O hábito

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Antonio Fagundes respondeu com tranquilidade quando Pedro Bial perguntou sobre sua formação literária, sobre suas primeiras leituras: – Gibi, respondeu Fagundes; tal expressão diz bem a idade do ator; hoje em dia falam HQ. Como ele, li Gibi. E fotonovelas, e fascículos de radioteatro, e tudo ao que tive acesso, incluindo as famosas revistinhas de Carlos Zéfiro, que meu irmão denominava “catecismo”.

A entrevista fez-me buscar na memória as primeiras leituras… Vamos lá! O que ficou:

Primeiro, os fascículos de O DIREITO DE NASCER. Não ouvi a novela transmitida pela Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, ou pela Rádio Tupi, de São Paulo. E pouco vi da primeira versão da novela para a televisão. Todavia, em um quartinho que havia nos fundos da oficina onde meu pai trabalhava, estavam lá vários fascículos de resumo da novela, com fotos nas capas dos artistas participantes.  Eram muitos fascículos e devo ter lido todos, embora guarde apenas os detalhes principais da novela cubana escrita por Félix Caigne.

Também li gibis. Os primeiros foram dos habitantes de Patópolis, a cidade criada por Walt Disney. Donald, Peninha, Tio Patinhas, Margarida… Todos os personagens de Disney me são familiares, mas nenhum deles supera “O Fantasma”, personagem criada por Lee Falk. É muito genial a ideia da personagem existindo eternamente, o filho tomando lugar do pai. E tinha todo o exotismo africano, dos pigmeus…

Foi a foto de um ator, vestido a James Dean, que me chamou a atenção para as fotonovelas. O ator era Raimondo Magni. Segundo um internauta, dono de uma página que sigo, a fotonovela é de 1962. O título é “Quando o amor chegar” e foi publicada pela revista Capricho. Não lembro nada da história… Nem sei se conseguirei ter acesso, mas foi bom saber que existe e que, por estar já no tal quartinho, isso deve ter ocorrido lá pelos idos de 1963 ou 1964…

Ainda criança, a Jovem Guarda imperando, li tudo o que saia nas revistas sobre Wanderléa. E ganhei de um amigo, alguns números da revista Intervalo, que guardo com o maior carinho. Pura paixão!

Para gostar de ler é preciso ter acesso ao que ler. É o que penso. Dos primeiros textos fui para os contos de fadas. As mais belas histórias, em versão escrita por Lúcia Casasanta foram lidas e relidas. E depois vieram os livros; como cheguei aos mesmos está aqui mesmo, em post anterior.

De todos os meus hábitos de infância é a leitura o que mais prezo. O que nunca deixei. Foi o que, sem planejar, preparou-me para o trabalho que mais gosto: Escrever. Funciona como companhia, como terapia… Portanto, reiterando Fagundes, coopere na formação do hábito da leitura em filhos, sobrinhos… Deixe que leiam gibis, ou HQs.

Até mais!

“Portais”, de Antognioni e Cariello

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Evidência imediata em “Portais” é a profusão de lugares e personagens. Com texto de Octavio Cariello e desenho de Pietro Antognioni, “Portais” é história em quadrinhos, primeiro trabalho da dupla. Coerente com a proposta delineada pelo título, o texto ágil de Cariello vai de um lugar para outro, somado ao desenho preciso de Antognioni. Vilões e mocinhos atuam em tempo e locais específicos para, no momento seguinte, continuar a ação em outro local em dois mil anos antes ou nove mil anos depois.

Cariello exercita corajosamente a síntese construindo uma narrativa que lembra mosaicos, fractais na composição de uma extensa aventura. Um desafio à atenção do leitor facilitado pelo desenho de Antognioni. Este acompanha as mudanças abruptas do texto com farta utilização de cores e formas. Ficção para público adulto – informação constante já na capa – “Portais” é para quem foge de narrativas lineares, com ações tradicionalmente atreladas ao espaço e ao tempo. Estes estão multifacetados, mas construídos com o cuidado que permite ao leitor a visão geral tanto do tema quanto da história.

O álbum ainda conta com participações especiais em simpático anexo denominado “galeria de pinapes”. Nesta encontram-se as visões de grandes artistas sobre as personagens de “Portais”. Entre os vários participantes estão Roger Cruz, Leo Gibran, Alex Shibao e o próprio Cariello que, é bom lembrar, está entre os melhores desenhistas deste país. Também  em outro anexo há um passo-a-passo de como a obra foi feita. Um dado interessante para os interessados, principalmente estudantes, no processo de trabalho da dupla.

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Uma das peças de divulgação utilizadas na fase inicial do projeto

A publicação de “Portais” pela editora Terracota tornou-se possível via financiamento coletivo, também dito “crowdfunding”. Por isso já esta nas mãos daqueles que participaram na viabilização da obra. O lançamento oficial para todo o público será no próximo dia 26, 19h00, na Quanta Academia de Artes. (Endereços e telefones em http://www.quantaacademia.com). Imperdível para fãs do gênero, boa oportunidade para todos aqueles interessados em propostas que fogem ao óbvio.

Até mais.

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