12° Embarque do Trem das Lives

Nesse domingo, o Trem das Lives dá um pulinho em Nova Iorque. A ideia é entrevistar Nilton Sperb, cineasta e apaixonado por quadrinhos.

Além disso, Nilton conta a sua participação na obra “Achieving our commom humanity”, em tradução livre “Alcançando nossa humanidade comum”, livro que faz um balanço dos 75 anos da ONU, organização em que atua profissionalmente.

Venha viajar com a gente.

#embarque 12

06.12, 17h30 Instagram.com/tremdaslives

Negros e alvos

O escritor e compositor Monahyr Campos, próximo convidado do Trem das Lives, atua também em teatro. Publicou um texto teatral, Negros e alvos, pela Giostri Editora, na coleção Dramaturgia Brasileira.

Da capa do livro extraímos um trecho que apresenta o autor: “Sua carreira no teatro começou com o ator e diretor Celso Frateschi, tendo estudado posteriormente com Jaime Compri e Eugênio Barba, participando do 4° Festival Internacional de Artes e Ciências de São Paulo, com o Grupo Americano Bread and Puppet, e do congresso da International School of Theatre Antropology (ISTA), no Festival Internacional de Londrina, em 1994”.

Sobre o texto, também está descrito no livro:

“Para enfrentar a ordinária e corriqueira estupidez racista, esta, até certo ponto, propositalmente caricatural na peça, a personagem desenvolve e acredita em um modo de vida que supera as questões raciais.

A palavra “alvo” é polissêmica, às vezes querendo dizer o contrário de negro, pois, teoricamente, o contrário de branco é preto; em outros momentos revelando um norte para rompimento da estrutura sólida da sociedade, que é o sucesso meritocrático, independente de ser preto ou branco; há também a questão do próprio negro ser o alvo, pois a manutenção da sociedade tal como esta passa necessariamente pela imobilidade social e cultural dos negros, daí a fomentação de estruturas midiáticas que reforçamos preconceitos arraigados há séculos neste país; por fim, alvo também significa a identificação daquele que oprime e, por esta razão deve ser vencido.”

O teatro é uma arte efêmera. Existe no palco, no exato momento em que os atores entram em cena, luzes acesas, iniciando a ação. O texto permanece e pode ser montado em diferentes épocas, por diferentes grupos ou companhias. Do trabalho de Monahyr Campos temos esse registro que leva uma temática contundente, ainda atual e, por isso, merece novas abordagens, a visão de outros atores, conduzidos por outro diretor, ou pelo próprio autor.

Espero, sinceramente, que Alvos e Negros volte a ser montado e, assim, possamos ver toda a arte teatral de Monahyr Campos. Sobre dramaturgia, também falaremos no Trem das Lives desse domingo, dia 8, 18h, no www.instagram.com/tremdaslives.

Todos estão convidados!

Para os interessados em adquirir o livro, cliquem aqui.

Ponto de honra, de Monahyr Campos

Nosso convidado do Trem das Lives, Monahyr Campos lançou recentemente, pela Editora Patuá, o livro de contos COLO. Conheça abaixo um dos textos da obra, Ponto de Honra. Neste conto Monahyr entra no universo de uma violência presente, ignorada por muitos, preocupação de outros, evidenciada e caracterizada em uma linguagem peculiar, aproximando o leitor do ambiente, cenário e modo de vida das personagens envolvidas.

O link para a aquisição do livro está no final do conto. O Trem das Lives, com Monahyr Campos será no próximo domingo, dia 8, 18h, no instagram.com/tremdaslives.

PONTO DE HONRA

Acordei de madrugada com o sistema nervoso, pregado na intuição: o Travoso, comandante da ala ia me pedir antes da visita, daqui a dois dias! Acabou que eu tava mordido, na fissura de ficar bicudaço, mas careta que tava, num parava num pensamento. Mil fita na cabeça, mil treta. Todo o falatório por causa de uma brizola miúda, mó merreca, e agora, os perdigão aprontando a bicuda e eu no fim do carretel.

Precisando dar um pino, precisando dar um pino, psôr. Tá ligado? Eu jurado só porque num entrei na fita e deu zica. Aí, do nada aparece uns passarinho e assopra meu nome. Aê, psor, o senhor tem que por um pano! O senhor tem deus no coração, num vai quebrar a perna!

Eu sentindo toda aquela aflição, sabia que tinha que me manter a uma distância segura. Por outro lado, como ignorar um pedido de alguém naquela condição?

Eu não posso entrar na frente, entende? Se der pra conversar, lógico que eu faço um corre, mas não dá pra garantir. Cê tá ligado que se eu firmar contigo, viro adubo na mesma lampiana que você. Quando eu for lá no xis eu dou a letra. Segura a onda, aí.

Dois anos e dois meses de trabalho aqui na penitenciária e já estou quase insensível a essas confusões. A princípio, era pra ser apenas seis meses de trabalho forçado, mas fui me meter a besta de dar minha contrapartida social, de fazer a minha parte. Agora sou refém de mim mesmo, dentro de um episódio do Hannibal, visto com desconfiança pelos presos; com desdém pelos funcionários; como louco por meus colegas de profissão; e nunca mais fui visto de forma nenhuma por minha mulher, nem meu filho… A mulher é ex, mas o filho é pra sempre.

No começo eu ficava desesperado, achava que tinha obrigação de ajudar esses coitados. Só aos poucos fui me dando conta de que, se bobear, muitos deles nem sabem o que é esse sentimento de empatia – apelam por minha intersecção justamente por saberem que eu prezo por meu sentimento de humanidade, que eu os vejo a todos como meus iguais, mas eles sabem porque estão aqui – eu não.

Hoje é o Carqueja. Semana passada, foi o coitado do Apendicite. Antes, o Buti. Teve também o caso do Timba, do Sprite. A lista é infinita… Tudo história mal contada, diz-que-me-disse; um, porque dizem que talaricou a feinha do outro; aquele porque era jacaré… Pessoas com problemas seríssimos em lidar com autoridade e, de repente, condenadas a viver sob um regramento extremamente rígido.

Aqui a vida é no limite o tempo todo. É no limiar do julgamento que o mais forte organiza a convivência, verbalizando as regras, que são invariavelmente aceitas por consenso. Não faria sentido questionar qualquer lei, simplesmente porque cada norma num ambiente primitivo é a consagração de um modo de viver, é sempre ponto de honra!

As paralelas encontram-se no infinito. Na teoria funciona muito bem essa afirmação, mas aqui, vivo diariamente a experiência de estar numa realidade paralela, beirando o absurdo pelo lado de dentro. Qual a vantagem de poder sair, se a sensação de desconforto levo comigo: a minha e a deles? “Aqui a vida é no limite o tempo todo”. O refrão do MC Louva-a-Deus não me dá descanso, vinte e quatro horas por dia martelando a britadeira nos neurônios.

Lembro de ter lido, há um bom tempo, num livro bastante badalado, que para se constatar se uma pessoa está viva, o meio mais fácil é colocar um espelho em suas narinas e observar: enquanto estiver respirando, a superfície ficará embaçada, sempre. Se a imagem refletida permanecer límpida, é porque não há mais vida. Sabedoria dos antigos que eu tive que aprender nos livros.

Feliz de quem vive “pregado na intuição”, como diria o Carqueja, mas eu, preciso de livros pra aprender até o que a vida ensina. E eu sei que estou vivo, eu existo, porque em minha vida, sempre vejo tudo embaçado. Visão límpida, só quando a gente encara a morte de perto, no susto, no choque! Quando a pancada te arranca do confortável e te empurra pro precipício, você enxerga longe, o fundo do poço fica cristalino, mesmo se a água for turva.

E eu sobrevivendo neste inferno, como se existir me bastasse, como se a satisfação fosse duradoura cada vez que tenho notícias de algum ex-interno recuperado. Como se a gratidão fosse uma qualidade que se possa esperar de quem teve sua humanidade arrancada junto com a placenta, como se…

  • Tá morgando, fessor?! O senhor é o maior responsa, mas num dá brecha. O Carqueja vai cair e é hoje! O presidente já deu a letra, aqui mancoso num tem vez. O senhor num sabe de nada, né não? Fica pianinho que a gente dá a letra quando for chacoalhar o colégio. Lembra quando o ganso falou pro senhor faltar? Ninguém avisou o otário do nervosinho… agora ele tá o maior groselha.

Eles me avisaram quando teve rebelião. Simplesmente faltei. O Alemão não teve a mesma sorte, agora não é nem de longe o arrogante de tempos atrás. Tiraram toda a petulância dele aos berros. Passou mais de duas horas, pendurado, de ponta-cabeça, no telhado do presídio, sendo ameaçado, correndo o risco de escapar das mãos daquela gente ensandecida, completamente animalizada.

Infelizmente o Carqueja vai ser triturado. Perdeu.

A cada vez que tentava dormir, me vinha a imagem daqueles olhos estatelados feito jaca madura, caindo no terreno baldio de minha insônia, me pedindo socorro. Coitado. Eu era sua derradeira esperança. Eu, de mãos completamente imobilizadas, totalmente impotente. Disposto a resgatar algumas individualidades através do conhecimento, percebi que nem mesmo o meu melhor, nem minha dedicação ao máximo grau pode interferir na dinâmica daquele lugar.

Qualquer texto, poema ou discurso que lhes apresento, sempre vai transitar na possibilidade de se tornar uma extrema unção. “Pra morrer, basta estar vivo”, nunca minha mãe teve tanta razão! E quem me garante que a qualquer hora, não vai aparecer um “passarinho” para assoprar o meu nome?

MONAHYR CAMPOS

PARA ADQUIRIR “COLO acesse aqui o site da editora.

A cozinha venenosa: um jornal contra Hitler

Silvia Bittencourt, nossa convidada do próximo domingo no Trem das Lives, é a autora do livro que destacamos neste post. O texto é do catálogo da editora Três Estrelas:

A cozinha venenosa é a história da corajosa guerra de um pequeno jornal de Munique contra Hitler.

Durante mais de dez anos, o Münchener Post empreendeu uma batalha sem tréguas contra o líder nazista e seus fanáticos, denunciando os perigos de sua ideologia, noticiando seus crimes e alertando, já em 1932, sobre a monstruosa “solução final” que eles reservavam aos judeus.

Os combates não se limitaram às páginas do jornal e aos tribunais. Os nazistas chegaram a atacar os redatores nas ruas e depredaram duas vezes a redação do Post, a última delas em 1933, quando Hitler chegou ao poder e ordenou a destruição total do detestado diário.

A cozinha venenosa é o primeiro livro inteiramente dedicado à história ainda pouco conhecida do Post. A jornalista brasileira Silvia Bittencourt – radicada na Alemanha – reconstitui, a partir de cuidadosa pesquisa e por meio de uma emocionante narrativa, todos os momentos de uma das lutas mais importantes de resistência ao nazismo antes da Segunda Guerra e uma das mais audaciosas campanhas da imprensa no século XX.

Confira um trecho do livro acessando AQUI!

Silvia Bittencourt

Silvia Bittencourt (1965) é jornalista. Entre 1985 e 1990, foi coordenadora de artigos, repórter e correspondente da Folha de S. Paulo em Frankfurt. Vive desde 1991 na Alemanha, onde trabalhou, nos primeiros anos, para a Deutsche Welle e a Rádio França Internacional. Atualmente, é colaboradora da Folha, tradutora e docente do Laboratório de Línguas da Universidade de Heidelberg.

Vamos de Trem das Lives!

No dia 20 de setembro fizemos nossa primeira live. Uma viagem deliciosa que vai longe e perto, sempre em frente. Os registros de cada encontro permanecem online e podem ser revistos nas nossas páginas do Instagram. Basta clicar aqui para ver ou rever.

Um carinhoso abraço aos nossos companheiros de viagem, Cris Bucco, Marisa Schmidt, Octavio Cariello, Rosângela Maschio, Nando Cury e aos demais viajantes, nossos companheiros de jornada.

Siga-nos nas redes sociais e acompanhem o Trem das Lives. Todos os domingos, 18h00.

Até mais.

Quatro passageiros do Trem das Lives

Viagem planejada, preparativos finais, no próximo domingo teremos um Trem das Lives especial alusivo ao dia dos professores. Optamos por escolher professores que atuam em regiões distintas, na medida do possível expondo aspectos do ensino e da educação no país. Os nossos convidados:

Nosso Trem passará por Bertioga, onde encontraremos Marisa Schmidt. Pedagoga formada há mais de 50 anos, exerceu com absoluta paixão cada dia dedicado ao magistério. Nos anos 1970 foi professora de importantes instituições como o Colégio Visconde de Porto Seguro, de origem alemã. Marisa também empreendeu, mantendo uma pré-escola em São Bernardo do Campo. Hoje exerce outra de suas paixões, a poesia.

Fortaleza é outra estação dessa viagem. No Ceará conversaremos com Cristiane de Andrade Buco. Doutora em arqueologia, musicista desde a infância, bacharel em violão clássico, Cris transita pela música e, em especial, pelas artes rupestres com paixão declarada pelo Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, onde realizou intensa pesquisa. Hoje leciona em curso de pós-graduação.

Com a agilidade que a web possibilita, o Trem das Lives dará uma passada por Londrina, no Paraná, para encontrar e conversar com Carlos Eduardo Costa. Graduado em psicologia, pós-doutor e professor da UEL, Universidade Estadual de Londrina, Cae é dedicado, estudioso e antenado com as questões do ensino e pesquisa. Psicologia experimental e análise de comportamento estão entre os assuntos que, facilitados pelo professor, tornam-se tranquilos e agradáveis.

Ilustrador, escritor, roteirista de história em quadrinhos, o professor Octavio Cariello fará uma participação afetiva no especial do Dia do Professor no Trem das Lives. Para ficar em uma palavra da hora, sem Spoiler! O artista está preparando algo bem legal para nossa live. Só esperando pra ver e, com certeza, usufruir!

Fernando Brengel e eu, Valdo Resende, estamos felizes e simultaneamente ansiosos. O tempo não passa!!! Estaremos lá! Aguardamos todo mundo!

Fique ligado:

Especial Dia dos Professores

Domingo, 11.10

18h00

Instagram @tremdaslives

Dia do Professor no Trem das Lives

Professores!!! Somos, não estamos. Brengel e eu…

Não estamos, mas podemos viajar no Trem das Lives para homenagear os que são, os que estão… ou não (diria o grande Caetano Veloso). Assim, no próximo domingo, comemoraremos antecipadamente o nosso dia (Dia 15 – quinta-feira – quantos estarão trabalhando?). Brengel, que é um fofo, escreveu:

“É com muito carinho que o Trem das Lives está preparando uma edição especial alusiva ao Dia dos Professores. Educadores de regiões distintas do país contarão um pouco do seu dia a dia, das suas realidades e sonhos. Lições de vida emocionantes. Não falte”.

Eu… Bem, não vou citar o nome de ministro que menosprezou os profissionais da educação. Insisto, todavia, no dever de respeitar toda e qualquer profissão. Não se trata de colocar umas sobre as outras, mas de ordená-las segundo sua inserção na vida do ser humano. Pai e mãe, avós, tios, irmãos e primos não são profissionais, mas familiares do ser que, para aprender metodicamente, criteriosamente, qualquer coisa além do universo doméstico precisa de um PROFESSOR!

Não se pode esperar muito de alguém (Ministros e similares no poder) que não consegue reconhecer a própria caminhada e o que foi necessário vivenciar para dar cada passo . Por isso eu desafio qualquer um (Ministros e similares no poder) a entrar em uma sala e, sem a FORMAÇÃO ADEQUADA, sem polícia armada na porta ou dentro da sala, tentar dar aula para trinta, cinquenta, cem alunos ou mais. FORMAÇÃO ADEQUADA em negrito e maiúsculas, pois nosso ensino, em qualquer circunstância e mesmo com dificuldades, acontece com preparação detalhada, planejamento sério, consistente e responsável. Do contrário, seria aventura, irresponsabilidade.

Fiquem tranquilos. O Trem das Lives vem com muita tranquilidade e delicadeza viajar com professores legais (por legal entenda: devidamente formados, capacitados e experientes no que fazem), simpáticos, agradáveis, o que nos permite garantir uma hora de viagem agradável, com informação e diversão.

ANOTE: Trem das Lives – Domingo – 18h – No instagram.com/tremdaslives

Aguardamos todos vocês.

Obs. A foto é de antes da pandemia. Por isso, estamos bonitinhos. O Brengel, sempre sorridente, esbanjando simpatia; Euzinho, com meu jeito meio ranzinza ( – meio? Alguém irá exclamar). Meio. Reafirmo. Era dia de festa.

Até mais!