Uma Estreia em Sapopemba

 

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Neusa de Souza, Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Rogério Barsan e Isadora Petrin. Foto: João Caldas

Dia 12 próximo vamos estrear UM PRESENTE PARA RAMIRO em Sapopemba. São Paulo é uma cidade imensa e, por exemplo, só estive uma única vez em Jaçanã, nunca estive no bairro Cangaíba e o Grajaú continua sendo, na minha cabeça, citação de canção interpretada por Carmen Miranda. Não conheço o Sapopemba e lá vou eu, certamente “com a roupa encharcada, a alma repleta de chão”.

Eu estava com 26 anos quando Milton Nascimento gravou Nos Bailes da Vida, a belíssima canção feita em parceria com Fernando Brant. Tateando profissionalmente eu tinha um imenso desejo: seguir firme no propósito de que “todo artista tem de ir aonde o povo está”.  Havia começado assim, lá em Uberaba, com o grupo da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, quando comecei a fazer teatro. Meu primeiro palco foram mesas encostadas umas nas outras e, tempos depois, percorríamos os bairros da cidade no Circo do Povo.  Depois vim para Santo André, no ABC, e o destino quis que meu primeiro trabalho fosse em palco e plateia improvisados na Vila Luzita.

Minha trajetória teatral tem estreias incomuns se considerarmos a carreira de autores e diretores nacionais. Sapopemba entra no capítulo em que já se encontram outras localidades.

Castanhal, no Pará, fica a 68 quilômetros da capital, Belém. E foi lá a estreia de VAI QUE É BOM, O CASAMENTO DO PARÁ COM O MARANHÃO, peça que fez extensa temporada em cidades dos dois estados do título.

Prata, no Pontal do Triângulo Mineiro, foi a cidade que recebeu a estreia de “O ATAQUE DOS TITANOSSAUROS”, abrindo a série de estreias do Arte Na Comunidade 2, com textos que escrevi, dirigindo montagens também em Canápolis, Ituiutaba e Monte Alegre de Minas.

Do litoral guardo com carinho um local aparentemente inusitado, a Casa de Frontaria Azulejada, onde estreamos “NENÊ CAMBUQUIRA, UM MINEIRO EM SANTOS” e depois fomos para praças públicas e escolas dos municípios de Praia Grande, Guarujá, São Vicente, Cubatão e, claro, a própria Santos. Em cada cidade uma estreia, um espetáculo diferente.

Pará, Maranhão, Minas Gerais, Baixada Santista, Vale do Paraíba… Sempre com Sonia Kavantan! Em projetos como o Arte na Comunidade há uma viagem preliminar, onde fazemos reconhecimento básico dos locais onde poderão ocorrer nossas apresentações. Com Sonia já estive em uma pequena cidade onde, sem restaurante, viajamos 50 quilômetros para um simples almoço. De outra feita, recordo a estradinha entre a linha de trem e o Rio Paraíba, uma ponte sobre o rio e, no outro lado, um salão onde encerraríamos o nosso trabalho na região. As estreias, no Vale do Paraíba, ocorreram em salas de aula das cidades de Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.

São muitos os teatros na região central da cidade e na Bela Vista, onde moro, há quantidade suficiente para que alguns entusiastas a chamem de Broadway Paulistana. Tendo já me apresentado na vizinhança, nunca estreei no Bixiga. Sabe-se lá o que nos reserva o futuro, por enquanto nosso destino é a Fábrica de Cultura de Sapopemba (R. Augustin Luberti, 300 – Fazenda da Juta, São Paulo – SP).

Sonia Kavantan, ao que tudo indica, não pensa em parar e muito menos eu. Para onde iremos da próxima vez? Deixa a resposta para depois. Toda nossa energia agora vai para Sapopemba! Para lá irão Rogério Barsan e Conrado Sardinha, com quem já dividimos outras praças e palcos e, também, Roberto Arduin, Neusa de Souza e Isadora Petrin, novos companheiros de jornada. Em Sapopemba cantaremos canções de Flávio Monteiro, que começou conosco trabalhando uma canção de Milton Nascimento, esse Milton que não me sai da cabeça à cada Sapopemba da minha vida: “Se foi assim, assim será, cantando me desfaço e não me canso de viver, nem de cantar”.

