Duas canções para Laura

aniverMAMA

Há canções que me levam para a infância; uma delas é “colcha de retalhos”; minha mãe enfrentando bravamente a dureza do dia a dia com música nos lábios. A voz de minha mãe é de soprano, bem suave e doce. Como a voz de Inhana que casa tão bem com os graves de Cascatinha.

Sussuarana é canção muito antiga. Traz de volta a Uberaba da minha infância, dos programas de rádio sempre na voz de Nhô Bernardino ou Jesus Manzano. Maria Bethânia e Nana Caymmi não cantaram nos programas de então; a interpretação de ambas remete à um Brasil tão antigo quanto perene, imutável, por mais que o tempo e o progresso avancem.

Duas canções para minha mãe. Para todas as mães. Laura, nossa mãe, ainda gosta de Cascatinha e Inhana e, com certeza, vai adorar as interpretações de Bethânia e Nana. Espero que outras mães, passando por aqui, recebam com ternura as canções que escolhi.

Até mais!

Elis Regina em 1965

elis menino das laranjas

Tornar-se cantora e ficar entre as melhores do Brasil foi tarefa gigantesca até para Elis Regina. É possível constatar a grandiosidade enfrentada pela cantora, por exemplo, traçando um painel do ano de 1965. Neste ano Elis projetou-se nacionalmente ao vencer o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com “Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Morais). De quebra fez um show com Jair Rodrigues e o Jongo Trio que resultou em disco e programa de TV – O Fino da Bossa – entrando definitivamente para a história da música brasileira.

Em 1965 atuavam algumas mulheres que embora na faixa dos quarenta anos, por contingências da época já eram “velha guarda”. Cantoras extraordinárias como Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha Borba e Isaurinha Garcia enfrentavam a passagem da era do rádio para a era da TV. Elis tinha o trunfo da juventude até mesmo perante outra das maiores cantoras brasileiras, Ângela Maria, que em 1965 já estava com 36 anos. Maysa, também notável entre as melhores, estava com 29 anos e Elsa Soares, sambista ímpar, chegava aos 28.

Perante grandes cantoras, ídolos reconhecidos pela crítica e pelo público, Elis Regina era uma jovem surgindo com brilho no cenário musical brasileiro. Para representar a modernidade na música brasileira Elis tinha que estar à altura de Sylvia Telles, embora o mercado exigisse que ela fosse tão popular quanto Celly Campello.

1965 - Arrastao - Elis REgina (1)

Além das cantoras já estabelecidas outras meninas, como Elis, iniciavam carreira. Em 1965 Nara Leão já era um grande nome. Dona de personalidade marcante e de uma privilegiada visão de mundo, Nara unia compositores dos morros cariocas aos jovens bem nascidos da Zona Sul, mudando os rumos da nossa música.

É bastante conhecido o fato de Nara Leão ter convidado Maria Bethânia, menina que havia conhecido na Bahia, para substituí-la no show “Opinião”. Bethânia chegou e atingiu sucesso imediato entre os cariocas que viram o show e em todo o Brasil, via rádio, cantando “Carcará”. Com Bethânia veio Gal Costa, sempre suave e sem fazer muito barulho. A dupla baiana que por si já faria tremer qualquer concorrente ainda contava com dois amigos do tipo que toda cantora precisa: grandes compositores do naipe de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Em 1965, aos 24 anos Nana Caymmi voltava ao Brasil para retomar a carreira. Celly Campello, que três anos antes havia abandonado a carreira recusou participar do programa Jovem Guarda. Wanderléa aceitou, tornou-se imensamente popular e, contam os biógrafos, amiga de Elis Regina.

