E a banda passa!

chico e nara e jair
Jair Rodrigues, Nara Leão e Chico Buarque, em 1965

Nunca pensei em ver “A Banda” passar. Aquela mesma, “A Banda”, do Chico Buarque que prefiro na voz de Nara Leão e que, invadindo a infância, permaneceu no cantinho de meus grandes afetos. Há como não gostar de “A Banda”? E se de repente… E não é que a banda passou de novo! A história veio bonita e meio torta, bem torta mesmo; mas, quem tá preocupado com linha reta?

Eu não “estava à toa na vida” e sim, tomando banho. Aos poucos a música, de longe, foi se aproximando, se aproximando. Logo recordei ser o primeiro sábado após o carnaval, quando sai aqui pelas ruas do bairro um simpático bloco conhecido como “Enterro dos Ossos”, fechando as festas de Momo na Bela Vista. Meu amor, não me chamou! Mas me avisou que a banda subia a nossa rua vinda lá dos lados da Rua Martiniano de Carvalho em direção à Brigadeiro Luis Antonio.

“Despedi-me da dor” e ainda molhado, enrolado em toalha de banho, fui pra janela ver a banda passar. Estávamos todos lá: o “homem sério” abandonou o caixa e saiu para a rua e, nesta, “o faroleiro” empunhava copo de cerveja como troféu. Várias namoradas, de todas as formas, de todas as idades estavam acompanhando a banda ou paradas, no passeio, “para ver, ouvir e dar passagem”.

O bloco “Enterro dos Ossos” é cheio das manhas. Tem lá sua porta-estandarte, seu abre-alas – uma charanga toda colorida e enfeitada – e músicos que formam uma suave e deliciosa banda. Esta enche nossas ruas de velhas canções de outros carnavais. Pura nostalgia! Grandes marchinhas, marotas e sempre, sempre “cantando coisas de amor”.

Eu não estava pensando em Chico Buarque! Nem em Nara, nem na música que venceu o Festival de Música Popular Brasileira de 1965, empatando com “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, cantada por Jair Rodrigues. Nem mesmo pensava em fim de carnaval. Era apenas sábado e no domingo, dia 5, Daniela Mercury tomaria a cidade com seu Trio Elétrico e aí sim, eu iria fazer o meu “enterro dos ossos”. Foi então que…

Filmei a passagem do bloco pela minha rua para mostrar via redes sociais aos amigos e familiares. Quis registrar o contraste do “meu” quarteirão vazio e, a partir da esquina, a rua tomada pelo bloco. Lamento não ter o registro ideal, mas, caro leitor, observe no vídeo abaixo que há um pequeno edifício à esquerda em frente do qual o bloco está parado. E parou porque no segundo andar, no terraço, uma simpática velhinha dançava e acenava aos foliões. Como não lembrar que “O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou que ainda era moço pra sair no terraço e dançou”?

Hoje é domingo; no outro, com Daniela Mercury, dancei pouco e tomei um banho de chuva de mais de duas horas. Esta noite está silenciosa e as ruas do Bexiga estão sossegadas. Essas mesmas ruas cheias de momentos como aquele em que, vendo a senhorinha dançando no terraço, dei-me conta e exclamei: “- Foi isso que o Chico Buarque viu!” e transformou em canção, e povoou o coração de milhares de brasileiros com lembranças de bandas que cantam coisas de amor.

Tempos bicudos. Tais como aqueles que vieram após o golpe militar. Recordo que, na época, havia murmúrios que condenavam a nostalgia de Chico por “fugir” da realidade com uma “velha” marchinha. Cinquenta anos depois, vendo “O Enterro dos Ossos” e a Bela Vista em festa veio-me a certeza de que é este o Brasil que é nosso; alegre, leve, suave, o país que “tomou seu lugar depois que a banda passou”.

A banda ou o bando que tomou o país em 1964 passou; outro bando que está por aí, impedindo o país de cantar, também terá seu fim. Paramos para brincar carnaval, mas já voltamos. Estamos aqui, atentos, prontos para continuar. E lutaremos por um país melhor porque também amamos bandas, blocos, carnaval, e belas senhorinhas cantando nos terraços.

Até mais!

Elis Regina em 1965

elis menino das laranjas

Tornar-se cantora e ficar entre as melhores do Brasil foi tarefa gigantesca até para Elis Regina. É possível constatar a grandiosidade enfrentada pela cantora, por exemplo, traçando um painel do ano de 1965. Neste ano Elis projetou-se nacionalmente ao vencer o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com “Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Morais). De quebra fez um show com Jair Rodrigues e o Jongo Trio que resultou em disco e programa de TV – O Fino da Bossa – entrando definitivamente para a história da música brasileira.

