Os aviões do fim do mundo

Até!

O ser humano é complicado, insensato. Consegue gastar US$ 223,2 milhões para construir um único avião para, supostamente, garantir a segurança de alguns sujeitos em caso de guerra nuclear. O valor acima, é de um aparelho pertencente aos Estados Unidos, com capacidade de permanência de 12 horas voando sem ser reabastecido, com capacidade para levar 112 passageiros. No caso, os distintos seriam o presidente do país e alguns comparsas.

A quantia, convertida em reais seria algo tipo R$ 1,11 bilhão. Está lá na notícia que li. Eu gostaria de ser capaz de calcular quantos quilos de arroz, ou de feijão daria para comprar com toda essa grana. Um montão, diriam meus conterrâneos mineiros. Em conta rasa, mais de 125.000.000 de sacos de arroz à R$ 8,00 cada. Daria para uma bela comilança!

O diferencial desses aviõezinhos norte-americanos e russos – sim, os russos também possuem os seus! – é o de serem capazes de resistir à um ataque nuclear. E de estarem em condições de detonar bombas e mais bombas pra cima da gente lá de cima. Coordenar esforços de terra, é o eufemismo. No pior cenário, guerra em curso, esses coisos não teriam onde aterrizar, o que seria um belo sinal de justiça divina.

Justiça é um caso sério, já que não há quem consiga impedir o armamentismo no planeta. Se há alguém que ganhe com a indústria bélica, com certeza não é o cidadão comum. Em nome de garantir a segurança, alguns sujeitos recebem fortunas faraônicas para a fabricação de ogivas nucleares, aviões, drones e todo o arsenal que, somados os investimentos para tal produção, alimentariam o planeta.

Tais aeronaves são apelidadas de “aviões do juízo final”. Pense na arrogância de tal apelido! Como se a tripulação fosse um corpo de jurados capitaneados pelo próprio Deus. Na real, são aviões do fim do mundo, pois é difícil acreditar que o mundo, tal qual o conhecemos continue o mesmo após uma guerra nuclear. Será outro mundo e, com certeza, muito pior.

Foi imposto a todos nós a ideia de que lutar contra tudo isso seria ingenuidade. Pior, fazem-nos acreditar na necessidade vital de cada país produzir, comprar e usar armas, uns contra os outros que, no frigir dos ovos são o nosso próximo, tão humanos quanto! Aqueles que acreditam que esse tipo de coisa resolve, deveriam olhar para trás. Desde o arco e flecha, passando por punhais e outra centena de tipos de armas, sabemos que a violência não resolve nem muda o ser humano. O problema é acreditar no que dizem aqueles interessados em, de uma forma ou outra, ganhar com a guerra. Muita grana!

Tomara que nunca vejamos um avião desses sobrevoando qual país seja. Nem para demonstração, muito menos para exercício. Os dois lados mais letais do planeta – aqueles dois que controlam o arsenal atômico do mundo – não estão interessados no bem de seus próprios cidadãos, enviando-os para as guerras que os “comandantes” de tais aviões arranjam. São incapazes de resolver o desemprego, a fome, a educação e a saúde de seus habitantes, pois preferem munição à alimentação.

Nota: O avião norte-americano é o E-4B Nihtwatch, da Boeing, um 747 adaptado para a guerra. Existem quatro aeronaves prontas para o combate. O modelo russo é o II-80 Maxdone, fabricado pela United Aircraft Corporation. Os russos não divulgam muito sobre o aparelho, mas sabe-se que estão construindo novos e mais potentes modelos

E Zuquinha perdeu o sono!

Fogo (foto: Flávio Monteiro)

“Meu mundo caiu”, informou D. Zuca, abnegada progenitora de Zuquinha. “Meu filho não está entre os dez mais! Como irei encarar minhas amigas do Clube?” O Sr. Zuca acalmou a criadagem: “Há dinheiro para o botijão de gás e prometo um naco de carne para quem não tocar mais nesse assunto.” E jogou de lado o jornaleco que, com absoluta gravidade, informava que o filho Zuquinha, conhecido também como Mark Zuckerberg, estava perdendo US$ 29,3 bilhões, ficando assim de fora da lista dos dez mais ricos do mundo. Um desastre. Com a perda, dizem, Zuquinha ficou com meros US$ 85,1 bilhões nos bolsos.

Recordei uma perda, também drástica. Quando perdi uma carteira ordinária com duas fotos 3×4, um inútil bilhete de loteria, vencido, tanto quanto um patuá que deveria proteger os trocados reservados para o busão. Lá se foram dezenove reais, ficando o desespero em ter que voltar a pé para casa. Feliz, muito feliz. Afinal eu tinha casa!

Devo confessar uma fugaz alegria (nada do que deva me orgulhar!) ante a perda do Zuquinha. Eu fechei uma conta antiga no Facebook. A minha continha mais um milhão de outras de usuários que, deixando a rede, causaram a derrocada do sujeito da lista dos dez mais. Pobre Zuquinha insone! Estou em dúvida se envio Zolpidem ou Zopliclona para que ele possa dormir. Escolhi essas droguinhas só por conta da inicial, Z, em homenagem ao ex-mais rico.

Esse planeta está difícil. Basta ver nossos jornais e telejornais. Foi escrever a expressão droguinha e vem de imediato o problema dos hermanos, vítimas de cocaína envenenada. Só consegui pensar na mocinha linda da Internet que, certamente, diria: “Processa o traficante! É causa ganha”.

Na real, o que me bate é desalento, desespero. Diante de uma insensatez sem tamanho, sobra uma incredulidade no ser humano quando vejo um jovem negro abatido a cacetadas e outro, também jovem, também negro, abatido sem armas por um vizinho que alegou “legítima defesa”. E se a população não se sensibiliza por essas mortes, quem sabe não fica indignada com a servidão de nossos jornais aos pobres ricos que perdem posição no ranking? Quem sabe não gera um incômodo na classe média, que não consegue fechar suas contas, ao saber que pequenos gestos somados – fechar uma conta no Facebook – derrubam fortunas e governos?

Hoje acordei com todas essas questões que deixaram minha semana infinitamente pior e pensei em orar por esse mundo. Aí, pesaram mais notícias dos dois velhinhos que colocam sobre a cabeça da gente o temor de mais uma guerra nesse mundo criado por Deus. Não deu outra, recordei Vinícius de Moraes e perante o criador de tudo, só me restou rezar:

“Às vezes quero crer e não consigo

É tudo uma total insensatez,

Então, pergunto a Deus, escuta amigo!

Se foi pra desfazer, por que é que fez?”*

Bom final de semana!

*Cotidiano n. 2 – Vinícius de Moraes