Em 1965 eu estava com dez anos. Ouvíamos rádio durante todo o dia. Eu parava para ouvir Wanderléa com um chamado irresistível: “Atenção, atenção, eu agora vou cantar para vocês, a última canção que eu aprendi…” A moça bonita da Jovem Guarda cantava “É o tempo do amor” e eu gostava tanto quanto de “Carcará”, o “bicho que avoa que nem avião” na interpretação definitiva de Bethânia. Tenho certeza de que a primeira canção gravada por Elis que me fez parar e prestar atenção na cantora foi “Menino das Laranjas” . Com dez anos eu apenas gostava; hoje percebo que Elis canta a música com graça – a mesma graça que me encantava em Wanderléa – e interpretava intensamente, como Bethânia. De quebra, “Menino das Laranjas” é de uma notável sofisticação melódica e rítmica.

Ainda era 1965 quando vi Elis na televisão. Aos vinte anos ela cantava “Arrastão” com alegria contagiante, com a força necessária para retirar a rede de pesca cheia, farta, sem deixar de lado a doçura da intérprete que narra o pescador querendo Janaína para casar. Em maio do mesmo ano estreava, na TV Record, o programa “O Fino da Bossa”, e neste registrava-se a maior parceria vocal de Elis Regina: Jair Rodrigues.

O disco “Dois na Bossa” veio antes e deu origem ao programa de TV. No disco estão “Menino das Laranjas” e “Arrastão”, as duas músicas que me fizeram gostar de Elis Regina. Também estão outras onze canções só na primeira faixa, compondo o pot-pourri de maior êxito da dupla Elis e Jair. Definitivamente, Elis alcançava a categoria de melhor cantora do Brasil. Nesse programa, sem o que se denomina hoje “música de trabalho”, Elis pode mostrar toda a sua versatilidade, o que é possível comprovar pelas gravações preservadas por Zuza Homem de Mello, disponíveis em CDs.

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Outro dia me perguntaram como foi o impacto do lançamento do disco Construção, de Chico Buarque, em 1971. Respondi quase que mecanicamente: “- Ouvíamos no rádio. Tocava o dia inteiro!” Continuando o papo, recordei o hábito de ouvir rádio, desde criança, quando conheci toda essa gente e, principalmente, Elis Regina.

No próximo dia 19, segunda, lembraremos a grande cantora, falecida em 1982. 33 anos sem Elis! Três gerações sem a grande intérprete!Comigo, tudo começou em 1965. Impossível não registrar esses 50 anos de admiração e respeito que tenho pela maior cantora do Brasil.

Salve, Elis!

Acalanto para Caymmi

dorival caymmi

Há grandes compositores nesse nosso Brasil. Poucos mexem com todos os brasileiros e entre esses está Dorival Caymmi. Há tantos sucessos do compositor que permeiam a nossa vida! Quem tem ou teve “Saudade da Bahia” cantou Caymmi; quem já ficou enciumado com as namoradas maquiadas cantou “Marina” e reverenciou Caymmi. Quando um pai emocionado criou um “Acalanto” todo especial, feito pra Nana, o presente foi também para inúmeras crianças do país. Caymmi ensinou ao mundo “o que é que a baiana tem”, tornou nacionalmente popular a receita de vatapá e fez-nos filhos da mãe Menininha do Gantois.

Caymmi completa 100 anos na próxima quarta-feira, dia 30. Penso que todas as homenagens são justas e quero, humildemente, somar com os que amam o baiano de voz grave, matreiro, bonachão, suave no cantar, no modo de ser e viver. Escolhi lembrar algumas canções de Caymmi que sempre me deixam emocionado.

..Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei…

(Quem vem pra beira do mar – Dorival Caymmi)

O mar cantado por Caymmi, “é bonito, é bonito!”. O mar, as praias, a vida de marinheiros… Caymmi cantou as praias de Copacabana e de Itapoã. Da bela praia de Salvador o compositor sentia falta; deixou registrado em versos doloridos, intensos.

…Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais
Oh vento que ondula as águas
Eu nunca tive saudade igual…

(Saudade de Itapoã – Dorival Caymmi)

Há, nas canções de Caymmi, momentos de entrega que revelam o homem e a sua gente. É o enamorado perdido, sofredor, repetindo “só louco, só louco” para um insensato coração. Todavia, é também o festeiro que precisa contar com Deus se o momento é de “baticum de samba”…

Cem barquinhos brancos

Nas ondas do mar

Uma galeota a Jesus levar

Meu Senhor dos Navegantes

Venha me valer

(Festa de Rua – Dorival Caymmi)

Caymmi foi o brasileiro migrante adulto que deixou Belém do Pará em “Peguei um Ita no Norte” tanto quanto foi a criança pedindo sol e “Santa Clara Clareou”. Foi rapaz apaixonado, pedindo perdão em “Desde Ontem” assim como foi o cronista da gente de Salvador em “A Preta do Acarajé” e de toda uma raça em “Retirantes”. Caymmi foi tantos! Tão baiano que retratou como poucos o homem brasileiro.

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Gosto da minha terra cantada por Caymmi. Sou fã incondicional das canções de Caymmi na voz do próprio e nas abençoadas vozes de seus filhos Nana, Dori e Danilo. Enfim, não sou valentão, mas sinto como a personagem de Caymmi e por isso concluo esta homenagem, como certo João Valentão, sonhando com as praias da Bahia.

…Deitar na areia da praia

Que acaba onde a vista não pode alcançar

E assim adormece esse homem

Que nunca precisa dormir pra sonhar

Porque não há sonho mais lindo

Do que sua terra, não há.

(João Valentão – Dorival Caymmi)

 

 

Até mais!

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Notas:

Dados biográficos de Dorival Caymmi estão em http://www.dicionariompb.com.br/dorival-caymmi

Ou também em

http://www.mpbnet.com.br/musicos/dorival.caymmi/

 

Vamos sair pra ver o sol

…Quero que você me dê a mão, vamos sair

por ai, sem pensar no que foi que sonhei, que chorei, que sofri

pois a nossa manhã já me fez esquecer

Me dê a mão vamos sair pra ver o sol…

e se chover, a gente vê a chuva; se fizer frio, vamos nos aquecer em um gostoso abraço; e se não acontecer nada, a gente curte o silêncio. FELIZ  2014. E, por gentileza, ouçam a música. Nana Caymmi e o irmão, Dori, estraçalham. Um carinhoso abraço para todo mundo.

 

Até mais!

Cacaso, o letrista

Cacaso
Cacaso

Antonio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso, nasceu em Uberaba em 1944. Suas criações estão imortalizadas nas vozes de Elis Regina, Maria Bethânia, Simone, Lucinha Lins, Fafá de Belém, Nana Caymmi… Lá em Uberaba, quando adolescente, não conheci a obra do poeta e compositor, letrista de primeira. Foi depois, já aqui em São Paulo, que a música de Cacaso entrou na minha vida.

São as trapaças da sorte, são as graças da paixão

Pra se combinar comigo tem que ter opinião

São as desgraças da sorte, são as traças da paixão

Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração…

(Face a face – Sueli Costa e Cacaso)

Parceiro de Sueli Costa, Edu Lobo, Tom Jobim, Francis Hime, Djavan e muitos outros, as letras de Cacaso cantam paixões densas, amores desesperados e, paralelamente, revelam os tempos difíceis vividos pelo país sob a ditadura militar. O período conturbado aparece até em canções aparentemente leves, mas que revelam os princípios do cidadão e compositor.

Sou brasileiro de estatura mediana

Gosto muito de fulana, mas sicrana é quem me quer

Porque no amor quem perde quase sempre ganha

Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder

Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero

Não tolero lero-lero devo nada pra ninguém

(Lero-lero – Edu Lobo e Cacaso)

Foi através de Maria Bethânia, com seu repertório esplêndido, que prestei atenção no letrista Cacaso, posto que já estava familiarizado com o trabalho de Sueli Costa, a parceira do compositor em “Amor, amor”. Bethânia gravou Cacaso em 1976, no disco “Pássaro Proibido”.

Quando o mar

quando o mar tem mais segredo

não é quando ele se agita

nem é quando é tempestade

nem é quando é ventania

quando o mar tem mais segredo

é quando é calmaria…

(Amor amor – Sueli Costa e Cacaso)

Tempos depois de conhecer a música de Cacaso na voz de Bethânia ouvi Elis Regina cantar “Meio termo” no disco “Transversal do tempo”, de 1978. A interpretação de Elis é avassaladora para a música de Lourenço Baeta com letra de Cacaso. Impossível não transcrever toda a letra dessa belíssima e triste canção.

