A roteirista de Buriticupu

Neste blog quero começar 2020 com notícia boa. Após a apresentação da peça “Quem Prospera Sempre Alcança”, no final de dezembro, a produtora Sonia Kavantan recebeu e me transmitiu a seguinte mensagem: “- Pra alegrar o seu dia. Este é um comentário no Insta da Kavantan”:

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A mensagem refere-se ao Projeto Arte na Comunidade em sua primeira edição, quando percorremos dezenas de cidades dos estados do Pará e Maranhão. Entre as cidades, Buriticupu, no Maranhão. Produção da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, “Vai que é bom, O Casamento do Pará com o Maranhão” foi o texto que escrevi, dirigido por Emanoel Freitas e interpretado por atores paraenses. Visando resgate e valorização da cultura local, o Arte na Comunidade percorreu as cidades da Amazônia com uma tenda com capacidade para 400 pessoas sentadas e muitas centenas de outras que viam a montagem pelas laterais, abertas para minimizar o calor.

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O Casamento do Pará com o Maranhão

Receber essa mensagem tantos anos depois é um grande alento. É bom demais saber que uma menina que não conheço, e por isso optei por não divulgar o nome, teve nossa peça como start para a profissão de roteirista. Temos mantido contato com algumas pessoas que conhecemos por lá, durante a temporada que durou dois anos. Volta e meia recebemos esse tipo de retorno mostrando aspecto afetivo e, simultaneamente, consequências das nossas andanças por diferentes regiões do país. Ficamos felizes e agradecemos aos céus a oportunidade de realizar tal trabalho.

O Projeto Arte na Comunidade continuou, após o Pará e o Maranhão, com a segunda edição no Pontal do Triângulo, onde percorremos quatro cidades. A terceira foi na Baixada Santista, contemplando cinco cidades e a quarta, mais recente, no Vale do Paraíba, onde o projeto passou por quatro cidades. Estamos trabalhando e, embora com toda a realidade que não ignoramos, vamos insistindo e logo, se Deus quiser, teremos a quinta edição, em alguma região desse nosso imenso país.

 

Feliz ano novo!
Até mais.

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz no AC4

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Neste final de semanas realizaremos testes com atores do Vale do Paraíba para atuação no Arte na Comunidade 4, o AC4. É um momento de crucial importância, já que serão esses profissionais que entrarão em contato direto com o público geral das cidades participantes, em especial os alunos das escolas dos municípios.

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz entram no mapa do Projeto Arte na Comunidade, que já visitou cidades do Pará, Maranhão, Minas Gerais, sendo que esta é a segunda incursão em São Paulo. A mais recente edição foi na Baixada Santista em 2015.

Sonia Kavantan, a idealizadora e produtora do AC4, o diretor musical Flávio Monteiro e eu, autor e diretor dos textos, estaremos em Cruzeiro para a realização dos testes. Até agora temos sido muito bem recebidos pelas secretarias de educação dos municípios que estão nos facilitando acesso às escolas para a concretização do Projeto.

O Arte na Comunidade busca incentivar as culturas regionais através de contação de histórias, espetáculos teatrais e atividades junto aos alunos das redes municipais. Os fatos marcantes, a história e as características de cada localidade são o foco para trabalhos criativos: elaboração de textos, poemas, peças, além de expressões plásticas.

As três cidades do Vale do Paraíba têm importância notável desde o tempo da busca do ouro pelos Bandeirante, também durante o ciclo do Café, nos primórdios do século passado; pela posição geográfica estratégica tiveram participação vital na Revolução Constitucionalista de 1932. Os municípios estão próximos às divisas com os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro na região dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira. Banhadas pelo Rio Paraíba do Sul, as cidades visitadas pelo AC4 são marcantes na história do Vale e de todo o Estado de São Paulo.

Estamos felizes por mais esta oportunidade e assim, vamos em frente! Sempre que possível registrarei aqui algumas etapas desse projeto.

Até Mais!

 

 

Vamos para o Vale do Paraíba?

Sempre passei pela Via Dutra em viagens ao Rio de Janeiro, Aparecida ou como atalho para o litoral norte paulista. Carro ou ônibus, a visão que se tem do Vale do Paraíba é encantadora. Seja pela imensidão da Serra Mantiqueira mostrando-se com infinitas possibilidades conforme recebe os raios solares, ou então em longos trechos em que se tem a companhia do rio e da estrada de ferro. A paisagem atrai, estimula a curiosidade, reaviva lembranças.

