Louis Armstrong; sempre!

Um pouco mais leve neste blog, pois todo ser humano merece férias. O final de ano está gritando e logo mais já estaremos em 2016. Obrigado aos que me agraciaram com visitas, com leitura, com comentários. Obrigado! Logo volto ao normal, mas não quero deixar de expressar meu agradecimento. Escolhi Louis Armstrong para brindar todos os leitores, todos os amigos, o mundo todo! Não importa o que rola por aí; nosso mundo é maravilhoso e o excelente Louis Armstrong nos dá o recado (vejam o vídeo!).

Feliz 2016!

Todo o tempo!

Salvador Dali, a persistência da memória
(Salvador Dali, a persistência da memória)

É comum reclamar ou ouvir reclamação pela falta de tempo. Fiquei lembrando antiga prece de Michel Quoist, um padre católico que lá pela primeira metade do século passado já assinalava o que hoje é senso comum:

.

…Horas curtas demais, 

Dias curtos demais, 

Vidas curtas demais. 

Tu que estás fora do tempo, Senhor, 

sorris ao ver-nos brigar com ele…

.

Dezembro é o mês em que, obrigatoriamente, devemos fazer um balanço do que fizemos. As obrigações familiares, os compromissos religiosos, as realizações profissionais. Nesse balanço de final de ano, por exemplo, descobri que fiquei cinquenta dias fora de casa, viajando para também trabalhar em Pernambuco e Minas Gerais. Fato concreto: encontrei quartos limpos, camas arrumadas, mesas fartas e saborosas; e graças às traquitanas contemporâneas estive o tempo todo conectado com minha casa, com as pessoas que amo, fazendo com que o estar longe fosse apenas um dado a mais. Além do agradecimento mecânico e da rápida oração matinal cotidiana, cabe neste balanço reservar espaço para um agradecimento maior por cada uma das coisas que fizeram com que tivéssemos conforto emocional e material.

.

Nesses balanços de dezembro as pessoas contabilizam atrasos, ausências, realizações e listam projetos não concretizados além de outros que precisam sair do papel. É sempre bom enfatizar que não se trata de buscar punição ou prêmio, conforme o resultado geral. Importa olhar com equilíbrio os erros e acertos, as vitórias e as derrotas. E agradecer! E constatar que, estando vivos, temos a oportunidade de seguir em frente buscando o que nos falta. A prece de Michel Quoist passa à condição de mantra:

.

Tenho todo o meu tempo, Senhor!

Todo o tempo que me dás.

Os anos de minha vida, 

Os dias de meus anos, 

Os minutos de meus dias, 

São todos meus, 

Cabe-me preenchê-los 

Tranquilamente, calmamente…

.

Como ser dono e administrador do nosso tempo individual em convivência com o tempo de todos aqueles com os quais convivemos? Talvez seja esta a maior tarefa para muitos de nós. E não carece de muita reflexão para perceber o tamanho da responsabilidade que temos para conosco; assim cabe pensar e planejar com cautela nosso futuro. O que faremos com todas as horas, minutos, dias e meses de 2015?

.

Até mais!

.

Obs: A prece acima está em Poemas Para Rezar, de Michael Quoist. Editora Duas Cidades.

Tempo de trégua

DSC06524ESTE

Por todos os cantos há a sensação de finitude

Acentuando-se conforme antevemos o novo ano

Um fim em que, por tempo restrito, prevalece a alegria.

.

Acordo tácito para imensa trégua

Nenhuma notícia ruim abala, interfere

Estamos felizes. É tempo de ser feliz.

.

Certa lei, implícita, determina que tudo valeu a pena

Ganhos, aprendizados, experiências, lucros.

Perdas e problemas vão para escaninho próprio e,

Se houver solução fica para o próximo ano.

.

Dezembro é quando o sonho parece vida.

O vizinho, que nunca nos fala, deseja-nos feliz natal

Despedimo-nos dos colegas com solidariedade impecável

E escolhemos meticulosamente cada mimo para os seres amados

.

Em dezembro a vida é sonho

Acreditamos na humanidade e somos unidos pelo deus menino

Tempo frágil de semeadura, de esperança.

De sonhos infinitamente maiores:

.

Que a honestidade vença

Que a fraternidade prevaleça.

Que vivamos em paz.

.

Valdo Resende, dezembro de 2013.

.

 

Para suavizar o final de ano

Nosso presépio, em Uberaba, Minas Gerais.

Novembro entra com tudo para com quase todo mundo. Dobra o volume de trabalho para muitos profissionais . Uma tensão danada! O  trânsito enlouquece, já que todos vão às compras, aumentando o movimento da cidade. Com frequência tudo fica sob água pesada com chuvas que prenunciam um verão difícil. No meio de todo o reboliço da cidade ressaltam-se os enfeites das decorações natalinas. Nossa triste São Paulo finge ignorar a violência e veste-se de luzes coloridas que deixam as noites menos densas, um tanto poéticas.

O natal está logo ali! Aquele logo ali de mineiro, que ainda demora pra chegar. Algumas árvores iluminadas, alguns estabelecimentos comerciais decorados e, por que não, a casa da gente? Gosto de natal. O tempo não me fez perder a esperança de tempos melhores. E, sem medo de ser feliz, gostaria de comprar presentes, muitos! E também gosto de ficar imaginando o que vou ganhar…

Há muito que faço questão de ter um presépio em casa. Minha forma preferida de trazer o Natal para dentro do nosso lar. As condições do nascimento de Cristo, as personagens envolvidas, a lembrança de um cenário que, por amor, estilizamos.

Acima de tudo, presépios, guirlandas, arranjos, árvores enfeitadas, quebram a dureza cotidiana e enchem nossas casas de esperança, sinalizando uma etapa cumprida, apontando para novas possibilidades.

Em Uberaba montamos nosso pequeno e singelo presépio. No meio de tanta violência, morte, julgamentos pesados, colocamos alguns sinais visuais para amenizar a vida. Modificamos o ambiente para que a sensação de esperança cresça e, se possível, aumente a nossa fé em tempos melhores.

Nosso presépio está montado; simples como um semáforo que alterna suas cores chamando-nos a atenção. O ano está acabando; o natal vem aí. Vamos preparar bons momentos!

.

Até mais!

.