Em 1965 atuavam algumas mulheres que embora na faixa dos quarenta anos, por contingências da época já eram “velha guarda”. Cantoras extraordinárias como Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha Borba e Isaurinha Garcia enfrentavam a passagem da era do rádio para a era da TV. Elis tinha o trunfo da juventude até mesmo perante outra das maiores cantoras brasileiras, Ângela Maria, que em 1965 já estava com 36 anos. Maysa, também notável entre as melhores, estava com 29 anos e Elsa Soares, sambista ímpar, chegava aos 28.

Perante grandes cantoras, ídolos reconhecidos pela crítica e pelo público, Elis Regina era uma jovem surgindo com brilho no cenário musical brasileiro. Para representar a modernidade na música brasileira Elis tinha que estar à altura de Sylvia Telles, embora o mercado exigisse que ela fosse tão popular quanto Celly Campello.

1965 - Arrastao - Elis REgina (1)

Além das cantoras já estabelecidas outras meninas, como Elis, iniciavam carreira. Em 1965 Nara Leão já era um grande nome. Dona de personalidade marcante e de uma privilegiada visão de mundo, Nara unia compositores dos morros cariocas aos jovens bem nascidos da Zona Sul, mudando os rumos da nossa música.

É bastante conhecido o fato de Nara Leão ter convidado Maria Bethânia, menina que havia conhecido na Bahia, para substituí-la no show “Opinião”. Bethânia chegou e atingiu sucesso imediato entre os cariocas que viram o show e em todo o Brasil, via rádio, cantando “Carcará”. Com Bethânia veio Gal Costa, sempre suave e sem fazer muito barulho. A dupla baiana que por si já faria tremer qualquer concorrente ainda contava com dois amigos do tipo que toda cantora precisa: grandes compositores do naipe de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Em 1965, aos 24 anos Nana Caymmi voltava ao Brasil para retomar a carreira. Celly Campello, que três anos antes havia abandonado a carreira recusou participar do programa Jovem Guarda. Wanderléa aceitou, tornou-se imensamente popular e, contam os biógrafos, amiga de Elis Regina.

Em 1965 eu estava com dez anos. Ouvíamos rádio durante todo o dia. Eu parava para ouvir Wanderléa com um chamado irresistível: “Atenção, atenção, eu agora vou cantar para vocês, a última canção que eu aprendi…” A moça bonita da Jovem Guarda cantava “É o tempo do amor” e eu gostava tanto quanto de “Carcará”, o “bicho que avoa que nem avião” na interpretação definitiva de Bethânia. Tenho certeza de que a primeira canção gravada por Elis que me fez parar e prestar atenção na cantora foi “Menino das Laranjas” . Com dez anos eu apenas gostava; hoje percebo que Elis canta a música com graça – a mesma graça que me encantava em Wanderléa – e interpretava intensamente, como Bethânia. De quebra, “Menino das Laranjas” é de uma notável sofisticação melódica e rítmica.

Ainda era 1965 quando vi Elis na televisão. Aos vinte anos ela cantava “Arrastão” com alegria contagiante, com a força necessária para retirar a rede de pesca cheia, farta, sem deixar de lado a doçura da intérprete que narra o pescador querendo Janaína para casar. Em maio do mesmo ano estreava, na TV Record, o programa “O Fino da Bossa”, e neste registrava-se a maior parceria vocal de Elis Regina: Jair Rodrigues.

O disco “Dois na Bossa” veio antes e deu origem ao programa de TV. No disco estão “Menino das Laranjas” e “Arrastão”, as duas músicas que me fizeram gostar de Elis Regina. Também estão outras onze canções só na primeira faixa, compondo o pot-pourri de maior êxito da dupla Elis e Jair. Definitivamente, Elis alcançava a categoria de melhor cantora do Brasil. Nesse programa, sem o que se denomina hoje “música de trabalho”, Elis pode mostrar toda a sua versatilidade, o que é possível comprovar pelas gravações preservadas por Zuza Homem de Mello, disponíveis em CDs.

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Outro dia me perguntaram como foi o impacto do lançamento do disco Construção, de Chico Buarque, em 1971. Respondi quase que mecanicamente: “- Ouvíamos no rádio. Tocava o dia inteiro!” Continuando o papo, recordei o hábito de ouvir rádio, desde criança, quando conheci toda essa gente e, principalmente, Elis Regina.

No próximo dia 19, segunda, lembraremos a grande cantora, falecida em 1982. 33 anos sem Elis! Três gerações sem a grande intérprete!Comigo, tudo começou em 1965. Impossível não registrar esses 50 anos de admiração e respeito que tenho pela maior cantora do Brasil.

Salve, Elis!

O que seria da música brasileira sem eles?

Seríamos mais tristes, e nossa música seria infinitamente mais pobre. Na galeria abaixo falta gente, muita gente. Não pretendi, nem pretendo que seja completa. O post recuperado (estava no extinto Papolog) é para manifestar carinho e afeto por todos, neste Dia da Consciência Negra.

LUIZ GONZAGA, CLEMENTINA DE JESUS, PIXINGUINHA, MILTON NASCIMENTO, ZEZÉ MOTTA e PAULINHO DA VIOLA

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PENA BRANCA e XAVANTINHO, JAIR RODRIGUES, ZÉ KETTI, ROSA MARIA, LECY BRANDÃO, MARTINÁLIA

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DJAVAN, JOÃO NOGUEIRA ELIZETE CARDOSO, DONA IVONE LARA, CHICO CÉSAR e CARLINHOS BROWN

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ATAULFO ALVES, DUDU NOBRE, ISMAEL SILVA, ALAÍDE COSTA, JORGE BENJOR e JOÃO DO VALE

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LUIZ MELODIA, GILBERTO GIL, MARTINHO DA VILA, TONY GARRIDO, ZÉ KETTI e PAULA LIMA.

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Poderia escrever um pouco sobre cada um. Optei para que a lembrança do artista seja de cada um, na medida em que olhe a foto. A minha lista, bastante pessoal, é afetiva.  Se eu começar a escrever sobre toda essa gente que gosto tanto, um feriado seria pouco.

Já li críticas sobre as comemorações deste dia.  Tudo bem; acho que há razões para discutir o assunto. De qualquer forma, acredito ser um bom momento para lembrar toda essa gente maravilhosa que faz a música do nosso país.

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Bom feriado.

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Mamãe ajuda a faturar

É muito bom quando instituições preservam a obra de um artista já falecido. Há fundações que atuam no sentido de garantir a integridade da obra deixada pelo artista. Normalmente sem fins lucrativos, atuam divulgando o trabalho e a vida dessas grandes figuras; também são responsáveis por novos trabalhos, autorizando  ou proibindo ações de indivíduos interessados em faturar em cima do legado deixado por outros. Esse trabalho, incipiente no Brasil, já tem exemplos notáveis no que se faz em relação a Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Falta criar algo nesse sentido para preservar a obra e a memória de Elis Regina.

Pedro, Maria Rita, Elis Regina e João Marcelo

Com o pretexto de lembrar os trinta anos da morte de Elis Regina (1945/1982), os filhos da cantora estão fazendo uma série de ações, entre shows, lançamentos de caixas, DVDs e similares. Não há como duvidar do direito ao espólio da artista, mas a sede ao pote é tanta que a fraternidade ficou em segundo plano e os interesses meramente comerciais ficam mais que evidentes.

Quem viu a entrevista com Maria Rita e João Marcelo Bôscoli no programa do Jô Soares deve ter notado que o nome de Pedro Mariano não foi citado. Foi como se apenas os dois primeiros fizessem homenagem à mãe, sem que houvesse o terceiro irmão.  Os interesses profissionais e monetários certamente estão entre as causas que impedem os irmãos em um projeto comum.

Maria Rita irá gravar o show “Redescobrir” no dia 11 de agosto, em São Paulo, no Credicard Hall. O registro será base para CD, DVD e tudo o mais que se lança atualmente. Além do patrocínio de uma empresa de cosméticos, Maria Rita tem apoio da Universal, sua nova gravadora. Dá para perceber porque Pedro Mariano ficou de fora? Ele não é garoto propaganda de cremes nem está nos interesses da Universal.

Longe dos irmãos, em Curitiba, Pedro Mariano fará outro show, no dia 2 de agosto. Com o nome “Elis por eles”, um naipe variado de cantores subirá ao palco do Teatro Positivo para, junto a Pedro Mariano, lembrar Elis Regina.  Do parceiro da cantora, Jair Rodrigues, ao grande ídolo de Elis, Cauby Peixoto, o show ainda contará com Diogo Nogueira, Lenine, Filipe Catto, Seu Jorge e, entre outros, Chitãozinho & Xororó e Rogério Flausino. É um amplo tiroteio, para acertar todos os tipos de públicos.

