Maria Rita navega em águas seguras

O novo disco da cantora, “Elo”, mantém aposta no estabelecido

Capa do Novo Disco

O primeiro trabalho de Maria Rita veio com composições de Milton Nascimento, Rita Lee, Lenine e Zélia Duncan. Compositores mais jovens, da geração da cantora, estiveram presentes através de Marcelo Camelo.

No disco seguinte, “Segundo” uma novidade, Rodrigo Maranhão, o autor de “Caminho das águas” e mais gente consagrada: Marcelo Camelo, Edu Lobo e Chico Buarque, Marcelo Yuka.

Em “Samba Meu”, no terceiro disco da cantora, o samba foi de Arlindo Cruz, presente em seis canções. Ainda teve Gonzaguinha e outros bons sambistas cariocas.

Visto assim, a impressão é que ousadia não caracteriza a carreira da cantora. E ao que indica o quarto disco, “Elo”, Maria Rita continua aposta na segurança, no estabelecido. Chico Buarque, Caetano Veloso, Rita Lee,  Djavan e Marcelo Camelo. Entre os compositores mais jovens estão os filhos de grandes músicos, como Davi Moraes, Pedro Baby e Daniel Jobim.

Pedro é filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes; Daniel é neto do maestro Tom Jobim. Uma parceria de ambos, “Pra matar meu coração” é a primeira música do disco que está sendo divulgada. O lastro, na retaguarda, vem de canções como “Menino do Rio” (Caetano Veloso) e “A história de Lily Braun” de Chico Buarque e Edu Lobo (a relação completa esta abaixo).

E é assim, navegando em águas seguras, garantida em regravações de grandes sucessos, que Maria Rita distancia-se da sombra e da carreira da mãe, Elis Regina. A trajetória de Elis foi marcada por ousadia, gerando em todos a curiosidade em saber qual seria o compositor da vez a ser lançado pela maior cantora do Brasil. Ao contrário, Maria Rita já cantou a maioria das canções deste quarto disco, experimentando a “aceitação do produto”, como é hábito do marketing contemporâneo. Quem segue a carreira da moça conhece as canções, na voz da própria, em shows e programas de tv.

Ah, Maria Rita, é preciso prestar atenção no que sua mãe cantava. Uma canção de um colega dela, consagrado por si próprio e também na voz dela. Um cara que revolucionou a música brasileira, Gilberto Gil, que então escreveu em “Oriente”:

…Considere, rapaz 
A possibilidade de ir pro Japão 
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão 
Pela curiosidade de ver 
Onde o sol se esconde 
Vê se compreende 
Pela simples razão de que tudo depende… 

Ah, como é bom quando nossos artistas surpreendem, tirando-nos da mesmice!

Boa sexta-feira para todos!

Nota:

As canções do disco “Elo”

1. Conceição dos Coqueiros (Lula Queiroga, Lulu Oliveira e Alexandre Bicudo)
2. Santana (Junio Barreto e João Carlos Araújo)
3. Perfeitamente (Fred Martins e Francisco Bosco)
4. Coração a Batucar (Davi Moraes)
5. Menino do Rio (Caetano Veloso)
6. Pra Matar meu Coração (Pedro Baby e Daniel Jobim)
7. A História de Lily Braun (Chico Buarque e Edu Lobo)
8. Nem Um Dia (Djavan)
9. A Outra (Marcelo Camelo)
10. Só de Você (Rita Lee e Roberto de Carvalho)
11. Coração em Desalinho (Mauro Diniz e Ratinho)

Jim Morrison e The Doors, atração contínua

The Doors, agora mito.

Meus jovens alunos sempre solicitam que eu escreva sobre esse ou aquele artista. O grupo THE DOORS é lembrado com uma certa insistência por Neimar. Esse garoto tem menos de 20 anos; fico imaginando como surgiu o interesse, de onde veio e se instalou a atração por um grupo cujo líder, JIM MORRISON, morreu em 1971. Meus alunos não são os únicos interessados. Estima-se que o “THE DOORS” venda cerca de um milhão de discos, anualmente, e que há maior interesse agora, sobre o mesmo, do que quando atuaram.

O que sobrevive com maior força, me parece, vem da fase underground do grupo. Além disso, a figura, agora mítica, de JIM MORRISON encanta e seduz. Um “herói” da contracultura, o vocalista continua ícone perfeito para a contestação juvenil. Aparentemente devasso, aberto a todas as experiências com alucinógenos, JIM ainda tinha status de galã, símbolo sexual. Uma  alardeada espontaneidade, nas primeiras apresentações deram o toque especial que marcaria toda a trajetória do grupo.

Duas músicas, em especial, marcam minhas lembranças do grupo:

This is the end

Beautiful friend

This is the end

My only friend, the end

Of our elaborate plans, the end

Of everything that stands, the end

No safety or surprise, the end

I’ll never look into your eyes…again

A performance teatral de Morrison, somada ao conteúdo expresso na letra, dá um bocado do que pensar sobre a música THE END. A década de 60, a guerra do Vietnã, o surgimento dos Hippies, as experiências alucinógenas, enfim, a era de aquário, fadada a não ser nada além de mais um período da história humana. Se JOHN LENNON disse que “o sonho acabou”, um pouco antes, MORRISON anunciou esse fim com sua canção. A segunda música, entre as que mais curto do grupo, é LIGHT MY FIRE; e aqui, os fãs do THE DOORS que me perdoem, mas prefiro essa quando cantada por MAYSA.

Maysa em cena no Canecão

Distante dos palcos e do Brasil, MAYSA voltou (mais uma vez!) exuberante em um show no Canecão, no Rio de Janeiro.  Foi no ano de 1969. Desse momento resultou um disco, clássico, no repertório da cantora. MAYSA estava mais bonita do que nunca e esbanjava sensualidade ao cantar a música do grupo norte-americano.

You know that it would be untrue

You know that I would be a liar

If I was to say to you

Girl, we couldn’t get much higher

Come on baby, light my fire

Come on baby, light my fire

Try to set the night on fire

Calminha, crianças! Assim como o processo de bebedeira acelerou o fim de JIM MORRISON, em 1971, essa mesma situação levaria MAYSA à morte, poucos anos depois. Ambos quebraram estruturas, viveram a vida com total intensidade, priorizando sempre a sensibilidade. Estão mais próximos do que se possa imaginar.A batida da canção é a mesma que caracterizou a Bossa Nova e Maysa, até Elis Regina admitiu, era uma cantora muito acima da média.

Jim, o vocalista
Val Kilmer em impressionante recriação

De MORRISON, para finalizar, quero lembrar a interpretação grandiosa de VAL KILMER, vivendo o roqueiro no filme THE DOORS, de Oliver Stone. VAL KILMER impressionou até os ex-parceiros de JIM MORRISON, pela semelhança. De quebra, o ator ainda cantou ao vivo, nas cenas de performance, imitando a voz marcante de MORRISON. Bom para conhecer um pouco, mesmo que romanceada, da vida do cara.

Até!

(Publicado originalmente no Papolog)