Jornal reverencia Monte Sião

O Jornal de Monte Sião presta homenagem aos habitantes pelo aniversário da cidade no próximo dia 29 de março. Todos os colunistas e colaboradores contam aspectos da vida e do povo mineiro, gente monte-sionense. Abaixo, imagens da abertura do Jornal e da minha participação neste número. Para ler todo o jornal entre NESTE LINK!

Parabéns, Monte Sião!

Até!

Um natalício 69!

Grandes prazeres: cantarolar Caymmi e caminhar pela orla, sentindo o mar acariciando os pés, ondas ligeiramente maiores roçando o calcanhar. Acompanhar com o olhar cada navio que parte, deixar o pensamento vagar enquanto o sol se põe. As nuvens nunca repetem o desenho e o mar varia de cores e formas, refletindo o céu. Os pássaros mergulham em busca de comida. Estou com 69 anos!

Devagar, tentando ouvir o que o mar tem pra dizer, sonho com Dona Yemanjá emergindo bela, doce e, do céu espero o disco voador que tarda em vir dar um oi. É só o que quero: um oi! Dela e dele. Não tenho paciência pra vagar de bolota em bolota por entre galáxias desconhecidas e ainda não sei nadar, quanto mais mergulhar. Será que farei 70?

Em devaneios de décadas passadas pensava que morreria aos 35 anos. Não tinha nenhuma marca externa, nenhum trauma desses que os anos nos presenteiam. Vivi além do limite pensado e carrego lembranças e dores. Essas últimas brincam, aqui e ali, doendo cada dia um pouco e em pontos distintos, fazendo-me ter certeza de estar vivo. O coração palpita, o fôlego está longe de suportar uma corrida. São 69 anos!

Outro dia uma amiga, aos 77, me disse, referindo-se também à irmã de 75: “Quando a gente ficar velha, a gente vê o que faz. Por enquanto vamos levando, né!”. Como ela, também não sinto o peso e o limite que a idade impõe. Em mim está um ser que não é aquele da adolescência, nem o mesmo da juventude, da idade adulta. São “eus” retidos em imagens. Eu, eu mesmo, abstração da linguagem, não tem idade e, óbvio, se penso no porvir espero que venha sem mais cicatrizes e nenhum parafuso pelo corpo – cinco me são suficientes. O pensamento, ágil, com pretensa lucidez e com a força dos sonhos não contabiliza nada, precisando de maquininha até pra somar boletos. Vai-se vivendo e deixo pra quem me lê as piadas com as possibilidades imaginadas para um 69.

Das habilidades adquiridas com o tempo ressalto o fato de recolher o que cai com a força do meu hálux. Uma folha de papel, um garfo, qualquer peça de roupa, tudo sai do chão suspenso pela precisão do Dedão. Ops, tamanha habilidade não carece de ser chamado de dedão, é Hálux. No cotidiano o hálux, junto ao segundo dedo, recolhe coisas de diferentes tipos e tamanhos que as mãos deixam cair. Nessa tarefa me autodenominei “Macaca da Bela Vista” e sigo feliz sem precisar abaixar a cabeça e cair de cara no chão. Já pensei em campeonato de catar coisas com os dedos do pé. Quem pegar mais objetos em um minuto ganha um café.

Estou mais rueiro que antes. É que o mundo é tão belo, Santos é tão bonita que não dá pra ficar dentro de casa sem ver os jardins floridos, os pássaros voando pelos canais, o sol coroando o céu azul, ou o horizonte pleno de nuvens carregadas, com vento ou calor intenso, ou chuva. Em casa, não perco a oportunidade de olhar para a Serra, os navios, as pombinhas nos telhados, as rolinhas buscando comida nos passeios públicos. É bom estar com 69 anos!

Continuo amando muito! E Deus me deu um grande amor na maturidade. Tenho muitos amigos e, vez ou outra, sempre chega mais gente. Tenho lembranças e saudade porque fui agraciado com memória e reconhecimento. Até aqui eu vivi um bocado! E danem-se as ideias de jerico de achar que morreria aos 35! Danem-se as dores e os incômodos, meros sinais de que, ainda vivo, devo aproveitar o tempo que me foi dado. Que venham outros dias, outros anos, vários natalícios. Afinal, o que são 69 comparados com a idade da terra?

Aniversário do Trem das Lives

Para Fernando Brengel e eu amanhã, dia 19, será um domingo muito especial! Aniversário do Trem das Lives . Um ano de muitos encontros, muitas alegrias, quando conversamos com dezenas de convidados que participaram dos nossos encontros. Também fizemos contato e, até mesmo fizemos amigos entre alguns milhares de internautas que nos honraram com atenção e carinho.

A viagem do Trem das Lives continua. Agora, prioritariamente pelo YouTube.

Venha comemorar conosco.

Inscreva-se via link abaixo e ative o sininho para ser notificado sobre todas as nossas transmissões.

Obrigado aos que nos apoiaram, aos que toparam viajar conosco.

Até amanhã!

