Aos nossos filhos

parapost
Luciana Fonseca e o menino fazendo-me lembrar do que sonho para nosso país.

Uma manhã de segunda-feira diferente de todas as outras. Dia 9 de maio. Acordo tenso em um quarto de hotel, pois o despertador não tocou.  Todavia, sem atrasos, saímos de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, em direção à Queluz. Na Escola Municipal Professora Maria Mendes Guerra Pereira haveria a estreia de “A Baronesa de Queluz”, o texto que escrevi tendo Luciana Fonseca como intérprete.

O enredo da peça é simples: uma atriz, poeta e trovadora, volta à cidade natal. Enquanto relembra fatos marcantes da história da cidade, aproveita os motes para realizar jogos teatrais com as crianças. Com figurinos de Carol Badra e a música de Flávio Monteiro, “A Baronesa de Queluz” entrou em uma sala repleta de crianças muito pequenas. De imediato vieram-me dúvidas: Será que entenderão? Participarão das brincadeiras? Gostarão da peça, da atriz?

parapost4
Rodolfo Oliveira na Escola Professor Joaquim Rebouças C Netto.

Tímidas a princípio, as crianças foram entrando no clima da peça, nas brincadeiras e histórias contadas por Luciana e passei a me deliciar com rostinhos absolutamente absortos, olhares atentos, riso solto e atenção redobrada quando a atriz/personagem propõe uma tarefa prática.

Fora da escola, longe daquela sala, turbulências de todo o tipo e, fundamentalmente, o imenso receio pelo destino do meu país. Uma mulher condenada antes do final do julgamento e a certeza do caráter precário, duvidoso de gente sórdida que tomará a cadeira da presidência e ocupará os ministérios. E as pequenas crianças de Queluz, protegidas pela própria idade, permaneciam absortas, alegres e felizes com o nosso trabalho.

Saímos de Queluz e rapidamente voltamos para Cruzeiro. O ator Rodolfo Oliveira estava na escola Professor Joaquim Rebouças C Netto interpretando “O Viajante do Embaú”, a montagem que aborda a história da cidade que, com muitas unidades, tem outro ator, Conrado Sardinha interpretando o mesmo texto na Escola Doutor Arnolfo de Azevedo. Nos dois locais a mesma situação: crianças escutando atentamente e brincando com inequívoco entusiasmo. A magia do teatro: dois atores distintos, a mesma história, trabalhos absolutamente diferenciados e resultados similares. Evoé!

parapost3
Conrado Sardinha  na Escola Doutor Arnolfo de Azevedo.

Longe da sala de aula o efeito da ação de um indivíduo, supostamente autoridade, suspendia a votação do impeachment e outro, ignorando a autoridade, seguia em frente com pressa inusitada para os parâmetros federais. Sem acreditar nas intenções daqueles que derrubam a presidência sobra desalento; aumenta o receio pelo que teremos no futuro. No entanto, tanto as crianças quanto “meus” atores mergulham de cabeça em contos e cantos, em desejos e anseios por um mundo melhor. A vida continua; a luta segue.

A imagem que guardarei da segunda-feira, dia 9, é a que abre este post. A criança com a camisa amarela, Brasil nas costas, trouxe à tona a síntese e o propósito do nosso trabalho. É para frente que prosseguimos e é por nossos filhos que lutamos. Eu, que não sou pai, vivo diariamente a missão de ensinar, orientar. E em trabalhos como o Arte na Comunidade ensino, propicio diversão e entretenimento. E disto, passo a escrever no plural, temos muito orgulho.

Nós, realizadores do Projeto Arte na Comunidade, temos a alegria de propiciar boas histórias, momentos felizes. Semeamos respeito pelo passado, atenção ao presente e cuidados para com o futuro, com as pessoas e o ambiente onde essas estão. Para as crianças que usufruem do nosso trabalho a atual situação será apenas história; uma turbulência em Brasília entre tantas que tivemos e que virão.

Nossos atuais dirigentes passarão; alguns irão para o lixo da história, lembrados pelo que de mal fizeram à nação; outros serão reverenciados pelo bem deixado como herança. Nós, pequenos e humildes artistas, saltimbancos, podemos alardear sono tranquilo. Deixamos como herança fotos de momentos felizes, sons de cantigas que zelam pelo planeta, imagens de puro contentamento… Pode ser pouco para aqueles que acumulam milhões na Suíça, mas se eu fosse pai é dessa forma que gostaria de ser lembrado.

P.S.: Dedico este texto aos meus parceiros na elaboração e construção deste trabalho:  Sonia Kavantan, Carol Badra, Luciana Fonseca, Milka Beatriz, Lilian Takara, Flávio Monteiro, Conrado Sardinha, Rodolfo Oliveira e Julio César Fonseca.

Até mais!

 

Os Atores do Vale

Falta pouco. Em maio o Arte na Comunidade 4 estará nas escolas de Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz, cidades do Vale do Paraíba. Os ensaios estão adiantados e, premissa do nosso projeto, os atores são nascidos e residentes na região. Muito em breve apresentaremos  detalhes das montagens teatrais de cada cidade e de toda a nossa ação por lá. Aqui, no meu blog, optei por iniciar essa fase apresentando nossos atores, parceiros fundamentais nesse trabalho.

Após testes realizados com profissionais do Vale do Paraíba partimos para os primeiros ensaios e, de repente, já consumimos mais de sessenta horas de ensaio na elaboração das montagens. Vamos aos atores:

conrado
Conrado Sardinha

Conrado Sardinha tem passagem pelo Grupo TAPA interpretando textos de autores como Nelson Rodrigues e Tennessee Williams.

luciana.jpg
Luciana Fonseca

Luciana Fonseca, além de atriz é formada em Educação Artística e professora de teatro em diversas escolas de Cruzeiro.

rodolfo.jpg
Rodolfo Oliveira

Rodolfo Oliveira soma ao trabalho de ator atividades como dublê e também é professor de teatro.

São personalidades distintas, formação e experiências peculiares que, com certeza, enriquecerão o Projeto Arte na Comunidade nesta quarta edição.

Até mais!

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz no AC4

Arte4

Neste final de semanas realizaremos testes com atores do Vale do Paraíba para atuação no Arte na Comunidade 4, o AC4. É um momento de crucial importância, já que serão esses profissionais que entrarão em contato direto com o público geral das cidades participantes, em especial os alunos das escolas dos municípios.

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz entram no mapa do Projeto Arte na Comunidade, que já visitou cidades do Pará, Maranhão, Minas Gerais, sendo que esta é a segunda incursão em São Paulo. A mais recente edição foi na Baixada Santista em 2015.

Sonia Kavantan, a idealizadora e produtora do AC4, o diretor musical Flávio Monteiro e eu, autor e diretor dos textos, estaremos em Cruzeiro para a realização dos testes. Até agora temos sido muito bem recebidos pelas secretarias de educação dos municípios que estão nos facilitando acesso às escolas para a concretização do Projeto.

O Arte na Comunidade busca incentivar as culturas regionais através de contação de histórias, espetáculos teatrais e atividades junto aos alunos das redes municipais. Os fatos marcantes, a história e as características de cada localidade são o foco para trabalhos criativos: elaboração de textos, poemas, peças, além de expressões plásticas.

As três cidades do Vale do Paraíba têm importância notável desde o tempo da busca do ouro pelos Bandeirante, também durante o ciclo do Café, nos primórdios do século passado; pela posição geográfica estratégica tiveram participação vital na Revolução Constitucionalista de 1932. Os municípios estão próximos às divisas com os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro na região dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira. Banhadas pelo Rio Paraíba do Sul, as cidades visitadas pelo AC4 são marcantes na história do Vale e de todo o Estado de São Paulo.

Estamos felizes por mais esta oportunidade e assim, vamos em frente! Sempre que possível registrarei aqui algumas etapas desse projeto.

Até Mais!

 

 

ATORES PARA O ARTE NA COMUNIDADE 4

 

Seleção de atores – PROJETO ARTE NA COMUNIDADE 4

Estamos selecionando atores profissionais para atuar na região do Vale Histórico do Paraíba (Cruzeiro, Queluz e Lavrinhas/ SP), na quarta edição do projeto “Arte na Comunidade”. Os interessados deverão ter DRT, bem como experiência com contação de histórias e com projetos cujo público alvo sejam crianças. Será dada preferência àqueles que residam ou que tenham nascido nestas cidades.

Cronograma:
Abril: ensaios (provavelmente em Cruzeiro)
Apresentações: maio e junho, (em dias de semana, pois acontecerão em escolas) e agosto (3 dias – finais de semana)

Envio de currículo com foto até o dia 30/03 aos e-mails: sonia@kavantan.com.br e lilian@kavantan.com.br – KAVANTAN & ASSOCIADOS – PROJETOS E EVENTOS CULTURAIS

Vamos para o Vale do Paraíba?

Sempre passei pela Via Dutra em viagens ao Rio de Janeiro, Aparecida ou como atalho para o litoral norte paulista. Carro ou ônibus, a visão que se tem do Vale do Paraíba é encantadora. Seja pela imensidão da Serra Mantiqueira mostrando-se com infinitas possibilidades conforme recebe os raios solares, ou então em longos trechos em que se tem a companhia do rio e da estrada de ferro. A paisagem atrai, estimula a curiosidade, reaviva lembranças.

Múltiplas cidades alternam impressões do viajante que passa pela Via Dutra. As indústrias de São José dos Campos, recordações de Monteiro Lobato em Taubaté, os mistérios da fé em Aparecida e, já no estado do Rio de Janeiro, a seriedade militar de Resende, a altivez do Itatiaia, a descida de outra serra para ganhar o litoral fluminense… Há mais; muito mais!

arte 1
Uma tenda com palco italiano e capacidade para 400 pessoas sentadas (as laterais ampliaram o número de espectadores) percorreu cidades do Pará e Maranhão.

A quarta edição do Projeto Arte na Comunidade será no Vale do Paraíba! A primeira ocorreu nos estados do Pará e Maranhão, percorrendo dezenas de cidades da Amazônia. Desde então, enfatizando os objetivos primordiais tais como o resgate e a valorização da cultura local, atentando para questões de preservação ambiental e de educação para a cidadania o Arte na Comunidade foi em frente. A segunda edição foi em Minas Gerais, no Pontal do Triângulo Mineiro.

Quatro cidades mineiras receberam os agentes do projeto em apresentações públicas e, em seguida, foram realizadas apresentações teatrais em escolas municipais estimulando o levantamento de aspectos locais através da criação de textos e contação de histórias. Uma mostra teatral encerrou a aplicação do projeto na região e, entre as atrações, uma exposição dos resultados dos trabalhos realizados pelos alunos de cada cidade.

arte 2
Mostra teatral e atividades nas escolas dos municípios ocorreram em Minas Gerais.

A terceira edição, em 2015, ocorreu na Baixada Santista acrescida de um maior contato com os educadores das cinco cidades participantes, resultando em expressiva adesão e participação dos mesmos nas diferentes etapas do Arte na Comunidade. Agora em 2016 prosseguimos em cidades paulistas: Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz são os novos destinos do nosso projeto.

arte 3
Exposição do resultado das atividades em escolas da Baixada Santista foi um fato marcante do Arte na Comunidade 3.

E assim, lá vamos nós para o Vale do Paraíba! Sonia Kavantan, a idealizadora do Arte na Comunidade, Lilian Takara, Milka Master, Filipe Brambilla e Flávio Monteiro. Nossa equipe começa enxuta, aumentando posteriormente com profissionais da região visitada. Somaremos produtores, técnicos, atores entre outros companheiros que comporão a equipe final com os educadores e representantes de cada município para a concretização do trabalho.

Mais uma vez tenho a honra de escrever os textos – já comecei! – e também farei a direção dos espetáculos. Além do que publicarei aqui, neste blog, convido todos a seguirem as ações do Arte na Comunidade através das redes sociais e do blog que registra as atividades do projeto. Grandes descobertas, expressivas experiências, o Arte na Comunidade beneficia as comunidades visitadas e todos que dele participam.

Até mais!

Visite-nos:

Facebook – https://www.facebook.com/artenacomunidade/

Blog – https://blogartenacomunidade.wordpress.com/