Triste planeta, esse d’A Lavanderia

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Meryl Streep. Delicada composição em A Lavanderia (divulgação)

Era para ser apenas um filme com Meryl Streep; a atriz que me é garantia de diversão, entretenimento, além de não raros momentos de puro encantamento. Gosto das sutilezas de composição de personagem, da capacidade incrível de Meryl interpretar e de colocar-se no universo de mulheres absolutamente distintas. De quebra tinha Gary Oldman e Antonio Banderas. Todavia, o filme foi muito além.

A Lavanderia expõe o quanto o ser humano pode ser abjeto e, pior, deixa claro que há um contingente imenso de gente que apoia, colabora, é cúmplice. Falcatruas, golpes, fraudes, evasão fiscal… O mundo não é dos mansos de coração e o diretor Steven Solderberg mistura cinema e teatro, quebrando a quarta parede, fazendo de Oldman e Banderas personagens e narradores da história transitando entre tomadas externas em espaços reais com outras, em estúdio, evidenciando tratar-se realmente de um filme.

É real a origem do roteiro de Scott Z. Burns. Em 2016 vieram à tona inúmeros documentos de um escritório de advocacia comprovando a existência de empresas, aos milhares, criadas em paraísos fiscais. Grande número dessas existem só no papel, e somadas a outras e mais outras formam um painel fechado em si mesmo, impedindo que clientes e consumidores tenham acesso a serviços adquiridos. É o primeiro grande mote do filme. A personagem vivida por Meryl Streep perde o marido em um acidente e ao buscar o seguro a que tem direito entra no universo de empresas de fachada criado por advogados, com a conivência de governos e grandes instituições financeiras.

Comédia, drama, muito sarcasmo e cinismo em cena. Dividido em pequenos episódios, há várias histórias que têm como eixo a mesma origem, ou mesma pendência. O mundo vive sob fraude e infelizmente, em algo baseado em fatos, o Brasil tem destaque. Dessa vez não temos o país como destino de fugitivos, mas como protagonista via Odebrecht destacando-se propinas entre as fraudes da empresa.

A Lavanderia é um filme contra a corrupção mundial. Com ironia e inteligência o filme expõe a força/importância do dinheiro para o ser humano. Lucros, independendo de como são obtidos, é o que importa. A vida é mercadoria e a venda de órgãos é apenas um detalhe entre as milhares de possibilidades de se ganhar dinheiro.

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Gary Oldman e Antonio Banderas, diretamente para a câmera. (divulgação)

Um ou dois sujeitos na cadeia não resolve uma postura que é comum entre empresários, políticos, donos de grandes empresas. Uma grande falcatrua desvendada só evidencia o quanto de outras há por aí. O mundo é uma lavanderia de dinheiro sujo? O planeta deve se tornar uma lavanderia, limpando tudo o que há de sujo por aí? Eu gostaria de ter esperança e só espero não perder a vontade de lutar.

Daqueles filmes que dificilmente farão grande carreira nas salas comerciais, A Lavanderia está no Netflix. Além dos três atores citados, ainda há David Schwimmer, Sharon Stone, James Cromwell e Jeffrey Wright em personagens que merecem atenção, compondo o triste cenário de parte desse nosso mundo que, parece, com sistemas judiciários corrompidos, continuará por muito tempo aguardando a justiça divina… fazer o quê?

Até mais!

 

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