O Trem das Lives desse domingo vem com carnaval e samba de campeão!
O destaque fica por conta de Eduardo Santos, Presidente do GRES Acadêmicos do Tatuapé. Um homem devotado à Escola e ao carnaval.
Para garantir a evolução nota 10 do programa vamos conversar sobre os efeitos da pandemia, as soluções possíveis, assim como conversaremos sobre o que podemos esperar para o carnaval de 2021
Acadêmicos do Tatuapé em desfile de 2016 – Foto arquivo pessoal
Como estão sobrevivendo os profissionais que fazem o carnaval? Fornecedores de matérias primas para fantasias, para carros alegóricos, instrumentos musicais… A lista é bem maior, pois envolve oficinas de costura, de adereços, além de uma infindável lista de trabalhadores: escultores, aderecistas, desenhistas, arquitetos, cenógrafos, carpinteiros, eletricistas, além daqueles que, evidentemente, são a alma da escola: compositores, puxadores, passistas e todos os diferentes personagens que garantem o brilho da festa.
Recentemente vi em uma live da Teresa Cristina uma belíssima cantora, sambista paulistana, dona de uma voz espetacular. Com uma garra incomum, bom humor, e sem deixar o samba de lado, a moça informou que estava sobrevivendo vendendo perfumes e fazendo faxina. Que ótimo que essa profissional está conseguindo sobreviver. A questão é que o carnaval envolve milhares de trabalhadores brasileiros.
Em outros anos estaríamos ultimando preparativos para desfiles de escolas de samba, saídas de bloco, bailes. Os ensaios estariam fervendo e teríamos as chamadas televisivas para desfiles nos sambódromos paulista e carioca. Por todo o país há milhares de pessoas que, sem carnaval, ficarão sem salários ou terão seus ganhos reduzidos.
Centralizo essa pequena reflexão nas escolas de samba, pois tais agremiações são representantes de comunidades inteiras, para as quais são prestadoras de serviço, normalmente facilitando ações educacionais, além de oferecer assistências diversas. As verbas são obtidas em feijoadas, ensaios, shows na própria escola e em locais onde são contratadas e, obviamente, verbas dos meios oficiais para fazer o carnaval e dos prêmios recebidos.
Em termos de economia os números são imensos. Em 2020 a previsão de faturamento esteve em torno R$ 8 bilhões, dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Há que se pensar que o evento gera milhares de empregos temporários nos meses de janeiro e fevereiro, quando pensamos em ambulantes, prestadores de serviços diversos que auxiliam no bem-estar dos foliões garantindo alimentação e objetos de consumo imediato. Isto sem contar o setor de transportes e toda a cadeia turística que envolve passagens, estadias em hotéis e pousadas e vagas disponibilizadas no mercado informal… a cadeia é imensa.
Por todo o Brasil há gente sem trabalho por conta da pandemia. Chamo a atenção para o pessoal do carnaval, especificamente das Escolas de Samba, pelas características peculiares que, embora assinaladas acima, cabe reiterar:
Um desfile no sambódromo coloca uma comunidade na passarela! Dos mais antigos, a Velha Guarda, às alas infantis passando por ritmistas, exímios bailarinos nas Comissões de Frente, nos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira, na ancestralidade presente representada pela Ala das Baianas, todo o pessoal de apoio, empurrando carros e comandando alas e, não menos vital, a força das alas de anônimos personagens cantando com garra e alegria o amor pela agremiação. Toda essa gente pulsando ao som de uma bateria que mexe com nossos sentidos e emoções, fazendo-nos cantar e dançar seguindo os puxadores de samba, levando versos dos compositores da escola para a busca de um campeonato.
Gosto de blocos, aonde vou para me divertir. Amo escolas de samba porque vejo no Sambódromo a diversão tornada amor por uma agremiação. Respeito cada integrante, seja da escola campeã ou daquela, pequenininha, que chegou aos grupos prévios sonhando desfilar entre as grandes.