João Marcelo, que não canta, lança discos e DVDs da mãe famosa. Entre as novidades foi anunciado um DVD com o programa especial que Elis Regina gravou para uma TV alemã, em 1972. Mais que o registro de um momento histórico, de resto já colocado em partes na internet, o lançamento vem bem na estratégia capitalista de criar novos produtos para aumentar lucros.

Se Elis estivesse viva… Não consigo imaginá-la cantando com Rogério Flausino; e penso que ela pediria mais autenticidade para a filha que, para mostrar-se diferente da mãe, fica enfeitando as canções, mostrando razoável capacidade vocal e pouca emoção nas interpretações. Quanto aos lançamentos feitos pelas gravadoras, só à revelia de Elis. É doido saber que a cantora pediu, por exemplo, que o show de Montreux nunca saísse em disco. Foi o primeiro a sair, logo após a morte de Elis, em 1982; recentemente “novo cd” saiu em dose dupla, com as duas apresentações de Elis Regina no famoso festival.

Elis Regina foi, em vida, arrimo familiar. Continua sendo fonte de renda para os filhos. A certeza nesses eventos todos  é a de que a memória de Elis permanecerá. Aqueles que realmente curtem o trabalho da maior cantora brasileira percebem os lançamentos meramente comerciais. Esquecerão esses para manter vivo o que mais interessa: os grandes discos que, em soma, são o verdadeiro legado de Elis para a nossa música.

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Boa semana para todos.

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Elis Regina, para celebrar a vida

17 de março é o dia em que nasceu Elis Regina.  Faço questão de celebrar, pois tenho a impressão de que lembramos mais o dia da morte do que o aniversário da cantora, nascida em 1945. Perdas são traumáticas e acabamos fixando tais momentos. Comemorar o dia de hoje, em relação à Elis Regina, é celebrar a vida. Elis vive e, como ela um dia disse, viveria enquanto durassem os discos. Os discos estão aí, portanto, viva Elis!

Discos novos, relançados, gravações que saíram da gaveta para o deleite de fãs e colecionadores. No início deste ano, lembrando os 30 anos da morte da cantora, ocorreram vários lançamentos e a vasta obra de Elis Regina foi colocada em caixas luxuosas, dignas da grande intérprete brasileira.

Elis Anos 60 é o caixa do início da carreira da cantora. São 10 álbuns lançados entre 1965 e 1969. Entre eles, “Samba eu canto assim(1965) e a série “Dois na Bossa”, ao lado de Jair Rodrigues. Só estes já valeriam pela caixa inteira. O encontro notável entre os dois cantores, sambistas por excelência, é um raro momento, devidamente registrado e que, de quebra, lembram o clima do programa “Fino na Bossa”, onde ambos tornaram-se ídolos brasileiros.

O registro integral do show em Montreux

Em cada uma das caixas estão algumas coletâneas. Na caixa dos anos 60, “Pérolas Raras” e “Elis, Esse Mundo é meu”; esta última, produzida especialmente para o projeto, contém 16 gravações avulsas da cantora. Na caixa dos Anos 70, uma raridade: O registro das duas apresentações feitas por Elis Regina, em 1979, no Montreux Jazz Festival. O show está na íntegra, com os 27 números interpretados por Elis em “Um dia”. Outra coletânea, “Elis no Céu da Vibração” reúne mais de duas dezenas de gravações antes dispersas em compactos e em discos de festivais, como “Um novo rumo”, de Arthur Verocai e Geraldo Flach, que Elis gravou ao vivo em 1968.

A caixa “Elis Anos 70” deixa clara a importância da cantora nos anos de ditadura militar e, musicalmente, a capacidade de Elis em realizar escolhas corretas.  Essas escolhas resultaram em lançamentos de compositores que entraram para a história da música brasileira: Belchior, Ivan Lins, João Bosco & Aldi Blanc, entre vários outros. É a caixa de “Falso Brilhante” e “Transversal do Tempo”, que estão entre os onze álbuns desta fase, cujo marco fundamental é o disco “Elis e Tom”; a cantora ao lado do Jobim, nosso “maestro soberano”.

Estão investindo em relançamentos dos trabalhos da cantora; um sinal evidente da força de Elis Regina. Do afeto e admiração do público pela voz afinada, o timbre inesquecível, as interpretações definitivas. Neste final de semana, no aniversário de 240 anos de Porto Alegre, cidade natal de Elis Regina, será a estréia do show de Maria Rita, interpretando os sucessos da mãe famosa. Sábado próximo, dia 24, será a vez de São Paulo assistir o show, denominado “Viva Elis”. A cantora vive em si e no trabalho dos filhos; estes parte da grande herança que Elis Regina nos deixou.

