Setembro e as flores do nosso jardim

O jardim em construção e o outro, dos tempos da Bela Vista.

Equilíbrio é circunstância que nos faz bem. Temperança, a virtude bíblica quando aplicada ao clima nos dá o conforto necessário para viver sem os excessos do verão e os rigores do inverno. Outono e primavera sinalizam, respectivamente, anúncios de fim e de início da vida. E setembro chega, dando adeus ao inverno e celebrando a vida que explodirá em flores, sinal máximo de renovação da vida, da natureza.

Anunciada oficialmente para 22 de setembro, a primavera já deu sinais no nosso pequenino jardim com duas tímidas e desbravadoras flores do nosso Lírio da Paz. Os últimos dias desse inverno rigoroso e ventos atlânticos por mim até então desconhecidos judiaram primeiro das nossas samambaias e em seguida, do “comigo ninguém pode”.  As aspas estão em decorrência da ironia entre o nome da folhagem e a força do vento invernal que rasgou e queimou as folhas, antes fortes e belas.

Em dias de Roberto Carlos, longe de ser o Rei me deparei com o estrago do tempo e verbalizei mil desculpas e, parando tudo, providenciei novo espaço para o Comigo Ninguém Pode. Sempre conversando sobre a nova vida que virá. Já havia feito o mesmo com as samambaias, agora também protegidas do vento, das chuvas e do frio. Tendo por base o jardim da orla aqui em Santos, com vários canteiros com belos Lírios da Paz, estou mantendo o vaso na sacada, atento aos possíveis efeitos desse fim de inverno.

O hábito vem de longe! Se está tudo bem com as plantas, está tudo bem com a vida. Na nossa nova casa realizei um velho sonho de uma sacada com vasos, bem florida, bem cheia de verde e ocasionais cores de flores e frutos. Os destaques estão citados acima: o vaso maior com Comigo Ninguém Pode, o médio com Lírios da Paz, samambaia e Flor de Maio, e três pequenos, um com Espada de São Jorge e Santa Rita, outro com uma flor pequenina recebida como presente de aniversário e o terceiro, um órfão de origem desconhecida.

O pequeno órfão foi, há mais de 20 anos, jogado no lixo por alguém…  Vendo o pequeno vaso abandonado não resistimos, João Luiz e eu, trazendo-o para casa. Guerreiro, ele nunca arrefeceu e invariavelmente renova todas as suas folhas, até mesmo já florindo algumas vezes. Foi o primeiro a dar sinal de estar feliz em Santos, com novas e verdíssimas folhas. O mesmo não ocorreu com as “estrelas da companhia”.

A samambaia com sua grande quantidade de folhas caindo pelas laterais do vaso suspenso me lembram os cabelos de gente muito querida e de madeixas vastas: Gal Costa, Wanderléa, Maria Bethânia… Foi a primeira vítima dos ventos frios do litoral. Em noites de tempestade os ventos do atlântico embaraçaram e rebentaram folhas, transformando o vaso em Medusa nervosa, tensa. Mil pedidos de desculpa e pronta mudança para área protegida. Em pouco mais de duas semanas já dá sinais de que, em breve, voltará a bater cabelo melhor que qualquer Drag Queen.

O anúncio de novas folhas é o sinal de que a “Comigo Ninguém Pode” está bem. E, exercendo meu direito a superstições cotidianas, sei que tudo ficará bem, ou que novo projeto dará certo se, junto com a novidade aparecem novas folhas no meu vaso. Foram essas que me deram a certeza de ter dado passo certo nessa mudança.  Todavia… Ontem passei boa parte do dia tratando da doente, acidentada pelo vento e pelo frio que queimou e maltratou a maioria das grandes folhas. Logo a convalescente voltará ao brilho costumeiro. Os jovens brotos estão lá e, superstição número dois, não conto quantos brotos são. Isso é para que todos vinguem e se tornem belas folhas.

Já desejei um dia que toda e qualquer casa tivesse um jardim. Uma sacada com plantas, uma janela com vasos de flores… Silenciosas e tímidas, nossas flores exigem pouquíssimos cuidados e brindam-nos diariamente com seu frescor, suas cores, tudo cheio de muita vida. E setembro é o mês em que, desejosas da primavera, nossas plantas renovam-se como se preparando para a grande festa que esse mês nos traz, a chegada da primavera.

Boa primavera para todos nós!

Tudo o que nos propicia paz

Os lírios da paz, presente da amiga Lisa, enfeitam minha casa.
Os lírios da paz, presente da amiga Lisa, enfeitam minha casa.

Lírios da paz são plantas de fácil cultivo. Um pouquinho de terra, água, sol e a plantinha nos presenteia com flores durante todo o ano. Mais uma passagem de ano e a palavra paz sendo incalculavelmente pronunciada. Como a plantinha, carecemos de outras coisas para que tenhamos paz. Pra não ficar uma idéia vaga, cabe lembrar que…

Sem saúde, não há paz! Não há a possibilidade de sossego sem trabalho, sem dinheiro. Um amorzinho bem delícia, então, nem se fala! Tudo isso e mais um montão de outras coisas que nos propiciam paz, tranquilidade é o necessário. O fundamentalmente necessário. Portanto, ao desejar paz para alguém, estejamos cientes que queremos tudo o que há de bom nesse planeta para nossos familiares, amigos, conhecidos… e os outros, todos os outros seres do planeta. Nossa paz depende muito desses outros! Assim, paz para todo mundo.

.

Feliz 2013!

Um carinhoso abraço para todos.

.