Ramiro! Um garoto na contramão.

 

Foto Joao Caldas Fº_19836press.jpg
Neusa de Souza, Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Rogério Barsan e Isadora Petrin. Foto: João Caldas

Gente de teatro é meio louca, dizem. Vai ver têm razão, já que é preciso uma boa dose de insanidade para estrear uma peça infantil anticonsumo no Dia da Criança. Faz um ano que Ramiro iniciou sua trajetória por palcos da capital paulista tendo realizado temporadas também em Maringá, no Paraná e em Campina Grande, na Paraíba. Faz um ano que estreamos oficialmente no bairro Sapopemba, no dia da criança, em um projeto de educação financeira visando ensinar crianças e seus responsáveis a administrar o suado dinheirinho que entra com dificuldade e sai feito água no ralo.

Ramiro, o garoto que criei, quer o mundo em forma de brinquedos. E a peça gira em torno do fato de que a vida não é bem assim. Um ano depois e Ramiro continua nos palcos paulistanos. Certamente transformado via uma mudança aqui, um corte ali, sem contar o próprio amadurecimento de cada ator no domínio do ofício que burila e descobre nuances em personagens e cenas. Mas é dia de aniversário de Ramiro, o menino quer presentes – o que leva a personagem a ter identificação com o público infantil – e as demais personagens vão brincar e tentar ensinar ao garoto a necessidade de economizar, investir, planejar…

Pensar que o Dia da Criança surgiu por vontade de um político, por volta de 1920, me faz pensar em apelação ordinária, em busca de votos via sentimentalismo barato. A data adquiriu sua sina consumista pela ação de duas empresas, uma indústria de brinquedos e outra com forte linha de produtos infantis. Vamos vender muito em todos os 12 de outubro e deixar para novembro, dia 20 para ser preciso, a reflexão sobre a Declaração Universal dos Direitos da Criança, data que lembra o dia em que a Unicef proclamou os tais direitos infantis.

Ramiro tem direitos e alguns deveres também. O mais difícil provavelmente é aprender a conter a ambição em ter tudo, redescobrir o lado bom de brinquedos simples, valorizar as relações de amizade e parentesco. As reações são diversas e normalmente a plateia infantil se mostra inquieta. Coloque-se no lugar de quem quer o máximo do que o mercado oferece e assiste um trabalho que prega contenção de gastos… Trabalho difícil, mas que nosso pessoal vem defendendo com raça e brilho.

Neusa de Souza, Roberto Arduin e Rogério Barsan trazem o lúdico para a cena, jogando com elementos simples que transformam ambientes e situações. Suas personagens conduzem a ação e são responsáveis pelo desenvolvimento da peça. Isadora Petrim faz afetivo contraponto ao primo, brincando de ser a prima mais amadurecida, companheira no crescimento do primo. Conrado Sardinha é o garoto Ramiro, fazendo este de tal maneira que encanta e ganha a cumplicidade da plateia.

Nossa Produtora Sonia Kavantan nos propiciou a música de Flávio Monteiro, os cenários de Djair Guilherme, os figurinos e adereços de Márcio Araújo, as fotos de João Caldas, a identidade visual criada por Fernando Moser com  ilustrações de Octavio Cariello, a assistência de Milka Master e Lilian Takara. Companheiros do elenco em toda a jornada, Tiago Barizon administra, William Gutierrez opera som e André Persant faz a luz, criada por Ricardo Bueno. Realização da Kavantan Projetos e Eventos Culturais, com patrocínio da VISA e da Lei de Incentivo à Cultura.

Hoje não há bolo de aniversário, nem salgadinhos, docinhos, refrigerantes. Há meu carinho, imenso, por toda essa gente que vem trabalhando nessa montagem. E muita gratidão. A mensagem de “Um Presente Para Ramiro” é uma minúscula gota na contramão do consumo desejado pelo mundo capitalista. Mas somos gente de teatro e por isso insistimos. E não desistiremos nunca!

Até mais!

A TURMA DE “UM PRESENTE PARA RAMIRO”

ensaio para post.jpg

Volta e meia me perguntam o motivo de estar sem escrever neste blog. – Muito trabalho, respondo. – Graças a Deus!  Agora está na hora de vir aqui e contar que temos novo trabalho teatral em fase final de montagem.

“Um Presente Pra Ramiro” é mais um capítulo da minha história ao lado de Sonia Kavantan, nossa produtora; reitera minha parceria com Flávio Monteiro que assina a direção musical, e entre artistas, técnicos e demais profissionais, promove reencontros e encontros muito especiais.

Lá de longe, sem nunca termos nos distanciado, volto a ter a participação de Octavio Cariello na minha carreira teatral. De longe também, quando só nos falávamos via redes sociais, veio  Flávio Amado, agora nosso assistente de direção, assim como lá da universidade, de um tempo em que foi minha aluna, veio o reencontro com a atriz Neusa de Souza.

De edições anteriores do Arte na Comunidade vieram os atores Conrado Sardinha e Rogério Barsan para contracenarem, em “Um Presente Para Ramiro”, ao lado de Roberto Arduin e Isadora Petrin, atores com os quais trabalho pela primeira vez. Somando experiência de vários trabalhos, da equipe da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, estão presentes Lilian Takara, Milka Beatriz e Thiago Barizon.

Até aqui a equipe com a qual trabalho diariamente. Nos falamos cotidianamente e convivemos algumas horas pessoalmente, outras tantas virtualmente. Há outros profissionais envolvidos que apresentarei brevemente. Neste primeiro momento optei pelos velhos parceiros e pela turma de todo dia, de horas intensas vivenciadas na sala de ensaio. Temos pensado e vivido “Um Presente Para Ramiro” com intensidade, com a ansiedade que um trabalho de porte exige e com a alegria e o prazer de estar em algo que amamos fazer.

Há muito por contar e é o que farei em próximos posts; acompanhe por aqui todos os detalhes e a programação da montagem.

Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Até mais!