Um olhar sobre a “Democracia em Vertigem”

foto Ricardo Stuckert divulgação
Foto divulgação/Ricardo Stuckert

Há documentários que são perfeitos para momentos de relaxamento, viagem tranquila ao universo escolhido pelos idealizadores do filme. Democracia em Vertigem, de Petra Costa, é o inverso do que se pensa do cinema enquanto entretenimento, diversão, passatempo. É puro e forte estímulo à indignação, revolta, tristeza e dúvida, muita dúvida. Para onde vamos?

Democracia em Vertigem pode ser a história de uma geração. Os fatos inerentes àqueles que, um dia, sonharam com um mundo possível, onde o destino do país pudesse ser conduzido por operários, por gente de origem humilde, distante das tradicionais e ricas famílias que tradicionalmente dominaram o país.

A ditadura militar colocou outro tipo de gente no poder, e a industrialização estimulada a partir do anterior governo de Juscelino Kubistchek possibilitou novos sonhos para funcionários que um dia descobriram a força dos braços parados, também chamada de greve.

Petra Costa, criadora e diretora do documentário, optou pelo viés pessoal quando, nascida junto com o processo de mudanças no país, com os militares voltando à caserna, olha para a história dos pais, a própria história, e desenha o Brasil de esquerda resultando num país dividido após o golpe que derrubou Dilma Rousseff e, na sequência, colocou o Presidente Lula na cadeia.

A narrativa privilegiada da diretora, que transita pelos espaços de poder com invejável proximidade, permite um olhar raro facilitando aos simpatizantes algo tipo apropriação pessoal do que é narrado, antes conhecido apenas por fartos relatos via fontes duvidosas – a mídia de massa – ou esparsos relatos de fontes digitais feitas à esquerda e à direita, essas também transitando entre o falso e o verdadeiro. O documentário Democracia em Vertigem conta a minha história, aquela que sonhei para o meu país e para que o sonho se tornasse possível dediquei tempo e trabalho.

Um pensamento passou a dominar minha percepção já enquanto via o documentário, segurando a raiva, contendo a indignação e a revolta:  o olhar de Petra Costa, de tão particular, beira ao universal e o outro lado, daqueles que festejaram a derrubada de Dilma ou a prisão de Lula, carece de fantasia, pura ficção engendrada na ânsia de poder e nenhuma, mas nenhuma poesia. O outro lado também carece de estripulias que, inúteis, não convence quanto aos motivos do golpe contra Dilma. Ainda precisa de retórica torta para convencer sobre uma prisão, a de Lula, que até aqui não apresenta provas concretas quanto à propriedade do triplex e do sítio.

Espero que “Democracia em Vertigem” ganhe as salas de cinema do planeta. Acredito mesmo que os atuais fatos, do que estamos conhecendo como “#vazajato”, contribuam para o êxito do documentário. Poderão criticar, poderão notar a falta deste ou daquele fato, daquela personagem. Todavia, a diretora não faz história, faz cinema. E conta, como se fosse uma brasileira sonhadora, os rumos que o Brasil tomou. Pelo mundo afora, quando as pessoas se perguntarem os motivos que norteiam as ações de um certo juiz, poderão ter uma série de respostas nos acontecimentos documentados pelo olhar de Petra Costa. Um olhar sincero. Não é sonho, é possibilidade.

Veja o trailer:

Até mais!

O que haverá por trás da fábrica emperrada?

Fábrica?
Fábrica? Onde?

A construção de uma fábrica de planta de amônia, da Petrobrás, em Uberaba, Minas Gerais, está parada. O empreendimento que deve gerar 3.500 empregos foi interrompido há mais de um ano; o principal impedimento para a continuidade do projeto, publicamente alegado, é no mínimo absurdo: um parecer da AGU – Advocacia Geral da União diz que o local não poderia ser abastecido por um gasoduto proveniente da cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo.

A manchete de hoje, 16 de Julho, do Jornal O Tempo, é: “Burocracia ameaça tirar fábrica de R$ 1,2 bi de Minas”. Como assim, burocracia? Quais são as tramoias políticas a serviço de jogo escuso que impedem a continuidade do projeto? Minas Gerais e São Paulo estão em guerra? Não pode haver acordo entre as duas cidades? Estão sobrando empregos em Uberaba?

Tudo começou em março de 2011, quando D. Dilma Rousseff assinou protocolo de intenções para implantação da fábrica. Em outubro seguinte a Advocacia Geral da União (AGU) deu parecer contrário ao gasoduto de distribuição. Agora, em 2013, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Dorothea Werneck, exige uma solução, “mesmo que o resultado seja desfavorável a nós”.  Como assim, D. Dorothea? O que a senhora perderá com isso, já que seu emprego está garantido?