Ah! como eu tenho me enganado

como tenho me matado

por ter demais confiado

nas evidências do amor

como tenho andado certo

como tenho andado errado

por seu carinho inseguro

por meu caminho deserto

como tenho me encontrado

como tenho descoberto

a sombra leve da morte

passando sempre por perto

o sentimento mais breve

rola no ar e descreve a eterna cicatriz

mais uma vez,

mais de uma vez,

quase que fui feliz!

(Meio termo – Lourenço Baeta e Cacaso)

Cacaso faleceu de enfarte, ainda jovem, em 27 de dezembro de 1987, no Rio de Janeiro, cidade onde viveu desde os 11 anos. Lá estudou filosofia e tornou-se professor de teoria literária. Além da crítica e da paixão exasperada ele soube dosar suas criações com invejável humor.

Quem me vê assim cantando

Não sabe nada de mim

Dentro de mim mora um anjo

Que tem a boca pintada

Que tem as unhas pintadas

Que tem as asas pintadas…

(Dentro de mim – Sueli Costa e Cacaso)

O poeta Cacaso será tema para outro texto, em outro momento. Aqui faço questão de reativar lembranças do letrista e compositor; uma singela homenagem ao conterrâneo que enriqueceu com verve poética a música popular brasileira.

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Até mais!

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Animações para um aniversário.

Quando vi as capas de discos no site “Animated Albums” fiquei fissurado na ideia de ter a brincadeira com algumas capas de discos brasileiros. Estava no Papolog e Paulo Simões me ofereceu como presente algumas capas com animações simples, puro divertimento. Um presente para não ser esquecido e permanecer online. Vamos aos gifs:

Começando com os olhos do Chico Buarque? “Olhos nos olhos – verdes, amarelos, vermelhos – Quero ver o que você diz! Quero ver como suporta me ver tão feliz!”

Chico Buarque_FINAL

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E se é pra brincar com olhares, Adoniran me traduziu: “De tanto levar flechada do teu olhar, meu peito parece até sabe o que?…

Adoniran Barbosa_FINAL

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E depois de Adoniran, que compôs “Bom dia, Tristeza” junto com Vinícius de Moraes, música imortalizada na voz de Maysa vejamos os inesquecíveis e expressivos olhos da cantora.  “Se todos fossem iguais a Maysa, que maravilha viver…”

maysa_final

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“Batidas na porta da frente, é o tempo! Eu bebo um pouquinho…” pra aguentar todas as fortes emoções que Nana Caymmi propicia. É barra!

Nana_FINAL

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Pra aguentar a saudade de tudo, apelo pro Carcará, aquele que “pega, mata e come”.  E vou seguindo, levando a vida com lembranças de Nara, Zé Keti e João de Vale. Somos todos de “Opinião”.

Nara

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E se é pra lembrar, com reverência e respeito, vamos sempre colocar acima, onde merecem! Tom Jobim e Elis Regina.

elis e tom

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Mas aniversário é dia festa! E “você precisa saber da piscina, da margarina, da gasolina” com toda a trupe da Tropicália.

Tropicalia

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Brincar um pouquinho no doce encontro de Caetano Veloso e Gal Costa…

gal e caetano

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E deixar cair uma lágrima, pura emoção, como Maria Bethânia, afinal, amanhã é o dia do nosso aniversário. Gosto de comemorar meu natalício pensando que em algum lugar há uma festa pelos aniversários de Bethânia, Paul McCartney e, sendo assim, não escreverei por aqui. Vou bebemorar!

Maria Bethania

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 Obrigado ao Paulo Simões, pelo trabalho legal e divertido.

Até mais!