Viajantes do Trem das Lives

Quarta live, a única em que dividimos o mesmo espaço físico

A letra do Trenzinho Caipira, que Ferreira Gullar fez para a música de Heitor Villa-Lobos começa no singular:

Lá vai o trem com o menino

Lá vai a vida a rodar…

Bom, como o pessoal que acompanha o Trem das Lives sabe, são dois meninos. Na verdade, dois rapazes… Ok. Dois senhores são os condutores desse Trem. Fernando Brengel e eu.

Quando começamos, lá no ano passado, estávamos em quarentena (ainda estamos, mais ou menos) e a necessidade era sair para o mundo, encontrar pessoas, conversar, trocar experiências, ampliar essas, conhecer e facilitar que fossem conhecidas, e por aí vai.

Nessas 52 semanas, por isso e por aquilo, resolvemos colocar nosso trenzinho nos trilhos também nas quintas-feiras e aí veio mais gente, vieram colaboradores e mais histórias, muitos temas, a gente conversando na quinta como se rolasse um boteco básico, desses que a gente senta com amigos e fala de tudo um pouco.

O vídeo abaixo, o segundo em que insistimos numa chamada, é o 99º vídeo que entrou em nosso canal, no YouTube. No próximo domingo, 18h00 horas, faremos nossa primeira transmissão direta e ao vivo da plataforma e, além de comemorarmos 1 ano de vida, também celebraremos 100 vídeos, registrando essa gostosa experiência.

Já me perguntaram o que ganhamos com isso. A melhor resposta está em cada vídeo, com gente da “Europa, França e Bahia”, com histórias de pessoas experientes, somadas às histórias de outras, jovens, destemidas, corajosas. Um monte de gente que eu não conhecia, convidadas pelo Brengel, outras tantas que apresentei a ele e, juntos, apresentamos aos “viajantes do Trem das Lives”, como gostamos de chamar todos os que entram e participam da live.

Contamos, Fernando e eu, muitas outras faces de nós mesmos através de nossos amigos, sendo esses a grande maioria dos entrevistados no nosso Trem. Mas, teve gente que não conhecíamos, vindas via Jennifer Monteiro (ela me dizendo: – Tenho certeza que você vai mandar bem nessa!), teve outras que o Brengel conheceu ali, me substituindo. Essas pessoas tornadas amigas, nos deram muita coisa, todavia, não há como mensurar os reencontros. Estes, sejam por conta desta maldita pandemia, sejam pela razão que os amigos estão longe, muito longe.

E a gente, que adora arriscar, “brincou de teatro” no Trem das Lives. Descobri gostar da ideia de fazer escada (no jargão das artes cênicas, facilitar para o outro) sendo eu mesmo para conversar com o Brengel tornado Papai Noel, Vidente e, pasmem, Coelho da Páscoa… E nos fantasiamos para o carnaval, assim como nos vestimos a caráter para vários outros momentos.

Enquanto escrevo vou percebendo o tamanho desse nosso ano, a quantidade de temas, as mil e uma histórias… O Trem das Lives é o trem mais rodado do planeta sem que seus condutores saiam de suas casas. Bonito isso! Muito bom mesmo!

Desejo nesta oportunidade deixar registrado aos que possam pensar que escolhemos Trem das Lives por eu ser mineiro, na real foi sugestão do Flávio Monteiro em brainstorming doméstico. Assim, o batateiro (é esse o apelido da gente que nasceu em São Bernardo, no ABC) foi o autor do nome. O Brengel embarcou, eu idem e foi assim.

Enfim, mas não menos importante, quero agradecer. Manifestar minha gratidão aos que nos honraram dividindo conosco suas experiências, suas histórias. Aos que entraram e participaram no exato momento em que estávamos online. Aos que viram depois os vídeos com o registro de cada viagem. E vou agradecer ao Brengel, meu grande parceiro nessa jornada! A gente tem ideia, a gente aprimora e, não tem outra, a gente faz! Faz direito? A gente tenta. Faz melhor? Não que outros, que não estamos aqui para isso, estamos aqui por nós mesmos e, por isso sim, vamos melhorando.

Estou feliz por agradecer. Estou feliz por comemorar. Domingo, estaremos online, 18h00, direto do canal do Trem das Lives no YouTube. Vejam comemorar conosco.

E, só para não perder o costume, o “filho de padre de paróquia pobre” (me chamam assim em casa) vai pedir mais uma coisa. Vejam o vídeo e façam o que a gente está pedindo. Se vocês não fizerem, creiam-me, pediremos de novo. Beijos!

Preces, a pedido do Brengel

O aniversariante do dia, Fernando Brengel, pediu de presente a cura da COVID. A gente, que não é bobo nem nada, pediu auxílio do alto, primeiro com a ajuda de Ariano Suassuna:

“Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer.
A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé.
Já fui barco, fui navio, agora sou escaler.
Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.
Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!”

E quando Nossa Senhora se apresentar, a gente põe voz em versos de Fernando Pessoa, para o nosso Fernando dizer:

“Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão
Dos sonhos que vêm conosco ao crepúsculo, à janela,

Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos,

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Serenamente como uma brisa na tarde leve
Sentir tudo de todas as maneiras
Viver tudo de todos os lados

– E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é”.

