Meus livros e leituras

Página do Instagram onde o autor se propõe a indicar livros e autores, “meuslivroseleituras” relata viagens literárias e expõe um diário de leituras. Meu e-book, A Sensitiva da Vila Mariana, foi lido e comentado.

Feliz com a iniciativa do Edson Benedito Taborda, o dono da página, agradeço sinceramente e compartilho com vocês, aqui do blog. Ao mesmo tempo deixo um convite neste link para seguir e conhecer as demais indicações em “Meuslivroseleituras”.

A Sensitiva da Vila Mariana – Valdo Resende

Acredito que já tenha deixado claro por aqui o meu gosto por contos, e logo que tive oportunidade quis conhecer os contos do Valdo, que foram publicados pelo autor em um blog a partir de 2008 e depois selecionados para esse livro, além do último que é extremamente atual, se passando nessa situação atual que passamos, e cara, o que falar desses contos?

Foram extremamente cativantes pra mim, com um humor refinado e do povão ao mesmo tempo, uma leitura rápida, divertida, interessante, terminei a leitura com um sorriso de satisfação, e com o sentimento de os personagens serem meus amigos, pessoas que eu poderia encontrar na rua hoje mesmo, pois senti as situações como reais, nada de absurdos.

Uma leitura eu diria bem realista (embora elas gostem de uma extravagância hahaha) tive o prazer de conhecer nesses contos três grandes amigos, Vanilda “a Tatuada”, Vadico que é também o narrador das situações, e Maria Aparecida com seus croquetes, que deveriam ser deliciosos e eram a porta de entrada dela em todos os lugares que desejasse, ao terminar bem gostaria de aumentar esse grupo me tornando um D’artagnan dessa equipe \o

Edson Benedito Taborda

12° Embarque do Trem das Lives

Nesse domingo, o Trem das Lives dá um pulinho em Nova Iorque. A ideia é entrevistar Nilton Sperb, cineasta e apaixonado por quadrinhos.

Além disso, Nilton conta a sua participação na obra “Achieving our commom humanity”, em tradução livre “Alcançando nossa humanidade comum”, livro que faz um balanço dos 75 anos da ONU, organização em que atua profissionalmente.

Venha viajar com a gente.

#embarque 12

06.12, 17h30 Instagram.com/tremdaslives

São Paulo nesta segunda-feira

Assim, como do nada, como se ninguém soubesse, São Paulo amanheceu assim:

Se preferir, pode ser assim:

ou ainda assim, parece o mesmo, mas não é…

Há de chegar um momento em que nossos representantes paguem por suas mentiras. Ontem estava bem. Hoje estamos amarelos. Que Deus nos livre do Covid, já que nossos representantes esperam passar as eleições.

Protejam-se, cuidem-se. Usem máscaras, lavem as mãos, evitem aglomerações.

Contamos apenas com nós mesmos.

Boa semana!

Uma caneca de Natal

Chegando de Ribeirão Preto, Tia Olinda sempre levava presentes, constantes mimos de alguém que gostava de agradar. Chegava sorridente, falante, e assim me entregou a caneca – que está aí na foto. Uma caneca agora cinquentenária… ou mais, não sei. Eu nem estava na escola! Ou seja, meu mundo era a família e o quintal, posto que a rua, o bairro e a cidade vieram depois. Com a caneca vieram algumas bolas coloridas, de vidro.

– Para você fazer sua árvore de Natal!

Disse-me a tia ao entregar o precioso presente. Lembro de ficar olhando, encantado, para aquelas coisinhas coloridas, leves e… mortais. Quando quebradas eram um perigo considerável diante das infinitas partículas do vidro.

Primeira árvore de Natal de que tenho notícia, mamãe pegou um galho dos muitos que haviam de árvores, arbustos e similares nos terrenos baldios próximos. Enrolou todo o galho e suas ramificações com algodão, branquinho.

– É para lembrar neve!

Tia Olinda, com o presente, levou minha mãe a comprar outros enfeites. Bolas, guirlandas, estrelas, tudo para enfeitar nossa primeira árvore natalina. Criou-se um hábito, mas… Havia o presépio da casa de D. Castorina, reproduzindo uma Belém artesanal, cheia de casas de barro, montes feitos de papelão, sob uma gruta imensa, iluminada com pequenas lâmpadas coloridas, destacando-se entre as estrelas, de papel laminado, a mais importante, orientadora dos magos quanto ao local de nascimento do Menino. Demorei, mas um dia tive o meu presépio.

Durante essa infância, cada vez mais distante, eram raros os Natais em nossa casa. Tínhamos o privilégio de viajar nos finais de ano. Natal a gente passava na casa da Tia Olinda, lá em Ribeirão, em memoráveis férias na nascente Vila Abranches, cheia de chácaras por todos os lados, com sua pracinha onde, às tardes, colocavam músicas para alegrar todos os moradores.

Éramos nove crianças! Mamãe Laura e minha tia Olinda saiam para a cidade (naquela época a Vila Abranches ficava longe de Ribeirão Preto!) e, entre outras coisas, compravam brinquedos que “Papai Noel” nos deixaria para fazer nossas manhãs cheias de brincadeiras com os presentes trazidos pelo bom velhinho. Antes da noite, escrevíamos cartões para os avós, os tios todos, o pai, a mãe… E toca esperar o carteiro pra ver de quem receberíamos uma mensagem.

Não tenho lembranças de comidas. Essas coisas que dizem ser tradição, hábitos de muitas famílias. Penso que as pessoas, crescendo, trocam a satisfação dos brinquedos, das árvores e dos presépios pela comilança, pela bebedeira. É o lado que menos aprecio. Aquele almoço cheio de coisas, levando todos para o sono pesado da tarde do dia 25. Eram bem melhores os dias em que, rapidamente, tomávamos as refeições e voltávamos a explorar as possibilidades dos novos brinquedos.

Frutas natalinas eram o “must” da noite de ano novo, quando já longe de Ribeirão Preto, íamos todos para a casa de minha avó materna, em Campinas. Nozes, avelãs, amêndoas, castanhas e figos secos portugueses. Também uvas passas! As mesmas uvas passas que, nos últimos tempos, gente chata fica enchendo a paciência alheia. – É só não comer! (aqui está omitido um belo palavrão em função do espírito natalino).

Em Campinas, na mesma casa ficavam todos os irmãos de mamãe, meus irmãos e todos os primos. Éramos todos vivos, felizes, e por estarmos assim, lamento hoje, não percebíamos que meus avós já não tinham seus pais, seus tios… Esses mesmos pais e tios que todos temos e que, hoje, não tenho mais. Propiciando-nos noites de Natal e Ano Novo, esforçando-se para nos darem o máximo, deixavam de lado suas lembranças tristes, suas perdas irreparáveis. E, penso, é assim que deve ser!

Ontem comecei a brincar de Natal. Tirei do armário as velhas caixas e fui inventar nova maneira de dispor as coisas. Não espero crianças em casa, mas vai que apareça alguma. Ou mesmo algum adulto. Quem sabe meu presépio não desperte lembranças boas, ou mesmo crie outras. Mas, na real, meu presépio é para nós, que estamos aqui, neste ano tão complicado e diferente.

É linda a lembrança do primeiro Natal, aquele de 2020 anos atrás, quando nasceu uma criança, o Deus feito menino. São lindas as lembranças de todos nós; isso, se nos atermos às primeiras visões de um brinquedo, uma árvore cheia de cacarecos, um presépio pra lá de estilizado, as pessoas todas juntas abrindo presentes, trocando afetos.

Talvez escreva sobre os presentes de Natal que ganhei na infância. Era época em que o consumismo não determinava excessos e ganhei poucos, mas inesquecíveis brinquedos. Talvez!

Neste ano, é lamentável que a pandemia nos impossibilite grandes encontros. Cabe aqui uma postura, uma decisão: Podemos ter noites de reclamações, ou podemos dar graças por estarmos vivos. E se as reuniões forem precárias, limitadas, temos lembranças para preenchê-las. E objetos que nos suscitam lembranças, como a minha caneca, dada pela minha tia Olinda, que morava em Ribeirão Preto, onde passávamos os natais, esperávamos Papai Noel…

Nesta quinta tem Trem das Lives!

Em função do segundo turno das eleições, no próximo domingo, o Trem das Lives fará sua 11ª viagem nesta quinta-feira, 21h!

Paulo Tadeu é o convidado da semana para um papo com Fernando Brengel.

Publicitário e escritor, Paulo Tadeu é dono da Matrix Editora. Além disso, acumula os microfones de A Grande Verdade, Rádio Energia 97 FM, e da banda Saco de Gatos, em que é vocalista.

Esperamos você para se divertir com essa transmissão, que promete boas risadas.

Todos estão convidados!

instagram.com/tremdaslives

Quinta, 21h00

Sophia Loren dança ao som de Elza Soares

Sophia Loren dançando…

Ouvir Elza Soares cantando “Malandro” enquanto Lola (papel da atriz Abril Zamora) puxa Sophia Loren para dançar é daqueles momentos que encantam pelo aparente inusitado encontro dessa mulheres incríveis: a cantora brasileira e a atriz italiana. Na tela, a sambista que enfrentou poucas e boas para sobreviver canta para a personagem judia, sobrevivente do holocausto. Sophia, ou melhor, Madame Rosa, sob olhares de crianças sob seus cuidados, dança com uma mulher que, um dia, foi lutador de boxe.

Malandro, sou eu que te falo em nome daquela

Que na passarela é porta estandarte

E lá na favela tem nome de flor…

Rosa, a Rosinha no samba cantado por Elza pode morrer de dor. A mesma dor que parece comum na Rosa de Sophia, neste Momo e Rosa.

Ibrahima Gueye e Sophia Loren, dupla inesquecível

Há duas imensas satisfações ao rever Sophia Loren em Momo e Rosa, o filme em que volta ao cinema, aos 86 anos, dirigida pelo filho Edoardo Ponti. Primeiro por ser um grande filme, digno da filmografia de Sophia; segundo, por nos propiciar um intenso encontro com a atriz italiana que, certamente, continua no coração de milhões de fãs ao redor do mundo. A intérprete impecável diz presente, ao lado do menino Ibrahima Gueye.

O filme me enche de lembranças: pra começar, a formidável dupla Sophia-Ibrahima lembra outra, também no encontro de uma velha senhora com uma criança: Fernanda Montenegro e Vinícius de OIiveira em Central do Brasil. Não faço crítica de cinema. Sou fã. E estou novamente apaixonado por Sophia Loren. E vou deixar a memória fluir.

A Madame Rosa do filme atual foi prostituta; e recordo outra, a Filumena, da comédia Matrimônio à Italiana. Uma das várias parcerias de Sophia Loren com Marcelo Mastroianni.

A Segunda Grande Guerra, que fez sofrer a Judia Rosa, também fez sofrer outra personagem de Sophia, a Giovanna de Girassóis da Rússia, também nesse a parceria com Mastroianni. Um drama menor se comparado ao drama de Cesira, a linda viúva interpretada pela atriz em Duas Mulheres, consagrando-a definitivamente como grande atriz. Também a Grande Guerra como fundo, e novamente com Marcelo, recordo conflitos inconciliáveis em Um dia muito especial.

El Cid, Orgulho e Paixão, A Queda do Império Romano, A Condessa de Hong Kong, O homem de la Mancha… O sono já perdido enquanto as personagens interpretadas por Sophia emergem da minha adolescência em diante, acompanhando-me vida à fora.

Certamente não sou o único, neste Momo e Rosa, a ter o filme como forma de reencontro com a estrela deslumbrante, a mulher desejada, a amiga de muitos anos. O tempo está aí, dando dignidade na mulher ainda imponente, ainda como olhar arrebatador, a boca cheia de promessas e, sobretudo, a atriz que me faz esquecer todas as outras personagens, enquanto choro por Rosa, a judia sobrevivente de Auschwitz.

Daqui para a frente, tenho certeza ouvirei Elza e seu malandro, e pensarei em Sophia, a Rosa, como a da canção, cheia de dor e de amor.

Nota:

Malandro, a canção interpretada por Elza Soares, é de Jorge Cruz e João Batista de Alcântara.

Próximo Trem das Lives!

Preconceito, ações afirmativas, educação, religiosidade.

Esses e outros temas fazem parte do Trem das Lives desse domingo, em homenagem ao Dia da Consciência Negra.

Participações:

Keila Afonso Rezende Silva. Psicopedagoga e especialista em Gestão de Políticas Sociais e Saúde da Família.

Maria Abadia Vieira da Cruz. Pedagoga e especialista em Ciências das Religiões.

Embarque!

22.11.20 às 18h00 no instagram.com/tremdaslives