Entre Reis e o Carnaval

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Que tempo é esse, entre os Reis e o Carnaval? (Foto: Flávio Monteiro)

Passado o dia de Reis, 2017 é página virada. Bem verdade é que ainda falta o carnaval para que 2018 comece. Resta saber que tempo é esse, entre os Reis e o Carnaval onde, com muito receio constatamos o pouco que é mudar data, mês, dia ou ano. Tantos bons augúrios desejados para o país, para todos os habitantes… Junte-se muitas doses da bebida preferida às boas intenções e até inimigo foi agraciado com o desejo de um feliz ano novo. No entanto…

Deseja-se tanto em dezembro que a virada do ano e o subsequente quase nada diferente nos deixa com uma sensação de frustração, incerteza, vazio. Parece reprise as notícias de impostos, as chuvas, as tramoias políticas visando eleições; e omissões, várias, de todos os tipos como o que ocorre com a chamada grande imprensa que, por exemplo, deixou de citar a primeira dama, jogando a bela loira num ostracismo inquietante? Omissão leve esta, mas é começo de ano; vamos devagar.

A sensação de mesmice deste janeiro está maior que as anteriores? Não sei se pelas chuvas, se por não estar viajando em férias, ou se pela vinheta de carnaval da “globeleza”, feita de tal forma que parece que usaram sobras da anterior. Também por que há praias cheias, chuvas, aumento de tarifas… Mesmice! Outros dirão que está pior, dado à quantidade de gente duvidosa assumindo ministérios e outros cargos… Todavia, é histórico: quando não tivemos criminosos em cargos públicos?

Há tanto para dizer que mudou quanto para afirmar que permanece a mesma coisa. E essa constatação que se repete nesse tempo, entre Reis e Carnaval, não é para pessimismos drásticos muito menos otimismos obsoletos. É um lento balde de água pós carraspana de virada do ano, pelos excessos das festas, para que todos coloquem os pés no chão e continuem, como sempre, na luta por melhores dias, melhores tempos.

Tudo vai continuar. Tudo vai mudar. Tudo vai dar certo, é só esperar o carnaval passar… Ou não! É o que diria Caetano Veloso (Muito bom citar Caetano!).

Até mais!

 

Moto-perpétuo‏

rosacea

Janeiro, fevereiro, começar de novo…

Após o carnaval, começar pra valer;

Inevitável moto-contínuo, roda-viva!

Há os que começam a vida;

Para esses um longo, extenso caminho

Aqueles que viveram bastante recomeçarão.

Fim de janeiro, depois do carnaval…

Uns, abastados, irão administrar, escolher, trilhar.

Outros viverão intensas batalhas pelo ter, para ser.

Os bem jovens terão movimentação intensa

Enquanto outros, velhinhos, caminharão com o tempo.

Ocorrerão batalhas por conquistas urgentes

Lutas serão mantidas em guerras maiores.

Fevereiro, depois da folia,

Duas palavras unirão jovens, velhos, ricos, pobres

Cotidianas, eternamente presentes

Aquelas que justificam começos e recomeços:

Esperança e fé.

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Valdo Resende

aqJaneiro de 2015

Lero-lero e ano novo

ano novo

Após todo o lero-lero de fraternidade e paz no natal vamos terminar o ano na real, com uma sessão de pancadaria digna do mundo violento em que vivemos. Com ares de espetáculo e fazendo de conta que é esporte, dois indivíduos vão mostrar como esmurrar, chutar e derrotar o próximo. Feliz ano novo!

Obviamente evoluímos. Tanto é que uma das grandes atrações desta noite será o encontro entre duas suaves moçoilas, Ronda e Mesha, que provarão que mulheres abandonaram unhadas e puxões de cabelo. Digníssimas fêmeas do nosso tempo trocarão sopapos como qualquer ser humano. Feliz ano novo!

Evoluímos também ao condenar a violência contra animais. Criamos leis para defender os bichinhos. Não somos capazes, porém, de colocar entre grades os indivíduos que batem em mulheres; a solução ideal então é colocar as meninas sobre tatames.

Após as lutas da noite estaremos mais próximos do ano de paz e harmonia do lero-lero das palavras. Esqueceremos a violência nos estádios, no cotidiano das cidades, no quarto fechado de inúmeras famílias e repetiremos as palavras decoradas desde que nos entendemos por gente: Feliz ano novo!

É só. Outras lutas virão. Feliz ano novo!

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