Múltiplas cidades alternam impressões do viajante que passa pela Via Dutra. As indústrias de São José dos Campos, recordações de Monteiro Lobato em Taubaté, os mistérios da fé em Aparecida e, já no estado do Rio de Janeiro, a seriedade militar de Resende, a altivez do Itatiaia, a descida de outra serra para ganhar o litoral fluminense… Há mais; muito mais!

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Uma tenda com palco italiano e capacidade para 400 pessoas sentadas (as laterais ampliaram o número de espectadores) percorreu cidades do Pará e Maranhão.

A quarta edição do Projeto Arte na Comunidade será no Vale do Paraíba! A primeira ocorreu nos estados do Pará e Maranhão, percorrendo dezenas de cidades da Amazônia. Desde então, enfatizando os objetivos primordiais tais como o resgate e a valorização da cultura local, atentando para questões de preservação ambiental e de educação para a cidadania o Arte na Comunidade foi em frente. A segunda edição foi em Minas Gerais, no Pontal do Triângulo Mineiro.

Quatro cidades mineiras receberam os agentes do projeto em apresentações públicas e, em seguida, foram realizadas apresentações teatrais em escolas municipais estimulando o levantamento de aspectos locais através da criação de textos e contação de histórias. Uma mostra teatral encerrou a aplicação do projeto na região e, entre as atrações, uma exposição dos resultados dos trabalhos realizados pelos alunos de cada cidade.

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Mostra teatral e atividades nas escolas dos municípios ocorreram em Minas Gerais.

A terceira edição, em 2015, ocorreu na Baixada Santista acrescida de um maior contato com os educadores das cinco cidades participantes, resultando em expressiva adesão e participação dos mesmos nas diferentes etapas do Arte na Comunidade. Agora em 2016 prosseguimos em cidades paulistas: Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz são os novos destinos do nosso projeto.

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Exposição do resultado das atividades em escolas da Baixada Santista foi um fato marcante do Arte na Comunidade 3.

E assim, lá vamos nós para o Vale do Paraíba! Sonia Kavantan, a idealizadora do Arte na Comunidade, Lilian Takara, Milka Master, Filipe Brambilla e Flávio Monteiro. Nossa equipe começa enxuta, aumentando posteriormente com profissionais da região visitada. Somaremos produtores, técnicos, atores entre outros companheiros que comporão a equipe final com os educadores e representantes de cada município para a concretização do trabalho.

Mais uma vez tenho a honra de escrever os textos – já comecei! – e também farei a direção dos espetáculos. Além do que publicarei aqui, neste blog, convido todos a seguirem as ações do Arte na Comunidade através das redes sociais e do blog que registra as atividades do projeto. Grandes descobertas, expressivas experiências, o Arte na Comunidade beneficia as comunidades visitadas e todos que dele participam.

Até mais!

Visite-nos:

Facebook – https://www.facebook.com/artenacomunidade/

Blog – https://blogartenacomunidade.wordpress.com/

 

 

Junho de santos e artistas

Bethânia, Chico, Erasmo e Wanderléa: Junho!

Sapeando na internet vi um vídeo com Wanderléa participando do novo programa do Danilo Gentili. Antes vi a campanha publicitária com a participação dela, sobre o trânsito em São Paulo. Agora, estava também na reprise do Globo de Ouro, no canal Viva. Três vezes Wanderléa que, por final, fez aniversário neste dia 5. Junho, finalmente, começou. E Wanderléa vem reforçar a lembrança de minha avó materna, que também fazia aniversário neste dia. Wanderléa, Erasmo Carlos e minha avó. Que trio!

Vovó comemorava o próprio aniversário e o de todos nós, crianças, fazendo sequilhos. Recentemente encontrei sequilhos industrializados; tive ímpetos assassinos por chamarem aquilo de sequilho. Como os feitos por minha avó só encontrei, em tempos recentes, no Estado do Maranhão. Especificamente em um simpático hotel em Imperatriz, quando de passagem para Açailândia. O café da manhã no hotel, em Imperatriz, foi com toda uma série de bolos, pães e outras preciosidades, como o sequilho, tudo feito na hora. Após o café, andando pelo centro da cidade fiquei impressionado com a quantidade de lojas vendendo vestidos típicos das festas juninas.

