Imperdível: Octavio Cariello apresenta projeto para viabilização via Catarse. Miragem é uma coleção de trabalhos desenvolvidos em mais de três décadas. Há desenhos, esboços, ilustrações para jornais e revistas, capas de várias publicações, Histórias em Quadrinhos, fontes de letras, logotipos e caricaturas…
Se você ajudar com a publicação deste livro, estará colaborando com a comemoração dos 35 anos da carreira de um dos desenhistas mais talentosos do país. Para quem ainda não conhece, transcrevo abaixo a autoapresentação do artista.
“Sou de Recife, mas mudei para São Paulo há 30 anos; trabalho com design, ilustração e Quadrinhos, tenho dois romances, algumas poesias e uns pares de contos publicados. Fui fundador da Fábrica de Quadrinhos (Estúdio e Escola) e da Quanta Academia de Artes, onde trabalhei como coordenador geral dos cursos até 2007, quando saí da sociedade, mas permaneço no corpo docente da entidade. Dou aulas de narrativas gráficas, anatomia humana, perspectiva e Histórias em Quadrinhos na Pandora Escola de Arte, em Campinas, no Canvas Studio e Escola, em Piracicaba, e na Quanta Academia de Artes, em São Paulo.
Ilustrei matérias para jornais como O Rei da Notícia, Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, D.O. Leitura, o Globo e Debate, e revistas como Veja, Exame, Super Interessante, Marie Claire, Dragon Magazine, Show Bizz, Sandman e Jovem Pan, no Brasil. Tive vários Quadrinhos publicados nos EUA e por aqui também. Fiquei conhecido, em território nacional, por desenhar HQs do Amigo da Onça, dos Mamonas Assassinas, do Homem-Cueca, dos Casseta e Planeta e Sport Gang, e escrever roteiros para HQs do Quebra-Queixo.
Alguns dos meus personagens já ganharam páginas de jornais e revistas em território nacional: “Delete” (da série Eon, da qual faz parte a saga de Portais), na revista Metal Pesado, “Derenian” (também da mesma saga), na Porrada! Special, e “Mofo” (desenhada por Gabriel Bá), no álbum Fábrica de Quadrinhos 2001. Com Eduardo Schaal, criei o logo da série de TV “As aventuras de Tiazinha” e participei da equipe de design que cuidou dos efeitos especiais. Com Alain Voss, criei o logo da série Sport Gang. Fui o criador do logo do Mundo Canibal. Para editoras americanas, pintei páginas da série “The Queen of the Damned” (da obra de Anne Rice, para a Innovation), e desenhei Wolverine (Marvel), Bloodchilde (Millenium), Lovecraft (Malibu), Black Lightning (DC), Trancers (Malibu) e Deathstroke (DC). Recentemente, pintei as páginas da adaptação de Rei Lear (Nemo).
Para participar, clique aqui, e veja as possibilidades de adesão e as contrapartidas aos colaboradores.
Sempre passei pela Via Dutra em viagens ao Rio de Janeiro, Aparecida ou como atalho para o litoral norte paulista. Carro ou ônibus, a visão que se tem do Vale do Paraíba é encantadora. Seja pela imensidão da Serra Mantiqueira mostrando-se com infinitas possibilidades conforme recebe os raios solares, ou então em longos trechos em que se tem a companhia do rio e da estrada de ferro. A paisagem atrai, estimula a curiosidade, reaviva lembranças.
Múltiplas cidades alternam impressões do viajante que passa pela Via Dutra. As indústrias de São José dos Campos, recordações de Monteiro Lobato em Taubaté, os mistérios da fé em Aparecida e, já no estado do Rio de Janeiro, a seriedade militar de Resende, a altivez do Itatiaia, a descida de outra serra para ganhar o litoral fluminense… Há mais; muito mais!
Uma tenda com palco italiano e capacidade para 400 pessoas sentadas (as laterais ampliaram o número de espectadores) percorreu cidades do Pará e Maranhão.
A quarta edição do Projeto Arte na Comunidade será no Vale do Paraíba! A primeira ocorreu nos estados do Pará e Maranhão, percorrendo dezenas de cidades da Amazônia. Desde então, enfatizando os objetivos primordiais tais como o resgate e a valorização da cultura local, atentando para questões de preservação ambiental e de educação para a cidadania o Arte na Comunidade foi em frente. A segunda edição foi em Minas Gerais, no Pontal do Triângulo Mineiro.
Quatro cidades mineiras receberam os agentes do projeto em apresentações públicas e, em seguida, foram realizadas apresentações teatrais em escolas municipais estimulando o levantamento de aspectos locais através da criação de textos e contação de histórias. Uma mostra teatral encerrou a aplicação do projeto na região e, entre as atrações, uma exposição dos resultados dos trabalhos realizados pelos alunos de cada cidade.