Quem sabe, assim, dá certo.
Feliz aniversário, Fernando Brengel!

Carinhoso abraço.

Pombinha branca

De muito longe vem a voz que me traz a canção.

Tento ouvir com nitidez, determinar o timbre

A divisão, o andamento.

Reconhecer a tessitura com precisão…

Em vão.

A canção está no pensamento e,

a voz, no coração.

Embalou um, embalou dois,

Embalou seis filhos!

Distraiu netos enquanto os banhava

Vestia, perfumava.

Em vão busco a voz precisa

Só tenho certeza da canção

Que um dia foi cuidado

carinho, puro afeto e,

Hoje, 3 de novembro,

É saudade.

Placas e parafusos

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Sem bolo, vela, música… Um ambulatório ao lado do consultório, um médico que já virou amigo, enfermeiras e atendentes simpáticas e é o que basta. Alguém aí já comemorou o aniversário retirando pontos de uma cirurgia? É o que está programado neste 18 de junho.

Entre todas as 64 (Eita!) comemorações do meu natalício, guardo algumas inusitadas. Por exemplo, houve aquela, em um bar, onde alguns convidados gastaram os tubos e caíram fora, deixando-me de presente uma conta volumosa; foram os amigos, daqueles que ficam para sempre, que me livraram do vexame com uma “vaquinha” pra saldar a conta. Ah, os caloteiros não eram petistas! O partido nem existia.

Outro 18 de Junho comemorei na Som de Cristal, a melhor gafieira de São Paulo. Duas orquestras que se revezavam no palco, músicas para dançar junto, agarradinho, sem necessitar bater cabeça, mas carecendo de muito gingado para não passar vergonha frente aos melhores casais de bailarinos de samba, especificamente o samba de breque do qual Germano Mathias era grande intérprete. Foi uma festa e tanto!

Da infância guardo imagens de minha avó, Maria, e minha mãe, Laura, fazendo sequilhos! Elas faziam um monte de coisas, mas eu guardei os sequilhos na memória olfativa, gustativa e, obviamente afetiva. Ah, sem essa dessas coisas industrializadas! A emoção só rola quando sinto o cheiro de forno aberto e deste saindo uma forma cheia desse biscoito.

Justificando o título deste cabe reportar alguns atropelamentos… Aos quinze, sem maiores consequências; já os 39 anos comemorei sobre uma cama, convalescendo de um atropelamento que me legou dois grandes presentes: o primeiro, uma placa e quatro parafusos no tornozelo direito e, o segundo, minha especialização em artes visuais. Pude andar, como o faço ainda hoje e me tornei mestre, ou seja, sem dramas!

Drama mesmo foi quebrar o cotovelo do braço direito. Foi no dia 10 de janeiro deste 2019. Uma longa cirurgia somou três placas e 10 parafusos ao corpo do velhinho aqui! Depressão nesse caso é normal quando você, ainda por cima, ouve da médica da previdência que deveria considerar a aposentadoria ou, no mínimo, mudança de função. Quase acreditei nela ao receber, no resultado da perícia, um longo período de licença.

Só gente canhota discorda que o braço direito é tudo de bom. Andei, inclusive, cogitando que na infância todos devem ser treinados com ambas as mãos. Assim podemos fazer tudo, mas tudo mesmo, se é que estou sendo claro, mesmo ficando engessado por quarenta dias.

Devo destacar, entre os que não acreditaram no crepúsculo do meu braço direito, o doutor Fernando de Melo e a fisioterapeuta Claudia Collado. Ele, muito sorridente, sempre afirmou que tudo ficaria bem e adorando contar que pegou meus ossinhos, colocou sobre uma mesa e remontou meu cotovelo. Ela, só parando os exercícios quando eu beirava ao desespero, insistia: – Vamos, Valdo. Tem que fazer! Ambos assessorados pela equipe de enfermeiras e atendentes do CAP – Convênio Médico, aos quais devo eterna gratidão.

Não bastasse a cirurgia de janeiro foi marcada outra, agora no comecinho do mês, para tirar duas placas e oito parafusos. É dessa que tirarei os pontos no dia do meu aniversário. Ficaram dois parafusos no cotovelo e ainda tenho os primeiros, lá no tornozelo.

Espero que tenha cumprido minha cota de metais cirúrgicos nesta encarnação! E, por isso mesmo, devo comemorar com alegria. Sem festa! Mas, cheio de esperança, fé e gratidão ao Flávio, aos meus familiares, amigos e a todos os profissionais pelos quais fui atendido. Muito obrigado!

Sigo em frente para cumprir as etapas finais visando voltar ao meu cotidiano. Agora com 64 anos. Na bagagem levo muitas coisas, mas muitas coisas mesmo desses últimos meses, materializadas simbolicamente nessas duas placas e oito parafusos que tenho por insistência do Dr. Fernando. “– Vai no hospital! Pega! Faça um chaveiro! São seus. Significam o quanto você está melhor”. Acredito que ele sabe o que diz.

Até mais!