Quem é do norte, nordeste, vive as festas de junho com uma intensidade mil vezes maior que no sudeste. É gostoso brincar com o folclore que envolve o primeiro santo de junho, Antônio, o casamenteiro. Na véspera do dia 13 ainda há moças que acreditam nos poderes do santo para arranjar-lhes um marido. Logo depois, dia 24, vem São João, o Batista; aquele que batizou Jesus Cristo e para o qual se acende a fogueira, avisando Maria, a mãe de Cristo, sobre o nascimento do filho de Isabel.

Entre 13 e 24 de junho, outros artistas, todos bem amados: Chico Buarque, no dia 17; Maria Bethânia, Isabella Rossellini e Paul McCartney no dia 18; Jean-Paul Sartre no dia 21; Meryl Streep no dia 22. No dia 23 é o dia de Elza Soares. Só feras! Grandes feras! Juntinho com São João, no dia 24, por exemplo, nada mais, nada menos que Bob Dylan.

Junho de Sartre, Guimarães Rosa e Saint-Exupéry

Caminhando para o final do mês, as festas continuam para prestar homenagens também a São Pedro, o dono da porta do céu. Próximos dessa data, sintomaticamente, grandes figuras, acima do comportamento dos comuns:  João Carlos Martins, o maestro, faz aniversário dia 25 e em seguida, 26, Gilberto Gil. Depois de Gil, dia 27, Guimarães Rosa, antecedendo Raul Seixas que é do dia 28. No próprio dia de São Pedro, lembramos Antoine de Saint-Exupéry. Finalmente, se o mês de junho começa, no dia primeiro, com a loira Marilyn Monroe, termina com a perturbadora morenice de Dira Paes, no dia 30.

É fatal voltar ao passado em Junho. Um tanto de melancolia; rever o passado, pensar naquilo que vem pela frente. É como me sinto neste mês do meu aniversário; repensando o presente, vendo o que é possível fazer no futuro. Se eu penso em artistas e santos, mais que vaidade, tem a vontade ser como eles. Tento ser legal para um dia, quem sabe, estar entre eles quando alguém, no meio da noite, escrever sobre o próprio mês de nascimento. Por enquanto, nem santo, nem artista; apenas humano. Com vontade de ser melhor. Já está de bom tamanho; ou não…

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Até mais!

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Sérgio, Cesária e Joãozinho

Começo a semana homenageando três grandes figuras, cada uma delas ligada à uma área, das três principais áreas deste blog. O teatro ficou sem Sérgio Britto, a música de Cabo Verde ficou sem Cesária Évora e o carnaval brasileiro perdeu um grande gênio, o artista plástico Joãozinho Trinta.

Sérgio entre Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi, na época do Teatro dos Sete

O nome de Sérgio Britto me é familiar deste criança; ele foi diretor da novela A Muralha, exibida pela extinta TV Excelsior, em 1969. Fiquei encantado com a saga dos Bandeirantes e recordo estes bravos primeiros paulistas desbravando o Brasil. Recordo dessa novela um ataque à casa grande, com os homens fora, e a defesa sendo feita por mulheres. Duas atrizes já tinham total domínio do ofício e garantiam grandes cenas: Nathália Thimberg e Fernanda Montenegro. Estas têm suas histórias profissionais ligadas a Sérgio Britto. No TBC, no Teatro de Arena, no Teatro dos Sete. Escreveram a história do teatro brasileiro do século XX e continuam, neste XXI.

Conheci Sérgio Britto nas minhas andanças por São Paulo. Era simpático, falante, educado. Parecia sempre disposto a contar histórias do seu passado, da sua profissão. Uma generosidade em transmitir o que sabia que foi sistematizada na CAL – Casa de Arte das Laranjeiras, a escola da qual foi um dos fundadores e que está entre as nossas principais instituições de ensino de teatro.

Também tive o privilégio de ver um show de Cesária Évora. Convidado pela também cantora Angélica Leutwiller fui conhecer a cantora de Cabo Verde. A apresentação foi inesquecível. Cesária pareceu-me uma mulher vivida, sofrida; nada do glamour que possa sugerir a expressão “Diva dos pés descalços”, como foi chamada em vida. Creio que o vídeo fale por si. A voz límpida, afinada, sobretudo uma voz forte e ao mesmo tempo de uma doçura incrível.

Daquele show de Cesária Évora guardei a lembrança da mulher tranquila que, com um sorriso sincero e simultaneamente gaiato, interrompeu o espetáculo por alguns minutos, anunciando que precisava ir “la fora” fumar. Voltou para concluir o show com voz tranquila, colocando Cabo Verde no mapa musical das minhas preferências.