No Sambódromo, gosto de observar o sujeito fazendo uma força enorme para empurrar um carro alegórico e, sem deixar o sorriso, solta as mãos por alguns segundos, dança, canta, acena para a plateia e volta ao trabalho. O tempo não pode ser perdido e estar dentro do tempo garante pontos preciosos na luta pelo campeonato. Quero destacar esses profissionais por serem o mais visível do trabalho pesado que é fazer uma escola brilhar.
Como será o Carnaval em 2021? Entre os cancelamentos oficiais – que impedirão escolas de fazerem seus trabalhos – e as desobediências de civis que saracotearão por aí, quero alertar para os profissionais que fazem uma Escola de Samba e são a razão de ser do nosso carnaval. Pedir todo apoio ao povo do carnaval, aos profissionais de todas as escolas de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Brasil.
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NOTA: A imagem da Acadêmicos do Tatuapé é para lembrar que no próximo domingo, no Trem das Lives, receberei Eduardo Santos para um papo sobre Carnaval e a situação atual em função da pandemia. Todos estão convidados!
Próximo domingo, no Trem das Lives, Fernando Brengel recebe Claudia Bouman. Vai ser um encontro de profissionais que vivem profundamente o cotidiano do universo que escolheram. Publicitários e professores, todos os alunos e amigos de ambos sabem que eles não economizam em compartilhar conhecimentos.
“Os processos de decisão de compras à luz do neuromarketing” será o tema que, com certeza, via Claudia Bouman será divertido, abrindo-nos a mente e fazendo-nos ver outros aspectos que vivenciamos cotidianamente. Quem já trabalhou ou foi aluno de Claudia tem certeza do domínio que ela tem de todas as disciplinas que envolvem a área em que atua. E com a mediação de Fernando Brengel! Vai ser muito bom!
Estou feliz com esse encontro, pois estamos juntos “desde o século passado”; nem sempre na mesma empresa, posto que andamos fazendo muitas coisas por aí. O Trem das Lives é mais um trabalho que nos coloca em sintonia, levando-nos para frente e, o que importa, sempre juntos.
É muito bom divulgar amigos que, enfrentando dificuldades durante esse período em que vivemos, conseguiram realizar trabalhos artísticos com dignidade e talento. Loucas Ilusões é projeto de Maíra Monteiro contemplado pelo Prêmio Funarte RespirArte.
Maíra Monteiro foi parceira do primeiro Arte na Comunidade, quando viajamos por cidades do Pará e do Maranhão. De lá para cá muitas coisas aconteceram, muitas realizações. Estou feliz em poder divulgar essa produção paraense de uma atriz talentosa e competente.
Loucas Ilusões nos mostra uma mulher presa em um manicômio e a visão desta sobre a sociedade, em interpretação que evidencia a emoção e a reflexão da atriz/autora sobre temas vitais que enfrentamos cotidianamente.
Vejam e compartilhem com os amigos nas redes sociais.
Parceiro no Projeto Arte na Comunidade, Bruno Fracchia segue em frente e, agora, disponibiliza trabalho resultante do Prêmio Funarte. Sarau poético com poemas de poetas brasileiros do século XIX, Brasil Poético está no Youtube, podendo ser compartilhado nas redes sociais.
Uma oportunidade para ver, conhecer e desfrutar de poesia via interpretação suave e delicada de Bruno Fracchia.
Qual o motivo de implicarem com a idade da Rainha Elizabeth II? Estão querendo que ela morra? O problema é a idade da soberana inglesa, 94 anos, ou a idade média do brasileiro ser de apenas 76,7 (IBGE) de vida? Não seria o ideal que todas as pessoas tivessem as mesmas possibilidades de sobrevida que os nobres e ricos do planeta?
As brincadeiras com Elizabeth II são, no mínimo, de humor duvidoso. Pior, escancaram o preconceito em uma cultura onde juventude é valor, quando não passa de breve fase da vida humana. Provavelmente as pessoas que criticam e criam memes sobre a Rainha tem seus pais ou avós mortos na casa dos 70, 80 anos.