Mostra teatral e atividades nas escolas dos municípios ocorreram em Minas Gerais.
A terceira edição, em 2015, ocorreu na Baixada Santista acrescida de um maior contato com os educadores das cinco cidades participantes, resultando em expressiva adesão e participação dos mesmos nas diferentes etapas do Arte na Comunidade. Agora em 2016 prosseguimos em cidades paulistas: Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz são os novos destinos do nosso projeto.
Exposição do resultado das atividades em escolas da Baixada Santista foi um fato marcante do Arte na Comunidade 3.
E assim, lá vamos nós para o Vale do Paraíba! Sonia Kavantan, a idealizadora do Arte na Comunidade, Lilian Takara, Milka Master, Filipe Brambilla e Flávio Monteiro. Nossa equipe começa enxuta, aumentando posteriormente com profissionais da região visitada. Somaremos produtores, técnicos, atores entre outros companheiros que comporão a equipe final com os educadores e representantes de cada município para a concretização do trabalho.
Mais uma vez tenho a honra de escrever os textos – já comecei! – e também farei a direção dos espetáculos. Além do que publicarei aqui, neste blog, convido todos a seguirem as ações do Arte na Comunidade através das redes sociais e do blog que registra as atividades do projeto. Grandes descobertas, expressivas experiências, o Arte na Comunidade beneficia as comunidades visitadas e todos que dele participam.
O Instituto Inhotim, em Brumadinho – MG, combina arte contemporânea, arquitetura e botânica. São 110 hectares de um espaço totalmente manipulado por mãos humanas. São centenas de obras de arte distribuídas por todo o espaço e outro tanto expostas em galerias construídas especificamente para tal fim. Além de toda infraestrutura que um local desse tipo exige há, ainda, seis jardins temáticos entre os quais se destaca o Jardim de Todos os Sentidos: são três canteiros em forma de mandala onde estão plantas aromáticas, medicinais e de efeitos tóxicos.
Os jardins temáticos são pequenos destaques em um espaço exuberante. Dele pode-se dizer que é um imenso jardim. Por todo Inhotim há caminhos abertos entre as plantas e outros, calçados serpenteando árvores, arbustos e flores. Muros de contenção bem cuidados e água farta, em fontes e lagos. Árvores frondosas, folhagens, grama… Inhotim é local para meditação silenciosa, pura contemplação.
Entre o muito que há para ser visto deixo algumas imagens registradas em rápida passagem por Inhotim; valem, sobretudo, como exemplos das possibilidades botânicas do local.
Participar do carnaval de São Paulo é uma honra. Escolher, dentre as grandes escolas, a vencedora de uma categoria (Alegoria!) é uma responsabilidade imensa. Neste ano o Troféu Nota 10, do Diário de São Paulo, antecipou a grande campeã paulista. Sintonia entre os jurados do jornal e do juri da Liga das Escolas de Samba.
Estou feliz com o resultado merecido obtido pela Império de Casa Verde. Duplamente feliz pela vitória da Estação Primeira de Mangueira, Maria Bethânia homenageada. O carnaval ainda é a grande festa popular e as escolas de samba são a expressão de uma festa comunitária.
Vou deixar três imagens, registrando esse momento que, para milhões de pessoas, antecede a próxima grande festa: o carnaval de 2017.
O Diário de São Paulo antecipa, com o Troféu Nota 10, o resultado dos desfiles de São PauloMaria Bethânia é exemplo de talento e integridade. Qualidades reconhecidas pela Mangueira, a vencedora do carnaval carioca.Com meus colegas do Juri. A reprodução da foto é “doméstica”, mas o que vale é o registro de um momento especial.
Agradecendo mais uma vez ao Diário de São Paulo, aos organizadores Walquiria Silva e Rafael Nascimento, deixo também meu carinho aos meus companheiros dessa deliciosa jornada: (Da esquerda para a direita: Thilda Ribeiro, Sam Alves, Marizilda de Carvalho, Peri, Sabrina Andrea, Luizinho SP e Humberto Miranda.
Neste ano o Troféu Nota 10, oferecido aos melhores sambistas de São Paulo pelo Diário de São Paulo. “O troféu incentiva as escolas. Não há quem não conheça. Todos querem ser reconhecidos”, foi o que eu disse na entrevista ao jornal, publicada ontem. Mais uma vez tenho a honra de estar entre os jurados do Carnaval de São Paulo. Agradeço ao Diário de São Paulo pelo convite, em especial ao Rafael Nascimento, Walkiria Silva e aos demais profissionais empenhados na organização do prêmio. Agora é carnaval. Que todos possam ter momentos de diversão e que nossas escolas tenham todo o sucesso que merecem.
Pensar sobre a função da arte tem sido uma preocupação desde os tempos de faculdade. Lá, a temperatura subia a extremos quando se acrescentava o “social” nas discussões. Qual a função social do artista e da arte? O mundo passou por imensas mudanças desde o final do século XIX e aspectos utilitários, didáticos, decorativos, entre outros, foram sobrepujados por uma estética filosófica colocando a própria arte como constante elemento a ser discutido tanto quanto o artista. Conversas, discussões e até bate-bocas em busca de um possível consenso.
A Galeria de Doug Aitken em postal do próprio Instituto Inhotim
O tempo… As dificuldades cotidianas minimizam certas preocupações, burocratizando até mesmo aquelas que nos são caras. Algumas reflexões são mantidas, todavia perdem a força se não há elementos suficientes para reascender assuntos que, sem a devida manutenção, tornam-se temas mornos. Surgem faíscas quando uma obra ou um artista vêm à tona. Há empolgação quando lembramo-nos de fatos históricos, mas são fatos, lembranças que tocam quem viu; quem estudou; aqueles que nutrem interesse específico. Melhor quando somos colocados frente a frente com situações, instalações, obras instigantes que suscitam e, praticamente exigem do receptor uma resposta.
Em Inhotim senti essa necessidade de resposta, o que me tirou da mera posição de receptor para levar-me à condição de participante do ato ali, pronto para ser vivenciado. O Instituto Inhotim, em si, já leva à atitude diferenciada posto que em sendo um lugar distante, único, com seus jardins encantadores, arquitetura diferenciada ainda tem… Obras de arte. Longe de fazer, aqui, um inventário de todas as obras do local. Meu desejo é registrar um pouco do quanto Inhotim instiga em termos de pensar arte e artistas.
A galeria de número 10 (Sonic Pavilion – Doug Aitken) , por exemplo, nos propicia uma experiência inesquecível. Doug Aitken é um artista dos EUA e idealizou uma obra para captar o som da terra. Inhotim tornou a ideia realidade através de um pavilhão de vidro e aço, com um poço de 202 m de profundidade onde microfones e amplificadores foram instalados para a captação. Os ruídos gerados no interior da terra e a reverberação dos mesmos resultam em som equalizado que conduz o espectador ao silencio imediato. Isso mais o ambiente, todo o entorno de uma paisagem única, eu diria conduz à meditação. Entre tantas circunstâncias que abalam e colocam o planeta em risco há o momento em que paramos para ouvi-lo… A pergunta é inevitável: O que faremos com isso; o que faremos diante disto?
Foto de Claudia Andujar em obra sobre os Yanomamis
Sempre gostei da ideia de que a arte deve olhar pelo e para aqueles que, por circunstâncias específicas vivenciam mazelas desse nosso mundo. Uns chamam de arte engajada. Eu reverencio aqueles que sensibilizam a partir da própria sensibilidade. A fotógrafa Claudia Andujar é parte dessa estirpe de artistas que revelam mundos dentro do nosso mundo. Na Galeria Claudia Andujar estão centenas de fotografias realizadas do povo Yanomami, na Amazônia Brasileira. A artista é de origem sueca e está no Brasil há muito tempo e seu trabalho foi utilizado para proteção dos índios, além de contribuir nas formas de tratamento e preservação dos Yanomamis. Construído especialmente para exibição da obra de Andujar, a galeria é uma obra arquitetônica ampla que exibe além das imagens, livros e um documentário sobre a artista.
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Poderia escrever, aqui, sobre a experiência de brincar na Galeria Cosmococa com os “quase-cinemas” idealizados por Helio Oiticica e Neville D’Almeida. Meus companheiros de viagem ficaram tão impressionados quanto eu diante das obras de Tunga. A obra Narcissus Garden, de Yayoi Kusama, é uma visão contemporânea do mito que leva-nos a brincar com as selfies cotidianas. Poderia escrever sobre Cildo Meireles, Doris Salcedo, John Ahearn e Rigoberto Torres… Escolhi, para concluir, registrar algumas impressões sobre a obra de Adriana Varejão.