Assim como Cesária Évora fez seu país ser lembrado por todos os lugares onde passou, Joãozinho Trinta colocou a escola de samba Beija-flor de Nilópolis na história do samba, marcando definitivamente o carnaval do Rio de Janeiro.

O carnaval de Joãozinho Trinta: Irreverência e protesto com humor

Joãozinho Trinta encarna um tipo diferente de artista, ligado às artes plásticas, com um invejável domínio de composição visual. Há que se considerar que um desfile de escola de samba é um monte de coisas: teatro, ópera, dança, enfim é um grande espetáculo com uma única apresentação. Compor dezenas de alas, alguns carros alegóricos, destaques diversos e colocar tudo isto em uma passarela com harmonia, beleza e ritmo contagiante não é coisa para qualquer mortal.

O carnavalesco Joãozinho Trinta será lembrado pelos imensos carros alegóricos com mulheres espetaculares; pela ousadia de, impedido de colocar uma escultura do Cristo Redentor – veja foto acima – responder com elegância e fé ao ato de proibição originado da própria igreja católica. Também será lembrado pela alegria, pelas referências ao seu amado Maranhão, sempre com a alegria que caracteriza sua gente.

Três diferentes grandes artistas. Sérgio Britto, Cesária Évora, Joãozinho Trinta. Os três falecidos no mesmo dia, 17 de dezembro de 2011. Vale lembrar, sobretudo homenagear e agradecer pelos incontáveis momentos de arte que nos proporcionaram.

Vamos em frente! Boa semana para todos.

Um só Pará!

O autor da proposta de divisão do Pará não conheceu o Estado e os paraenses que eu conheci.  Teria evitado uma derrota histórica. Os eleitores negaram em plebiscito neste domingo a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. O Pará segue em frente, sem divisões territoriais.

Meu trabalho: teatro em Santa Maria, no Pará

Quem conhece o Pará sabe que esse resultado seria previsível. Estive algumas vezes em Belém, a capital, passei por Castanhal e visitei Santa Maria.  Naquele período pesquisei um pouco mais e levantei informações também sobre Breu Branco, Goianésia, Tailândia e Abaetetuba. Ficou evidente em todos esses lugares o amor e o orgulho dos paraenses pela própria terra.

A festa do Círio de Nazaré: O Pará é filho de uma única mãe

A festa do Círio de Nazaré impressiona e torna o Pará inesquecível. Todo o grande Estado é filho de uma única mãe (Os autores da divisão não consideraram isso?); todo o Paraense tem orgulho de ser nortista, de pertencer à Amazônia.  E dizer-se da Amazônia é mais um elemento de união, entre muitos outros.

Quando cheguei ao Pará pela primeira vez achei estranha a preocupação do Governo em buscar patos no vizinho Maranhão. Depois descobri que o verdadeiro paraense não deixa de comer pato no tucupi no dia da procissão do Círio. Iniciando-me nos deliciosos mistérios do Pará experimentei tacacá, vi a chuva chegar e ir embora rapidinho. Sobretudo gostei da gente morena, bonita, com um jeito impecável de falar nossa língua.

Experimentando Tacacá ao lado de D. Maria do Carmo e Emanoel Freitas

A língua une assim como também a amazônia, o amor pela Virgem de Nazaré, o prazer em apreciar o açaí, outra delícia paraense. O que pretendiam com a separação? Aumentar o número de políticos com seus salários astronômicos? Quem realmente se beneficiaria com isto? Há uma diferença brutal entre descentralização do poder e divisão desse mesmo poder,  assim como é diferente administração eficaz de aumento da máquina administrativa.

Já quiseram separar o Triangulo Mineiro de Minas Gerais. Tudo resolvido entre os donos do poder, sem qualquer consulta ao povo, como o louvável plebiscito que acaba de impedir a divisão do Pará. Até onde soube, o Triangulo manteve-se Mineiro por conta de certo prefeito que, para não ser processado por irregularidades, votou contra a separação. O que teria dito o povo, o meu povo?

Penso que devemos aprimorar os mecanismos de votação do país já que avançamos tanto em termos de eleições computadorizadas. Escrevo isso pensando em plebiscitos menos caros, feitos via internet. Se nós somos capazes de declarar impostos digitalmente, sem riscos de problemas, porque não podemos opinar sobre outras questões, tão importantes quanto a divisão de um Estado? Pode ser um pensamento utópico; espero que um dia torne-se realidade. O que importa, sobretudo, é que a voz do povo possa ser realmente a voz do povo.