Muitos dessas “humoristas” certamente não valorizam o SUS, que aumentou em muito a vida dos brasileiros e, certamente, desconhecem os tratamentos que levam à longevidade de uma pessoa. Confundem tratar a saúde com “harmonização facial”, procedimentos estéticos que mascaram o tempo, mas criam feições falsas, beiços imensos, caras rigidamente inexpressivas que, cá entre nós, a Rainha Elizabeth não tem…
Tenho ojeriza às críticas sobre a idade da Rainha Elizabeth. Nunca quis, nem quero ser súdito inglês. O que me incomoda, profundamente, é que em nosso país os idosos não são respeitados. Estamos vivenciando neste momento uma atitude dos governos paulistas – estado e município, a capital – tirando dos idosos a passagem gratuita nos meios de transporte: trens, metrôs e ônibus. É bom salientar que aposentado não tem aumento. Apenas reajuste que, para 2021, está empatado com a inflação. E a sociedade se cala.
Outro aspecto da desvalorização da velhice, no nosso país, está escancarado nas praias cheias, nos bares lotados durante a epidemia. Quantos desses frequentadores de locais aglomerados moram sozinhos? Quantos estão levando o vírus para dentro de casa e, com isso, colocando a vida de pais e avós em risco? A Rainha inglesa pode ficar afastada e, com toda a certeza, está protegida de gente irresponsável. Sim, é quase certo que ela sobreviverá à essa pandemia e, se a genética valer, ela ultrapassará os 100 anos, vivendo tanto quanto a Rainha Mãe. Pessoalmente, é o que desejo.
Nos versos do hino britânico, os ingleses pedem pela saúde e pela vida da Rainha: God save the Queen! Por aqui… Carecemos de campanhas para que cedam lugares em filas, em bancos de praça, em meios de transporte. Recentemente, a mãe de um amigo, já idosa, foi à feira e quis comer um pastel. Um casal consumindo pasteis ocupava três bancos, sendo que o terceiro banco destinaram ao suco e prato com o salgado. Sem lugar disponível, quando a idosa solicitou a cadeira deu início a uma discussão desagradável e desnecessária. Quantos exemplos similares teríamos para registrar?
Há outro lado: Fernanda Montenegro, neste dia 25, divertiu e emocionou o país ao lado de outra veterana, Arlete Salles, e da filha, Fernanda Torres. Neste momento, nas emissoras de televisão está o comercial onde Fernanda brilha. Fernanda e Arlete são exemplos ao lado de Lima Duarte, Francisco Cuoco, Natália Thimberg … Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Wanderléia… Todos acima dos 70 anos. Também presenciamos inúmeras expressões de tristeza e respeito pela morte de Nicette Bruno que, não posso deixar de notar, viveu menos que a Rainha Elizabeth. Artistas idosos merecem nosso respeito tanto quanto a gente comum, seja de que profissão for.
Enfim, não vou falar de outro idoso a não ser eu mesmo. Tenho 65 anos! Já velho, para alguns, mas com a capacidade (dane-se a modéstia!) de muitas coisas! Entre elas escrever em defesa de gente mais velha do que eu. Eu gostaria muito que os “humoristas” que ironizam a idade de Elizabeth II olhassem para si mesmos, para o que tem, o que viram, o que farão. Tenho orgulho da minha idade e do tempo que já vivi – um pouco desapontado com o momento presente. Sobretudo tenho orgulho do que fiz. E tenho planos, muitos planos para o futuro. Estou aí, feito a Elizabeth, pronto para o que der e vier.
Não vou listar meus feitos, apelo para Macunaíma: “Ai! Que preguiça!” Agora, se quiserem fazer meme com minha idade, sou alguém que viu o homem pisar na lua, ouviu Elis Regina cantar Arrastão no Festival da Excelsior, usou calça calhambeque que era o que os jovens artistas da Jovem Guarda usavam e, se muito criança não percebi o horror que foi a instauração da ditadura militar, estive junto aos que lutaram pela democratização do país. Atendi Chico Xavier, assisti Bibi Ferreira, Ângela Maria, vi comício do acadêmico Mário Palmério e muito, muito mais…