Nada mais universal que a memória


Por Flávio Monteiro

O livro “O vai e vem da memória” é uma coleção de crônicas e contos escritos por Valdo Resende sobre sua querida cidade natal, Uberaba, durante vários anos de vai-e-vens entre esta e São Paulo, onde fixou residência.

Os textos foram organizados sem ordem cronológica, hierarquias de importância ou grupos temáticos; assim como a memória, os textos fluem livremente e estabelecem entre si conexões, prováveis ou não.

O mesmo mecanismo da memória se manifesta, também, com fragmentos do texto que dá nome ao livro distribuídos como um quebra-cabeça ao longo de toda a obra, e diversas fotos que hora lembram textos passados, hora antecipam leituras posteriores. Vai e vem dos textos, das fotos… E da memória.

O leitor de Uberaba certamente vai se reconhecer nestas páginas, escritas de longe e de perto da cidade. O de São Paulo, talvez maior símbolo da (i)migração no Brasil – Paulicéia desvairada -, vai se identificar com tantas histórias sobre uma cidade que será sempre sua, ainda que o tempo transforme e afaste ambos. E os leitores do mundo terão um livro particular, porém universal – pois nada mais universal que a memória.

Serviço

O vai e vem da memória – Valdo Resende
Elipse, Arte e Afins Ltda.
312 páginas – R$ 65,00
Lançamento: 27 de novembro/2021 – 16h00
Barroco Arte Café – Rua João Pinheiro, 213 – Uberaba – MG

Meus livros e leituras

Página do Instagram onde o autor se propõe a indicar livros e autores, “meuslivroseleituras” relata viagens literárias e expõe um diário de leituras. Meu e-book, A Sensitiva da Vila Mariana, foi lido e comentado.

Feliz com a iniciativa do Edson Benedito Taborda, o dono da página, agradeço sinceramente e compartilho com vocês, aqui do blog. Ao mesmo tempo deixo um convite neste link para seguir e conhecer as demais indicações em “Meuslivroseleituras”.

A Sensitiva da Vila Mariana – Valdo Resende

Acredito que já tenha deixado claro por aqui o meu gosto por contos, e logo que tive oportunidade quis conhecer os contos do Valdo, que foram publicados pelo autor em um blog a partir de 2008 e depois selecionados para esse livro, além do último que é extremamente atual, se passando nessa situação atual que passamos, e cara, o que falar desses contos?

Foram extremamente cativantes pra mim, com um humor refinado e do povão ao mesmo tempo, uma leitura rápida, divertida, interessante, terminei a leitura com um sorriso de satisfação, e com o sentimento de os personagens serem meus amigos, pessoas que eu poderia encontrar na rua hoje mesmo, pois senti as situações como reais, nada de absurdos.

Uma leitura eu diria bem realista (embora elas gostem de uma extravagância hahaha) tive o prazer de conhecer nesses contos três grandes amigos, Vanilda “a Tatuada”, Vadico que é também o narrador das situações, e Maria Aparecida com seus croquetes, que deveriam ser deliciosos e eram a porta de entrada dela em todos os lugares que desejasse, ao terminar bem gostaria de aumentar esse grupo me tornando um D’artagnan dessa equipe \o

Edson Benedito Taborda

O QUE NOS SALVA, AMIGOS E LIVROS

É com alegria que recebi e registro aqui, com profundo sentimento de gratidão, o texto que me foi enviado por Simone Gonzalez, sobre meu livro de contos, A Sensitiva da Vila Mariana. Mestra em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, atualmente atua como coordenadora auxiliar do Curso de Letras e da Pós-Graduação em Língua Inglesa e Literatura da UNIP.

Leiam o texto de Simone que, neste domingo, dia 25, 18h00, conversa com Fernando Brengel no Trem das Lives.

O QUE NOS SALVA, AMIGOS E LIVROS

“A Sensitiva da Vila Mariana” chega na nossa caixa de e-mail despretensiosa e até quieta demais para uma sensitiva. O autor, Valdo Resende, lembra que em tempos complicados rir um pouco nos fará bem, já que está difícil ir pra Paris. Só que o e-book nos leva bem mais longe e acaba arrebatando os leitores ingênuos que, como eu, acreditaram que eram contos só para rir.

Há expressiva e necessária crítica que vai se construindo ao longo dos contos em duas camadas narrativas: a história que se lê e outra que vai claramente se desenhando nas entrelinhas.

Vadico, Vanilda e Maria Aparecida são os fios condutores dessas duas camadas. Amigos inseparáveis, eles são a própria resistência: gostam de arte, primam pela amizade, se ajudam e cometem o maior dos pecados capitais: fazem o que gostam. Mas, claro, isso tem um preço.

Há muitos pontos na obra que nos tiram o sossego. Por exemplo, Vanilda é professora e tem uma Kombi. Dirigir uma Kombi pode ser libertador. Mas pode ser, também, o único veículo que Vanilda pode ter, resultado de um sistema opressor que relega a educação e os educadores.

Mas é claro que o carro não é importante. Como diria Vanilda: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

E, quando as coisas não vão bem, só mesmo a sensitiva para dar um jeito! O que também é, no mínimo, para se pensar.

Fundamental mesmo é perceber que em um país onde temos que nos (re)construir o tempo todo com tetos caindo em nossas cabeças e sem piso firme, entre croquetes, machismos explícitos e fascismo velado, o que nos salva são os amigos. E livros como este.

Ah, sim! As risadas estão garantidas.

(Simone Gonzalez)

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