Ouso sonhar que chegaremos a um momento em que, efetivamente, será a vontade da maioria que decidirá algumas questões nacionais. Assim, o “político esperto” pensará duas vezes antes de propor divisões ou soluções duvidosas.

Boa semana para os paraenses, boa semana pra todos nós!

Nota para quem chegou recentemente:

Convidado por Sonia Kavantan participei de uma produção que percorreu parte dos Estados do Pará e do Maranhão.

Para lembrar: o cartaz da nossa montagem

Um dos objetivos do trabalho era a valorização da cultura dos dois estados e, para que isso fosse possível sobre um palco, idealizei a peça “O Casamento do Pará com o Maranhão”. Sou o autor do texto e a produção foi feita com artistas paraenses, com direção de Emanoel Freitas. Tenho um orgulho danado de ter participado deste trabalho.  O início desta história está registrado aqui. As fotos que ilustram o post de hoje são desse  período.

Vai que é bom!

Quando Sônia Kavantan convidou-me para escrever uma peça de teatro, para cumprir temporada em cidades do interior do Pará e do Maranhão, aceitei imediatamente. Saí da nossa primeira reunião com mil idéias na cabeça, ansioso para começar a pesquisar e escrever. Minha primeira intenção envolveu o grupo MAWACA.

Jabuti sabe lê, não sabe escrevê

Trepa no pau, não sabe descê…

As meninas do MAWACA cantam o tema acima, das danças maranhenses, denominadas Cacuriá. No disco do MAWACA, elas cantam com TIÃO CARVALHO, que aprendeu em São Luís, a capital do Maranhão, os cantos e danças dessa festa, que acontece após a procissão do Divino. 

Também pensei em FAFÁ DE BELÉM e nos seus carimbós. Nas melodias das canções que remontam às origens da cantora. Cogitei a BANDA CALYPSO e outros grupos similares, assim como, ao pensar no Maranhão, meu primeiro nome foi ALCIONE, com sua voz potente e afinada, lembrando os cantos de seus conterrâneos.

Levanta, boi e vai

Que é pro amo ver

Que boi também chora,

Também sente dor…

 Depois veio ZECA BALEIRO, mas aí, eu já não queria mais FAFÁ, nem ALCIONE, nem ninguém. Primeiro porque, após reuniões, o foco do texto foi para o interior, nas várias cidades onde ocorrerão as apresentações. Segundo, porque fui descobrindo que, apesar da grandeza desses artistas, cosmopolitas, Pará e Maranhão são muito mais.

Fiz um “curso intensivo” revendo tudo o que já tinha visto sobre os dois estados brasileiros. Aprendi outras tantas novidades, ao pesquisar as cidades interioranas.

As danças regionais, parte do folclore abordado pela peça.

VAI QUE É BOM! É o título da peça, com o subtítulo “O casamento do Pará com o Maranhão”. A montagem está em andamento e a estréia prevista para o início de novembro. A equipe de profissionais, atores e técnicos de lá, já está trabalhando. Logo apresentarei todos eles aqui, para o pessoal do blog.

A peça é uma comédia onde, através de um casamento, os hábitos e costumes regionais são celebrados. A música, o folclore, a culinária, a mata nativa e, principalmente suas figuras humanas ganham destaque. Outras questões são abordadas: a preservação das riquezas arqueológicas, os problemas do desmatamento irregular e a diversidade cultural advinda da formação recente dos aglomerados urbanos.

Castanhal, no Pará, está no roteiro da peça.

Começo, assim, uma viagem inicialmente virtual, para mostrar alguma coisa dessa grande região; do trabalho teatral que faremos e, depois, irei lá para algumas reuniões e ensaios. De quebra, verei o CÍRIO DE NAZARÉ, em Belém. Trarei todas as informações aqui, no Blog do Vavá.

Quanto às músicas da peça, fiz sugestões, preferindo que a direção escolha o que há de mais representativo para ilustrar as cenas. Isso significará para nós, que estamos longe, além de um senhor aprendizado, diversão garantida, genuinamente brasileira. Enquanto não temos a trilha da peça, em breve falarei sobre essas duas maravilhosas cantoras e outras expressões da região.

 

Até!

 

Publicado originalmente em http://www.papolog.com/valdoresende