Dois detalhes do Narcissus garden – Yayoi Kusama
Se Yayoi Kusama faz emergir o narciso que há em cada um de nós é Adriana Varejão quem suscita velhas lembranças, indagações sobre identidade, memórias coloniais… O primeiro impacto vem com a obra “Celacanto Provoca Maremoto” com inequívocas referências ao barroco e aos azulejos portugueses. Em contraponto à referência história do grande painel ainda há outros cinco quadros, expostos no teto, com imagens de plantas carnívoras, ainda vistas do primeiro piso, antecedendo a visita – para quem faz o percurso sugerido pelo local – e “Linda do Rosário” – escultura que faz referência ao hotel de mesmo nome, no Rio de Janeiro, em 2002. Entre outras obras da galeria está “Passarinhos”, uma instalação que é pura delicadeza na lembrança de espécies de pássaros brasileiros.
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A obra de Adriana Varejão, bela e profunda por si, encontra-se em ambiente de inequívoca valorização: a galeria é obra arquitetônica impar, pois vai além do abrigar a obra para ser com ela. Um intenso diálogo entre dois criadores que estabelece e sugere um percurso onde arte e arquitetura são complementares. A sensação é de que o pavilhão de Rodrigo Cerviño Lopez, arquiteto paulista, desvela a obra de Adriana Varejão. O resultado é de puro encantamento. Uma entre muitas e intensas possibilidades de refletir sobre arte, artista e a função de ambos nesse nosso tempo.
Inhotim reúne botânica, arquitetura e arte contemporânea
Quem primeiro me falou sobre Inhotim? Será que li em alguma revista, jornal? Fica lá em Minas Gerais; “um grande museu a céu aberto” foi a expressão mais frequente e, obviamente, gerando possibilidades visionárias partindo-se do que entendemos por museu, por obras expostas em espaços abertos, públicos ou privados. Depois vieram outras informações: o local, imenso, tem a arte contemporânea como prioridade e jardins inspirados em ideias de Burle Marx.
Inhotim está no município de Brumadinho, a sessenta quilômetros de Belo Horizonte. A cidade é banhada pelo Rio Paraopeba, cujo vale serpenteia pela Serra do Rola Moça. Sim, a mesma Rola Moça imortalizada no poema de Mário de Andrade. Serra e rio são responsáveis pela bruma que deu origem ao nome do local. Tanto a cidade quanto Inhotim, volta e meia, estão envoltas em neblina suave. No verão, constatado, chove muito.
Detalhe da galeria Adriana Varejão
Ficou no tempo o motivo de não ter ido a Inhotim na primeira tentativa; na segunda, foram chuvas fortes por toda Minas Gerais, danificando as estradas e causando caos temporário. Neste janeiro foi possível visitar o Instituto Inhotim. Houve chuva no primeiro dia; um mero detalhe que contribuiu para deixar o local mais bonito.
Inhotim concretiza em um único espaço três áreas absolutamente distintas e totalmente entrelaçadas: Botânica (floresta e jardim), arquitetura e arte contemporânea ocupando uma área de 110 hectares. A beleza exuberante explode ao primeiro contato e a primeira constatação é que o tempo destinado à visitação do local deve ser grande.
Flores e folhagens, árvores de pequeno e grande porte, gramíneas e parasitas formam o entorno de obras, galerias e demais construções do Instituto. Brilhantes sob a chuva, as plantas exalam perfumes distintos, suaves e, sem chuva permitem a visão de pássaros, borboletas, entre outros, que colaboram para a beleza do lugar. Caminhando pelo meio da floresta ou percorrendo vias pavimentadas (a distância pode ser suavizada utilizando-se carros elétricos que transportam visitantes entre os principais pontos do local) chega-se a pavilhões cuja arquitetura harmoniza com o ambiente.
É possível caminhar livremente por todo o espaço ou, então, seguir o mapa fornecido pela instituição e percorrer, no mínimo, três eixos distintos: O eixo laranja é tão grande quanto o eixo rosa. No amarelo concentram-se serviços locais como restaurantes, lojas e outros. Tudo com uma atenciosa recepção dos funcionários que só faz valorizar a tradicional hospitalidade mineira.
Da série Portret ale Medeii, 1979, de Geta Bratescu
Nos próximos posts volto ao tema. Para falar de Tunga, Adriana Varejão, Cildo Meireles, Doug Aitken, Hélio Oiticica… E até do significado da palavra Inhotim. Por enquanto, quero terminar este texto homenageando Bernardo de Mello Paz, o idealizador de Inhotim. Um mineiro nascido em Belo Horizonte que transformou o próprio sonho em realidade. Minas Gerais, já reconhecida pela arte colonial de suas cidades históricas, pela literatura de Guimarães Rosa, a poesia de Drummond de Andrade ou pela música de Milton Nascimento, entrou, com Inhotim, para o seleto grupo dos grandes centros mundiais da arte contemporânea.