOS, lembrar CONCEITOS, mais REFLEXÃO e… começaria a falar sobre o assunto! COMEÇARIA, não CONCLUIRIA… a situação está em movimento!

Começo lembrando que História é Ciência. E como tal, cabe lembrar métodos científicos de coleta, catalogação, classificação, análise para atingir a finalidade do trabalho científico, buscar RESULTADOS e SOLUÇÕES. Preste atenção, caro leitor, para ir além da narrativa do era uma vez… e tomar muito cuidado com conclusões do tipo que a história é contada pelos vencedores. Principalmente pelo fato de que, aqui na terrinha, “os vencidos” estão aí e, portanto, poderão reagir a qualquer momento. Indígenas não foram totalmente exterminados, negros são a maioria da população.

Segundo passo que quero sugerir é pensar em monumentos (a palavra vem de Memória!) e minha proposta supõe comparar dois conhecidos monumentos da cidade de São Paulo, ambos presentes no título deste singelo texto. A Casa das Rosas e a estátua do Borba Gato.

Conheci São Paulo quando a Avenida Paulista era tomada por casarões que, diante da notícia de tombamento para o Patrimônio Histórico, foram destruídas pelos seus proprietários. Estes, já previam o valor que seria atribuído ao metro quadrado na Avenida Paulista. Restou, com a mesma aura, charme e beleza dos antigos casarões, a Casa das Rosas. Quem construiu o local foi o arquiteto Francisco de Paula RAMOS DE AZEVEDO, um dos mais notáveis da cidade, já que também são dele obras como o Theatro Municipal e a Pinacoteca do Estado.

Construída na década de 1930, a Casa das Rosas nos conta uma época da Avenida, quando tomada por residências dos antigos barões do café. Locais imensos, com dezenas de cômodos (no caso, 38), mais jardins e pomares. Era assim que viviam e que hoje, tornada bem público e centro cultural, tornou-se “minha”. Frequento os jardins, tomo café em confortáveis mesas no quintal, assisto saraus de poesia, vejo exposições… tudo MEU e de toda a COLETIVIDADE.

Não há nenhum motivo para derrubar ou incendiar a Casa das Rosas. A história que ela me conta é real, a narrativa foi minimamente alterada (na sala não tem sofás, tem objetos de exposição). Ela foi construída para habitação de uma família rica e, hoje, é propriedade de todos os que quiserem usufruir do que ela oferece.

Detalhe da Casa das Rosas. Arquivo pessoal.

Vamos ao Borba Gato. Uma estátua em homenagem ao Bandeirante Borba Gato, construída em argamassa, mármore e pedras coloridas, totalizando 13 metros de altura, inaugurada em 1963. Quem passa pela Avenida Santo Amaro, circunda uma praça onde está um homem retratado com vestes europeias do Século 19. Ops! Os bandeirantes existiram do século 16 ao 18, portanto… Também a pose é estereotipada, um “chavão” constantemente repetido em manequins de loja, o que é possível afirmar não haver esmero na composição.

A estátua, não é difícil constatar, importa pela representatividade, pela simbologia, pela identificação. Para o tradicional paulistano o Bandeirante foi aquele ser arrojado, desbravador, que buscou o progresso e enriquecimento de si e dos seus, tendo importância vital na expansão e integração territorial. Importante na construção da identidade do paulista, o Bandeirante foi amplamente utilizado em 1932, quando se fez necessário unir a população do Estado contra Getúlio Vargas. Acontece que… há outro lado!

A história avança e especialistas propõem novas visões sobre o nosso passado. Também as gerações mais jovens têm estudado o tema – Bandeirantes – sob outros prismas. Por força de lei (e foi necessário Lei para isso!) entrou no currículo escolar a História e Cultura Afro-brasileira e Indígena. Um avanço para uma visão crítica. Sem contar que as gerações mais jovens acompanham, e se posicionam via internet perante ocorrências em outros países.

Para um grupo considerável de habitantes da cidade de São Paulo, o Borba Gato lembra o Bandeirante que escravizou índios e negros, violentou mulheres, saqueou e queimou aldeias… Vamos a dois exemplos atuais: Indígenas das aldeias próximas ao Jaraguá, vizinhos das Vias Anhanguera e Bandeirantes, sofrem pressão terrível do mercado imobiliário e os conflitos permanecem, com o embate sobre a terra iniciado quando Pedro Álvares Cabral invadiu o país. Negros são assassinados em frequentes confrontos com a polícia e constituem a maioria da população carcerária do país…

Segurar a ansiedade e buscar a reflexão! Um primeiro olhar (e podem espernear à vontade!) não altera o fato de que continuamos com uma média de 1.105 mortes diárias pelo COVID. Há tempos que essa informação deveria levar à comoção maior que uma estátua queimada. Será que alguém, em sã consciência, pode erigir estátua ao atual Presidente? Quantos milhões de índios foram dizimados pelo invasor europeu? Um outro aspecto: A cidade lembra que o atual Governador ordenou que cobrissem de cinza uma série de grafites da Avenida 23 de Maio? Ele pode? A ação dele não foi chamada de vandalismo…

Penso ter estabelecido um critério – e há vários outros – para que possamos refletir sobre monumentos e História. Espero ter indicado caminhos para reflexão, aprofundamento. O que é conclusivo é a necessidade de buscar soluções que atendam a TODA A SOCIEDADE. A nós, mais uma reflexão absolutamente necessária: Como promoveremos a união de nossa gente, sabendo que para isso é necessário solucionar problemas vitais de imensa parcela da nossa população?

Até mais!