Lá se vai Eva Wilma! A inesquecível!

Eva Wilma (divulgação)

Eu não vi “Alô, Doçura!”. Fiquei fã apaixonado de Eva Wilma em “As confissões de Penélope”, um programa diário de Sérgio Jockyman onde, por alguns minutos, ela contava histórias hilárias para um psicanalista. Nunca me saiu da memória o episódio em que Penélope, levada ao campo de futebol pelo marido (interpretado por John Herbert), em meio a uma torcida ela resolve torcer para o time adversário, posto que esse tinha a camisa mais bonita… Também recordo outro, quando a mesma Penélope estava sendo roubada por uma empregada e esta se gabava para as amigas de roubar a patroa. Penélope passou a exigir um strip-tease da empregada todo o dia, inclusive elogiando a plástica da moça. A funcionária estava com um prato e era este o objeto roubado, só descoberto no final do episódio.

Eva Wilma foi estrela absoluta da TV Tupi. E foram muitas novelas, muitas paixões por uma atriz incrível, uma mulher belíssima, uma pessoa encantadora. Em “Nossa Filha Gabriela” atuou com Gianfrancesco Guarnieri e, com este, protagonizou cenas memoráveis quando a ingênua Gabriela não percebia o amor do diretor da trupe de teatro ambulante, presa em uma pequena cidade até que se descobrisse quem era o pai da personagem.

Em “Meu pé de laranja lima”, Eva Wilma foi a irmã mais velha, amarga, judiando da criança interpretada por Haroldo Bota. Preferi, tempos depois, vê-la como vamp avassaladora em “A barba azul”, esta novela de Ivani Ribeiro. Com dignidade incrível, a atriz reviveu a Maria Helena, mãe de Alberto Limonta na célebre O Direito de Nascer. A Tupi já estava em crise. Algo impensável para o grande império de Chateaubriand que, contando com o talento de Eva Wilma, havia realizado Mulheres de Areia (onde eternizou as gêmeas Ruth e Raquel) e A Viagem, dois marcos na telenovela brasileira, recordes em outras versões e prestes a receberem novas montagens.

Eva Wilma transitava da ingênua para a má, da vamp para a tímida, colocando todas as nuances de diferentes mulheres em suas personagens. Fazia comédia e drama com a mesma maestria e acima de tudo, fato ainda raro mesmo em um país dominado pela televisão, sabia contracenar com a câmera. Conversava com o telespectador em momentos sutis de novelas como A indomada, já na Rede Globo. Nesta emissora Eva Wilma manteve-se ímpar, garantindo qualidade das produções em que atuou.

Cheguei para morar em São Paulo quando a atriz contracenava com Paulo Autran em “Pato com Laranja”. E tive o prazer de conhecê-la, ao lado do marido Carlos Zara, em um evento da Rede Globo de lançamento da Quarta Nobre. Naquela noite percebi o quanto a mulher, que eu admirava desde menino, era educada, delicada, refinada. Eu entrevistava Carlos Zara quando ela chegou. Ele já estava “alto” e ela seguiu, durante toda a noite, ao lado dele, com carinhoso cuidado. Uma princesa. A última vez que a vi, no palco, foi ao lado de Nicette Bruno em “O Que teria acontecido a Baby Jane”. Duas atrizes soberbas, impecáveis, levadas para outras esferas nestes tempos terríveis em que vivemos.

O Brasil tem o privilégio de contar com grandes atrizes, talentosas atrizes. Mulheres incríveis. Eva Wilma, que hoje vira estrela eterna, é a estrela da minha infância, da minha adolescência aqui enfatizadas nos trabalhos citados, quando a TV começava a dominar horários. Segui essa atriz por onde ela foi e sempre parei para ver o que ela estivesse fazendo em novela, filme, minissérie ou uma entrevista. Pude endereçar-lhe meu carinho via mensagens on-line nos especiais, certamente os últimos, feitos ao lado do filho, Eva cantando e declamando poesias, contando histórias de sua memorável trajetória profissional. Ela permanecerá em minha memória, nas lembranças de milhões de brasileiros, na nossa história.

Obrigado, Eva Wilma!

Nossas escolhas culturais ou meus dias de Michael Jackson

Sem querer colocar dedo em alguma ferida; também não quero oferecer carapuças sem que me peçam. A intenção é refletir e, sem receio, mostrar experiências recentes.

Visitei alguns lugares na semana passada; o objetivo primeiro era escrever sobre os mesmos aqui no blog. Estamos em férias, vamos aproveitar! Estranhamente, os locais estavam vazios. Muito vazios. Postei uma única foto do espaço atual do Museu do Theatro Municipal e registrei a presença de um único rapaz, que chegou lá com um casal. Aqui outra foto, novo ângulo, do espaço pouco visitado.

Um imprevisto impediu-me de visitar Jennifer Monteiro (e faço questão de registrar aqui meu pedido de desculpas!) e resolvi voltar e refazer o itinerário anterior, em plena tarde de sábado, com um amigo. Foi por estar em agradável companhia que posso postar a próxima foto. De caso pensado, pedi uma imagem que deixasse evidente minha “solidão”. Ficou assim:

Brincamos e lembrei-me de Michael Jackson que fechava grandes lojas para não ser perturbado enquanto fazia suas escolhas. Em momentos ranzinzas já sonhei ser o Rei do Pop e fechar alguns museus para não ser perturbado pelo excesso de visitantes.

E não é que eu estava tendo um belo dia de Michael Jackson! Vejam! Imensos e belos espaços culturais a minha disposição. Guardadas as devidas proporções, não sou superstar, nem preciso de seguranças para caminhar pela cidade. Apenas de um “assessor” para fotos.

Fomos almoçar no shopping mais próximo e este sim, estava lotado. Filas para tudo. Caixas das lojas, escadas rolantes, praças de alimentação. Filas de consumidores vorazes.

As pessoas consomem aquilo que querem; aquilo com o qual se identificam. É um direito. Outro direito é esculhambar as escolhas alheias. E quando criticam algo publicamente, abrem a possibilidade de debate, mesmo quando a crítica é avassaladora, quase condenando ao extermínio aquele que não compartilha do mesmo gosto.

Há um imenso espaço nas redes sociais usado pelos críticos do cantor de sucesso da hora, do reality show do momento, só para ficar nos exemplos atuais que recebem opiniões contundentes. Ok! Repito que as pessoas têm o direito de criticar, penso que devem exercitar esse direito. A questão é que visitei um terceiro lugar… Também vazio.

É lamentável que em dois dias distintos, em pleno mês de férias, em dias ensolarados, belos espaços culturais da maior cidade da América do Sul estejam vazios. Em todos os lugares aqui evidenciados a entrada é gratuita!

Sinceramente, pouco ouvi a música de sucesso da hora. E só vi cenas do atual reality show enquanto aguardava o programa sobre Dercy Gonçalves. Longe de bancar o esnobe! Sigo “Mulheres de Areia” religiosamente e reitero minha paixão pela “Viúva Porcina”, na reprise de “Roque Santeiro” na madrugada (Férias!). E gosto de ver os comentários do Fernando Brengel enquanto rola “Fina Estampa”. Agora, fico bastante incomodado ao visitar espaços vazios, na cidade de milhões de habitantes.

Nossa São Paulo tem lugares estimulantes! Para todos os gostos, para todos os bolsos. Jennifer Monteiro e Fernando Brengel, os amigos citados neste post, aproveitaram as férias para uma visita ao incrível Museu do Futebol. Espero que tenham encontrado muitas pessoas por lá. Estudantes, crianças, pessoas de todas as idades, pois eu, decididamente, tendo dois dias de espaços culturais “exclusivos” não gostei da idéia de ser  solitário como foi o querido Michael Jackson.

Boa semana!

Ops! Não coloquei legenda dos outros lugares visitados, não é! Aguardem. Escreverei sobre os mesmos.

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