Contos de gente jovem

Quer saber o que pensam, como pensam, o que vai pela cabeça dos jovens? E, para isso, evitando os questionários frios, as manifestações forçadas por interrogatórios ou situações similares? Entre as possibilidades das respostas do que pensam, o que gostam, como se comunicam… Que tal um concurso de contos? O resultado é certeiro e pode ser comprovado no “V Concurso de Contos Meu Livro, Minha Arte” promovido pela Academia de Letras do Triângulo Mineiro!

Recebi uma caprichada publicação da ALTM: Antologia, com o registro do Concurso de Contos, Meu livro, Minha Arte. Além dos três primeiros lugares, há outras cinco menções honrosas e outros vinte trabalhos classificados pela comissão julgadora, formada por membros da Academia: Ani de Sousa Arantes Santos, Arahilda Gomes Alves, Gilberto de Andrade Rezende, João Eurípedes Sabino. Esta comissão presidida pelo Acadêmico Renato Muniz Barreto de Carvalho. O conteúdo vai muito além de um exercício formal de um gênero literário!

É ler os contos publicados e constatar um amplo painel humano. Há jovens sonhadores, inquietos investigadores… há os que deixam fluir a fantasia, e outros que revelam suas mazelas, suas inquietações, suas aspirações. Me vejo entre esses adolescentes e percebo neles meus conhecidos, meus sobrinhos, jovens amigos. Alguns já carregam profundas lembranças, futuros memorialistas, transmitindo faces de situações que mostram nossa cultura, nossos hábitos e tradições.

Também há romance, é claro! E investigação. E situações atávicas que revelam vidas vividas no serrado, no chapadão. Gostei de rever meus medos de infância, quando fantasmas brincalhões abriam e fechavam portas, ou quando objetos se transformavam em outros por artimanhas de sabe-se lá quem! Sobretudo, há contos que referem livros, o tema prioritário do concurso.

Espero que esses trabalhos de jovens escritores sejam lidos por muitos! Pelos pais, para que conheçam quais os caminhos percorridos pela verve criativa dos filhos; por professores, para que sintam orgulho do trabalho realizado – um leitor é aquele sujeito alfabetizado, em toda a acepção da palavra. Também espero que esses contos, material de reflexão, sejam lidos por irmãos, amigos, conhecidos dos autores que, via literatura, são vozes de todos os demais jovens com seus anseios, suas angústias, medos, desejos…

Parabenizo e agradeço ao João Eurípedes Sabino, o presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro que, em meio a essa triste pandemia, conseguiu aglutinar parcerias e colaborações, não medindo esforços para realizar o concurso. Temos na publicação mais que o registro de um evento: temos o pensamento dos nossos jovens de Uberaba que, em sua singular individualidade, expressam toda uma geração.

Parabéns aos envolvidos!

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