“Arte na Comunidade 2” em Minas Gerais

ARTE NA COMUNIDADE 2
Detalhe de uma apresentação em Santa Maria, no Pará.

O projeto “Arte na Comunidade 2” está no Triangulo Mineiro. Tive o privilégio de trabalhar na primeira versão desse evento idealizado pela Kavantan & Associados; fui o autor da peça “Vai que é bom, o casamento do Pará com o Maranhão”. Na ocasião levamos a montagem para diversas cidades dos dois estados; a peça teatral foi um entre outros elementos motivadores para incitar debates e encontros entre artistas e agentes culturais.  O projeto teve ampla aceitação e dele guardamos imenso aprendizado.

Agora em Minas Gerais, o “Arte na Comunidade 2” leva o teatro como incentivador para as novas gerações de uma grata prática mineira: a “contação de histórias”. Serão visitadas quatro cidades, escolha feita em acordo com a ALUPAR, a empresa patrocinadora: Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata. Nessas cidades ocorrerão apresentações em praças públicas no lançamento do projeto; em seguida, outras apresentações serão feitas em escolas da rede pública, quando serão iniciadas as oficinas de criação de textos.

“Histórias do Pontal de Minas” é denominação geral para quatro montagens de contação de histórias. Os quatro textos tem como tema as cidades participantes e um quinto texto aborda o Triangulo Mineiro. Posteriormente escreverei sobre os detalhes do lançamento do projeto. Neste momento quero enfatizar um dos aspectos mais interessantes desta ação, que é trabalhar com artistas, técnicos e demais profissionais regionais.

Em Ituiutaba, a produtora  analisando possibilidades para o evento.
Em Ituiutaba, a produtora analisando possibilidades para o evento.

Sonia Kavantan realiza diversos projetos que valorizam artistas de diferentes regiões do Brasil; “Mestres do Futuro”, por exemplo, é um trabalho que aproxima mestres artesãos de jovens através de cursos que garantem a continuidade do artesanato praticado por esses mestres. No projeto “Arte na Comunidade” a ênfase vai para os profissionais de artes cênicas de cada região.

Estou feliz e honrado com o convite de Sonia Kavantan; sou mineiro que volta a trabalhar em Minas como autor e diretor; tenho já a certeza de uma preciosa parceria com a atriz, e também diretora, Letícia Teixeira, que aceitou a assistência de direção neste projeto. Os atores que farão as montagens já estão definidos: Lilía Pitta, Deferson Melo, José Luiz Filho e Ronan Vaz.

Estamos intensificando os trabalhos e em breve teremos nosso encontro com os habitantes do Prata, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Canápolis. Muitas outras histórias virão e, com certeza, dividirei algumas, as melhores, por aqui.

Até mais!

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Cariello e Cariello. Iguais e diferentes

Há muitos irmãos dentro de uma mesma atividade ou profissão. Certamente o ambiente familiar, a convivência, favorece o despertar de interesses similares; se esquecermos as artes, vamos encontrar gente em todas as áreas dividindo a profissão com os próprios irmãos. Todavia, dentro do universo artístico, nos encantamos quando há uma incontestável e imensa quantidade de membros talentosos em uma mesma família.

Chico Buarque, desenhado por Octavio Cariello, divide o palco com as irmãs Miucha e Cristina

A música é pródiga em propiciar trabalho para irmãos. Os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista fizeram história com a banda Os Mutantes, assim como os baianos Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma carreira sólida marcada por inúmeros êxitos. Se dois é pouco, temos o “Trio Esperança”, formado por cantoras fantásticas; há outro trio, Caymmi, mais conhecido como Família Caymmi, formado por Dori, Danilo e Nana Caymmi. Sim, há que se atentar para o grande pai, Dorival. Ok; há todas as outras duplas, aquelas que se ligam via “&”; vou deixá-las para outro momento, pois há uma certa peculiaridade entre os artistas abordados neste post.

Provavelmente há muitos artistas plásticos dentro de uma mesma família. Desenhistas, designers, ilustradores… A cidade de São Paulo é o berço dos gêmeos Paulo e Chico Caruso, que já entraram para a história, destacando-se entre os cartunistas brasileiros.  Recife é o berço dos irmãos Octavio e Sergio Cariello. Como todos os artistas citados acima, os irmãos Cariello trafegam pelas mesmas formas expressivas em vias muito distintas. Esta, talvez, seja a característica mais impressionante de toda essa gente. Abençoados com os mesmos dons, traçam os próprios passos.

Não conheço Sergio Cariello e não tenho receio em afirmar que sou o melhor amigo de Octavio Cariello. O primeiro mudou-se para os EUA, lá desenvolveu uma carreira de sucesso e, de lá, seu trabalho ganhou outras praças, chegando ao Brasil. Nos próximos dias Sergio Cariello estará em São Paulo e no Rio de Janeiro em eventos que destacarão, provavelmente, a maior empreitada do artista. Sergio Cariello ilustrou nada mais, nada menos do que a Bíblia.

Projeto desenvolvido pela David C. Cook, a “Bíblia em Ação” foi totalmente ilustrada pelo artista brasileiro que, hoje, reside na Flórida. São 750 páginas com mais de 200 narrativas, na mesma ordem do original sagrado. Antes de chegar a esse projeto, Sergio Cariello ganhou o respeito dos americanos trabalhando para as gigantes editoras Marvel e DC Comics.

Octavio Cariello saiu de Recife para São Paulo. Chegando por aqui logo conquistou admiração e respeito, sendo eleito por seus pares como um dos maiores desenhistas brasileiros. Ficou conhecido nacionalmente desenhando novas charges para o “Amigo da Onça” e ganhou o mundo em publicações internacionais, chegando a desenhar parte da saga “Entrevista com o Vampiro”, original de Anne Rice.

Pude contar com o talento de Octavio Cariello quando dirigi a peça “A História de Lampião Jr. e Maria Bonitinha”, original de Januária Alves, produzido pela Kavantan & Associados. Foi ele o responsável por toda a programação visual da montagem – cartazes, convites, programa, anúncios – o que contribuiu para o sucesso do nosso trabalho. Os caminhos de Octavio conduziram-no para a literatura e, meses atrás, escrevi sobre o lançamento de Tueris, o romance escrito por ele. Antes, Octávio foi o responsável pela minha estréia em livro, quando organizou a coletânea Alterego, onde participei com um conto.

Os caminhos desses irmãos são brilhantes. Com capacidade expressiva similar, cada um percorreu um caminho peculiar, único. Pessoas iguais, com os mesmos talentos, oriundas de um mesmo lar, tiveram a possibilidade de buscar um caminho próprio, onde se realizam e são felizes. Isso é muito bom!

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Bom feriado!

Notas:

Octávio Cariello divide o que sabe com seus alunos na Quanta, academia de artes. Anote informações sobre a vinda de Sergio ao Brasil: