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Carinhoso texto do Fernando Brengel, com ilustração de Diego Ferrari. Obrigado, queridos!

brengel e valdo

Fernando Brengel

14 anos atrás, voltando para a universidade depois de um breve afastamento, reencontrei meu rumo e nele persisto. João Carlos Leme, um ser humano fora do comum, havia me restituído a felicidade de lecionar, reaberto portas, a você João, meu eterno agradecimento.

Aos poucos revi amigos e estabeleci relacionamentos que se eternizam. Muitos deles começaram em uma pequena mesa da sala dos professores, endereço de figuras adoráveis: Regina Cavalieri, Claudia Regina BoumanValdo ResendeMarco Antonio Frascino, Dalton, José Carlos GuimarãesValdemar Jorge, entre tanta gente querida.

Conversa vai, conversa vem, semestre entra, semestre vai, descobri sinergias com o Valdo que nos aproximaram e nos tornaram irmãos. O teatro, a música, a literatura, as artes plásticas, o Palmeiras, o gosto pelas discordâncias políticas e o essencial: as afinidades humanas, a luta pela justiça, pela inclusão, a retidão que nos persegue, o trabalho que perseguimos.

2004. Confiança estabelecida, carinho mútuo escancarado, Valdo me surpreendeu: “Oh Brengel! Lê isso aí. Revisa e me devolve rápido.” “Mas cara, vou demorar um pouco …” “O que você faz da meia-noite às seis? Anda! Deixa de ser mole!”.

Detalhe: o que era aquele monte de folhas? “Um livro meu, escolhi algumas pessoas para ler. Quero muito a sua opinião e revisão”. Desmontei. Eu? Um autor, baita escritor, conferindo a um reles mortal a sua obra? Fiquei emocionado, honrado, comecei a ler dois meninos – limbo na mesma noite, naquele horário da meia-noite às seis, afinal, com professor não se brinca.

A leitura me prendeu do começo ao fim. Senti ali um ficcionista precioso. Sim! Estava diante do nascimento de um autor. Um talento como poucos, desses que só precisam de um espaço para brilhar intensamente.

Devolvi os originais, conversamos muito e …. num belo dia de 2012 fui comunicado do lançamento de um livro batizado de Um profissional para 2020. O Valdo, novamente, me deu uma tarefa: escrever um capítulo. Ele o organizador, eu o escriba.

“E o livro do Valdo? Nunca mais falou nada”.

“Brengel, lê de novo, e rápido”. Nem pestanejei quando, há dois meses, meu bro voltou ao tema. Sinceramente? Chorei tudo de novo, sorri tudo novamente, briguei com os pontos e vírgulas, fiz um monte de observações tolas e me senti, mais uma vez, honrado.

Amanhã essa história se concretizará, uma tarde de autógrafos, tenho certeza, inesquecível. Só posso desejar a você irmão todo o sucesso do mundo. Para variar, estarei ao seu lado enchendo seu digníssimo saco, algo que me esmero há tempos. E rindo muito. Rindo como dois meninos que somos, que seremos sempre. Comemorando a felicidade de haver pequenas mesas no mundo responsáveis pelo início e perpetuação de grandes histórias de amizade, de vida, de amor.

Bjs. Sucesso!

(Esta noite recebi a ilustração abaixo do Diego Ferraria quem agradeço de coração. Espero vc lá amanhã lindo. Saudades. Maria Moraes, tô louco pra te ver, já se passaram muito mais que cinco anos desde o nosso último encontro. Wagner Kojo e Ellen Rotstein Kojo, seus padrinhos querem vocês bem juntinhos deles.)