Inhotim, Arte Contemporânea em Minas Gerais

AAA.jpg
Inhotim reúne botânica, arquitetura e arte contemporânea

Quem primeiro me falou sobre Inhotim? Será que li em alguma revista, jornal? Fica lá em Minas Gerais; “um grande museu a céu aberto” foi a expressão mais frequente e, obviamente, gerando possibilidades visionárias partindo-se do que entendemos por museu, por obras expostas em espaços abertos, públicos ou privados. Depois vieram outras informações: o local, imenso, tem a arte contemporânea como prioridade e jardins inspirados em ideias de Burle Marx.

Inhotim está no município de Brumadinho, a sessenta quilômetros de Belo Horizonte. A cidade é banhada pelo Rio Paraopeba, cujo vale serpenteia pela Serra do Rola Moça. Sim, a mesma Rola Moça imortalizada no poema de Mário de Andrade. Serra e rio são responsáveis pela bruma que deu origem ao nome do local. Tanto a cidade quanto Inhotim, volta e meia, estão envoltas em neblina suave. No verão, constatado, chove muito.

AAAA.jpg
Detalhe da galeria Adriana Varejão

Ficou no tempo o motivo de não ter ido a Inhotim na primeira tentativa; na segunda, foram chuvas fortes por toda Minas Gerais, danificando as estradas e causando caos temporário. Neste janeiro foi possível visitar o Instituto Inhotim. Houve chuva no primeiro dia; um mero detalhe que contribuiu para deixar o local mais bonito.

Inhotim concretiza em um único espaço três áreas absolutamente distintas e totalmente entrelaçadas: Botânica (floresta e jardim), arquitetura e arte contemporânea ocupando uma área de 110 hectares. A beleza exuberante explode ao primeiro contato e a primeira constatação é que o tempo destinado à visitação do local deve ser grande.

Flores e folhagens, árvores de pequeno e grande porte, gramíneas e parasitas formam o entorno de obras, galerias e demais construções do Instituto. Brilhantes sob a chuva, as plantas exalam perfumes distintos, suaves e, sem chuva permitem a visão de pássaros, borboletas, entre outros, que colaboram para a beleza do lugar. Caminhando pelo meio da floresta ou percorrendo vias pavimentadas (a distância pode ser suavizada utilizando-se carros elétricos que transportam visitantes entre os principais pontos do local) chega-se a pavilhões cuja arquitetura harmoniza com o ambiente.

É possível caminhar livremente por todo o espaço ou, então, seguir o mapa fornecido pela instituição e percorrer, no mínimo, três eixos distintos: O eixo laranja é tão grande quanto o eixo rosa. No amarelo concentram-se serviços locais como restaurantes, lojas e outros. Tudo com uma atenciosa recepção dos funcionários que só faz valorizar a tradicional hospitalidade mineira.

AAAAA
Da série Portret ale Medeii, 1979, de Geta Bratescu

Nos próximos posts volto ao tema. Para falar de Tunga, Adriana Varejão, Cildo Meireles, Doug Aitken, Hélio Oiticica… E até do significado da palavra Inhotim. Por enquanto, quero terminar este texto homenageando Bernardo de Mello Paz, o idealizador de Inhotim. Um mineiro nascido em Belo Horizonte que transformou o próprio sonho em realidade. Minas Gerais, já  reconhecida pela arte colonial de suas cidades históricas, pela literatura de Guimarães Rosa, a poesia de Drummond de Andrade ou pela música de Milton Nascimento, entrou, com Inhotim, para o seleto grupo dos grandes centros mundiais da arte contemporânea.

Obrigado, senhor Bernardo Paz!

O MAR de Janeiro e de sempre

A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR
A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR

O MAR, Museu de Arte do Rio é uma das gratas novidades do Rio de Janeiro. A cidade parece um grande canteiro de obras, sinal dos grandes eventos que acontecem e acontecerão na cidade. Inaugurado em março deste ano de 2013, é a junção do antigo (o antigo Palacete Dom João VI) e do moderno – aqui no sentido estrito das construções modernistas – com um edifício que serviu como terminal rodoviário.

O diferencial que merece destaque é a instituição ter como missão inscrever a arte no ensino público com foco principal na formação de educadores da rede pública de ensino.  A proposta se concretiza através da Escola do Olhar, abrigada no prédio antigo. Nas dependências do edifício modernista ocorrem exposições temporárias de curta e longa duração.

Parte do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.
Algo do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.

Na entrada o público é direcionado para o sexto andar onde, percorrendo o espaçoso terraço, tem a visão da região da Praça Mauá, regiões próximas como o complexo do Mosteiro de São Bento, e mais distantes, como a Ponte Rio – Niterói.  O  mar é parte da visão que se tem do MAR e a primeira exposição a que se tem acesso diz bem o momento pelo qual passa a cidade:

“Rio de Imagens: uma paisagem em construção” é a exposição que mostra a cidade representada por diferentes olhares ao longo de quatro séculos. Cartografia, vídeos, pinturas, gravuras, fotografia e design evidenciam as constantes transformações da capital fluminense, antiga capital federal, sempre a Cidade Maravilhosa.

Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.
Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.

Burle Marx, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Ismael Nery, Manabu Mabe, Pancetti, Tarsila e Segall estão entre os artistas que deixaram através de seus trabalhos as imagens do Rio de Janeiro de cada época. Esta mostra permanecerá até 28 de Julho próximo.

Parte do acervo onde fotos são permitidas.
Parte do acervo onde fotos são permitidas.

A maior exposição em cartaz é “O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici”.  São oito momentos artísticos (Arte Espontânea, Abstração Informal, Surrealismo, Modernismo, Século 19, Abstração Construtiva, Nova Figuração, Pintura Chinesa e Pintura Russa) expostos sem estrutura cronológica. As obras estão próximas conforme a tendência na qual estão inseridas. O resultado é um caleidoscópio fantástico de cores e formas que levam a sensações variadas.

Jean Boghici fundou a galeria Relevo em 1961. Tornou-se colecionador e de seu acervo constam obras dos mais importantes artistas brasileiros como Di Cavalcante ou Vicente do Rego Monteiro, de artistas contemporâneos como Franz Krajcberg  e de grandes nomes internacionais como Auguste Rodin, Max Bill, e entre muitos, Kandinsky. A mostra vai até o dia 01 de setembro e merece, se possível, mais que uma visita.

Exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.
Geral e detalhe. “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.

Quero destacar, finalmente, a exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”, onde artistas de diferentes estilos, provenientes de regiões diversas discutem a paisagem urbana através de reflexões sobre a realidade. Os conflitos de interesses gerados pela necessidade de espaço, por especulações imobiliárias além de outros aspectos não menos problemáticos estão presentes. Nesta mostra, que termina neste final de semana, está o “Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.

“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.
“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”.

Bom ver resultados positivos nos projetos de revalorização da região portuária carioca. O MAR – Museu de Arte do Rio, fica na Praça Mauá, 5, Centro, no Rio de Janeiro. Para conhecer um pouco mais visite http://www.museudeartedorio.org.br/

.

Bom final de semana!

.