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Cariello e Cariello. Iguais e diferentes

Há muitos irmãos dentro de uma mesma atividade ou profissão. Certamente o ambiente familiar, a convivência, favorece o despertar de interesses similares; se esquecermos as artes, vamos encontrar gente em todas as áreas dividindo a profissão com os próprios irmãos. Todavia, dentro do universo artístico, nos encantamos quando há uma incontestável e imensa quantidade de membros talentosos em uma mesma família.

Chico Buarque, desenhado por Octavio Cariello, divide o palco com as irmãs Miucha e Cristina

A música é pródiga em propiciar trabalho para irmãos. Os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista fizeram história com a banda Os Mutantes, assim como os baianos Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma carreira sólida marcada por inúmeros êxitos. Se dois é pouco, temos o “Trio Esperança”, formado por cantoras fantásticas; há outro trio, Caymmi, mais conhecido como Família Caymmi, formado por Dori, Danilo e Nana Caymmi. Sim, há que se atentar para o grande pai, Dorival. Ok; há todas as outras duplas, aquelas que se ligam via “&”; vou deixá-las para outro momento, pois há uma certa peculiaridade entre os artistas abordados neste post.

Provavelmente há muitos artistas plásticos dentro de uma mesma família. Desenhistas, designers, ilustradores… A cidade de São Paulo é o berço dos gêmeos Paulo e Chico Caruso, que já entraram para a história, destacando-se entre os cartunistas brasileiros.  Recife é o berço dos irmãos Octavio e Sergio Cariello. Como todos os artistas citados acima, os irmãos Cariello trafegam pelas mesmas formas expressivas em vias muito distintas. Esta, talvez, seja a característica mais impressionante de toda essa gente. Abençoados com os mesmos dons, traçam os próprios passos.

Não conheço Sergio Cariello e não tenho receio em afirmar que sou o melhor amigo de Octavio Cariello. O primeiro mudou-se para os EUA, lá desenvolveu uma carreira de sucesso e, de lá, seu trabalho ganhou outras praças, chegando ao Brasil. Nos próximos dias Sergio Cariello estará em São Paulo e no Rio de Janeiro em eventos que destacarão, provavelmente, a maior empreitada do artista. Sergio Cariello ilustrou nada mais, nada menos do que a Bíblia.

Projeto desenvolvido pela David C. Cook, a “Bíblia em Ação” foi totalmente ilustrada pelo artista brasileiro que, hoje, reside na Flórida. São 750 páginas com mais de 200 narrativas, na mesma ordem do original sagrado. Antes de chegar a esse projeto, Sergio Cariello ganhou o respeito dos americanos trabalhando para as gigantes editoras Marvel e DC Comics.

Octavio Cariello saiu de Recife para São Paulo. Chegando por aqui logo conquistou admiração e respeito, sendo eleito por seus pares como um dos maiores desenhistas brasileiros. Ficou conhecido nacionalmente desenhando novas charges para o “Amigo da Onça” e ganhou o mundo em publicações internacionais, chegando a desenhar parte da saga “Entrevista com o Vampiro”, original de Anne Rice.

Pude contar com o talento de Octavio Cariello quando dirigi a peça “A História de Lampião Jr. e Maria Bonitinha”, original de Januária Alves, produzido pela Kavantan & Associados. Foi ele o responsável por toda a programação visual da montagem – cartazes, convites, programa, anúncios – o que contribuiu para o sucesso do nosso trabalho. Os caminhos de Octavio conduziram-no para a literatura e, meses atrás, escrevi sobre o lançamento de Tueris, o romance escrito por ele. Antes, Octávio foi o responsável pela minha estréia em livro, quando organizou a coletânea Alterego, onde participei com um conto.

Os caminhos desses irmãos são brilhantes. Com capacidade expressiva similar, cada um percorreu um caminho peculiar, único. Pessoas iguais, com os mesmos talentos, oriundas de um mesmo lar, tiveram a possibilidade de buscar um caminho próprio, onde se realizam e são felizes. Isso é muito bom!

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Bom feriado!

Notas:

Octávio Cariello divide o que sabe com seus alunos na Quanta, academia de artes. Anote informações sobre a vinda de Sergio ao Brasil: