A TURMA DE “UM PRESENTE PARA RAMIRO”

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Volta e meia me perguntam o motivo de estar sem escrever neste blog. – Muito trabalho, respondo. – Graças a Deus!  Agora está na hora de vir aqui e contar que temos novo trabalho teatral em fase final de montagem.

“Um Presente Pra Ramiro” é mais um capítulo da minha história ao lado de Sonia Kavantan, nossa produtora; reitera minha parceria com Flávio Monteiro que assina a direção musical, e entre artistas, técnicos e demais profissionais, promove reencontros e encontros muito especiais.

Lá de longe, sem nunca termos nos distanciado, volto a ter a participação de Octavio Cariello na minha carreira teatral. De longe também, quando só nos falávamos via redes sociais, veio  Flávio Amado, agora nosso assistente de direção, assim como lá da universidade, de um tempo em que foi minha aluna, veio o reencontro com a atriz Neusa de Souza.

De edições anteriores do Arte na Comunidade vieram os atores Conrado Sardinha e Rogério Barsan para contracenarem, em “Um Presente Para Ramiro”, ao lado de Roberto Arduin e Isadora Petrin, atores com os quais trabalho pela primeira vez. Somando experiência de vários trabalhos, da equipe da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, estão presentes Lilian Takara, Milka Beatriz e Thiago Barizon.

Até aqui a equipe com a qual trabalho diariamente. Nos falamos cotidianamente e convivemos algumas horas pessoalmente, outras tantas virtualmente. Há outros profissionais envolvidos que apresentarei brevemente. Neste primeiro momento optei pelos velhos parceiros e pela turma de todo dia, de horas intensas vivenciadas na sala de ensaio. Temos pensado e vivido “Um Presente Para Ramiro” com intensidade, com a ansiedade que um trabalho de porte exige e com a alegria e o prazer de estar em algo que amamos fazer.

Há muito por contar e é o que farei em próximos posts; acompanhe por aqui todos os detalhes e a programação da montagem.

Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Até mais!

Domingo brasileiro

domingo brasileiro
“é a parte que te cabe neste latifúndio” (Chico Buarque)

A justiça é uma abstração. Esta foi a lição desse domingo, 8 de julho. Pode-se dizer também que a justiça é um jogo onde há espertos e poderosos disputando a última palavra, o caminho a ser seguido, a norma a ser acatada. Verdade e justiça permanecem, temporariamente, sob a tutela do mais esperto ou de quem tem mais poder. Comemorar resultados desse domingo é, no mínimo, ingenuidade perante o espetacular “jogo da justiça”. Num próximo lance, jogo virado, e o certo será outra coisa, o justo será questionado pelo lado vencido e a verdade… Santo Deus, o que é verdadeiro? O jogo é o real; a realidade é esta que vivenciamos como jogo de egos, jogo de palavras, de leis, de preceitos, de autoridades.

Desde quando tinha 17 anos que desconfio da justiça instituída e representada por advogados, delegados, juízes, desembargadores, ministros… Sequestrado perante várias testemunhas, tendo deixado rastros de provas materiais, e portando consequências físicas das agressões sofridas, presenciei a luta quixotesca de meu pai contra gente rica e poderosa. Perdemos o processo no emaranhado vai e vem da justiça e, dez anos depois, testemunhas oculares esquecidas, provas materiais deixadas de lado, o outro lado livrou-se de penas por insuficiência de provas.

Provas não são nada. O jogo é o que conta para a manutenção de interesses específicos. Esse mesmo jogo que levou ao fracionamento dos salários dos professores mineiros ou, em outra esfera, ignora cientistas e instituições especializadas para, sob a tutela de alguns jogadores permitir o uso de agrotóxicos na produção agrícola.  O que farão as professoras mineiras perante quem determinou o caos salarial em que vivem? São professoras, não profissionais da política e da justiça. Precisam confiar nos líderes sindicais, nos representantes legais, faces dos dois lados do jogo que determinará se haverá ou não dinheiro para pagar o supermercado. E os agrotóxicos?

Uma amiga cria galinhas em uma simpática chácara próxima de São Paulo. Ela pagou uma bela grana para que empresas especializadas avaliassem o solo, determinando se seria possível o plantio no mesmo. Resultado positivo, surgiu uma horta, além de uma pequena criação de galinhas. Essa amiga faz festa quando chove. No mais, cuida de tudo sem veneno, sem “remédio”.  O “outro lado” resolveu criar uma série de restrições da comercialização de orgânicos pelos pequenos produtores. Um jogo no qual serão controlados com afinco aqueles que não colocam veneno em suas hortas e na alimentação dos animais.