Gostaria muito de saber o que há realmente por trás de tudo isso. D. Dilma, que é PT, favoreceria tal empreendimento ao estado governado por Antonio Anastasia, que é do PSDB? Como fica nesse imbróglio a prefeitura de Uberaba, que é do PMDB? Os senhores da Advocacia Geral da União que certamente não recebem salário mínimo agiram pelo singelo desejo de preservar… O que mesmo?

Assim continua a história do país. Por uma suposta burocracia (quem acredita nisto?) está emperrado um empreendimento já iniciado – portanto, gastos já foram feitos – e que deve gerar 3.500 empregos. O mais irritante é que alguém atrás de uma sigla, no caso a AGU, impede o andamento de um projeto que deve beneficiar milhares de pessoas. Quem é esse sujeito? Para qual “União” ele trabalha?

Também hoje, li um artigo de Leonardo Boff sobre as recentes idas do povo às ruas que, entre outras coisas diz: “Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo político palaciano, de costas para o povo ou manipulando diretamente os cidadãos.”  Sem acreditar nas instituições, resta gritar nas ruas pelos nossos direitos. Uberaba precisa de mais empregos. Tai uma causa que merece passeata.

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Até mais!

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Mas será o Benedito?

Mario Prata, “mineirim”, escreveu que “mas será o Benedito” é uma expressão de espanto diante de determinada situação. E conta uma história hilária para justificar o surgimento do dito popular que está no livro de mesmo nome. Benedito vem de bendito, bento, abençoado; Joaquim vem do hebraico e significa estabelecido por Deus. Joaquim Benedito, portanto, foi abençoado e estabelecido por Deus.

Joaquim Benedito Barbosa Gomes, o Ministro.

Joaquim Benedito Barbosa Gomes, abençoado e estabelecido Ministro do Supremo Tribunal Federal, não provoca espanto; transpira confiança. Todo mineiro, desconfiado por natureza, carece de transmitir confiança e o Ministro, nascido em Paracatu não foge à raça. Relator do Mensalão, o Ministro revelou para Mônica Bergamo (leia aqui) não “abaixar a crista em hipótese alguma”, o que leva a outro ditado: “mineiro dá um boi para não entrar em briga e uma boiada para não sair”. Mineiro, a gente sabe, briga sem receio até mesmo com mineiro, ou mineira; mesmo quando essa, mineira de nascimento, é a Presidenta da República.

Os comentaristas políticos estão se deliciando com a “derrota” de Dilma Rousseff em Belo Horizonte. A presidenta puxou uma briga política apoiando Patrus Ananias contra Marcio Lacerda, candidato apoiado por Aécio Neves. Sendo mineiro, não precisa ser expert político para prever a vitória do candidato de Aécio. Onde já se viu uma mineira, presidente, votar em Porto Alegre. Mas será o Benedito, dona Dilma?

Tudo bem que Dona Dilma fez carreira política entre gaúchos; quem pode atirar uma pedra, sendo mineiro de Uberaba e morando e votando em São Paulo? Mas que ela esqueceu o que é ser mineiro, isso esqueceu. E quem chamou a presidenta para meter a colher no caldeirão de Belo Horizonte foi algum adversário disfarçado em correligionário do cara de nome esquisito… Patrus? Esse nome bem que merece um “mas será o Benedito”…

D. Dilma e o Ministro, mineiros longe de MInas.

Benedito, o Joaquim, é bem mais mineiro que Dilma. Ela esqueceu que em Minas a gente chama de “entrão” aquele que não deve meter o bedelho onde não é chamado. O Ministro, sem paixões partidárias, leva consigo lembranças do caminho percorrido de Paracatu até Brasília.  Em suas andanças esteve ao lado de um grande mineiro como Frei Betto e bateu de frente com outro, Eduardo Azeredo, este governador. O Ministro revela um jeito cuidadoso de lidar com a vida, com as coisas. É verdade que cochilou publicamente; por isso informa que está tomando pó de guaraná. Isso é reconhecer-se humano. Mais um ponto para o cidadão. D. Dilma, reconhecidamente, faz um bom governo. Todavia escolheu um péssimo momento para interferir em Minas Gerais!

Lá em Uberaba vai rolar segundo turno. Que ninguém peça apoio a Dilma, a mineira que vota em Porto Alegre; correrá sério risco de perder a eleição. Nem peça apoio ao Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes. Este volta ao serviço, pois ainda há muito Mensalão pela frente.

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Boa semana para todos!

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Nota: o livro Mas será o Benedito?, de Mario Prata, foi publicado pela editora Planeta.

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