Varal de Poesia, Poemas de Amor e Liberdade

Momento de registrar neste blog o livro do Carlos Alberto Chicareli, o meu amigo Carlinhos. Delicado sem perder a firmeza, formal como lhe foi ensinado para momentos especiais, há tempos o poeta esteve aqui em casa trazendo-me junto com os originais do livro o convite para que fosse eu a apresentar o trabalho. Grande honra! O livro está publicado pela Edicon. O autor pode ser visto nas redes sociais declamando e conversando sobre suas poesias.

VARAL DE POESIA, POEMAS DE AMOR E LIBERDADE é uma oportunidade para ter em volume único os cinco primeiros livros do Chicareli. Individualmente esgotados, os livros Fôlego (1981), Feito à Mão (1983), Sentimento de Agora (1988), O infinito em oito partes (1989) e Olhos d’alma (1992) compõem a antologia publicada agora.

Conheci Chicareli em 1979, quando cheguei ao ABC paulista para morar em Santo André. Nos tornamos amigos e parceiros. O jovem Carlinhos já vivia entre versos e músicas. Um dia me veio com uma poesia que me sensibilizou bastante. Tornou-se a canção que se constituiu em intermezzo entre a cena de abertura e o ato único da peça Os Pintores, que escrevi, dirigi e ele atuou em um dos papeis.

Os Pintores foi nosso segundo trabalho. Já havíamos feito As Três Faces. Música e teatro em paralelo, participamos e fomos premiados em festivais da região. Lá pelo começo dos anos de 1980 cada um seguiu seu rumo e nos reencontramos recentemente, no final da pandemia. Um encontro entre amigos e escritores (e isso significa mensagens com muito “Textão”) que só fez reativar o que estava guardado, amizade e carinho mútuos.

Uma grande honra estar neste livro. Da apresentação escolhi pequenos trechos para estimular você, caro leitor, a transitar por esse “Varal de Poesias”:

O primeiro trabalho de Chicareli, longe de ser ingênuo e descompromissado, mostra claramente os possíveis caminhos do menino sonhador, manuseador de palavras e ideias… O poeta saia do bairro e enfrentava com disposição o mundo concorrido e duro da grande cidade (sobre Fôlego).

Os poemas apresentados em “Feito à Mão” revelam movimento, alternância de sensações e descobertas. O poeta sente no coletivo a possibilidade concreta do apoio mútuo, vislumbre de saídas, novas portas de acesso ao que não está facilitado à todos. Ao longo do livro há o claro exercício da forma, a criteriosa escolha da palavra, as expressões somando lirismo à dura realidade, nos facilitando o contato com o transeunte das grandes cidades.

Sem possibilidade de controvérsias: Carlos Alberto Chicarelli lançou “Sentimento de Agora” ao completar seis anos de idade! Nascido em ano bissexto ele comemora regularmente a cada ano mais um ciclo de vida, mas aniversário mesmo, só de quatro em quatro anos… A poesia segue caminhando como a própria vida.

Toda leitura deve ser cuidadosa, todavia “O Infinito em oito partes” carece dessa postura e um pouco mais: aguçar a percepção para ler nas entrelinhas, atentar para as figuras de linguagem, ir para além do aparente exposto nesse grande conjunto de poemas constituído nas anunciadas oito partes: Sete partes com sete poemas cada uma e a final, um poema com oito partes.

O quinto livro que encerra a antologia marca o fim de um ciclo que começou com livretos mimeografados e caminhou para uma carreira concreta no universo literário…Se há um percurso, este é o do menino sonhador, o do jovem decidido pronto para a luta, culminando no que, ouso dizer, no adulto à caminho da maturidade. O poeta dominando o seu ofício, senhor da carpintaria de seu trabalho.

Longe da ideia de antologia definitiva, com “VARAL DE POESIAS – Poemas de Amor e Liberdade” o homem e o poeta Chicareli comemora 60 anos de vida. Reafirma nesta publicação a parceria iniciada em 1988 com a EDICON, através de seu editor, Antônio Jayro da Fonseca Motta Fagundes. E mais, outros dois lançamentos estão à caminho: “GesTação”, uma coletânea em dois volumes, onde o poeta mergulha no universo da criação, indo muito além da mera ideia da gravidez. Também a caminho, prepara a trilogia “NA POESIA, NO AMOR E NA VIDA”, composta pelos livros: “Indeferidos”, “Emocionado” e “Atividade”.

Deixo aqui meu convite para os que amam poesia.

Para o Instagram de Chicareli CLIQUE AQUI.

Para adquirir o livro entre no SITE DA EDICON.

Bom domingo para todos!

Contos de gente jovem

Quer saber o que pensam, como pensam, o que vai pela cabeça dos jovens? E, para isso, evitando os questionários frios, as manifestações forçadas por interrogatórios ou situações similares? Entre as possibilidades das respostas do que pensam, o que gostam, como se comunicam… Que tal um concurso de contos? O resultado é certeiro e pode ser comprovado no “V Concurso de Contos Meu Livro, Minha Arte” promovido pela Academia de Letras do Triângulo Mineiro!

Recebi uma caprichada publicação da ALTM: Antologia, com o registro do Concurso de Contos, Meu livro, Minha Arte. Além dos três primeiros lugares, há outras cinco menções honrosas e outros vinte trabalhos classificados pela comissão julgadora, formada por membros da Academia: Ani de Sousa Arantes Santos, Arahilda Gomes Alves, Gilberto de Andrade Rezende, João Eurípedes Sabino. Esta comissão presidida pelo Acadêmico Renato Muniz Barreto de Carvalho. O conteúdo vai muito além de um exercício formal de um gênero literário!

É ler os contos publicados e constatar um amplo painel humano. Há jovens sonhadores, inquietos investigadores… há os que deixam fluir a fantasia, e outros que revelam suas mazelas, suas inquietações, suas aspirações. Me vejo entre esses adolescentes e percebo neles meus conhecidos, meus sobrinhos, jovens amigos. Alguns já carregam profundas lembranças, futuros memorialistas, transmitindo faces de situações que mostram nossa cultura, nossos hábitos e tradições.

Também há romance, é claro! E investigação. E situações atávicas que revelam vidas vividas no serrado, no chapadão. Gostei de rever meus medos de infância, quando fantasmas brincalhões abriam e fechavam portas, ou quando objetos se transformavam em outros por artimanhas de sabe-se lá quem! Sobretudo, há contos que referem livros, o tema prioritário do concurso.

Espero que esses trabalhos de jovens escritores sejam lidos por muitos! Pelos pais, para que conheçam quais os caminhos percorridos pela verve criativa dos filhos; por professores, para que sintam orgulho do trabalho realizado – um leitor é aquele sujeito alfabetizado, em toda a acepção da palavra. Também espero que esses contos, material de reflexão, sejam lidos por irmãos, amigos, conhecidos dos autores que, via literatura, são vozes de todos os demais jovens com seus anseios, suas angústias, medos, desejos…

Parabenizo e agradeço ao João Eurípedes Sabino, o presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro que, em meio a essa triste pandemia, conseguiu aglutinar parcerias e colaborações, não medindo esforços para realizar o concurso. Temos na publicação mais que o registro de um evento: temos o pensamento dos nossos jovens de Uberaba que, em sua singular individualidade, expressam toda uma geração.

Parabéns aos envolvidos!