Até mais!

SERVIÇO:

“Um Presente Para Ramiro” será apresentado na Fábrica de Cultura  Sapopemba, dia 12 de outubro, às 16h30. ““Ramiro, ao completar 12 anos, aprende , com a ajuda da família, que para realizar os desejos e necessidades é necessário organização e planejamento. Com muito humor e com ajuda da imaginação e da tecnologia o garoto viaja no tempo e tem um aniversário bem diferente”. Classificação livre. Entrada Franca. 290 ingressos serão distribuidos gratuitamente uma hora antes do evento. Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

A TURMA DE “UM PRESENTE PARA RAMIRO”

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Volta e meia me perguntam o motivo de estar sem escrever neste blog. – Muito trabalho, respondo. – Graças a Deus!  Agora está na hora de vir aqui e contar que temos novo trabalho teatral em fase final de montagem.

“Um Presente Pra Ramiro” é mais um capítulo da minha história ao lado de Sonia Kavantan, nossa produtora; reitera minha parceria com Flávio Monteiro que assina a direção musical, e entre artistas, técnicos e demais profissionais, promove reencontros e encontros muito especiais.

Lá de longe, sem nunca termos nos distanciado, volto a ter a participação de Octavio Cariello na minha carreira teatral. De longe também, quando só nos falávamos via redes sociais, veio  Flávio Amado, agora nosso assistente de direção, assim como lá da universidade, de um tempo em que foi minha aluna, veio o reencontro com a atriz Neusa de Souza.

De edições anteriores do Arte na Comunidade vieram os atores Conrado Sardinha e Rogério Barsan para contracenarem, em “Um Presente Para Ramiro”, ao lado de Roberto Arduin e Isadora Petrin, atores com os quais trabalho pela primeira vez. Somando experiência de vários trabalhos, da equipe da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, estão presentes Lilian Takara, Milka Beatriz e Thiago Barizon.

Até aqui a equipe com a qual trabalho diariamente. Nos falamos cotidianamente e convivemos algumas horas pessoalmente, outras tantas virtualmente. Há outros profissionais envolvidos que apresentarei brevemente. Neste primeiro momento optei pelos velhos parceiros e pela turma de todo dia, de horas intensas vivenciadas na sala de ensaio. Temos pensado e vivido “Um Presente Para Ramiro” com intensidade, com a ansiedade que um trabalho de porte exige e com a alegria e o prazer de estar em algo que amamos fazer.

Há muito por contar e é o que farei em próximos posts; acompanhe por aqui todos os detalhes e a programação da montagem.

Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Até mais!

Um Sábado com Domingo no Parque

Pura emoção: junto à Orquestra de Câmara da ECA/USP, com arranjos e regência do Maestro Gil Jardim, Gilberto Gil canta Domingo no Parque. Suavemente os sons invadem a Sala São Paulo e dou-me conta de ser esta a primeira vez que ouço ao vivo a música, originalmente apresentada no Festival da Record de 1967. O choro vem fácil e sinto o apoio que vem da amiga que me propiciou tal evento. Careço de outra canção pra sintetizar esse momento: “Tudo ainda é tal e qual e, no entanto, nada é igual” diz a letra de Caetano Veloso em “Os mais doces bárbaros”.

Tal e qual é a beleza de Domingo no Parque na voz madura e segura de seu criador. João, José e Juliana estão em um parque, onde o triangulo amoroso será desfeito tragicamente. As frases melódicas são precisas e realçam a história ocorrida em algum domingo, no parque de diversões onde a roda gigante gira, feito a roda do destino. Os versos evocam imagens com a precisão da poesia. O fim é, infelizmente, comum ainda hoje: resolvido com a lâmina de uma faca.

Gil e os mutantes
Gilberto Gil e Os Mutantes, em 1967

Nada igual! Não estavam lá Os Mutantes fazendo coro com Gilberto Gil. E o novo arranjo, embora belíssimo, continua fazendo lembrar e reverenciar o original de Rogério Duprat. Um encontro impossível com a morte de Duprat, em 2006, e com os rumos sem retorno dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista, cada vez mais distantes de Rita Lee. No entanto… Criador e criatura! Gilberto Gil é um dos máximos compositores que somam letra e música com beleza e emoção. E há mais: o cantor! Dono de um timbre inequívoco, a voz conhecida de décadas está ali, fazendo a emoção atingir altíssimos graus.

Gilberto Gil brilhou em noite que estiveram presentes a cantora Vanessa Moreno com Fi Maróstica, e a fadista Carminho, duas mulheres extraordinárias. O Concerto Letras de Luz, no Dia Internacional da Língua Portuguesa comemorou o 10º aniversário do Instituto EDP, encarregado de ações socioculturais do Grupo EDP, que tem origem em Portugal.

Gil e os demais artistas
Gilberto Gil, Carminho, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, e o maestro Gil Jardim, os artistas do Concerto Letras de Luz

A voz de Vanessa Moreno surpreendeu ao cantar Expresso 2222 e Carminho, lembrando Amália Rodrigues com Saudades do Brasil em Portugal, de Vinícius de Moraes, segue a tradição das grandes cantoras portuguesas. A Orquestra de Câmara da ECA/USP fez um memorável O Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos. O final do show reuniu todos os artistas presentes que fizeram o bis com Panis et Circenses e, novamente emocionaram, em interpretação que lembrou Os Mutantes e a Tropicália.

Foi um sábado feliz. Com Vinho do Porto, Pastel de Belém, alguns amigos e a companhia pra lá de especial da Sonia Kavantan (Obrigado, Sonia! Obrigado EDP!). Tudo muito bom!

Já na Bela Vista quando desci do carro da minha amiga, enquanto caminhava solitário na rua deserta, madrugada de domingo, pensei em Gil, na Ribeira que vi de passagem, lá em Salvador, no parque de diversões do meu pai e da canção, que tive o privilégio de ouvir…

Olha o sangue na mão (ê, José)

Juliana no chão (ê, José)

Outro corpo caído (ê, José)

Seu amigo João (ê, José)

Amanhã não tem feira (ê, José)

Não tem mais construção (ê, João)

Não tem mais brincadeira (ê, José)

Não tem mais confusão (ê, João).

Boa semana para todos!

Ah! Para rever Domingo no Parque no Festival da Record:

 

Até!

Com carinho, para Sonia Kavantan!

Nesse conturbado mundo em que vivemos, onde os reais valores são cada vez mais escassos, frágeis, até mesmo inexistentes, sinto-me feliz por celebrar a amizade, o companheirismo, a cumplicidade e sobretudo o imenso carinho e respeito que tenho por Sonia Kavantan. Hoje é o dia do aniversário de Sonia, a produtora com a qual já realizei mais de trinta trabalhos em também trinta anos de parceria (31 faremos neste 2018!)

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(1987, em nossa primeira foto e hoje, neste 2018).

Como eu, centenas de profissionais têm muito a agradecer a essa profissional. Optei, para expressar minha gratidão, recuperar um perfil que escrevi sobre a produtora Sonia Kavantan, quando de nossa estreia no Pará, em 2008. Reitero tudo o descrito abaixo e reafirmo que o tempo só fez aprimorar o trabalho dessa incrível mulher. Parabéns, Sonia Kavantan! Para você, todo o carinho do mundo.

IDEALIZAR E PRODUZIR: SONIA KAVANTAN

Essa é uma madrugada comum para a maioria das pessoas. Para grupos restritos é o momento que antecede um grande dia. Entre esses, há um pequeno grupo de profissionais lá no Pará e outro, menor ainda, aqui em São Paulo, todos apreensivos. Logo mais será a nossa estreia. Um momento vital de uma caminhada que começou faz tempo e que, pretendemos, continue por outro tanto.

Tenho certeza que lá em Castanhal há uma pessoa acordada, trabalhando, ultimando detalhes, resolvendo situações não previstas. Pura adrenalina!

Uma vez, estávamos em frente ao Teatro Abril, aqui na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, e vivíamos situação semelhante. E no meio de toda a turbulência de uma estreia, lembro de pequenos olhos negros, muito brilhantes, olhando tudo e todos, um sorriso nos lábios, enquanto me dizia: – Eu gosto disto!

Ninguém tem dúvida. É preciso gostar muito para ser uma produtora. A produtora de Vai Que É Bom, certamente trabalhando na madrugada de Castanhal, é Sonia Kavantan. É a responsável por tudo; ela é quem captou uma ideia, surgida sei lá eu quando, e viabilizou todo o necessário para que essa ideia viesse a ser uma peça de teatro, iniciando temporada em 6 de novembro [de 2008].

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Artistas são pessoas que sonham muito, viajam outro tanto, deliram mais um pouco e, quase sempre, guardam a praticidade da vida em algum departamento insondável de seus cérebros. Há a necessidade de alguém botar ordem na casa, tornando as ideias mirabolantes em fatos. Esse é o papel do produtor.

Quem já teve a oportunidade de acompanhar, de perto, o trabalho de um produtor, tem uma noção da extensão desse trabalho. E repito, uma noção. É preciso viver todo o tempo ao lado do produtor para conhecer os inúmeros detalhes que permeiam a criação, a montagem e a carreira de um trabalho teatral.

Sonia Kavantan tem o domínio de todos esses detalhes adquiridos em experiência vasta e diversificada. Já produziu filmes, concertos, exposições de artes plásticas, concursos, exposições de artes cênicas, shows, livros, cursos, prêmios… e peças, muitas peças de teatro.

Conversando com ela, em um dado momento, sob um aspecto, nem me passa pela cabeça dezenas de outros que ela está considerando. Conversamos muito, trocamos bastante, e até consigo apontar algumas soluções para problemas que ela me apresenta. Solto as rédeas, viajo longe e ela vem com objeções concretas: A coerência com a ideia central do projeto, o preço, o espaço físico, o outro profissional envolvido, o tempo, a verba disponível, as condições da gráfica, as condições de criação… e por aí vai. Tudo pensado e pesado; se solucionado, vem o sorriso que conheço “desde o século passado”!!!

Sinto-me, nesse momento, um instrumentista qualquer e vejo-a como o maestro. A maestrina! Aquela que arregimenta, ordena, organiza e, harmoniosamente, coloca tudo para funcionar. Quando termina o espetáculo, ela continua; avaliando, administrando, tornando possível a continuidade, o dia seguinte, prestando contas…

Sonia Kavantan é socióloga; adora ensinar e tem incontáveis alunos, por todo o Brasil, onde ministrou aulas, além de residentes ou dos que vieram até São Paulo para aprender no curso, criado por ela, sobre os mecanismos todos de uma produção de eventos culturais.

Em aula ela conta todos os detalhes, não guarda trunfos tipo “segredos profissionais”. É facilitadora. Usando a própria experiência para elucidar conceitos, apresenta e discute todas as dificuldades para a captação de patrocínios. E sobre esses, há pouquíssimos profissionais no país que têm conhecimento, tanto quanto ela, sobre as Leis de Incentivo Fiscal.

Estive pensando, hoje, na quantidade de pessoas beneficiadas pelo trabalho da “minha” produtora. Para quantos profissionais ela já propiciou trabalho? Quantos sonhos, de artistas e idealizadores, tornou realidade? Quantos milhares de brasileiros participaram dos eventos produzidos por ela?

Já estive auxiliando e cooperando em suas produções; neste Vai Que É Bom, estou como autor. Sei, por diferentes aspectos, da angústia que antecede a próxima noite. Do quanto temos sonhado, planejado, trabalhado, somando-se a isso preces e orações próprias, e pedidas a outros, para que tudo dê certo.

Caro leitor, estamos no Brasil. Não temos os recursos financeiros fabulosos de Hollywood. Estamos distantes das condições físicas das casas de espetáculos europeias. E nossos profissionais aprendem mais no trabalho que em nossas escolas (isso quando há escolas, cursos, para certos tipos de profissionais necessários para uma montagem teatral). Somos todos sonhadores.

E é essa a imagem mais forte que tenho de Sonia Kavantan. A profissional que sonha com um Brasil melhor. Que tem como projeto de vida, tornado profissão, facilitar e criar eventos para a cultura deste país. Para ela, o meu MUITO OBRIGADO!

Até!

Cleide Queiroz em Palavra de Stela: Poesia e Teatro

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Cleide Queiroz em Palavra de Stela. Foto: João Caldas.

Um bom trabalho, dizem, pode ser resumido em uma frase; lá vai: Cleide Queiroz mostra infinitas faces de uma mulher no monólogo Palavra de Stela. Escrito assim parece pouco, indigno da performance da atriz que comemora nessa montagem 50 anos de carreira . Por isso é fundamental escrever um pouco mais.

Stela do Patrocínio foi internada em uma colônia psiquiátrica aos 21 anos e assim ficou por quase trinta anos. Um jeito diferente de Stela ser e, principalmente, de dizer coisas impressionou outra mulher, a artista plástica Neli Gutmacher, quando esta montou um ateliê na Colônia Psiquiátrica Juliano Moreira, em Jacarepaguá.  Uma terceira mulher, Viviane Mosé, organizou a fala de Stela gravada por Neli , publicando essas em forma de poesia no livro “Reino dos bichos e dos Animais é o meu nome”. Uma síntese do percurso de mensagens resultantes na montagem Palavra de Stela, escrita e dirigida por Elias Andreato .

Sinto que é necessário ampliar esse preâmbulo. Que tal conhecer algumas palavras, da Stela do Patrocínio, transcritas do programa da peça?

“Não sou eu que gosto de nascer

Eles é que me botam para nascer todo dia

E nem sempre que eu morro me ressuscitam

Me encarnam me desencarnam me reencarnam

Me formam em menos de um segundo

Se eu sumir, desaparecer,

Eles me procuram onde eu estiver”

Eita! Dá uma vontade enorme de ter mais versos de Stela.

Uma história densa, um texto forte, poético. O público entra na sala do Top Teatro e a atriz já está em cena. Cleide Queiroz. A mulher tece teias por onde outras mulheres surgirão via mente de Stela, voz e corpo de Cleide. Poucos adereços em um cenário que ressalta possíveis espaços na mente da personagem, tornado físicos pela capacidade cênica da atriz.

A história não é linear. Vamos descobrindo Stela do Patrocínio aos poucos, simultaneamente vamos reconhecendo aqui e ali a trajetória da moça, da atriz, tudo devidamente realçado na direção de Elias Andreato e no inquietante figurino de Mira Haar.  Tem mais: Iansã comandando ventos e todos os elementos, tem Medeia tornada Joana, aquela da Gota D´água, que Cleide já interpretou na íntegra. Tem um jeito de ser e cantar que é Maria Bethânia sem deixar de remeter à fonte da própria Bethânia, Dalva de Oliveira e, sobretudo, tem Stela do Patrocínio.

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Stela do Patrocínio, com Cleide Queiroz. Foto: João Caldas.

Stela é a doente abandonada, a professora, a dona de casa, a menina, a mulher exuberante. Stela vai se desnudando, se desvelando enquanto fala com o público, com o gravador da psiquiátrica, com as pessoas todas que povoaram sua mente. Cleide Queiroz revela Stela em versos declamados com ritmo preciso, em canções que somam intenções, mas também a atriz nos mostra a personagem via silêncios perturbadores.

A coordenação do projeto é de Carlos Moreno. A direção de produção é de Sonia Kavantan. Palavra de Stela tem música original e arranjos de Jonatan Harold, desenho de movimento e programação visual de Roberto Alencar – cujos registros figuram entre as notáveis ilustrações do programa. Mira Haar, além do figurino, assina a cenografia. As fotos são de João Caldas.

Palavra de Stela está no TOP TEATRO (Rua Rui Barbosa, 201 – Bela Vista. Tel: (11) 2309-4102). A temporada vai até o dia 27 de Agosto. Os horários:  sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h. Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia). Duração: 70 minutos. Vendas online: http://www.aloingressos.com.br/

Marque na sua agenda, reserve seus ingressos. Palavra de Stela é imperdível.

Até mais!

Aeroplanos! Para Grandes Amigos

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Roberto Arduin e Antonio Petrin. Aeroplanos. Foto: João Caldas.

Pouco mais de cinco minutos da peça Aeroplanos, do argentino Carlos Gorostiza, e comecei a reconhecer momentos já vividos com Octavio Cariello, amizade que chega aos exatos trinta anos, e de outros, trilhando a vida comigo ao longo do tempo.  No palco dois amigos vivem situações que a cumplicidade permite: já anteveem a fala um do outro, sabem as razões de cada visita, as motivações que determinam reações positivas ou ranzinzas.

Antonio Petrin e Roberto Arduin interpretam os amigos que, aos 75 anos, enfrentam problemas comuns para todos os idosos, mas com posturas absolutamente distintas. Penso serem essas distinções de cada indivíduo as razões que sustentam amizades. Sou um indivíduo mais fechado, o que, por exemplo, contrasta com a simpatia de Sonia Kavantan; também minha timidez sempre deu vez para uma maneira mais efusiva de Fátima Borges. Amigas, amigos…

A passagem do tempo enriquece as relações e pouco importam desavenças, desacordos, diferenças. Se isso ocorre restam pequenos silêncios, afastamentos por pouquíssimo tempo e uma certeza: querer continuar junto do amigo. Na peça, Antonio Petrin vive situação limite e encara isso com humor, deixando a preocupação para a personagem interpretada por Roberto Arduin. Dois atores em plena maturidade e domínio do ofício garantindo que, da plateia, façamos parte dessas vidas, como se fossem dois amigos entre os tantos que a vida nos deu.

O diretor Ednaldo Freire propõe uma montagem que deixa atores à vontade em cenografia instigante, criada também por Petrin. Montando e desmontando espaços os atores aumentam a sensação de cumplicidade enquanto algumas molduras vazias são preenchidas por lembranças de possíveis momentos entre as personagens, os atores e, certamente, todos nós. Viva, na lembrança da personagem e na imagem emoldurada, apenas a foto da esposa.

Aeroplanos tem uma temática ousada perante os padrões que rolam por aí. Em tempos de exacerbação da juventude e de redes sociais frequentadas apenas por gente feliz, a montagem  enfrenta a solidão, a morte e a idade como fatores inatos e, portanto, pertinentes a todos nós. O resultado é delicado e emociona.

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Aeroplanos, amizade e cumplicidade para toda a vida. Foto: João Caldas.

“Levem os amigos” é a expressão rotineira que, em se tratando de Aeroplanos, deve ser levada “ao pé da letra”. A peça celebra a amizade e nos faz perceber o quanto somos felizes e abençoados por viver entre amigos. Sai também orgulhoso com a produtora Sonia Kavantan: é mais um trabalho que vai além da mera diversão e consumo, propiciando gratas reflexões para todos os que assistem e, com certeza, também aos que dela participam.

Após estreia no Teatro Municipal de Santo André, no ABC Paulista, a peça entra em cartaz na próxima sexta, dia 5 de maio, aqui em São Paulo, no Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295. Fone 11 3864 4513), com apresentações sextas e sábados, 21h e domingos às 19h. Preços: R$ 20(inteira), R$10 (meia-entrada).

Até mais!

Curso de Produção Cultural e Captação

Sonia Kavantan já realizou dezenas de cursos contribuindo na formação de produtores culturais de todo o Brasil. Nos dias 17,18 e 19 de março – um final de semana – ela ministrará o curso em São Paulo. Neste post uma breve síntese do CURSO DE PRODUÇÃO CULTURAL E CAPTAÇÃO.  Maiores detalhes no site http://www.kavantan.com.br/cursos.

Conheço Sonia e já fizemos muitos trabalhos juntos; para quem ainda não conhece, veja abaixo:

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Entre os vários trabalhos que fizemos juntos está o Arte na Comunidade que, em sua primeira versão, visitou os estados do Pará e Maranhão, com a peça O Casamento do Pará com o Maranhão. A imagem da peça sobre abaixo, sobre os aspectos práticos da produção cultural é do cartaz da peça, que fez longa temporada na região amazônica.

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Para concluir esse breve post, a síntese do programa do curso, cujo conteúdo é fundamental para todo profissional que trabalha com teatro, exposições de arte, eventos musicais, cinema e outras atividades correlatas.

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Uma indicação para os leitores deste blog. Entrem em contato e saibam todos os detalhes com o pessoal da Kavantan & Associados.

Até mais!