Herdei de meus pais o lado quixotesco. O lado daqueles que sem dinheiro e destituídos de poder têm como possibilidade de vida a alienação, a omissão, ou a luta, a resistência, o trabalho. Escolhi permanecer atento, resistindo e, mesmo sabendo-me fraco, disposto à luta. Nada heroico. Nada extraordinário. Lutar “é a parte que te cabe neste latifúndio”, para lembrar a velha canção de Chico Buarque que, é bom frisar, é a trilha do funeral de um pobre coitado.

Comemorar a justiça, enaltecer o direito, reconhecer a legalidade? Nada. Um jogo! Um complicado tabuleiro de xadrez para gente especializada. Os fatos, os crimes, as provas, as testemunhas são peças manipuláveis dessa partida assistida por todos nós, também manipulados.

 

Até mais!

Daquela manhã

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Naquele período o país vivia a Copa do Mundo, o campeonato que estava em pleno andamento na França. O futebol era o país. Tornava-me estrangeiro ao evitar o assunto; alienígena por deixar de assistir a um único jogo. A expectativa antes de cada partida, a tensão durante a mesma e a comemoração após a vitória aqueciam os frios dias de julho. Os torcedores alucinados, consumindo rios de cerveja antes e durante cada jogo, extravasavam a tensão dos noventa minutos em carreatas barulhentas e intermináveis; após cada vitória, a cidade, vestida de verde e amarelo, dançava ao ritmo de aplausos frenéticos, tremendo o solo pelos saltos descontrolados de cada torcedor, ensurdecida pelo espocar de fogos de artifício. Minutos de imensa felicidade a cada gol.

Passado o jogo, em meio à comemoração, iniciava-se a busca dos noticiários para rever cada lance e a cata dos jornais diários para ler mais, ter mais, esticar ao máximo a alegria proporcionada pelo time nacional. As crianças viviam à procura de figurinhas para completar um álbum, com todos os participantes do campeonato; adesivos plásticos, camisetas, miniaturas de plástico dos atletas, tudo relacionado com o local do evento, a França, e às diferentes equipes, principalmente a brasileira, era comercializado. Ao abrir a janela da minha sala deparava-me com uma imensa bandeira brasileira pintada sobre o asfalto. O principal símbolo nacional, estático na rua, tremulava hasteado no topo dos edifícios, em inúmeras janelas de apartamentos vizinhos.

Sempre assim no meu país: vive-se o futebol; consome-se futebol; tudo o mais fica para depois, absolutamente colocado em segundo plano. Eu já vivera outras copas; criança, ouvia os jogos pelo rádio e acreditava ser outro jogo, à noite, dias depois, quando a televisão passava o tape. Ocorriam-me também, às vezes, lembranças dos tempos de Garrastazu Médici; o que eu tinha vivido como adolescente tricampeão e o que vim a saber posteriormente…

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CAPA OFICIAL baixa

 

 

 

(O texto acima abre o segundo capítulo do meu romance “dois meninos – limbo” lançado pela Elipse, arte e afins. Quem estiver interessado em obter o livro pode entrar em contato aqui pelo blog https://valdoresende.com/loja/ ou via e-mail: valdoresende@uol.com.br . A foto acima, que ilustra este post é de Flávio Monteiro).

 

Até mais!

 

Últimos devaneios dos 62

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São Paulo está tipo assim…

Eu queria estar firme como o cabelo do Neymar, batizado pelo meu amigo Dema de Calopsita, mas estou fazendo 63 anos…  Neymar! Tai um cabelo impávido, intrépido, destemido. O moço esteve bonito, fisicamente, mas em se tratando de futebol eu tenho mesmo é saudade do Garrincha; e isso é mais um sinal do tempo, um tempo enorme que carrego nas costas.

Um empate minimizou a alegria barulhenta dos torcedores. Poucas buzinas, cornetas e similares que, agora têm outro nome. Senti falta de fogos de artifício. Os cachorros estão dominando o planeta e quem quiser que contrate outro animal para “cão de guarda”. Se os melhores amigos do homem ficam traumatizados com o foguetório, devem piorar com tiroteios.

Hoje vi, quase que por acaso, o estatuto do idoso… Foi quando me veio a ideia de olhar qual a expectativa de vida para o brasileiro. Estava interessado em saber quanto tempo me resta, coisa que, aos vinte e poucos jamais me passaria pela cabeça e aos trinta e poucos também não. Agora passa; paciência.

EM MINAS GERAIS OS APOSENTADOS NÃO RECEBEM SEU SALÁRIO! Assim mesmo, em caixa alta, pra chamar um pouco mais a atenção sobre milhares de profissionais que trabalharam décadas pensando em uma velhice tranquila. Tenho medo de me aposentar, posto que ao aposentado resta protesto. Greve, nesse caso, só se for de fome… O pior é não precisar de greve para passar fome.

Habituado ao convênio médico descobri, por acaso, que uma consulta ao “meu” dermatologista custa R$ 500,00.  Nem é para ficar com a pele do Neymar (Viram só que pele?). É o preço de uma consulta simples. Vou descobrir o preço do mesmo serviço de um urologista. Depois conto aqui.

Recebi dois avisos de que a Wanderléa apareceria no Faustão. Tenho pessoas queridas que sabem dos meus afetos artísticos. O cabelo da Wandeca é muito mais bonito do que o do Neymar e é tão artificial quanto. Ela é morena, como ele. Ambos têm fissura por cabelo loiro.

80% do pudim que ganhei já foi consumido.

Amanhã, dia do meu natalício, terei quase duas centenas de alunos fazendo exames.

Ontem, final de um capítulo da série O Ministério do Tempo, a moça pede ao rei que, com medo de morrer, pense em algo que o tenha deixado feliz. E o rei se lembrou de, quando criança, a mãe vindo arrumar cobertas, dar beijo de boa noite, fazendo um último afago. Pensei nas muitas vezes que minha mãe fez a mesma coisa comigo. Eu, um reles plebeu.

Hora de tomar uma sopa bem quentinha. Que vontade que tenho de, no inverno, morar no Piauí!

Ufa! 63 anos. Nossa Senhora das Frases Feitas que me ajude a ultrapassar esse momento mantendo a polidez necessária para a ocasião. Todavia, o que vem na cabeça são expressões costumeiras: – Segura a onda! Aguenta firme! Tenha fé! São essas as minhas intenções.

Tenho saudada de muitas coisas.

Até mais.

 

 

 

Nem roda-gigante escapa…

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Foto: Flávio Monteiro

Notícia de vários jornais:  A Camex – Câmara de Comércio Exterior – zerou temporariamente o imposto de importação incidente sobre rodas-gigantes e carrosséis. A alíquota de 20% veio para zero. Que governo legal! Quer beneficiar os parques temáticos… foi o que li no dia 05/06. Só que também li outras coisas:

Em março foi anunciado a construção de uma roda-gigante em Fortaleza!

Aparecida do Norte – SP, terá a maior roda-gigante do Brasil (Esta é mais recente).

Camboriú também terá a maior roda-gigante do Brasil (quando ficarem prontas saberemos qual ficará mais alta)!

Faz um tempinho, anunciaram para São Paulo, capital, uma roda-gigante assinada pelos arquitetos da London Eye (O imenso brinquedo que é um dos atuais símbolos de Londres).

O Rio de Janeiro não ficaria de fora e, lá, a “Estrela do Rio” terá 88 metros e ficará no ex-boulevard olímpico.

A roda-gigante de Fortaleza será construída por uma empresa denominada AmuseBr…

Aparecida, aqui no Vale do Paraíba, é projeto associado ao Aparecida Shopping Partners…

A versão paulistana da London Eye, segundo li na coluna de Monica Bérgamo, será construída por um grupo do qual a coluna cita dois integrantes: Charlles Nogueira e Aroldo Camilo.

Este Charlles Nogueira que está no grupo “paulistano” é fundador da AmuseBR, que venceu o edital em Fortaleza…

Admiro esses empresários que conseguem zerar impostos para conseguir importar seus brinquedinhos – máquinas de fazer dinheiro. Admiro mais ainda o temporariamente, da Camex, que logo que essas gigantes rodas ficarem prontas cortará o barato ou tornará mais caro alguma investida de possíveis concorrentes.

Admiro, para os incautos, foi usado no sentido de assombro, estranheza.

Não é fantástico ter uma câmara que se preocupa com o investimento de grandes empresários e beneficia esses livrando-os de impostos?

Realmente, fico admirado!

Até mais!

Avigrama Para Vinícius

Vinícius-de-Moraes

“Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: 
Não sei”.

Tive a ilusão de sermos um

A origem sendo não mais que geografia.

No entanto quem, quantos somos?

E quanta diferença há entre nós!

Reconhecendo lutas separatistas,

– São só interesses financeiros!

Não mensurava a própria ingenuidade.

“Tenho-te no entanto em mim como um gemido 
De flor”;

 Vejo-te árvore imensa que abastece,

Propicia sombra reflorescendo sempre.

Sinto-nos frutos similares,

Em todas as fases desses

Às vezes amargos, outras vezes doces,

E desprendidos de seus galhos

Voltamos à terra e renascemos

Filhos da mesma árvore,

Componentes da mesma floresta

Habitando serrado ou caatinga

Redivivos em restingas, pantanais.

 “Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta 
Lábaro não; a minha pátria é desolação “

Durmo pensando-te pátria amada,

A patriazinha do poeta

Que sabia não seres mãe gentil.

Receio ainda manter a ingenuidade…

Sobretudo, por ter aprendido a amar-te,

Insisto na esperança

Acredito no amanhecer límpido

Abrindo caminhos retos

Levando-nos a porto seguro.

Sonho, um dia, o país Brasil.

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Valdo Resende, 30/05/2018

Internacionalização de carreiras, empresas e negócios

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Em tempos de agora o outro lado do mundo é logo ali. Os meios de transporte, cada vez mais eficazes, diminuem distâncias entre os continentes e o ambiente virtual anula espaços, colocando o mundo dentro de nossas casas, sobre a nossa mesa de trabalho. Para viver essa nova realidade é fundamental pensar em outras vertentes da formação tradicional; daí a importância do livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, de Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Conhecemos dois tipos básicos de brasileiros que, fora do país, buscam novos horizontes profissionais: No primeiro, um vasto número de jovens aventura-se nos mercados de ocasião atuando no setor de serviços, exercendo atividades básicas; em troca aprendem a língua, conhecem nova realidade e, com sorte, economizam o suficiente para a tentativa de novos horizontes, seja voltando ao Brasil ou indo além.  O outro tipo é de jovens profissionais que somam conhecimentos em cursos especializados, vivências em seminários, visitas e práticas profissionais em empresas no exterior, planejando e programando cada passo da carreira almejada.

Os professores Fátima Abud e Rafael Olivieri, comprovam longa experiência em educação superior atuando como facilitadores aos interessados em ampliar horizontes. Foi pelo desenvolvimento de programas acadêmicos internacionais que o Professor Rafael Olivieri recebeu o Prêmio Augusto Cury, outorgado pela InterEducation – Unifuturo. O livro INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS, que será lançado no próximo dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509), comprova o trabalho e a trajetória dos autores e fornece os passos necessários para jovens e experientes profissionais.

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Os autores, Professores Rafael Olivieri e Fátima Abud

Constata-se um terceiro grupo, aos dois citados acima, de pessoas que não pensam em sair do país, seja para ampliar possibilidades materiais ou internacionalizar a carreira. Todavia, sabemos ser impossível evitar o avanço de corporações estrangeiras no nosso cotidiano; sendo assim, conhecer os meandros do mercado internacional é necessário inclusive para quem pensa em permanecer por aqui, posto que em um ou outro momento estaremos perante profissionais estrangeiros, lidando com as diversas nuances de um mundo globalizado.

Tive a oportunidade de ler os originais de INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRAS, EMPRESAS E NEGÓCIOS e, por isso, creio ser esse a grande novidade do mercado editorial, posto que apresenta aspectos absolutamente inéditos da questão indo além do popular intercâmbio e propondo bem mais que um mero curso no exterior. Além dos aspectos históricos e teóricos que envolvem o tema, os autores apresentam vários cases de sucesso, documentando via realidade os diferentes aspectos abordados no livro.

Estarei no lançamento e conto com a presença de todos os interessados para que possamos conhecer e brindar ao trabalho dos professores Fátima Abud e Rafael Olivieri.

Até lá!

Serviço: INTERNACIONALIZAÇÃO DE CARREIRA, EMPRESAS E NEGÓCIOS. De Fátima Abud e Rafael Olivieri. O lançamento será no dia 23 de maio, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, das 18h às 22h.