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Bom final de semana.

As mulheres de Ronaldo

Lamento por quem chegou aqui pensando em algo tipo “Marias chuteiras”, ou gostosonas, ou outras… O Ronaldo em destaque é o Bôscoli e as mulheres em questão são Maysa, Elis Regina e Nara Leão. Como esteve envolvido com essas três cantoras geniais, o jornalista, compositor e produtor Ronaldo Bôscoli será um dos nomes mais citados, nas próximas semanas, pela imprensa especializada em música.

Janeiro é um mês fundamental na biografia das três cantoras. No dia 19 de janeiro próximo lembraremos a morte de Elis Regina. Em São Paulo serão feitas várias homenagens a maior cantora brasileira que irão até março, quando haverá um show no Ibirapuera. Feito pela cantora Maria Rita, filha da cantora, o show  irá apresentar um repertório só de canções gravadas por Elis Regina na voz de Maria Rita. Este é para ser festejado e será no dia 17 de março, que é a data do aniversário da cantora (Marque na agenda. Um sábado, show ao ar livre, no Parque Ibirapuera).

Nara Leão, a primeira namorada, 70 anos em 2012

Bôscoli foi casado com Elis Regina, sendo pai do primeiro filho da cantora, João Marcelo Bôscoli. O casamento foi um acontecimento para a época e a vida do casal foi fartamente documentada pelos fofoqueiros de então. O registro histórico está nas diferentes biografias sobre Elis Regina ou sobre a Bossa Nova, movimento do qual Bôscoli foi um dos principais nomes.

Elis Regina faleceu em 19 de janeiro de 1982. Esse dia, 19 de janeiro, também é o dia do aniversário de Nara Leão. Além da carreira ímpar e do repertório impecável, a musa da Bossa Nova, da Tropicália, da Música de Protesto, enfim, a Nara de todas as bossas será lembrada neste ano também pelos 70 anos que faria no dia 19.

Com Maysa, tempestade na aparente calmaria da Bossa Nova

Minha primeira lembrança de Nara Leão é cantando “A Banda”. Provavelmente posso tê-la ouvido cantar outros anteriores sucessos. Todavia conheci “Carcará”, um marco na carreira de Nara, quando esta fez o show “Opinião” com João do Valle e Zé Keti, na voz de Maria Bethânia. A gravação de Bethânia foi muito executada nas emissoras de rádio de Uberaba, MG, a minha terrinha. Outro sucesso de Nara, “O Barquinho” lembro sempre é na voz de Maysa.

Coincidências que fariam a festa de exotéricos sensacionalistas, Nara Leão faleceu no dia 7 de junho de 1989, um dia depois do aniversário de Maysa. Esta faleceu bem antes, em 1977, no mês de janeiro!

A lembrança das histórias de Maysa e Boscôli estão fresquinhas na memória de quem viu a minissérie que a Globo fez sobre a cantora. Há, no programa televisivo, uma clara menção ao namoro de Nara Leão e Bôscoli, interrompido bruscamente quando Maysa anunciou seu noivado com o compositor. Ou seja, recapitulando:

19 de janeiro: Morte de Elis Regina

19 de janeiro: Aniversário de Nara Leão

22 de janeiro: Morte de Maysa

O primeiro filho de Elis é de Bôscoli

Ronaldo Bôscoli passou pela vida das três, na ordem: namorando Nara, Maysa e casando-se com Elis Regina. Como compositor, foi limitado.  Entre as músicas mais lembradas estão “Lobo bobo” (parceria com Carlos Lyra); “O barquinho” (o parceiro foi Roberto Menescal); “Tributo a Martin Luther King” (grande sucesso do cantor Wilson Simonal, que assina a canção com Bôscoli) e “Você” (com Roberto Menescal).

Como produtor musical, ao lado de Carlos Miéle,  Bôscoli deixou grandes capítulos na história da música brasileira. Produziram shows de Wilson Simonal; o programa “O Fino da Bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues no comando; vários programas na TV Globo e por mais de vinte anos foram os responsáveis pelos shows de Roberto Carlos.

Bôscoli, ao conquistar Nara, Maysa e Elis, deixou um dado biográfico invejável. Infelizmente, também foi por causa dessas conquistas que elas nunca estiveram juntas em shows ou discos. Ironias da vida: separados pelos desencontros amorosos, cantoras e compositor estão juntos na história. Sempre que se falar ou escrever sobre um, os outros serão lembrados.

Boa semana!